Seasons
4 Primavera
Notas iniciais
Peter estava suando frio enquanto acelerava a Milano até seu limite de velocidade. Todos estavam apreensivos e até Rocket não falou nenhuma palavra. Seu pêlo estava todo arrepiado, inclusive sua cauda. Drax estava ao lado de Groot, nenhum dos dois se atrevendo a desviar o olhar da outra espaçonave da qual estavam perseguindo.
Tudo aquilo por causa do pior pesadelo de Peter, que tinha virado realidade. Gamora tinha sido sequestrada.
Um grupo de Krees ao comando de Thanos pegaram os Guardiões desprevenidos e agora tinham que enfrentar as consequências. Quill contava os minutos, simplesmente para ter algo para ocupar sua ansiedade.
Rocket rosnou ao atirar na outra espaçonave uma vez que estavam perto o suficiente. Atingiram o alvo e houve uma pequena explosão.
— Rocket, tá ficando maluco?! — Peter gritou — Não sei se você esqueceu, mas a Gamora está lá dentro!
— Por isso mesmo, — Rocket respondeu, aumentando a velocidade — Que eu atirei na parte vulnerável da nave, onde a Gamora não está, para nós nos infiltrarmos e pegá-la de volta.
— E para nós matarmos todo mundo. — Drax acrescentou. Rocket deu um sorriso maligno e assentiu. Peter fechou os olhos e tentava não ter um ataque de pânico.
Depois de se prepararem para infiltrar na nave onde havia agora um buraco grande o suficiente para entrarem. Groot teve que ficar porque a Milano não podia ficar sem ninguém. Rocket começou a usar sua metralhadora logo depois de entrarem e Krees começaram a cair como homens de pano.
Enquanto Drax e Rocket se divertiam com suas tendências psicopatas, Peter procurava por Gamora e perguntava para alguns Krees derrotados onde ela estava. Infelizmente, todos estavam ocupados sendo assassinados para responder.
O que eles não esperavam fora a outra frota de Krees que apareceram e não era necessário muita inteligência para notar que eles não eram capazes de derrotar todos de uma vez.
— Quill! — Rocket chamou — Vá parar a Ala 4, Gamora está lá! Vá depressa e depois vamos dar no pé!
E com isso as balas da metralhadora de Rocket acabaram e ele começou a usá-la para bater na cabeça de um Kree azarado. Peter já estava no fim do corredor para ver os desastres que se seguiram.
Quill encostou suas costas numa parede e suspirou antes de virar o corredor e encontrar mais uma frota de inimigos. Exceto que os Krees estavam todos imóveis no chão, provavelmente mortos.
O silêncio era tão grande que só era possível ouvir os passos da bota de Quill baterem no chão metálico. Ele engoliu em seco e desviava dos corpos sangrentos enquanto ia para a Ala 4. Ao chegar lá, sua mão tremia quando ele virou a maçaneta e abriu a porta.
Havia na sala uma pequena montanha de Kree mortos, o cheiro podre já começando a irritar o nariz. Em cima dos corpos, Gamora estava sentada, limpando as unhas de sangue.
— Vocês demoraram — Ela disse.
As pernas de Peter cambalearam e ele quase caiu de alívio.
— Gamora — Ele disse com a voz pesada.
— Peter — Ela respondeu e foi até ele. Estavam agora a centímetros de distância, os olhos penetrantes dela encarando os seus intensamente. Antes dela falar mais alguma coisa, Peter fez cara feia.
— Você está fedendo.
Gamora suspirou e cruzou os braços enquanto esperava ele continuar.
— É sério, — Ele disse, se afastando — Deve ter sido os Krees. Quanto tempo você ficou aqui? Tá tudo podre! Quer dizer, não é sua culpa que nós demoramos, mas você bem que podia ter sido um pouco mais higiênica, né—
Ela fechou os punhos e contou até dez.
—
Depois de voltar para a Milano e tomar três banhos (Peter insistiu), Gamora saiu de seu quarto para ouvir a discussão de Rocket e Groot na sala principal.
— Ah, não — Rocket comentou e subiu nos ombros de Groot, que estavam cheios de flores e folhas — É aquela época do ano de novo?
Groot assentiu e Rocket começou a tirar as flores do corpo do amigo. Groot se remexeu e o encarou com uma expressão tão incrédula que Gamora segurou um sorriso.
— Você fica ridículo com essas flores, cara — Rocket explicou, como uma forma de se defender — Só estou te ajudando.
— Tem razão — Drax interrompeu do outro lado da sala — Essas flores não combinam com ele. Acho que orquídeas ficariam melhor.
Rocket franziu o cenho e rosnou.
— Não é isso que eu tô falando. Nenhuma flor combina com ele! É assim toda primavera, eu tenho que arrancar essas plantas estúpidas!
Rocket continuou a reclamar e os olhos de Gamora foram até Peter, que estava na sala de controle encarando as estrelas com uma expressão pensativa.
— Está refletindo o quê? — Gamora disse ao se aproximar e Peter pulou quase um metro de susto.
— Me avise antes de aparecer assim — Ele colocou a mão em seu peito para acalmar seu pobre coração — Já não bastava o Drax...
Gamora o fitou preocupada. . Os Guardiões já tinham voltado à sua rotina e, com Gamora por perto e sã e salva, eles voltaram a serem estúpidos, irritantes e insanos. Exceto Peter, que não tinha falado sequer uma palavra desde que eles tinham voltado.
— Peter, — Ela disse — Tem algum problema? — Ele a olhou confuso — Você só ficou aqui desde que chegamos. Já se passaram horas — Ela olhou para o grande painel que mostrava o vasto céu escuro — O que tem de tão interessante nas estrelas?
Ele deu um suspirou derrotado e Gamora esperou ele responder.
— Toda vez que eu fecho os olhos, eu... Eu ainda penso que você está lá — Ele olhou para as estrelas — Na nave dos Krees, ou no meio do espaço congelando, sozinha.
Ele engoliu em seco e Gamora seguiu seu olhar, notando uma estrela cadente.
— Quando eu estava lá — Ela disse — Com os Krees, eles diziam que eu estava sozinha, que ninguém ia me resgatar, que eu voltaria para Thanos.
Ela viu Peter morder os lábios e continuou.
— Mas eu sabia que não era verdade. Mesmo se eu não pudesse derrotar todos os meus inimigos, eu sabia que não estava sozinha — Ela segurou sua mão — Eu tenho fé em você, Peter. Em todos nós.
Ele a encarou com lágrimas nos olhos e Gamora desviou o olhar. Ela era uma assassina profissional com décadas de experiência, mas não conseguia lidar com aquele olhar, cheio de emoção. Cheio de amor.
Depois de alguns momentos, ela percebeu ele se aproximando ainda mais, a procura de um beijo. Ela colocou sua mão no peito dele como uma forma de impedi-lo.
— Ainda não — Tudo estava acontecendo tão rápido. Ainda não estava pronta para o amor.
— Mas talvez um dia? — Peter disse esperançoso.
— Talvez um dia.
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