Seasons

13 Meu Querido Sabiá


Notas iniciais
Oi gente, notinhas rápidas porque o capitulo hoje tá que tá. Sei que tem gente que vai querer me matar pelo o que eu fiz aqui e eu compreendo, nem vou enrolar muito... Boa leitura pessoal!

Os olhos prateados correram pelo corpo pálido do sueco, um sorriso cínico estampado na face esbranquiçada e uma das mãos estendidas, os fios invisíveis segurando e puxando para trás o pisciano que permanecia estático, ainda assimilando o timbre da voz que ouvira, seu coração palpitava e os olhos fixavam-se em detalhes do gramado em que pisava. Queria acreditar que era uma ilusão e o que o ser humano à suas costas não fosse quem pensava ser, virou o rosto lentamente contemplando o espectro de beleza peculiar que lhe sorria maliciosamente. Minos de Griffon estava ali.

–Olá, peixinho.

–Maldito...

–Oh, sempre tão calorosos... Não entendo o problema de vocês, piscianos, com a recepção aos convidados. Será que são todos assim tão mal educados?

–Rá, está brincando comigo, não?! O que quer aqui?

–Ora, achei que tivesse ouvido... Vim buscá-lo.

–Até parece... -Riu nervosamente, os braços mexiam-se cautelosamente, cuidadoso para que a pele não se rasgasse. -Não vai ser tão fácil!

–E quando é?! Vocês... Tsc, tsc, tsc... -Balançava a cabeça negativamente, fazendo graça das palavras do loiro a sua frente. Adorava provocar os guardiões de Peixes, afinal, tratava-se dos cavaleiros mais belos e orgulhosos do santuário, provocá-los era uma missão fácil e extremamente divertida... "Tão belo, orgulhoso e teimoso quando Albafica... Adorável." –Mas vale a pena... Afinal, subjugá-los é uma das atividades mais prazerosas que a imortalidade já me ofereceu...

O sorriso que seguiu-se veio carregado de malicia e más intenções, Afrodite enrijeceu a coluna automaticamente ao perceber a hostilidade e sentimentos no cosmo do juiz a sua frente, mordeu um dos lábios tentando livrar-se das cordas que limitavam seus movimentos, a cada segundo uma sutil pontada de desespero crescia em seu peito ao ver, passo ante passo, o outro aproximar-se. Tinha que pensar em algo, alguma técnica poderia livrá-lo dali!

Claro que não se importaria em seguir os passos do antigo cavaleiro de Peixes e sacrificar-se parar livrar o santuário de um dos juízes, porém, essa ideia fora descartada tão rápido quanto considerada, não poderia morrer ainda, não nesta guerra, pelo menos... Não naquele momento. Suspirou longamente, o olhar fixo no espectro que caminhava em sua direção, um sutil temor apoderando-se de seu estomago, o mesmo sentimento das primeiras noites que teve em sua infância e adolescência, revirou os olhos, pelos deuses, era um adulto! Então por que sentia-se tão indefeso?!

–Qual o problema, gracinha?

–Bem, pode-se dizer que são essas cordas ao meu redor, não são lá muito confortáveis...

–Oh, não?! Achei que gostasse... Afinal, a julgar pelo seu histórico... não se recorda? Eu o julguei Afrodite, eu o conheço melhor de que você pensa.

As palavras lhe subiram a cabeça em um turbilhão de sensações, era muito atrevimento do homem dizer que o conhecia apenas por registro em pergaminhos velhos; mexeu um dos braços com uma força desnecessária, tomado pela fúria e furioso com o desprezo que o juiz exalava por si, um corte profundo próximo ao ombro o fez lembrar-se que permanecia atado, cerrou os olhos analisando um meio rápido e eficaz de atacar o inimigo. Talvez... Bem, por que não?!

Sorriu. Vagueou a língua pelos lábios mordendo o inferior ao final do ato, remexeu-se sedutoramente aos fios como se não estivesse mais tão incomodado com a ideia de estar preso, ainda sorrindo, os olhos azuis com um brilho desconhecido pelos demais.

Minos sentiu um estranho incomodo no ventre ao observar a cena, riu, os piscianos realmente bagunçavam seus sentidos era como se fossem a personificação de todos os sete pecados capitais, eram a luxuria em pessoa, causavam a ira e a inveja, traziam aos mortais (e imortais) a gula de desejá-los, a avareza de monopolizá-los, a preguiça que tentar equiparar-se a eles e emanavam a vaidade como ninguém.

