Second Chance

2 Desaventurado


Notas iniciais
Mais um capítulo da história do pequeno soldadinho apaixonado. Boa leitura. ^-^

Rumple’s POV:

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No dia seguinte, assim que o sol nasceu, lá estava eu observando o estanho que revestia aquele minúsculo corpo novamente ficando estático. Ele agora voltava a ser um mero brinquedinho sujo e de aparência enferrujada.

O jovem Estevão acordou e sua pequena irmã também. Antes de sair para a floresta com o pai, ajudar a cortar lenha e caçar, ele abriu a janela de seu quarto, o vento fazendo com que a bailarina de papel novamente se agitasse. Observei, enquanto os dois se afastavam, o soldado permanecer imóvel.

Soltei uma gargalhada sarcástica, um brilho perverso nos olhos pelo modo como aquele distraído e apaixonado brinquedo estava tão desprotegido. Com um mínimo de magia, o derrubei do parapeito da janela, atingindo o chão de terra batida logo abaixo. Os demais soldadinhos caíram todos para o lado de dentro e a janela bateu firme quando se fechou.

O pequeno soldado permaneceu estático, embaixo de chuva e sol, até que dois outros meninos o encontraram, já alguns metros rua abaixo de sua janela. Eles caminhavam felizes por terem ganhado de seu pai um barquinho de papel. As crianças naquela vila eram muito pobres, brinquedos de madeira era um luxo que eles não dispunham.

Eles pegaram o soldado e o colocaram como marinheiro em seu barquinho, soltando-o em uma corredeira deixada pela água da chuva. O barquinho sumiu na sarjeta, um divertimento para os meus olhos.

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A parte que vocês não sabem dessa história é a que vou lhes contar a seguir. O lado que ficou esquecido no tempo. Pois bem, vamos lá. Lembram-se da bailarina de papel que ficou solitária no quarto sem o soldadinho enamorado? Ela ganhou vida.

Passei a observá-la de perto, enquanto se perguntava o que teria acontecido com seu amado soldadinho. Sentindo-se solitária naquele quarto, ela tentava livrar-se do cordão que a pendurava pelas costas junto à madeira, querendo reencontrá-lo.

Sei que parece apenas um fato isolado, mas entenderão quando essa minha breve história estiver próxima do fim.

Voltando ao soldado em seu barco frágil, ele foi levado pela corredeira até a floresta. Acabou atracando diante da toca de um rato nada bondoso, em um brejo qualquer. Claro que eu sabia disso, eu mesmo havia transformado aquele infeliz em rato.

O soldado, na floresta encantada, voltou à vida e a ter seus movimentos. O rato queria que o brinquedo lhe pagasse para poder continuar a viagem, poder passar por seu terreno. Sem ter como pagar, o brinquedo ficou preso naquele lamaçal.

Ao anoitecer, quando o rato havia entrado em sua toca, uma forte chuva caiu na floresta, formando uma nova corredeira que fez o barquinho voltar a navegar. Ele foi deslizando em meio à água até chegar a um riacho. O barco desfez-se, encharcado como estava o papel. Dentro d’água, um dos maiores peixes que havia ali o engoliu. O soldadinho estava perdido.

Todas aquelas provações causadas por um único empurrãozinho meu. Era interessante ficar assistindo o desenrolar desses fatos. Eu observava as aventuras do soldadinho e o desespero de sua amada bailarina dentro do quarto, buscando por ele.

(Rumple) – Por que toda essa agonia?

(Bailarina) – O meu amado desapareceu.

(Rumple) – Talvez eu possa lhe ajudar. Com um pequeno preço, é claro.

(Bailarina) – E quem é você?

(Rumple) – Meu nome é Rumpelstiltskin. – Fiz a minha tão conhecida reverência ao me apresentar. – Estou disposto a fazer um acordo, se quiser pagar o preço que eu impuser pela minha magia.

(Bailarina) – Desculpe, senhor. Mas foi o amor que me despertou, tenho certeza que o amor nos unirá outra vez.

(Rumple) – Sua tola. Nada disso é feito pelo amor. Tudo é feito pela magia!

(Bailarina) – O amor é a magia mais poderosa do mundo, senhor.

(Rumple) – Seria mais poderosa que a dor?

Ela se calou, pensando intimamente no que eu lhe havia dito. Não pronunciei uma palavra porque, no fundo, sabia que ela estava certa. O amor era realmente uma magia muito poderosa que um dia eu ainda conseguiria dispor de seu uso. Se eu conseguisse engarrafar o amor verdadeiro, seria incrivelmente mais caro o preço pelos meus acordos.

A bailarina não confiou em mim, então não me meteria mais em sua patética história de amor. Afinal, estava sendo um tanto quanto divertido assistir ao seu desespero inútil. Ela não tinha a menor ideia que aquele soldadinho estava perdido para sempre, dentro da barriga de um peixe, no fundo do riacho.

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Notas finais
Espero que tenham gostado, comentários sempre bem-vindos. =)