Second Chance
5 Capítulo 4
FLASHBACK ON
O lugar estava lotado e todos dançavam ao som de alguma música de Black Eyed Peas que Amy não conseguia decifrar a letra. Marcara de encontrar Bonnie no bar... isso há muitos minutos, vários copos e algumas cantadas — todas gentilmente ignoradas- atrás. Agradecia mentalmente por aparentar alguns anos a mais do que realmente tinha, e não ter sido questionada sobre a idade. Por algum motivo, precisava encher a cara.
– Amy! — ouviu a voz da amiga, mais irritante e ofegante que de costume, mas a culpa era do álcool que já começara alterar os seus sentidos.
– Oi, cadê seu "amigo"? — fez sinal de aspas.
–Me esperando. — piscou e Amy entendeu imediatamente que voltaria sozinha. — Você tem que ir lá pro fundo, Nick acabou de me apresentar o tal Liam. Gato, gato, gato, gato...
– Okay. Já entendi que ele é gato. — sorriu, fazendo sinal de "joinha". — Cadê?
Foi andando com muita dificuldade entre as pessoas, esbarrando na maioria, aliás. Salto 15 + álcool = Amy sem coordenação motora. Estava com o pescoço esticado, procurando Nick, quando esbarrou em alguém, perdeu o equilíbrio e deu de cara — literalmente- com um peitoral. E que peitoral. Demorou alguns segundos parada ali, mas foi forçada a se afastar, em nome do bom senso. Levantou a cabeça e deu de cara com um par de olhos azuis tão transparentes que podia jurar ter visto seu rosto perfeitamente refletido ali.
–William? — sua voz saiu um pouco mais afetada que o esperado, ops, culpa do álcool.
– Hey, Amy Carter! — o garoto segurou sua cintura e deu um beijo em seu rosto, sussurrando — Não falei que a gente se veria de novo?
Sentiu o rosto queimar, provavelmente estava vermelha.
–Me seguindo? – brincou, se sentindo ridícula ao ouvir as palavras saírem da própria boca. Foi a primeira coisa que conseguiu pensar pra evitar aquele silêncio constrangedor.
–Não — deu de ombros — mas posso te dizer que não foi uma coincidência te encontrar aqui...
– Como assim? Como sabia que eu estaria aqui? — riu
– Elementar, minha cara. — respondeu simplesmente. Não havia sido exatamente uma resposta, mas ela sorriu com a menção a Sherlock Holmes e agradeceu mentalmente ao detetive por ter, tecnicamente, a feito conhecer aquele garoto.
– Então... como ficaram as fotos daquele dia?
–Ótimas. Eu estava inspirado. – falou essa última palavra com um sorriso malicioso.- Vai tomar alguma coisa?
Ela sorriu e fez um *quatro* com as pernas por meio segundo antes de perder o equilíbrio e se apoiar no garoto. — Acho melhor não. — deu de ombros.
– Sério? — ele gargalhou, arqueando a sobrancelha — Vamos ali, preciso ensinar alguém aqui a se divertir. — Nem esperou a resposta e Amy já estava novamente sendo arrastada.
– Ei, é sério! não vou beber ! — teve que gritar pra ser ouvida no meio da multidão que estava ali.
– Quem disse que eu quero beber? — colocou a garota a sua frente e foi conduzindo-a pela cintura até a pista de dança. – Aliás, você deveria estar bebendo? Não me parece maior de idade, mocinha. – falou, fingindo seriedade.
– Culpada. – ela riu alto levantando os braços. Ouviram uma nova batida vinda da mesa do Dj e começaram a dançar.
Ela descia e subia com as mãos do garoto em sua cintura, que gargalhava quando a menina se empolgava com a música e cantava alto.
Perdeu a noção de quanto tempo passara ali. Dançaram algumas músicas juntos. Ela cantava o tempo todo e seus corpos se moviam freneticamente, provocando arrepios em ambos sempre que se tocavam. Ele explicou que não beberia porque estava de carro e Amy compensou o fato bebendo pelos dois. Ele enroscou os braços pela cintura da menina e se aproximou, colando sua testa na dela e sorrindo maliciosamente. Ela olhava-o nos olhos, sua respiração estava ofegante, se aproximaram mais, e o V3 dourado (último lançamento, na época) de Amy vibrou. De novo. E de novo. Olhou pro aparelho: Nick.
– Tenho que ir ali... acho que tenho que ir embora. – falou, fazendo cara e triste e dando um selinho rápido no garoto.
– Volta. — pediu, passando a mão pela cintura dela depositando um beijo na sua bochecha. — temos assuntos inacabados.
–Acho que não vai dar.
Ela sorriu, e saiu.
–Oooi, meu amor! — falou animada, vendo Nick do lado de fora.
