Second Chance

2 Capítulo 1 – O 21º aniversário


Notas iniciais
Oi gente, Antes de mais nada eu queria agradecer os comentários lindos de vocês no prólogo e fico feliz mesmo que vocês tenham gostado dessa minha nova história maluca. Mas chega de enrolação, aqui está o cap novo, espero que gostem Nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Seis anos antes

–E isso é tudo por hoje – o professor falou e eu, literalmente, pude ouvir os suspiros de alívio ao meu redor – Por favor, leiam o restante do texto e, se possível, façam suas anotações para podermos discutir na próxima aula.

Todos os alunos começaram a sair apressadamente de dentro da sala de aula, mas eu comecei a arrumar as minhas coisas lentamente dentro da bolsa. Eu não estava com pressa e ficar mais um tempo lá dentro me faria evitar a confusão que se forma na saída do prédio da faculdade.

– Caroline – me virei a tempo de encontrar um dos meus colegas de curso.

– Oi, Matt! – sorri para ele em resposta.

– Será que você pode me emprestar as suas anotações da aula de hoje? – pediu – Não consegui copiar todas as partes importantes e queria ver o que foi que eu perdi.

– Claro – voltei a colocar a minha pasta em cima da mesa – Deixe-me apenas pegá-las aqui.

Quando fui pegar as minhas anotações, o cartão que meu pai me deu hoje de manhã quando estava saindo de casa caiu no chão. Eu me abaixei para pegá-lo, mas Matt foi mais rápido.

– “Hoje é um dia muito importante para você, minha filha. Feliz aniversário de 21 anos, Caroline!” – leu o que estava escrito no cartão – Hoje é seu aniversário, Caroline?

– É sim... – respondi um pouco sem graça por ter sido “descoberta”.

Sempre gostei de fazer aniversário, mas as minhas comemorações se resumem em estar com a família e algumas pessoas próximas a mim. Fazer grandes festas significa ser o centro das atenções e eu detesto isso.

– Parabéns, então – completou antes de devolver o objeto.

– Obrigada, eu acho... – dei de ombros antes de voltar a procurar os papéis em que estavam as anotações da aula de hoje.

– Olha só que insensibilidade da minha parte – voltou a falar enquanto balançava a cabeça negativamente – Hoje é seu aniversário e eu aqui sendo totalmente egoísta te pedindo um favor.

– Não tem problema, Matt, é sério – garanti quando finalmente encontrei o que estava procurando – Aqui está!

– Obrigado, Caroline – agradeceu – Eu te devolvo na próxima aula, sem falta.

– Está bem – concordei – Bom, agora eu preciso ir.

– Espera, Caroline – voltou a me chamar – Já que está fazendo algo por mim, deixe-me fazer algo por você também. Eu posso te pagar o almoço? Ou melhor, vou com uns amigos a um bar que fica aqui perto da faculdade e vai ter música ao vivo, se quiser aparecer, será mais do que bem vinda.

– Infelizmente eu vou precisar dizer não, para os dois convites – respondi – Agora eu estou indo almoçar com os meus pais na delicatessen do meu padrasto e a noite eu vou sair com a minha melhor amiga. Nós duas temos planos para o meu aniversário de 21 anos desde que tínhamos uns 10 e se eu disser que não posso ir, é capaz dela querer me matar.

– Certo, não vou atrapalhar os seus planos de aniversário – sorriu – Quem sabe da próxima vez você não vai conosco?

– Claro, parece bem divertido – afirmei – É só combinarmos, quem sabe em uma sexta-feira.

– Acredite em mim, eu vou cobrar –brincou – Bom, eu não vou mais te atrapalhar hoje. E, mais uma vez, parabéns – aproximou-se e deu um beijo no meu rosto.

– Obrigada... – disse antes que meu rosto ficasse vermelho por conta do gesto dele.

***

Quando estava no ônibus, comecei a lembrar da minha conversa com Matt, há poucos minutos. Ele foi o primeiro a quem conheci ao entrar na faculdade de hotelaria. Não posso dizer que somos próximos, mas temos uma boa convivência; essa é a primeira vez que ele age assim comigo, pelo menos que eu me lembre.

