Seasons.
1 Único.
Notas iniciais
Primavera
Lucy Weasley veio ao mundo com uma calma surpreendente em uma manhã dos primeiros dias de uma grande e florida primavera, desde o ventre parecia calcular cada mínimo movimento, e parecia até programar o próprio nascimento. Tinha ralos cabelos loiros e meticulosos olhos verdes acastanhados, era branca em demasiada, possuía cheios lábios rosadas, bochechas salpicadas com sardas e uma coloração avermelhada naquela região, era linda, uma beleza puramente imaculada que logo encantou Audrey e Percy.
O tempo pareceu correr depressa demais, e parecia que em um segundo, ela já estava independente.
Quando completou nove anos se tornou ainda mais bela, seus cabelos agora se encontravam grandes e bem cuidados, tinham um loiro cor de palha e seus olhos eram grandes e tinham cautela em tudo que faziam, seu tamanho era pequeno comparado ao das outras crianças, mas por conta da baixa estatura da família de sua mãe ninguém dava importância ao fato.
Na Toca os primos mais jovens brincavam e corriam por todo o Jardim se sujando enquanto davam débeis risadas, já ela sentava-se em um canto bem afastado do resto e consequentemente da bagunça, sentava como uma dama sobre as pernas pálidas e deixava ser rodeada por seu vestido branco enquanto foliava e lia atentamente cada palavra ali gravada em seu livro, com brilho nos olhos, era sempre assim que passava suas tardes, abandonou os brinquedos assim que conseguiu ler.
Enquanto seus pais e sua tia Hermione apreciavam o fato, o resto julgara desapropriada uma criança perder sua infância com livros.
- Eu só gasto meu tempo com coisas que terão mais utilidade. – Respondeu certa vez em um jantar com sua família, ninguém voltou a abordar o assunto depois.
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Agora vendo a fumaça se intensificando sabia que tinha que subir ao trem que a levaria para o destino que ela sempre quis e esperou. Hogwarts. Seu pai estava muito orgulhoso e podia dizer que até sentido por ver sua caçula partindo, deu um demorado beijo em sua testa e ela deixou seus braços o envolve-lo, fez o mesmo com a mãe que copiosamente chorava.
- Vamos pirralha. – Gritou sua irmã recebendo como resposta seus olhos girando, ela caminhou apressadamente e assim que chegou até a ruiva mais velha, a mesma fez um carinho um tanto doloroso em sua cabeça como despedida.
Ela entrou no trem e acenou para eles da janela.
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Depois de sair do barquinho, que sinceramente a causava pânico por parecer poder virar a qualquer hora, foi para a fila de seleção. Após tantos nomes o seu foi chamado, suas pernas congelaram pateticamente e ela se obrigou a andar. Lembrou dos sussurros de seus primos sobre ela cair na casa das cobras como Albus e ela estava insegura, não queria desapontar o pai ela sabia ser seu maior orgulho.
- Interessante, mais uma Weasley, realmente, parecem não ter fim... Mente afiada, orgulhosa e determinada... Seria uma Sonserina minha jovem? Sei de sua ambição, ela está no fundo, mas está ai. Sagaz, busca conhecimento, não tenho escolha a não ser a Corvinal. – O dialogo daquele velho e pontudo chapéu pareceu durar minutos, mas descobriu que eram apenas alguns segundos e nada mais, ficou surpresa e ainda não sabia se comemorava.
Sua casa se levantou e aplaudiu, e ás outras mesas em que estavam seus familiares fizeram o mesmo, ainda que ela não tivesse na casa tradicional eles a apoiarão e foi a primeira vez que ela se sentiu Weasley na vida.
-Nossa casa pode não ser tão lembrada, mas nós sempre estamos aqui, fazendo a diferença. – Foi o que a monitora a confidenciou piscando, definitivamente ali parecia um lugar apropriado.
Outono
Seus primeiros anos em Hogwarts poderiam ser classificados como excelente. Seu pai ficou orgulhoso de saber que sua filha era inteligente a ponto de ser uma corvina e logo se vangloriava pelo ministério, sua mãe ficou alegre e se gabava tanto quanto o marido.