– Oi. — ele respondeu com cara de poucos amigos ao perceber que ela estava bêbada.
–Vamos voltar pra lá porque... — o puxou pelo braço em direção à boate.
– Aonde você estava? — ele interrompeu e perguntou rapidamente, franzindo a testa.
– Iiiih... que cara é essa? — Amy cruzou os braços.
– Eu perguntei onde você estava, Aysha.
– Aonde você pensa que eu estava, Nicholas? me prostituindo, óbvio. — rolou os olhos - você me trouxe pra cá e era aqui que eu estava — apontou para o interior da boate e continuou. — Eu não estou entendendo esse seu mal humor.
– Eu falei pro seu pai que você estaria em casa à meia noite. Já se passou quase uma hora. Você sabe que eu sou responsável por você... se qualquer coisa te acontecer...
– Uma novidade pra você: eu já sou bem grandinha, portanto, você não é responsável por mim. Então pare de me tratar como uma criança porque eu não sou– falou irritada, assustando-se por conseguir organizar as palavras, apesar no álcool em seu sangue. — mais alguma coisa ?
– Sim. Eu quero conversar com você... — falou, inexpressivo.
– Acontece que eu não quero conversar com você. Não agora. Estou de bom humor e você não vai estragar isso . Não preciso de sermão, entendeu? Vou entrar e depois pego um taxi pra ir embora. Quando e se eu estiver a fim de ir embora. — se virou e caminhou apressada de volta para a pista de dança, tudo que queria naquele momento era resolver certos assuntos inacabados. Sorriu. Um sorriso que se desfez lentamente conforme chegava mais perto daquela cena.
No bar, um casal estava abraçado, a garota loira acariciava os cabelos do menino , enquanto o mesmo a apertava contra a parede e eles conversavam e sorriam com os rostos próximos um do outro.
Amy deu meia volta e foi até a saída novamente. No meio do caminho se virou, só para ter certeza.
Eles estavam se beijando.
Sabia que não tinham nenhum compromisso, mas se sentiu uma idiota, nem o conhecia direito e o julgou diferente. Não é isso que as mulheres procuram? um cara que seja o cara. Que seja diferente dos anteriores, e que embora cometa erros, não cometa todos os mesmos erros estúpidos de todos os outros caras. Coincidência ou não ter encontrado-o duas vezes na mesma semana, só sabia de uma coisa: não queria vê-lo novamente. Nunca mais.
11:00 A.M. Um som abafado tocava de cinco em cinco minutos há horas. Amy tampou o rosto com o travesseiro jurando matar Bonnie por ter aberto as cortinas. "Maldito sol". Mais cinco minutos se passaram. Levantou-se apressada, jogando os lençóis do outro lado do quarto, praguejando baixo por não ter cancelado o despertador. Ao caminhar pelo cômodo, bateu o pé direito na ponta da escrivaninha. "Aaai, merda! " berrou sozinha, chutando a mesa novamente. Foi em direção ao som, ainda mancando, procurando o aparelho que havia jogado em Bonnie quando a amiga a acordou, SETE HORAS DA MANHÃ. Como uma pessoa normal consegue ser bem humorada pela manhã?
Massageou as têmporas e se jogou na cama novamente, tentando, inutilmente, apagar as lembranças da noite passada. Ele não era alguém importante, não era um namorado, nem mesmo um ficante. Mas se sentia traída. Estava assim, imersa em pensamentos quando ouviu alguém bater na porta.
– Quem é? — perguntou, desejando que as batidas fossem no quarto ao lado. E agradecendo mentalmente segundos depois, quando ninguém respondeu.
–Nick... — o garoto disse, finalmente. — posso entrar?
– Pode. — Amy respondeu, se ajeitando na cama.
– Já pode me contar porque saiu daquele jeito ontem. — disse, sentando-se ao seu lado na cama.
– De que jeito? — perguntou, dando de ombros.
–Não sei, você tava estranha...
–Eu não estava estranha.
– Deixe-me ver... você briga comigo, faz uma cena e volta segundos depois exigindo que eu te leve de volta pra casa.
– Ah, isso.
– É... isso! O que foi aquilo?
– Nada. — respondeu , seguida de um silêncio constrangedor.
– Okay, Amy. Eu peço perdão. – falou fazendo cara de tédio, e recebeu um grande sorriso e um abraço da amiga.
– Sabia que você ia se render! — disse, rindo. — você demorou demais, e sabe que eu pedi desculpas da última vez... era a sua vez. — sorriu, colocando o indicador no nariz do garoto que o puxou e mordeu, recebendo uma mordida no braço.
– Aaai, caramba! — fingiu dor e começou a alisar freneticamente o local da mordida.
– Tá doendo? — Amy perguntou, juntando as sobrancelhas em sinal de espanto.