Claro que eu já tive namorados antes, embora nenhum deles tenha sido exatamente sério. Sem contar que no momento eu estou tão focada no último ano do meu curso que não tenho plano de me envolver com ninguém até estar formada, e mesmo assim não sinto que Matt Donovan seja o cara certo para mim, nem agora nem nunca.

Estava olhando para a paisagem do lado de fora da janela quando meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho dentro da bolsa e reconheci no mesmo instante o número da minha mãe no identificador de chamadas.

– Mãe! – disse assim que atendi a ligação – Está tudo bem?

Esta tudo bem sim, Caroline – afirmou – Só queria saber se você já está chegando. O seu pai e eu já estamos aqui te esperando.

– Já estou no ônibus – respondi – Devo chegar aí em, no máximo, dez minutos.

Você realmente não tem jeito, minha filha – tinha certeza que ela estava revirando os olhos nesse momento –Deveria ter concordado em deixar o seu pai ir te buscar na faculdade ou então que eu passasse lá com o táxi para virmos juntas.

– Mãe, eu estou fazendo 21 anos hoje, não preciso que você ou o meu pai me busquem na faculdade – lembrei – Sou perfeitamente capaz de pegar um ônibus, aliás, faço isso todos os dias.

Sinceramente, não entendo essa sua mania de andar de ônibus – voltou a reclamar – Quando é que você vai finalmente aceitar um carro de presente?

Essa nossa discussão já era antiga, na verdade. Quando eu fiz 16 anos e tirei minha carteira de motorista meu pai queria me dar um carro de presente, mas eu não aceitei, pois o colégio que eu estudava era perto de casa eu podia perfeitamente ir de bicicleta; o assunto voltou quando fiz 18 anos, dessa vez com a minha mãe e eu mais uma vez rejeitei. Claro que eu quero ter o meu próprio carro, mas só quando eu for a gerente de algum grande hotel e puder comprá-lo com o meu próprio dinheiro.

– Mãe, eu gosto de andar de ônibus – argumentei, mesmo sabendo que era bem provável que isso não fosse adiantar nada – É o momento que eu uso para passar um tempo comigo mesma.

Caso você não saiba, pode fazer a mesma coisa em um carro – continuou insistindo.

É tão raro minha mãe vir me visitar aqui em Washington que não quero desperdiçar o pouco tempo que tenho com ela em alguma briga idiota. Por sorte o meu ponto estava chegando e agora tinha uma desculpa perfeita para desligar.

– Mãe, agora eu preciso ir – avisei – A gente se vê daqui a pouquinho.

Você tem mesmo certeza que não quer que eu vá te buscar no ponto de ônibus? – sugeriu, mais uma vez – É só me esperar que eu estarei aí em alguns minutos.

– Não precisa – garanti – Eu já estou chegando, pode ficar tranquila.

Desliguei o celular e voltei a jogá-lo dentro da bolsa. Quando o ônibus parou em frente ao ponto, desci do veículo.

***

Não demorou muito para eu avistar ao longe a placa da delicatessen. Quando meu padrasto abriu aquele lugar, tinha somente o atendimento no balcão e, há uns três anos, decidiu ampliar fazendo uma área de restaurante, que está mesmo fazendo um grande sucesso.

As coisas estão indo tão bem que Steven até mesmo me contratou para ficar na recepção onde eu basicamente atendo o telefone, faço as reservas e recepciono os clientes assim que eles chegam. Além de ser uma maneira de eu ganhar o meu próprio dinheiro, também estou treinando para quando me formar em hotelaria.

– Caroline! – senti alguém me abraçando assim que entrei no local – Queria ser a primeira aqui a te dar parabéns!

– Obrigada, Hanna! – dei um pequeno sorriso em resposta.

Assim como eu, Hanna também trabalhava aqui na delicatessen. Ela costuma ficar no balcão, mas quando não estou aqui meu padrasto costuma colocá-la na recepção no meu lugar.

– Meus pais já estão aí, não é? – decidi confirmar; minha mãe, às vezes, costuma exagerar, imaginando que eu fosse demorar mais do que estava dizendo e ela acabaria chegando mesmo antes mim.

– Sim, eles já estão aí – afirmou – Na mesa dos fundos, a que o Steven reserva para os clientes especiais, e também ouvi uma conversa vinda da cozinha sobre uma lasanha de espinafre.