Passava a maior parte de seus dias na biblioteca tentando desde o começo manter seu boletim absolutamente impecável, pedia dicas de sua inteligentíssima prima Rose, que era filha da mulher mais inteligente do século, uma mulher que ela realmente admirava. Não tinha amigos, mas breves diálogos com seus colegas em aulas, adoravam debater suas idéias.
O tempo rapidamente passou e em seu quarto ano ela não se sentia encaixada por mais que tentasse. As garotas começavam a querer mostrar o quanto haviam “crescido” por assim dizer, queriam namorar e tomar os primeiros porres, ou pelo menos era o que se passava pelas mentes em plena puberdade, mas isso não ocorria com a pequena loira.
Realmente seu corpo começara a se demonstrar mais feminino com uma cintura fina invejável e pernas que chamavam a atenção, seu tamanho era baixo comparado aos outros alunos mais isso parecia intensificar o ar inocente que tanto atrai olhares. Ela se incomodava com o fato de não sentir o mínimo de atração por ninguém, pesquisou em segredo sobre o assunto nas férias e descobriu que existiam pessoas assexuadas que simplesmente não conseguiam sentir um mínimo de atração sexual e por vezes não queriam nem o toque físico.
Era nessa opção que ela agarrava-se fielmente.
Aprendeu a conviver com o fato e passou a ser seca com os garotos que queriam um envolvimento em outros sentidos consigo, dando respostas amargas ou afiadas, ser prima do batedor da Grifinoria, Louis, ajudava bastante para que eles não se aproximassem, ela sentia-se vazia e sem graça como uma folha caída, mas o que importava era orgulhar seu pai com notas e ser a melhor no que fosse fazer dentro do ministério.
Naquele ano ganhou uma coruja negra com olhos castanhos e a chamou de Neblina, também recebeu vomitilhas e bombas de bosta de Molly e não entendeu o motivo já que nunca quebrava ás regras, se aproximou um pouco de Alicia Nott e recebeu seu primeiro beijo que foi roubado em um corredor deserto por um lufano chamado Edmund Jordan que a perseguia desde seu segundo ano jurando um amor eterno por seus olhos, jogou-lhe um estupefaça no mesmo momento, mas pegou de raspão.
- Você me dá nojo Jordan! Nunca ficaria com você, para com essa paranoia!
- Seus lábios são tão secos como o coração que dizem que você tem, mas parece que só dizem mesmo. Você se acha melhor que ás outras? Ledo engano, tão comum e sem graça como elas, tenta ser diferente, mas quer ser igual, você não se encaixa, nem será amada, pode até ser amada, mas nunca vai conseguir amar, não é mesmo?
Ah ela havia usado os presente de sua irmã mais velha afinal.
Inverno
Ela conseguiu se formar com todo o seu boletim completo, dera o sangue e quase entregara a alma para algum ser maligno a fim de ter todas ás matérias perfeitas, e transfiguração foi o mais difícil.
Agora ela se arriscaria a prestar a prova para o cargo de confiança da mais nova Ministra Hermione G. Weasley, sua tia em assuntos mais íntimos, sabia que enfrentaria o preconceito pelo grau de parentesco, tanto com a tia tanto por seu pai também ser alguém importante lá dentro, isso era motivos a mais pra ter que conseguir, estudou como uma alucinada e assim que saiu os resultados não teve duvidas, finalmente tinha realizado o sonho do pai.
- Eu passei, sou oficialmente o braço direito da ministra. – Proferiu enquanto jantava tentando não extravasar sua alegria, sua mãe não se segurou e pulou da cadeira para dar os devidos parabéns, seu pai levantou a cabeça do jantar e olhou para á filha, hipnotizado, havia dado o que tinha de mais luxuoso, desde livros a roupas e via ali suas esperanças e frutos.
- Você sempre cumpriu com minhas expectativas, estou orgulhoso lu. – Ela sorriu abertamente respirando e deixando os ombros caírem, ele não abrira o sorriso que esperava, mas tinha um ali, no canto, nos olhos.