– Tá.- ele fez um biquinho triste.
– Deixa eu ver... — se aproximou do garoto lentamente e quando ficou perto o suficiente, mordeu seu ombro e soltou uma risada estridente, jogando sua cabeça pra trás enquanto Nick gemia de dor. Agora, de verdade.
– Você usa esse truque desde criança. — o garoto falou, indignado.
– E você cai desde criança. — gargalhou ainda mais alto, segurando a barriga de tanto rir.
– Acabou? — perguntou Nick, ainda olhando emburrado enquanto a menina tinha uma crise de riso.
– Uhum. — concordou, com os lábios apertados.
– Então, semana que vem temos programa novamente.- falou animado, e Amy soltou o ar pela boca lembrando-se do fiasco que fora o programa anterior.- Okay. Pode ir me falando o que aconteceu ontem. — ordenou, arqueando as sobrancelhas ao perceber sua reação. — Agora.
– Não foi nada. – falou, repetindo mentalmente a frase , afinal, não havia sido nada de mais mesmo... não é? — Sério, tive um pequeno desentendimento com um garoto, mas nada relevante.
– Não acredito em você. Mas se não quer me contar, eu respeito. — sorriu, doce.
– Me conte sobre os planos da semana que vem.
30 de setembro de 2006
Dear Diary,
A semana passou bem mais rápido do que eu imaginava, assim como as lembranças do meu fim de semana catastrófico. Uma ótima maneira de se começar o semestre. Não escrevi essa semana por dois motivos: 1- porque estava ocupada demais, tivemos vários trabalhos e alguns professores marcam testes já para o final do primeiro mês!!!! e 2- porque eu decidi não escrever sobre o idiota de sábado passado. Como pode ver, a festa da semana passada não foi nem um pouco produtiva. Farei uma nota mental para não me esquecer de que as coisas não vão mudar. Os homens serão sempre babacas. E nós, seremos sempre idiotas. Tenho que parar de quebrar meu coração assim.
Ah, ainda temos planos pra hoje mais tarde...depois das aulas. Amanhã é domingo e vamos para a casa de um amigo do Nick (o mesmo que deu os convites da festa) , segundo ele, esse garoto mora sozinho numa casa imensa com piscina. Bons pressentimentos! Yeey :) :)
Já eram 8 da noite quando Amy ficou pronta. Não que tivesse demorado de se arrumar. Na verdade, o pai ligara para informar que sua mãe estava passando mal. E não era a primeira vez. Desistiu de sair, mas ele ligou novamente dizendo que já estava tudo bem. Iria em um pub perto da universidade com os amigos. Saiu do quarto e encontrou Bonnie, Liv, Nick e mais alguns colegas esperando por ela.
– Pequena? — Nick a chamou pelo apelido que a chamava desde que eram crianças, aproximando-se. – Tudo bem? – perguntou preocupado.
– Tudo. — sorriu para o amigo e depois inclinou a cabeça para ver os outros. — Sou a última?
– Não! — respondeu uma voz masculina, vinda do final do corredor. Todos se viraram para olhar e Bonnie rolou os olhos ao ver que era Caio. Ele era inegavelmente bonito, mas ela não queria compromisso e desde a festa da última semana estava fugindo do garoto. Ele caminhou até os demais, abrindo um sorriso largo para Bonnie , que sorriu amarelo.
– Vocês vão adorar esse lugar que estamos indo... se chama Orwell’s e é um dos lugares mais frequentados pelos estudantes daqui. — explicou Caio, tentando ficar ao lado de Bonnie, que se desviava discretamente para o lado dos outros. Era uma cena, no mínimo, engraçada.
Ele estava certo, a maioria das pessoas que estavam ali eram conhecidas, ao menos de vista. Os amigos se sentaram em uma mesa no fundo do bar e Amy saiu para atender ao telefone que tocava.
– Pai?
– Oi, querida... Sua mãe não está se sentindo muito bem...
– Ela está em casa? é grave? — sua mãe sentia fortes dores de cabeça, nada alarmante. Mas ela identificava preocupação na voz sempre tão controlada do pai, e temia que não fosse só isso.
– Não muito. Mas ela desmaiou e eu trouxe-a para o hospital então decidi te avisar. – Ele estava nervoso. Amy podia visualizar o pai coçando a cabeça, como fazia quando estava preocupado.
– Vou pedir pro Nick me levar aí.
– Não precisa, Amy.
– Mas pai...
– Filha, sua mãe não queria que eu te ligasse. Se você quiser, pode ir lá pra casa amanhã.
– Tudo bem... — passou as mãos pelos cabelos, derrotada. — amanhã eu vou.
– Te vejo amanhã. Não fique preocupada.
– Não vou. — mentiu. Claro que ficaria preocupada.
– Tudo bem aí? — Bonnie aparecera.