Aquilo não era exatamente uma novidade, todos os anos no meu aniversário Steven prepara a lasanha de espinafre para mim, mesmo que seja apenas uma pequena comemoração em casa. Esse sempre foi o meu prato favorito.

– Bom, acho melhor ir logo para lá – completei – Ou daqui a pouco alguém vem aqui me buscar.

– Aqui está você – meu padrasto saiu de dentro da cozinha – Sabia que tinha ouvido alguém entrando no restaurante. Os seus pais já estão lá te esperando.

– Eu já vou – afirmei antes de voltar a me virar para Hanna – Nos falamos mais depois.

Dei um abraço em Steven antes de ir na direção do salão do restaurante. Meus pais estavam sentados e pareciam ter uma conversa bem animada, mas pararam de falar assim que me aproximei.

– Aí está ela, finalmente! – meu pai disse – A aniversariante finalmente chegou.

– Eu estava na aula, pai – lembrei – Simplesmente não podia sair antes do final da aula, afinal, as primeiras provas estão quase chegando.

– Ele entende isso, minha filha. Acontece que o seu pai pode ficar extremamente mal-humorado quando está com fome – minha mãe explicou enquanto se levantava para me abraçar – E como é que você está, meu bebê?

– Estou bem – não pude deixar de sorrir. Não importa quantos anos eu tenha, ela nunca vai perder a mania de me chamar de bebê.

– Estou achando você um pouco magra de demais... – comentou; outra mania que ela tinha sempre que me via, não importava a quantidade de tempo que tivesse passado – Tem certeza que está se alimentando direitinho?

– Sim, mãe, eu estou me alimentando direito – afirmei sem conseguir evitar revirar os olhos – Acredite em mim, o papai e, principalmente, o Steven estão garantindo isso.

– Deve ser essa sua mania de não comer carne – voltou a reclamar – Eu já disse milhares de vezes que não deve fazer bem para você não consumir proteínas.

Já estava mesmo demorando para ela implicar com o fato de eu ser vegetariana, algo que ela costumava fazer sempre que nos víamos, e, às vezes, até mesmo quando falávamos ao telefone.

– Mãe acredite em mim, eu como proteína – garanti, embora soubesse que meus argumentos não iriam funcionar – Por favor, vamos falar de outra coisa, não estou com vontade de discutir.

– Certo... – concordou colocando a mão nas minhas costas – Já sei que não vou conseguir te convencer a comer carne mesmo, mas pelo menos posso te fazer se alimentar direitinho enquanto estiver aqui.

Eu não disse nada, apenas dei um beijo no rosto do meu pai antes de me sentar entre os dois.

***

– E como estão as coisas na faculdade? – o almoço tinha acontecido sem nenhum tipo de incidente, e, agora que eu estava me deliciando com o meu sorvete de chocolate, minha mãe começou a fazer perguntas.

– Está indo muito bem – afirmei – Apesar de gostar muito da faculdade, preciso admitir que estou adorando o fato de que esse é o meu último ano de curso, e nessa mesma época do ano que vem, eu já vou estar formada.

– Minha única filha prestes a se formar em hotelaria – seu olhar deixava bem claro a sua felicidade no momento –Acho que não preciso dizer o quanto estou orgulhosa de você. Preciso?

– Claro que não, mãe – coloquei a mão sobre a dela – Eu sei que você sente muito orgulho de mim.

Sei o quanto foi difícil para a minha mãe me mandar para Washington morar com meu pai quando tinha cinco anos, pois sabia que eu teria uma educação melhor aqui do que teria em Mystic Falls, cidade em que nasci. Hoje em dia, percebo que ela sente que todo esse sacrifício valeu a pena.

– E quais são os seus planos para depois da formatura? – voltou a me questionar – Já tem algum emprego em vista? Vai começar a procurar? Pretende continuar os estudos?

– Sinceramente, ainda não sei... – dei de ombros – Talvez eu comece a distribuir o meu currículo em alguns hotéis da cidade, mas só no ano que vem, ainda é muito cedo para isso.

– E por que você não fala para a sua mãe sobre a bolsa Mikaelson? – meu pai sugeriu – Você não enviou a sua inscrição quando as aulas começaram, no mês passado?

– Bolsa Mikaelson? – ela ficou totalmente interessada no assunto – O que é isso?