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Com vinte e três anos comprou seu próprio apartamento próximo ao seu local de trabalho, vestia-se com uma elegância incrível e não deixava seu trabalho a desejar para que não houvesse o menor burburinho. Estava realizada em sua carreira e vida pessoal, tudo que era ligado á vida amorosa ela havia desligado, sabia de sua “condição” e agradecia por isso não a atrapalhar em seus planos.
Por vezes era alvo de curiosos por ser tão jovem e nunca haver o menor do boato sobre qualquer namoro, ela sorria e dizia-se sem tempo para assuntos como aquele.
Certo dia foi convidada para um jantar na casa da Alemanha de seus pais, aceitou de imediato e ficou sabendo que sua irmã exigia todos presentes ali. A loira penteou seus cabelos loiros opacos que formavam ondas, vestiu uma saia preta justa e uma blusa de botões levemente mais solta pêssego, colocou seus costumeiros saltos, era baixa e não gostava de andar sem eles, pegou sua bolsa e foi a lareira para chegar a seu destino.
Sua irmã e seu cunhado estavam sentados no sofá tendo uma conversa animada com seus progenitores que se encontravam no outro canto. Ela cumprimentou a todos e se demorou um tanto no pai. Admirou Molly e Fred II um casal de um contraste interessante, ele parecia alguém sério e centrado, abria sorrisos com facilidade e tinha a pele mais escura, a outra tinha grandes cabelos ruivos vivos que sempre estavam com tinta por conta da “profissão” de pintora, além de parecer imperativa.
- Viemos aqui porque achamos que vocês deveriam ser os primeiros á saber, bom, Senhores Weasley e Senhorita Lucy... Estamos grávidos! Quer dizer, eu estou, mas ele vai me acompanhar no processo e é o pai... Vocês entenderam! – Por um minuto o silencio foi total, pareciam todos chocados enquanto a mais velha falava sem conseguir parar – Aliás, o nosso Arthurzinho quer ter a Roxanne e a Lucy como madrinhas, não acharam ótimo?
Ela iria dar um riso sarcástico quando seu pai os olhasse com um olhar decepcionado, mas o inesperado aconteceu, os olhos dele estavam... Marejando? Sim, e ela podia ver um sorriso tão grande que parecia até assustador, não combinava com ele, definitivamente. Audrey correu e abraçou a filha desejando toda a saúde e felicidade fazendo o mesmo com o genro, seu pai seguiu atrás acariciando os cabelos flamejantes da filha juntamente com a barriga, o bebê parecia ter chutado bem naquele momento.
Lucy só poderia estar em um universo paralelo, tudo o que fizera para ver aquele sorriso havia sido em vão, não era justo alguém chegar com uma noticia como aquela e acabar com o que havia construído á anos, e nem tinha tido êxito.
- Preciso ir pra casa, tenho trabalhos a resolver, me desculpem e parabéns ao casal. – Abraçou friamente a todos na sala.
- Lucy, querida, o trabalho pode ficar para depois, você vai ser tia e madrinha! – Ela ignorou e aparatou diretamente em sua sala de estar.
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Tirou os saltos e caminhou até a cozinha pegando um copo de água para depois se dirigir ao quarto. Olhou-se no grande espelhou e podia ver seus orbes mais escuros pelo ódio que estava sentindo daquele ser que mal nasceu e já tinha conquistado o que ela queria á anos.
Ninguém percebeu que Moll e Freddie eram primos legítimos? Havia pesquisado o assunto e sabia que aquela criança nasceria com graves problemas, ou sem magia, algo do tipo.
Sentiu-se a pessoa mais asquerosa quando até por um segundo desejou aquilo, até onde chegava sua frieza?
Sentiu as lágrimas lhe descerem ás faces e nem sabia qual a ultima vez que tinha chorado em sua vida. Com um braço empurrou absolutamente tudo que estava na mesa em direção ao chão. Livros, Papéis, Perfumes e afins. Sentiu raiva por ser assim, fria e dura como uma pedra de mármore.
Lançou o copo no espelho.