– Tudo sim... — sorriu sem mostrar os dentes.
–Ótimo. Porque eu juro que se aquele garoto continuar me seguindo eu chamo a polícia. — a loira falou irritada, apontando para Caio que estava dentro do pub. Só Bonnie poderia fazê-la sorrir num momento como aquele.
– Ai, dramática! — Riu, tampando o rosto com as mãos.
O garoto se aproximou trazendo uma taça contendo um líquido levemente avermelhado e Bonnie sorriu, após rolar os olhos na direção de Amy.
– Peguei um drink pra vocês. — falou, entregando uma taça para Amy e depois entregando uma para a loira e segurando sua cintura com uma das mãos. — Um Martini frutado. — explicou. — me fala o que você achou. — piscou para Bonnie e depositou um beijo em sua testa. Ela agradeceu sorrindo e o garoto se afastou.
– Você. É. Maluca. ?? — Amy deu um tapa na nuca da amiga.- ele é muito fofo.
– Ei! — reclamou. — eu estou sendo super educada com ele. Mas...
– Mas...? Qual é o seu problema ?
– Meu? Qual é o problema dele.- respondeu, emburrada.
– Ok. E qual é o problema dele? — Amy a olhou, desafiadora.
– Ele é um cara que eu beijei e que me ligou no outro dia. Até aí tudo bem. Aí ele me chama pra sair e eu vou. Tudo bem. Aí ele começa me ligar antes de dormir e me mandar mensagens durante o dia.
– E isso é ruim... por que...?
–Porque eu acabei de entrar na faculdade, Amy! vc sabe o que isso significa... ou deveria significar? experiências. Festas, garotos... eu não quero um namorado.
– E quem disse que ele quer namorar com você?
–Ele falou que quer conversar comigo. – falou apreensiva.
–Então converse com ele, oras.
–Eu não quero conversar nada com ninguém! – ela falava gesticulava exageradamente. – Você é a senhora-vamos-conversar-sobre-isso, não eu. Além disso, eu acho... — puxou a outra pelo braço, afastando-a um pouco mais da porta, olhou para os dois lados, arregalou os olhos e sussurrou: — eu acho que ele quer me pedir em namoro.
Amy segurou o riso por alguns segundos antes de soltar uma risada estridente e se apoiar no batente da porta, enxugando as lágrimas.
– Você acha isso engraçado? – Bonnie parecia realmente ofendida. — eu estou surtando e você acha graça?
– Se você está assim porque um garoto está te tratando bem durante uma semana e porque você acha que ele quer te namorar... — falou, ainda recuperando o fôlego. — Então imagina como você vai ficar quando for pedida em casamento.
– EM O QUÊ? — Bonnie cuspiu o martini e berrou, e todos (todos) do bar ouviram, inclusive um senhor que passava do outro lado da rua e olhou a cena, assustado. — Tá louca? — perguntou, sussurrando.
– Amiga, ele não vai te pedir em casamento, tá?
Ela provavelmente achou que a história do casamento fosse verdade, porque começou a inspirar e expirar repetidamente enquanto massageava o peito, aliviada.
Elas entraram e se juntaram ao resto do grupo, que falava animadamente sobre o jogo do Chelsea da semana anterior — que todos pareciam ter visto, exceto Amy.
– O Chelsea vai ser campeão, escrevam o que eu estou dizendo! — Dilan falou e levantou o copo de cerveja. Ele era da mesma faculdade que eles, e estava dois semestres à frente, na turma de Caio.
– O Chelsea é de longe, o melhor dessa temporada — Nick gritou, olhando de canto de olho para Amy, ao seu lado, e esperando alguma provocação da garota, que se dizia torcedora do Manchester só para implicar com ele. — Amy? — arqueou a sobrancelha- tudo bem? estamos falando do Chelsea e eu ainda não ouvi você dizendo nada do tipo "E aquele jogo do ano passado em que o Chelsea perdeu de 3 à 0."- gesticulou, imitando a voz da garota e todos riram.
– Eu estou bem. — ela sorriu, sem graça.
– É a sua mãe, não é? — e ela balançou a cabeça positivamente. -Vou te levar embora.
–Não. — ela segurou o braço do garoto, que se levantava, e se levantou. — eu vou sozinha. Por favor... você está se divertindo.
– Não vou me divertir te vendo triste. — sussurrou, e ela sorriu.
– Mas eu vou ficar feliz se você estiver se divertindo... tá vendo? – puxou os cantos dos lábios com os dedos, forçando um sorriso.
O garoto sentiu um frio na barriga. Era exatamente por isso que ela era sua melhor amiga, sua pequena, e ele a amava. Ela sempre colocava as necessidades dos outros acima das suas. Sorriu e deu um beijo na testa da amiga.
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