– Os Mikaelsons são donos de vários hotéis na Inglaterra e todo ano eles selecionam dez estudantes de hotelaria em todo o mundo para uma espécie de estágio durante um ano e meio – expliquei – Os alunos que mais se destacam costumam ser efetivados em algum dos hotéis da rede.

– Parece mesmo algo maravilhoso – concordou – E uma grande oportunidade para você.

– Eles recebem milhares de inscrições vindas de todas as partes do mundo – lembrei – Acreditem, a chance de eu conseguir esse estágio são muito pequenas.

– Pois eu tenho certeza de que você vai conseguir – afirmou – Você é talentosa e eles vão enxergar isso.

– Eu já disse isso a ela – meu pai voltou a entrar na conversa – Acredita que ela foi a melhor aluna da turma dela no semestre passado?

– Sinceramente, eu nem mesmo sei se quero conseguir esse estágio – concluí – Eu teria que me mudar para Londres por, pelo menos, 18 meses. Será que eu seria mesmo capaz de passar tanto tempo sozinha em outro país?

– Sei que você é capaz – ela garantiu – Você sempre foi independente, desde que era bebê e tenho certeza que passar um tempo morando fora vai até te fazer bem.

– E como é que estão as coisas em Mystic Falls, mãe?- decidi mudar de assunto – Você ainda não falou nada sobre a delegacia.

– Está indo tudo bem – afirmou – Como você sabe, é Mystic Falls. Não acontece nada de ruim por lá.

Eu tive que concordar com ela. Mystic Falls é uma típica cidade pacata de interior onde literalmente nada acontece. Foi nesse momento que meu celular tocou, era uma nova mensagem da minha melhor amiga.

Elena: Você ainda está no restaurante do seu padrasto? Estou saindo da aula em cinco minutos e posso passar aí para te buscar.

– Mãe, pai, preciso ir – avisei assim que terminei de ler o que ela tinha escrito – A Lena vai passar aqui para me buscar, vamos a uma boate hoje à noite, e ainda vamos dar uma volta no shopping. É a nossa tradição de aniversário.

– É claro filha, não vamos te prender aqui, você precisa e deve se divertir com a sua amiga – respondeu – Mas antes você precisa ver o seu presente de aniversário.

– Presente? – fiquei olhando de um para o outro repetidas vezes e tudo que os dois faziam era balançar a cabeça afirmativamente – Vocês não precisavam ter comprado nada para mim. Só esse almoço, nós três juntos, já é mais do que o suficiente para mim.

– Um pouco tarde demais para dizer isso – meu pai avisou enquanto se levantava – Vamos até lá ver e você nos diz o que achou.

Sabia que não tinha muita escolha quanto a isso, então apenas fiquei de pé e os segui para a saída do restaurante.

***

O presente que eles tinham para mim estava longe de ser uma lembrancinha...

Quando vi aquele carro compacto, com quatro portas e no meu tom favorito de azul, tudo que consegui fazer foi colocar as duas mãos sobre a boca e soltar um gritinho de surpresa.

– E então, o que achou? – ele perguntou quando eu fiquei alguns minutos sem esboçar qualquer reação.

– É simplesmente incrível – consegui sussurrar – Mas eu não posso aceitar isso.

– Claro que você pode, Caroline – minha mãe colocou a mão em meu ombro – É o seu aniversário de 21 anos, não poderíamos te dar um presentinho qualquer. Passamos meses conversando para termos alguma ideia do que te dar, e então surgiu a ideia do carro.

– Exatamente, é um carro – lembrei – E exige gastos com manutenção, gasolina e outras coisas que custam muito dinheiro.

– Eu e seu pai dividimos o preço do carro e o primeiro tanque de gasolina – continuou – Além disso vamos arcar com as manutenções, então é uma coisa a menos para você se preocupar.

– Mas ainda tem o dinheiro da gasolina – argumentei mais uma vez – Do que eu ganho metade vai para a minha poupança e o restante vai para a minha alimentação e outras despesas que eu tenho no mês. Agora vou precisar incluir a gasolina nisso...

– Quanto a isso eu posso resolver – Steven surgiu na entrada da delicatessen – Esse é o meu presente de aniversário para você, um aumento. O suficiente para você arcar com as despesas da gasolina sem comprometer o seu orçamento.