Agora era como se os raios e trovões que indicavam o começo de uma chuva clareassem suas idéias, o quão idiota havia sido, dedicou sua vida a expectativas alheias, nunca a sua.
Será que nunca teve sonhos e desejos próprios? Ela era realmente assexuada ou não queria admitir pra si mesma que não se encaixava nos padrões comuns naquele quesito? Ela nem ao menos teve uma infância, era fria e cortante como a neve que já ameaçava acompanhar a chuva.
Aproveitando um Domingo cinza de uma tarde londrina, limpou suas lágrimas, agarrou sua bolsa e cansou, definitivamente.
Verão
Três anos depois daquele ocorrido, se alguém chegasse e dissesse como ela viveria agora, riria da cara do sujeito por um longo tempo, mas não, realmente estava vivendo a vida do jeito que queria, naquela época não sabia ou pelo menos ignorava esse lado livre de sua alma.
Seus cabelos antes grandes agora se encontravam curtos, não chegavam a passar das orelhas, tinha uma franja um pouco maior do que o resto e havia os tingido de marrom com mechas loiras, usava um short e uma camiseta solta com sapatilhas, sem saltos, tinha uma maquiagem escura que destacava seus olhos e tirava sua palidez aparente.
Estava no parque em uma vila trouxa em Paris, quem diria que aquelas pessoas tinham tanto pra ensinar? Via seu sobrinho Arthur caminhar brincando com ás outras crianças, ele havia vindo ao mundo perfeito. Tinha cabelos ruivos, sardas, olhos verdes e pele bronzeada, era seu afilhado e passava a tarde consigo, ele a amava e era totalmente reciproco.
Largara seu emprego no ministério, vendeu o apartamento e comprou uma casa pequena na França trouxa, “abdicou” mão da varinha por assim dizer e se dedica inteiramente á literatura. É uma renomada escritora que atende pelo nome de Lucy Garret, se dedica principalmente ás aventuras, mas se arrisca um pouco em romance, aliás, ela estava namorando.
Cabelos castanhos, olhos âmbar, 1.73, inteligente, determinada e se chama Alicia Nott.
Aquele papo de assexuada não era bem verdade, a questão era que ela era simplesmente homossexual e preferia viver sozinha a assumir qualquer coisa até pra ela. A família não aceitou tão alegre, ainda é algo incomum pra eles, mas levando em conta seu primo Louis que é gay e sua prima Dominique ser bissexual, todos começaram a aceitar ou tiveram que engolir.
Se tivessem amor e os trouxesse felicidade, que mal haveria?
Alicia havia aberto mão do mundo bruxo pelo preconceito que sofreu, e foi uma surpresa para a Weasley saber que a Nott era dona de uma livraria gigantesca e a que mais vendia cópias de seus livros, Lia teve que passar por muitas barreiras com Lucy que tendia a ser tão tempestuosa como a chuva de verão, mas desde aquelas conversas sem muito entusiasmo em Hogwarts ela tinha uma queda pela a ex-loira. Estavam com plano de adotar uma criança, trouxa ou bruxa, o importante era o amor que iriam transmitir, elas aguentariam o preconceito, juntas. Sempre juntas.
A casa de ambas foi á corvinal, que tem como símbolo a águia. O que mais esse animal pressa se não a sensação de voar pleno por seu céu de liberdade?
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Naquele ano ela soube o que era se sentir completa e realizada, não queria aprovações, só seu sorriso e o das pessoas amadas valiam por tudo.
Aprendeu sua lição afinal, o que adiantava ser fria como o inverno, se a sua felicidade era ser quente como o verão, sentir o amor belo como flores, levar uma sensação de aconchego como o outono e até daquele delicioso chocolate quente nos dias mais frios.
Notas finais
Pra mim ela sempre foi como o Percy, e é difícil descrever uma personagem tão confusa, apática, com uma certa frustração guardada dentro de si e que ainda tem Percy como pai, tentei passar o melhor.
Beijos e obrigada por lerem, já sabem, comentários, mesmo negativos, mesmo positivos, são todos construtivos.
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