–Ah, garoto... Você não sabe o que está fazendo.

–Ora, e ainda diz que leu meus registros? Interessante, sua leitura dinâmica está péssima...

–Eu sei o que está fazendo, Afrodite de Peixes, e por mais que seu corpo expresse o que leio, não quer dizer que é a verdade... Afinal, seus olhos, por mais felinos que sejam, pedem por socorro.

Não pode deixar de arregalar as orbes azuis ao ouvir as palavras, sentiu-se profundamente ofendido por ter sido desvendado tão rapidamente, de fato perdera um pouco dos métodos de sedução com o passar dos anos, mas admitia que seu maior fora ter pensado que alguém como ele iria cair em suas graças tão facilmente.

"Afinal, se ele me quiser, basta que me mate e me recupere quando chegar ao inferno... Droga, estou a merce desse idiota!"

Seu peito doía, mas já não era mais tão ruim, aos poucos conformava-se com a situação. Baixou os olhos, um sorriso amargo, ainda martelando mentalmente um meio de derrotar o espectro que agora estava a centímetros de si, sentiu uma das mãos frias como de um defunto, tocar-lhe os fios dourados. Arrepiou-se, erguendo o olhar no mesmo segundo para então encarar as orbes prateadas que o olhavam com algo que não sabia explicar, mas não gostava em nada!

–Eram mais longos, não?!

Recusou-se a responder, estava atento aos movimentos vagarosos do outro, a mãos aos poucos escorregava de seus cabelos para prender-se em sua nuca enquanto a outra passeava maliciosamente por seu braço, vez ou outra escorregando para sua cintura e subindo até suas costelas, o espectro não tinha puderes e simplesmente amava as reações do mais novo que estremecia ao toque, não um estremecimento desejoso, mas de temor, o pavor do violamento exalando de seus poros, os olhos azuis piscina fixos no horizonte, os lábios rosados crispados e os braços e pernas presos nos fios, rígidos como pedras.

Riu, aproximou ainda mais o corpo encostando-se no loiro, a mão direita agarrou-se nas mechas alouradas puxando a face do cavaleiro para que o encarasse de baixo para cima.

–Você não tem ideia do quanto esperei por isso, Peixes, estava louco para reencontrá-lo..

–Oh, que fofinho... Sentiu saudades, foi?

Aproveitou-se da situação e resolveu arriscar uma tática que lhe permitiria um golpe certeiro, ergueu a face umedecendo os lábios aproximando-os da face do outro, quando estava a mililitros de tocar a pele pálida e fria do espectro ergueu uma das mãos, lutando contra as linhas que o prensavam, sentiu a pele rasgar-se e um liquido viscoso descer por seus braços e pernas conforme movimentou-se para criar e atirar as Rosas Piranhas, afastou-se metros em um único pulo, Minos havia se defendido, mas tinha baixado sua guarda e isso fora o suficiente para que pudesse se livrar da técnica do juiz. O olhava com fúria, como se desafiasse o espectro de Griffon a tentar atacá-lo novamente, estava pronto para atirar uma Rosa Sangreta a qualquer momento e faria de tudo para que o outro baixasse a guarda o suficiente e assim fosse eliminados, e quando diz de tudo, realmente fazia jus as palavras.

No final, nunca julgou o treinamento de seu mestre tão cruel, fora criado naquilo e não podia mentir, tinha-lhe sido mais útil do que algum dia imaginou que seria, graças a sua flexibilidade para os mais variados tipos de missõe, Atena livrou-se de mais guerras do que poderia imaginar, mas, obviamente, ninguém nunca soube, exceto ele, Shion, Dohko e Saga, que vez ou outra o encaminhava para esse tipo de coisa.

"Aquela vaca roxa deveria me agradecer!"

Minos sorriu largamente apreciando os movimentos do louro que em muito lembrava-o de Albafica, mas ainda sim, eram extremos. Conhecia bem o passado de ambos, enquanto um privou-se do contato humano para que pudesse aperfeiçoar suas técnicas e tornar-se praticamente invencível e intocável, outro deleitou-se na carne e nos prazeres da vida mesmo quando não desejou. Mas as semelhanças permaneciam inegáveis, os dois eram belos (muito belos), orgulhosos, astutos e excessivamente perigosos, lutavam por seus ideais acimas de sua lealdade pela deusa que juraram proteger e fariam o possível e impossível para defendê-los.