– Não posso permitir que vocês façam isso – neguei com a cabeça – Todos vocês já fazem muito por mim: pagam a minha faculdade, o meu aluguel e agora ainda vão me ajudar com um carro...

– Nós queremos fazer isso por você, Caroline – minha mãe completou, sem deixar margens para uma nova discussão – Agora vai. Você disse que precisava ir se encontrar com a Elena, não é mesmo?

– Sim, eu tenho que ir mesmo – afirmei com a cabeça, com toda essa história de carro eu já tinha até me esquecido dos nossos planos.

– Então não se atrase – avisou – Você disse que a Elena ia passar aqui para te buscar, mas agora é você quem pode ir buscá-la.

Concordei com ela antes de voltar a pegar o meu celular na bolsa para digitar uma mensagem para a minha amiga.

Caroline: Lena, você ainda está na faculdade?

Elena: Oi, Care! Acabei de sair da minha última aula e estou caminhando para o estacionamento enquanto conversamos.

Caroline: Perfeito! Então não saia daí, deixa que eu passo para te buscar.

Elena: Como assim, Care? Como é que você pretende vir aqui me buscar?

Caroline: Você vai ver... Até daqui a pouco!

Então me despedi dos meus pais e de Steven antes de entrar no carro.

***

Elena teve um pequeno “surto” quando me viu chegando no meu presente de aniversário. Ela acabou pegando uma carona comigo, deixando os seguranças irem nos seguindo juntamente com o motorista no outro carro.

Nós duas fomos dar uma volta no shopping e olhamos várias vitrines e Lena até mesmo me convenceu a comprar um vestido preto bem curtinho para usar hoje à noite. Depois de andarmos bastante, decidimos ir até a praça de alimentação comer alguma coisa.

– Você vai dormir lá em casa hoje depois da festa, não é? – estava tão distraída olhando o catchup escorregando da ponta da batata-frita na minha mão que não prestei atenção no que minha amiga estava perguntando – Care, você está me ouvindo?

– Desculpa, Lena... – balancei a cabeça negativamente – O que você estava falando mesmo?

– Eu perguntei se você vai dormir lá em casa hoje? – repetiu – Acho que é melhor do que você voltar para casa depois de beber, ainda mais se você for voltar dirigindo.

– Tem razão – tive que concordar com ela – Talvez seja mesmo melhor que eu durma na sua casa.

– Perfeito! – pareceu satisfeita – Vai ser maravilhoso! Exatamente como planejando desde que éramos pequenas.

– Claro – apenas dei de ombros – Vai ser mesmo divertido.

– Você não parece tão animada assim – reclamou – Care, nós fizemos tantos planos para quando as duas estivessem com 21 anos. Você lembra: vamos dançar 21 músicas, tomar 21 bebidas diferentes, beijar 21 caras...

– Eu não vou beijar 21 caras! – a interrompi – Talvez essa ideia parecesse divertida quando tínhamos 11 anos, mas não agora.

– Tudo bem, não vou fazer você beijar 21 caras – afirmou, por fim – Aceito que você beije apenas um cara 21 vezes.

– Só você mesma, Lena... – sorri e revirei os olhos.

O som do celular da minha amiga ecoou pelo ambiente e ela pegou o aparelho que aparentemente tinha acabado de receber uma mensagem.

– Meu pai quer que eu vá ao escritório – fez uma careta depois de ler o que tinha lhe enviado – Você se importa de irmos até lá? Tenho certeza de que não deve demorar muito.

– Claro que não tem problema – respondi.

– Vou mandar uma mensagem para ele dizendo que vamos terminar de lanchar e vamos para lá – disse enquanto começava a digitar.

***

O senhor Gilbert, pai da Elena, é senador, por isso minha amiga é obrigada a andar com motorista e dois seguranças desde que me entendo por gente. Apesar de estar sempre precisando ir às sessões do senado, ele também mantém um escritório no centro da cidade e é lá que estamos indo encontrá-lo.

– Boa tarde, Rose! – Lena já entrou no local falando com a secretária – Meu pai me pediu para vir aqui, ele está nos esperando.

– Sim, é claro! – ficou olhando de uma para a outra repetidas vezes – Vocês podem entrar.

