Seasons

6 Quebra


Notas iniciais
Olááá queridas (e... queridos? Será? kkkk)! Mais um capítulo, tan tan tan rã!!! Eu espero que gostem desse capítulo e nao me xinguem e nao me odeiem e nao queriam por fogo em mim...Por favor ç.ç!! Ah alias, se tiverem interesse, os ultimos capítulos foram feita praticamente ao som dessas músicas: She's the one, Angels e Feel, são do Robie Willians, se tiverem curiosidade... É uma boa trilha sonora... Enfim, boa leitura!!

"-Meu querido, o que há com você? Por que me parece tão triste....?"


Abriu os olhos encarando o discreto relógio ao lado de seu colchão, três da manhã, bocejou tentando recordar-se do que estava sonhando, os olhos acostumando-se lentamente a penumbra, o corpo arrepiado com a temperatura fria do quarto, abraçou os joelhos posicionando a cabeça entre eles, estava sonhando com ele... "Pelos deuses Afrodite, você é estúpido ou o que?! Cabeça não serve só para segurar cabelo não, serve para colocar juízo também! Bem... Não que esteja funcionando...". Fez um bico desanimado, sentia-se traído pelas próprias memórias, jogou-se de volta ao colchão tentando ao máximo relaxar o corpo e cair no sono, uma missão praticamente impossível, o cérebro trabalhando a mil e o coração animando-se com cada recordação, quem diria que o cavaleiro com a alcunha de "mais cruel" escondia tanto sentimentos dentro de si?! Bem, talvez fosse essa a razão da tal fama, anos guardando o que não precisaria ser escondido o tornaram um autentica parede de mármore.


Deitou-se de bruços observando as pintura de rosas que adornavam a parede do quarto, por alguns momentos perdeu-se maravilhado nos detalhes do pintor, parecia que cada flor ali presente tinha uma textura diferente e era quase como se pudesse tocá-las e senti-las ao seu lado.


–Mas o que...?


Pulou da cama caminhando até um canto afastado perto da porta do banheiro, baixou-se o suficiente ficando ao nível do rodapé, ali, escondida no cantinho, silenciosa e calma, próxima a assinatura do autor (quase como parte da mesma), escondia-se uma figura diferente das demais, não era uma rosa. Não... Era uma espécime diferente das demais...


–Isso... Ah, uma Lótus?


Afrodite sorriu, o que diabos aquela florzinha simpática fazia ali?! Acariciou os contornos rosados da pintura, desde seu pequeno caule que enlaçava o nome do autor até suas pétalas delicadas e visivelmente macias, perdeu-se apreciando a beleza do desenho e automaticamente recordou-se de um certo cavaleiro loiro que ficava seis templos abaixo do seu.


"A pelo amor dos deuses, Afrodite...."


Balançou a cabeça negativamente tentando afastar a imagem do virginiano da cabeça, tivera uma tarde agradável com o mesmo, admitia, ficaram juntos apreciando o jardim por horas, praticamente sem trocarem uma palavras... Mas ainda sim, não gostava da ideia de ter sido humilhado por ele. Retorceu os lábios pensativo, tinha tudo pronto para ir embora mas agora não se sentia mais tão inclinado a isso, se tudo fosse devido as palavras do colega de batalhas, poderia considerar-se um tremendo bacaca! "Ainda não aprendeu a não confiar em palavras gentis?! Depois de tudo que você passou? Como isso pode acontecer, quer dizer... Tudo bem que eu estou acostumado a elogios vagos, mas... Essas... Essas coisas que eles dizem... É tudo igual!". Sentia-se um bobo, era tolo o suficiente para acreditar em certos tipos de palavras, é claro que já tinha se acostumado com os elogios endeusando sua beleza, mas todos o temiam demais para serem sinceros em relação as suas qualidades.


–Como se só existisse minha beleza e foda-se o resto! Ah!


Voltou para cama extremamente irritado, não iria cair nas graças de mais ninguém, fosse como fosse, palavras bonitas, elogios vagos ou declarações de amor! Estava decidido, iria embora assim que convencesse alguém a cuidar de seu jardim!


"Sim... E depois, posso voltar a Suécia, apesar de não ter família em lugar algum, tenha certeza que elas me acolheriam..."


~


–Bom dia Afrodite.

–Olá Aldebaran, já voltou de sua missão? -Bocejou espreguiçando-se enquanto observava o grande cavaleiro de Touro entrar em sua casa com um belo sorriso na face.

–Ah sim! Foi tudo muito bem sucedido, apesar de que estranho...- O moreno juntou as sobrancelhas, enquanto apoiava a cabeça na mão esquerda, pensativo.- Os ataques que foram relatados... Sabe, é como se Hades tivesse voltado!