–Uma pena que você jamais pode conhecer Albafica, aposto que vocês brigariam o tempo todo de tão parecidos que são, mas, não se preocupe, vou dar um jeito de apresentá-los quando tomar sua vida....

–Bem, então acho que nunca irei vê-lo... Porque não vou deixar que toque em mim!

A luta seguiu-se furiosamente, Afrodite usava diversos ataques tanto utilizando suas rosas quanto a ataques físicos, mas o fato de ter que afastar-se o tempo todos por causa da técnica do juiz o deixava irritado, não precisava de proximidade para aquela batalha, mas criar suas rosas com um dos braços debilitados e com a visão turva pelo sangue que escorria de um corte no supercílio, não era uma tarefa fácil.

Arfava, estava cansado e parecia que o prateado a sua frente sequer havia movido um muculo, travava uma batalha sozinho, Minos sequer movia os braços para impedir os golpes, seu cosmo estava debilitado devido sua negligência nos treinos e sua recente situação psicológica, fechou os olhos tentando concentrar-se em um meio de derrotar o espectro, ou ao menos atrasá-lo para que pudesse sair dali e entender o porquê da fumaça branca que saia do templo de Atena. Além disso, queria ver Shaka, na verdade, estava desesperado para encontrá-lo, não podia morrer sem agradecer ao louro, sem dizer o quanto aproveitou o tempo que estiveram juntos, sem explicar que fora um tolo ao julgá-lo como uma pessoa arrogante e falar o quanto sentia-se bem com o cavaleiro e gostaria que tivessem tido mais tempo...

Não. Não iria morrer ali.

Ergueu o corpo com dificuldade, os braços e pernas presos no fios da Marionete Cósmica de Griffon, cambaleou sentindo o sangue escorrer por seu braço esquerdo que o juiz havia quebrado há apenas meia hora, riu da própria situação... Ensanguentado, cansado, desolado... O corpo de Shura e Radamanthys a alguns metros de distância decompondo-se sobre os restos da neve; seu cosmo fraco e debilitado, um braço quebrado, cortes profundo em todos os membros, uma ou duas costelas fraturadas, quase cego do olho esquerdo (graças a um golpe físico proposital do espectro) e cansado, ão da luta, mas da vida.

Mancou três passos aproveitando-se da brecha que lhe fora proporcionada pelos cordões que o envolvia, ergueu a face sorrindo, levantou uma das mãos sob o atento olhar de Minos que agora o prendia com força novamente, mas era tarde, tomara sua decisão e o erro do juiz foi subjugá-lo, tolo, deveria ter aprendido com Albafica, nunca, nunca, menospreze um pisciano!

–Rosas Diabólicas Reais...

As palavras saíram em um sussurro, fazendo o representante de Griffon tombar a cabeça para o lado para tentar entender o que os lábios perfeitos de Peixes proferia. Porém, não precisou de muito para entender a frase, a chuva vermelha que fora em sua direção explicou o que precisava saber, riu, ia dizer o quão idiota o guardião do décimo segundo templo era ao pensar que aquele golpe tolo iriar funcionar enquanto escondia-se atrás das asas de sua sapuris, mas quando desvencilhou-se da proteção da armadura não havia mais Afrodite. Olhou confuso para os lado a procura do pisciano, achando que de algum modo este estaria armando uma emboscada, mas o cosmo e o odor doce que exalava do mesmo haviam sumido, o único vestígio era seu sangue e as rosas que haviam sido usadas em batalha.

De alguma maneira, Afrodite conseguira escapar inclusive de sua técnica... Sorriu, mas tudo bem, estavam apenas adiando um encontro inevitável, deixaria que Peixes resolvesse suas pendências, afinal...

–Terei toda a eternidade para atormentá-lo...

~

–Aldebaran!

–Mu! O que houve? Onde estão os garotos de bronze?

–Lutando contra alguns espectros menores, exceto Seya que saiu com Atena, estão atrás de Hades!

–O que?! Sozinhos?

–Não... Dohko e Shion foram juntos... Aldebaran...

–O que houve Mu, por favor, seja rápido, ouvi barulhos no outro salão, os Pratas não conseguirão conter os espectros por muito mais tempo,além disso, Aioria foi ferido, tem que ajudá-lo!