Ela puxou a minha mão e me arrastou na direção do escritório, mas o senhor Gilbert não estava sozinho. O homem que o acompanhava não devia ser muito mais velho do que nós e provavelmente era algum acessor dele; assim que se virou na nossa direção, seus olhos verdes cravaram diretamente em mim.

– Olá, meninas! – o pai da minha amiga disse, por fim – Pelo tempo que a Elena disse que vocês iriam demorar imaginei que já estivessem chegando.

– Boa tarde, senador Gilbert... – eu o cumprimentei da maneira mais formal possível, como sempre costumava fazer.

– Será que você pode falar logo o que quer, pai? – Elena cruzou os braços, deixando bem claro que não queria estar aqui – Eu e a Care estamos com um pouco de pressa.

– Serei o mais breve possível, pode ficar tranquila – garantiu – Eu só queria te apresentar Stefan Salvatore, o pai dele sempre doa grandes quantidades de dinheiro para o meu gabinete e agora enviou o filho para ser o meu aprendiz. O Stefan pretende se candidatar a deputado nas próximas eleições.

Foi nesse momento que eu olhei Stefan com um pouco mais de atenção: seu cabelo castanho bem arrumado e penteado e seu terno escuro lhe davam mesmo a imagem de um aspirante a político. O brilho em seus olhos passava a impressão de que ele estava feliz por estar em Washington fazendo o que gosta, o que era algo sempre muito bom de se ver.

– Stefan, essa é a minha filha, Elena – o senhor Gilbert prosseguiu com as apresentações – Eu te falei dela mais cedo.

– Oh sim, é claro – estendeu a mão na direção da minha amiga, que retribuiu o cumprimento – É um prazer conhecê-la, senhorita Gilbert.

– Por favor, me chame de Elena, ou melhor, me chame de Lena – pediu, e foi quando ela percebeu que, apesar de continuar segurar a sua mão, ele estava olhando diretamente para mim – E essa daqui é Caroline, minha melhor amiga.

– Prazer me conhecê-la também, Caroline – abriu um pequeno sorriso enquanto falava.

– Digo o mesmo... – foi impossível não imitar o seu gesto, uma coisa eu tenho que admitir, ele era mesmo muito charmoso.

– Stefan acabou de chegar a Washington e ainda não conhece nada por aqui – tenho certeza que foi só nesse momento que todos nós lembramos que o homem mais velho ainda estava presente no local – Como vocês tem mais ou menos a mesma idade pensei que teria lugares muito mais interessantes do que eu.

– Claro, eu posso dar uma de guia turística – afirmou e deu uma rápida olhada em mim antes de se virar novamente para os dois – Você gosta de boate? Eu e a Care estamos indo a uma hoje à noite e você pode ir conosco se você quiser, não é mesmo, Care?

– Claro – concordei – Quanto mais gente melhor.

– Parece divertido! – respondeu, tentou demonstrar animação, mas não sei se estava sendo muito convincente – Se não for mesmo atrapalhar a noite de vocês.

– Não vai atrapalhar – Lena garantiu – Eu poderia te passar o endereço da boate, mas você não vai achar, então a gente passa para te buscar no hotel. Certo?

– Certo! – retirou do bolso de dentro um cartão – Aqui está o meu telefone, vocês me liguem assim que estiverem saindo, para eu me arrumar e ir para a recepção.

– Faremos isso – jogou o cartão dentro da bolsa – Vamos, Care! Ainda temos muita coisa para fazer antes de hoje à noite.

Elena voltou a me puxar para sair da sala e quando percebi estávamos no estacionamento do lado de fora do prédio.

– E pelo jeito a festa de hoje vai ser mesmo muito boa – sussurrou, mesmo sabendo que não tinha ninguém perto o suficiente para ouvir uma conversa no tom normal – Feliz aniversário, amiga! Você pode me agradecer depois... – completou antes de sentar no banco do passageiro do carro; sabia perfeitamente o que ela queria dizer, mas preferia me fingir de desentendida.

Notas finais
Pois é gente, Aniversário de 21 anos da Caroline e vimos a maior parte do tempo ela com família, mas também tivemos o primeiro encontro Steroline no final. No próximo capítulo teremos mais momentos dos dois. Alguém ai arrisca dizer o que vai acontecer? *** Bom gente, é isso Comentem e digam o que estão achando.