Second Chance
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Thalia P.O.V.
A viajem foi extremamente cansativa, talvez pelo fato de eu ter chorado tanto que me sentia fraca recusei qualquer coisa de comer, porque afinal nada desceria mas eu precisava de um café. Saí do avião e me direcionei ao Starbucks do aeroporto, algumas pessoas me encaravam o que me dava uma tremenda vontade de mata-las, mas ignorei e continue meu caminho, pedi um café puro e ao olhar no espelho me assustei comigo mesma, os meus olhos mais pareciam bolas roxas e vermelhas, soltei um muxoxo e logo peguei o café saindo dali o mais rápido possível.
Chamei um taxi e fiquei pensando que eu precisaria de um lugar pra ficar, eu não ligaria pro Percy de jeito nenhum então deslizando os dedos na lista de contatos do meu celular a primeira pessoa que eu achei que poderia ligar era o Nico. Liguei, chamou algumas vezes antes de eu reconhecer a voz do meu primo.
–Thalia- ele disse com uma voz embargada, provavelmente pelo choro afinal a Anne tinha sido sua primeira paixão, mas depois ele superou e viraram melhores amigos.
–Nico, você por um acaso sabe se tenha algum lugar em que poss ficar?- perguntei me espantando com o som da minha voz.
–Thalia eu odeio te dizer isso mas você vai ter que ir pra casa do Percy, tio Zeus e Hera foram pro Brasil e não conseguiram passagem pra volta, e a casa do meu pai tá simplesmente lotada com todos os parentes que não moram aqui em NY, a casa do tio Poseidon está interditada por obras e ele está num hotel, não seria melhor você fazer o mesmo?- ele perguntou.
Eu pensei que talvez seria mesmo, mas como eu sou uma pessoa desempregada não tenho dinheiro pra isso e eu não vou voltar pra Londres amanhã então não seria uma opção. Que droga! Eu vou ter que ficar na casa do Percy, eu não quero encontrar com ele agora, até porque eu sei que não vou conseguir dizer nada pra ele se sentir melhor o Maximo que eu consigo fazer é chorar muito mais com ele.
–Tá- eu disse e ele riu provavelmente com o tom da minha voz que estava aquele de criança de acaba de ceder alguma coisa-Idiota- murmurei e antes dele responder desliguei o telefone.
Disse ao taxicista o endereço de Percy e adormeci até chegar lá. Desci e encarei a casa perfeitamente planejada pela melhor arquiteta de NY Annabeth Chase, tão orgulhosa que não quis mudar o sobrenome quando se casou. Peguei a chave reserva que ficava na pedra falsa da varanda, e adentrando a casa totalmente escura, um choro era escutado vindo do andar de cima...Mary e é claro que eu corri até lá, largando minha mala no chão subi as escadas praticamente voando, achando a porta do quarto da garotinha aberta e vendo como ela tinha crescido me aproximei e a tomei em meus braços a balançando,a mesma olhou pra mim com seus grandes olhos verdes e abriu um sorrisinho que eu retribui.
–Oi meu anjinho- disse e ela soltou uma gargalhada- caramba, você cresceu em? Você tem o cabelo da sua mãe e os olhos do seu pai.
–Não fala dos meus olhos vai estragar a garota- a voz tão conhecida por mim soou pelo quarto.
Olhei pra cima me deparando com os olhos hipnotizantes do meu primo. Dei um leve sorriso involuntário, isso sempre acontecia.
–Oi Percy- disse e notei que envolta dos seus olhos verdes também haviam grandes bolas vermelhas e roxas.
–Oi Thalia- ele respondeu no mesmo tom melancólico que eu- quer ajuda pra por ela pra dormir?- ele perguntou apontando pra Mary no meu colo.
–Não eu mesma faço isso- ele assentiu e já ia se virando quando eu perguntei algo pra ele- Como você não estranhou eu estar aqui?
Ele sorriu.
–Primeiro, você é bem capaz de invadir a casa de alguém em plena madrugada, segundo o Nico me avisou- ele disse e desceu.
Depois de mais ou menos meia hora Mary dormiu e eu encontrei meu primo na sala, vendo algum filme antigo de romance.Sentei ao seu lado e ficamos num silencio incrivelmente constrangedor, até eu ver fotos da Anne na estante e começar a chorar novamente chamando a atenção de Percy, que só me abraçou e nós dois choramos a noite toda.
Acordei e estava abraçada no sofá com Percy, rapidamente sai dos seus braços e olhei a hora, faltava uma hora pro enterro da Anne, o acordei ele se levantou e foi arrumar mas antes me mostrou o quarto de hospedes onde eu iria ficar.
Pela decoração do quarto e da suíte com hidromassage percebe-se que problemas com dinheiro meu primo não tinha, mas ninguém da minha família tinha, todo mundo trabalhava na mesma empresa que era a maior do mundo de engenharia e suas diversas funções,só eu, a ovelha negra da família resolvi sair da empresa e ir pra Inglaterra. Tomei um banho super relaxante, pena que não foi na hidromassagem, coloquei um vestido preto e como estava frio uma meia calça também preta, um salto alto preto, eu odiava saltos mas pela minha alttura foi necessário aprender a ama-los, e um casaco. Passei uma maquiagem bem forte pra esconder as bolas de tênis vermelhas que eram meus olhos e desci.
Logo Percy apareceu com o seu terno tentando sem sucesso amarrar sua gravata. Sorri e fui ao seu encontro parando a sua frente e dando um jeito pra ele.
–Obrigado- ele disse com um sorriso triste- era ela quem sempre fazia isso por mim.Seria pedir demais que você arrumasse a Mary? Eu não levo o menor jeito pra isso.- ele disse desconcertado.
–Tudo bem- eu disse e subi, entrando no quarto da pequenina e a arrumando com uma calça e uma blusinha preta, pus um casaco e uma toquinha nela e desci.
–Estamos prontas, vamos?- perguntei ao Percy, ele assentiu e nos dirigimos até o carro.
O enterro foi extremamente melancólico e deprimente, todos os nossos parentes e amigos reunidos chorando pela perda da Anne. Todos eles me abraçaram e disseram coisas típicas de quando alguém querido volta de uma viagem muito longa, até Hera com aquela falsidade palpável. Voltamos pra casa o mais rápido e Percy foi por Mary pra dormir depois de alimenta-la, enquanto eu me sentava no sofá tirando meus saltos e tentando acreditar no que estava acontecendo.
–Lia- eu tinha um arrepio involuntário toda vez que Percy me chamava assim, e isso acontecia só com ele eu não sabia bem o porque mas era assim- você estava trabalhando em Londres?- ele perguntou.
–Não, porque?-respondi com meus olhos fechados e minha cabeça jogada pra trás no sofá.
–Bem, eu estava pensando que vou precisar de uma pessoa pra cuidar da Mary e tava pensando se poderia ser você?- ele disse e eu fiquei tão abismada por termos os mesmos pensamentos que nem respondi- Quer dizer, eu te pago e você pode ficar aqui em casa mesmo, você não precisa fazer nada exceto cozinhar, porque temos empregada mas ela não é uma boa cozinheira..
–Percy- eu o interrompi- eu aceito- eu disse e ele abriu um sorriso.
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