Um frio percorreu a espinha do loiro, Hades, de volta?! Não queria acreditar que isso fosse possível!


–M-mas... Nós nos sacrificamos para que os garotos de bronze pudesse acabar com aquela guerra! Merda, eu dei minha vida para que isso não acontecesse e...

–Hei, hei... Calma Afrodite, relaxa... -Aldebaran riu nervoso ante a irritação do colega, o pisciano mostrava-se indignado com aquela ideia, era absurda demais para ser real!- Eu disse que parece... Não quer dizer nada isso, é apenas a opinião do grandão aqui!


Suspirou aliviado, não poderia nem imaginar o caos que seria se Hades, por algum motivo inexplicado voltasse e reiniciasse uma segunda guerra santa no mesmo século. "Quer dizer, ele não poderia esperar?! Eu não aguentaria uma guerra novamente...".


Os demais voltam hoje também?

–É... Não sei, eu e Aiolia chegamos de madrugada, por volta das cinco da manhã, recebi uma mensagem de Mu dizendo que logo chegariam, então talvez sim.

–Droga...

–Algum problema?

–Problema? -Afrodite riu amargamente com as palavras do outro, problemas... Isso não lhe faltava. -Não Aldebaran, definitivamente está tudo na mais perfeita ordem!

–Se você diz... Bem, tenho que ir, tenho permissão para passar?

–Ah sim, claro, fique a vontade. Ah, alias, Aldebaran, você gosta de flores?


O tourino fez a maior expressão de duvida que já conseguira fazer, não tinha entendido bem a pergunta do dourado de Peixes, chegou a cutucar o ouvido pensando ter escutado mal e repassar as palavras duas ou três vezes antes de confirmar positivamente a pergunta; os olhos de Afrodite arregalaram-se com um brilho de genuína felicidade, Touro não era uma má pessoa, apesar de grande e bruto tinha uma simpatia por todos do santuário, "E nunca me humilhou... Mesmo quando eu fiz isso com ele...", mordeu o lábio como se pedisse desculpas silenciosas, mas logo o sorriso voltou enquanto a face do brasileiro demonstrava o quanto estava confuso com tudo aquilo.


–Aldebaran, hipoteticamente falando... Você acha que conseguiria cuidar de um jardim?


Os olhos castanhos abriram-se mais do que o normal, a boca aberta sem saber o que dizer, o que Afrodite estava querendo? Amarrou a expressão tentando ler por trás daquelas orbes azuis e dos lábios rosados, mas não conseguia, havia um abismo entre eles que talvez jamais transpassasse, o cavaleiro sempre seria um mistério para si e, sentia como se nunca fosse conseguir alcançar alguém tão longe do plano terrestre.


–Bem, eu poderia tentar...


~


–Ah finalmente chegamos!

–Tsc, você reclamou o caminho todo Shura, pelos deuses cala essa boca!

–Reclamei? Não fui eu que dormi murmurando a viagem inteira.


Os olhos azuis estreitaram-se perigosamente ordenando o silencio do outro, Shura riu desafiando o companheiro, estava divertindo-se com as reações do canceriano desde o começo da missão. Conhecia Máscara da Morte há anos e sabia exatamente como provocá-lo, "Um perfeito idiota, basta tocar no nome da rosinha e ele já fica mais arisco do que o normal".


–Alias, porque diabos você está subindo, italiano? Eu sei que você é meio burro e idiota mas, caso não tenha percebido, sua casa ficou alguns templo para trás.

–Não te interessa.

–Ah já entendi... Vai visitar sua florzinha...


Angelo revirou os olhos, se tinha se atracado com o espanhol naquela viagem pelo menos cinco vezes foi pouco! Passaram o tempo todo entre provocações, agressões verbais e, obviamente, físicas. "Tudo isso para pegar esses papéis de merda!".


Shura entrou em seu templo dando um animado "Até logo" que envolveu uma sutil discussão sobre a personalidade do canceriano e a sua pseudo burrice. Máscara seguiu o caminho até a décima segunda casa, o sangue fervia e suas mãos já cerradas pediam por um pouco de ação, as palavras do capricorniano ainda gravadas em sua alma. A casa de Aquário estava vazia, o que era um alívio, não teria saco para encarar o cubo de gelo intrometido que vivia ali, elevou seu cosmo anunciando sua chegada ao décimo segundo templo, em seguida recebeu a resposta dos pisciano permitindo sua entrada.


–E aí Máscara, como foi a missão? Atena ainda não voltou então, acho que...

–Não vim aqui falar com ela.


As palavras saíram ríspidas e frias, Afrodite enrijeceu o corpo instantaneamente ao perceber a hostilidade do outro, os olhos estreitaram-se e os braços cruzaram-se como pudesse se proteger do que viria a seguir.


–Então...?

