Seasons
2 Outono
Notas iniciais
— Acho que ele morreu.
— Ele não tá morto.
— Ele parece morto.
— Bem, estar morto e parecer morto são duas coisas completamente diferentes.
— Eu sou Groot.
— Posso notar a respiração dele. É claro que ele tá vivo.
Peter gemeu de dor e abriu seus olhos, dando de cara com um focinho peludo cheio de bigodes extremamente familiar.
— Rocket?
— Ha! Viu? Ele tá vivo. — Rocket anunciou para todos, triunfante.
Peter levantou-se com a ajuda de Groot e olhou em sua volta. Não havia mais nada além de grama alta alaranjada. O chão parecia lama. Passou a mão pela cabeça e felizmente não viu nenhum sangue.
— O que aconteceu? Onde estamos?
— Você caiu e bateu a cabeça lutando com um dos Krees lá atrás. — Gamora disse. Drax acrescentou:
— Como pensamos que você tinha morrido, te carregamos até esse lugar para despistá-los. Rocket eu apostamos se você estaria vivo.
— Nossa, obrigado pelo voto de confiança, — Peter disse e revirou os olhos. — Eu nem vou perguntar quem apostou o quê. Não quero saber.
— Drax apostou que você tinha morrido. — Gamora disse.
— Eu não queria saber! — Quill retrucou nervoso e depois virou para Drax. — E qual é, cara! Isso foi muito desnecessário. Além do mais, como nós vamos sair daqui? Parece um labirinto!
— E é um labirinto, — Rocket disse, subindo nos ombros de Groot. — Mas nós vamos sair rapidinho.
Eles conseguiram sair depois de 3 horas e meia. Peter estava acabado. Felizmente, a tropa raivosa de Krees atrás deles tinha desistido. Bando de covardes. Apesar da dor de cabeça, Quill olhou para cima e viu um céu amarelado com pinceladas laranja. Parecia um pôr do sol, mas sabia que não era. Aquele planeta era daquele jeito o tempo todo. Até que não era tão ruim, exceto o frio que começava a incomodar.
— Olhem todas essas árvores vermelhas, — Drax disse, de bom humor, apesar de todos estarem sujos de lama e sangue, cansados e com fome. — Minha Kamaria colecionava todas as folhas vermelhas que encontrava.
Rocket e Peter trocaram olhares e sorriram maliciosos. Gamora, ao notar a comunicação suspeita, disse:
— Nós devíamos voltar para a Nave.
— Ou… — Peter propôs, caminhando até as arvores com Rocket logo atrás. — Nós poderíamos fazer montinhos de folhas e apostar quem derruba mais.
Gamora fitou seu líder como se ele tivesse ficado louco.
— É sério isso? Vocês são crianças? — Ela virou-se para Rocket para algum apoio em sua indignação. Rocket apenas sorriu com seus dentes afiados e começou a pegar uma folha, e mais uma e mais outra.
Groot de repente chegou com um considerável monte de folhas carregado nos braços. Drax deu uma gargalhada e começou a chutar uma árvore, que deixou cair algumas folhas douradas. Groot deixou seu monte para trás e correu para impedir Drax.
Gamora ficou boquiaberta.
— Eu aposto 50 unidades que eu pego mais folhas que você em 5 minutos! — Rocket gritou para Peter, que não hesitou em responder.
— Usar o Groot como sua mão de obra não vale!
— Ah, vai se ferrar, então! — O guaxinim rosnou.
2 minutos e meio depois — Gamora cronometrou —, os montes estavam feitos. Gamora avistou no canto de seus olhos Drax caindo em seu monte, folhas amarelas voando para todo o lado. Rocket começou a chutar alegremente tudo o que via pela frente e Peter corria atrás das folhas que lhe escapavam por causa do vento.
Parecia um bando de idiotas.
Groot veio até Gamora com uma folha vermelha na mão e a ofereceu para ela.
— Err… Obrigada, Groot, — respondeu ela, pegando a folha. Até que não era feia, tinha um avermelhado escuro o suficiente para se parecer com suas mechas na ponta de seus cabelos.
— Eu sou Groot?
— Se está me perguntando se eu vou participar dessa loucura, a resposta é não, — Ela hesitou ao ver o rosto desapontado de Groot. — Mas obrigada pelo convite.
Gamora ficou observando seu grupo de idiotas por mais alguns minutos até suspirar e ter que ir interromper a briga de Peter e Rocket. Os dois estavam rolando pelo chão, Quill tentando distribuir socos enquanto Rocket mordia sua mão quando isso acontecia.
— Você tinha que destruir o meu monte, né, seu humano despeludo?! — Rocket reclamou.
— O seu monte estava do lado do meu, como eu ia saber?! — Peter respondeu. — E como assim "despeludo"? Isso nem é uma palavra!
— Tá bom, já chega! — Gamora chegou e separou os dois — Vocês não conseguem ficar sem brigar por menos de 10 minutos?! — Houve um silêncio enquanto ambos estavam ofegantes, ninguém se atrevendo a brigar com Gamora.
— Despeludo é uma palavra, sim. — Rocket murmurou de mau humor e subiu nas costas de Groot, que tinha chegado para ver o que tinha acontecido.
— Eu sou Groot?
— Sim, Groot, você é despeludo.
Gamora colocou a mão na testa em uma expressão derrotada. Peter apenas bufou e ignorou os dois. Decidiu então procurar Drax, porém não conseguiu encontrá-lo em lugar nenhum.
— Gamora? Onde está o Drax?
— Da última vez que o vi, estava deitado naquele monte ali. — Ela apontou e Quill franziu as sobrancelhas.
Os guardiões, inclusive Groot e Rocket, foram até perto das folhas e se entreolharam.
— Será que ele ainda tá aí? — Peter disse.
— Aposto 100 unidades que ele morreu. — Rocket anunciou antes de receber um olhar indignado de Peter.
— Chega! — Gamora disse. — Ninguém vai apostar mais nada com ninguém. Drax!
Ela retirou as folhas com a ajuda de Groot e todos olharam Drax dormindo e roncando de barriga para cima.
— Ugh, ninguém merece. Drax! — Peter cutucou o amigo com o pé. Drax levantou-se de susto e olhou todos com uma expressão confusa.
O que aconteceu depois foi tão rápido que ninguém teve tempo de se preparar ou se precaver. Um tiro atingiu a bota de metal de Gamora e ricocheteou até uma árvore. Peter pulou de susto e o grupo preparou suas armas.
— É a tropa Kree de antes, — Gamora disse e lançou um olhar furioso para Peter — Não devíamos ter ficado aqui. — Peter assentiu sem pestanejar.
— Ok. Você está certa. Vamos para a nave. Agora. — E com isso os Guardiões tentavam evitar inúmeros tiros e fugiam o mais rápido possível.
— Aposto que consigo chegar lá antes de você. — Rocket falou para Quill enquanto corria.
— Chega de apostas!
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