–Sabe, Dite, recentemente ouvi uma estória muito engraçada...


O pisciano sentiu seu estômago embrulhar-se, ninguém o chamava assim há anos e quando Angelo usava aquela palavra, não se podia esperar boas notícias, remexeu-se incomodado acompanhando com o olhar o guardião de Câncer que caminhava por sua sala distraidamente tocando em cada pilastra como se analisasse sua estrutura.


–Eu achei esta estória muito interessante, sabe?! Mas me incomodou uma coisinha... Uma coisinha bem simples, e sabe o que é engraçado?! Essa coisinha envolve a mim e a você....

–Jura? E o que seria isso, Anggie?


Viu o colega murmurar alguma coisa em italiano e virar-se de frente para si, os braços cruzados imponentemente, a postura ereta e as pernas ligeiramente afastadas. O sol que entrava no templo desenhava uma pequena linha dourada que os separava, como um juiz de luta livre que apenas aguarda o momento certo para iniciar a batalha e depois retira-se rapidamente do caminho.


–Ouvi dizer que um certo cavaleiro brinca comigo como um gatinho brinca com novelos de lã e eu gostaria de saber o que isso significa.

–Não sei, pergunte a ele. -Afrodite deu os ombros menosprezando as palavras do outro.


Máscara da Morte sorriu perigosamente, o pequeno filete de sol que os mantinha afastados tornou-se insignificante, aproximou-se a passos largos e rápidos sem dar tempo de Afrodite defender-se do "ataque" que viera como um relâmpago. O canceriano agarrou o sueco pelos braços o prensando contra a pilastra mais próxima, seu ante-braço posicionado estrategicamente no pescoço pálido e fino, a mão morena e rígida segurando as duas brancas e macias do companheiro.


–E o que você acha que estou fazendo, putanna?

–Me solta.

–Ou o que? -Sorriu sadicamente, tinha Afrodite sob seu controle, o colega manteve-se tanto tempo afastado dos treinos e da alimentação que perdera uma quantidade considerável da força, o que tinha não seria suficiente para afastá-lo, porém se olhares matasse, Máscara da Morte já estaria morto.

–Eu vou matá-lo Angelo, eu juro que vou! Se não me soltar agora juro que o mato!

–Ora, Dite, vamos poupar nossas forças, sim?! Porque você não me explica o que querem dizer com "brincar", sabe, eu fiquei curioso...


Afrodite sorriu amargamente, mas sem perder a fúria do olhar, sabia que a missão ao lado de Shura não daria certo.


–Não faço ideia do que está falando. -Concentrou sua força na perna esquerda desferindo um rápido chute contra o abdômen do outro que afastou-se rapidamente em um pulo para trás, distanciando-se apenas o suficiente para evitar o golpe. — Agora saia daqui.


O moreno cruzou os braços, os olhos azuis analisando o companheiro a sua frente, conseguia farejar o receio do pisciano, sabia que havia algo escondido naquelas tentativas vãs de desviá-lo do assunto, mas não seria enganado. "Não mais."


–Não, não vou embora, eu consigo ver Afrodite, eu vejo em seus olhos que você está mentindo.

–Não seja ridículo Angelo.

–Ridículo? Você está sendo ridículo aqui! Tsc, sei que você está mentindo e sabe por que eu sei disso? Porque toda vez que você mente seu lábio inferior treme sutilmente.


O loiro arregalou os olhos, Angelo permanecia indiferente como se o que tinha dito fosse a coisa mais obvia do universo, Afrodite recuou meio passo enquanto o outro aproximava-se exigindo com o olhar uma explicação.

Suspirou. Não queria dizer nada, era mentira, não o usava.... Usava?


–I-isso é besteira Máscara, nós nos conhecemos há anos, eu nunca "brinquei" com você.

–Será? Você tem razão, nos conhecemos há anos! E parece que eu nunca o conheci de verdade... -Balançou a cabeça negativamente, reprovando as palavras do pisciano.

–E o que você quer que diga, heim?! Ah sim, a pessoa que te disse isso está certíssima!!! Eu te uso, te jogo de um lado ao outro como uma boneca e quando canso descarto! É isso que você quer ouvir Máscara?


Afrodite irritava-se com as atitudes do dourado a sua frente, estava possesso com a infantilidade do colega, sabia que tinha cometido seus erros e seus pecados, mas...Mas...

Baixou os olhos mordendo o lábio inferior, deu três passos afastando-se do colega, ato que não passou despercebido pelo canceriano que se aproximou tomando a bela face entre suas mãos, os olhos azuis índigo encarando diretamente os azuis celeste.


–O que você está escondendo?


Engoliu em seco tentando manter a compostura frente o outro, seu estômago revirou-se levemente, apoiou as mãos no peitoral da armadura do guardião da quarta casa empurrando-o levemente, recostou-se na pilastra atrás de si, os braços cruzados e o olhos escondidos embaixo da franja.


–Então...?

–Eu nunca o usei.

–Sua palavra final?

–Sim.


Máscara da Morte suspirou visivelmente nervoso, apoiou uma das mãos no quadril tentando contar até dez em uma tentativa frustrada de se acalmar. "Sete... Oito... Nove...Merda!".

Mordia as bochechas com tanta força que começou a sentir o forte gosto de ferrugem do próprio sangue, riu, melhor, gargalhou. O som propagando-se por todo templo, em um misto de tristeza, desgosto, nojo e ódio, muito ódio.


–Eu te odeio Afrodite, verdadeiramente, eu te odeio. Você é covarde a ponto de mentir quando eu peço a verdade, admirável!


As palavras que saíram dos lábios do moreno alojaram-se junto das de Milo, cavando ainda mais a ferida aberta que mantinha dentro de si; pois bem, se era isso que ele queria ouvir... Desencostou-se da pilastras, os olhos brilhando em fúria e desgosto, caminhou até o guardião de Câncer,o agarrando pelo colarinho da armadura.


–Então você que ouvir a verdade? Muito bem, ai vai a verdade: Eu tenho nojo de você, Máscara da Morte. E sim, eu te usei mesmo! Afinal, por que não?! Você sempre se arrastou aos meus pés como mais da metade desse inferno que chamam de santuário! Então, sim, eu brinquei e brinco com você e sua devoção estúpida!


O punho direito passou voando pela lateral do corpo e teria feito um belo estrago na face pálida se o pisciano não tivesse desviado-se a tempo.


–Então é isso Afrodite, você realmente admite?

–Não era a verdade que você queria? Ai está!

–Quando isso começou?

–E importa? -Deu os ombros, a frieza entre os dois era palpável.

–Isso... Saga!

–Bem, pode-se dizer que ele também fez parte do "jogo", afinal, quem te trouxe a essa traição, fui eu, não?! Quem te passava as ordens de todas as missões? Quem o convencia do jeito mais sórdido a fazer as piores coisas que poderíamos imaginar? Sim, eu! Sim, a merda da culpa é minha! Sim, eu te usei incansáveis vezes!


Angelo observava os lábios de Afrodite que mantinham-se firmes, as palavras saiam entre dentes, ríspidas e frias, com a dureza de uma pedra (ou no caso, com a dureza de alguém que sentia-se como uma), a esperança que de as frases proferidas daquela boca fosse mentiras esvaindo-se a cada sílaba ouvida, não havia hesitação.


"Então é isso... Não passei que um brinquedinho para você... Um brinquedo que você usou o quanto quis e quando perdeu a utilidade, jogou fora...!"


Mordeu o lábio encarando face do loiro que avermelhou-se com a raiva exposta, as mãos brancas ainda presas a sua armadura, as bochechas levemente inchadas e o olhar felino devorando sua alma, as palavras duras rasgando e matando o pouco da humanidade que ainda existia no canceriano e levando consigo, o respeito e admiração que nutria pelo guardião da décima segunda casa. Virou-se em direção a saída desvencilhando-se do toque do outro.


–Milo tinha razão, você é não é confiável, além de desprezível e repugnante. -Estreitou os olhos, observando, sem encarar diretamente, o dono do templo que se encontravam. -Eu te odeio Afrodite, e espero um dia ter a oportunidade de mandá-lo de volta ao inferno.

–Não se preocupe, o sentimento é mutuo, eu também o odeio Máscara da Morte.


As palavras saíram com dureza, os ventos gelados de inverno tornavam-se brisas tropicais comparados as atitudes demonstradas pelos dois cavaleiros. Não havia mais nada a ser dito nem feito, "Eu irei matá-lo Afrodite, eu juro que essa sua cabeça loira vai entrar para minha coleção!". Máscara da Morte, retirou-se do templo sem dirigir um último olhar ao ex-colega de batalhas, prometendo a si mesmo como faria para que o pisciano tivesse a morte mais cruel e dolorosa de todas. Mas talvez, se ele tivesse olhado para trás uma única vez, teria visto algo intrigante...


O lábio inferior de Afrodite tremia.

Notas finais
Ééé, então pessoal, é isso ai! Está aí mais um capitulo!! Espero que tenham gostado... E, não me xinguem muito!!! ><
Não deixem de dizer o que acharam do capitulo!! Isso sempre me ajuda muito na construção dos capitulos!!! De verdade! u.u
Quanto ao próximo, vai ser no meio da semana de novo, não sei se quarta porque vou cmeçar a faculdade, mas, provavelmente!
Muito Obrigada pessoal e Feliz dia dos Pais!

Tia Evye