–Eu sei, eu sei! -Sentiu-se um tanto bobo ao fazer aquela pergunta ao amigo, é claro que considerariam normal estavam em guerra e procurar por um colega que havia sumido era natural, mas temia que seu tom de voz entregasse suas reais preocupações. -V-você viu o Shaka?

–Shaka? Não o vejo desde que o trio problema desceu para casa de Shura, aliás, onde aqueles quatro se enfiaram?!

–Droga...

Aldebaran observou o guardião de Áries correr na direção de que viera, confuso com a atitude do roxinho, deu os ombros, não era hora para se preocupar com os pensamentos do amigo e muito menos tentar entender por que Shaka havia sumido e os outros não apareciam.

"Eu só gostaria que eles aparecessem por essa porta..."

Seria bom e gentil dizer que o barulho do portal de pedra sendo arrombado anunciava a chegada dos cavaleiros de ouro que desceram até a décima casa, mas também seria utópico demais... E Aldebaran reconhecia isso, tanto que não se impressionou quando, ao invés de avistar a longa cabeleira loura de Afrodite, a expressão carrancuda de Máscara da Morte, o olhar lascivo de Saga e o sorriso cínico de Shura, avistou a comitiva do imperados do submundo à porta, exatamente a sua frente. Não se impressionou quando o corpo trajado em túnicas negras, sempre acompanhado de seus braços esquerdo e direito, Kagaho de Benu e Pandora, prostraram-se a sua frente, todos sorrindo vitoriosamente.

Suspirou. Havia chegado a hora, a guerra o alcançou como tinha alcançado vários dos corpo jogados ao seu redor. As batalhas sangrentas e as lágrimas chegaram e o sopro frio e delicado da morte roçava-lhe os ouvidos com luxuria, como se o tentasse a deitar-se com ela.

"Acalme-se, querida, você já levou vários... Tenha paciência, logo estaremos juntos..."

–Ora, ora... Não achei que viveria para revê-lo, Hades.

–Não se atreva a dirigir a palavra ao Mestre Hades, Touro!

–Acalme-se Pandora... Não me recordo de termos nos conhecido, mas creio que seja o cavaleiro de Touro, certo?!

–Oh, reconhecido por um deus? -Riu altamente com uma falsa alegria. -Acredito que estou ficando importante!

Hades ergueu um dos lados dos lábios em um meio sorriso cheio de significados, o taurino permaneceu "alegre" em uma tentativa de espantar o temor e receio que apossava-se de si. Não teria chances com o imperador, mas se pudesse ao menos atrasá-lo...

–Vejo que fora presenteado...

–Ahn?

–O pássaro. O pássaro em seu ombro...

Voltou a face para o lado direito do corpo, o sábia que encontrara e o acompanhava há um tempo piava feliz, como se ao seu redor houvesse com um bosque com flores e não um mar de sangue. Riu, engraçando-se com o animal que abria as asinhas ao receber o gentil toque do brasileiro.

–Sim, acho que os deuses gostam de mim, não?

–Não sei... Não sou muito bem vindo no Olímpo, mas é o que dizem, não?! Quando se recebe um presente dos deuses, ou é muito amado, ou... A morte está próxima...

–Bem, eu realmente espero que seja a primeira opção!

O golpe da espada veio certeiro e preciso, o Relâmpago Negro o acertou com força jogando-o para o outro lado do salão, as costas batendo com força contra o mármore. Cuspiu um pouco de sangue, ainda rindo, o pequeno sábia voava sobre sua cabeça piando desesperadamente como se pedisse por ajuda. Ergueu as orbes castanhas observando o trio caminhar em direção ao quarto de Atena, tentou gritar para que parassem mas uma dor aguda em suas costelas o fez curvar-se para frente, Kagaho percebeu a movimentação do grande cavaleiro sentado sob os escombros do templo, afastou-se do deus e sua acompanhante, justificando ficar para impedir que os demais cavaleiros tentassem atrapalhar seus planos.

–Bem, então você será, meu oponente, Kagaho de Benu?

Ouviu um estalar de língua, conhecia o espectro de outras eras e sabia que ele havia ficado ali apenas porque reconhecera Touro. Olhou para cima, o pequenino animal voava emitindo uma triste e fúnebre canção, sorriu, ele sabia o que viria agora, aliás, todos sabiam. Era hora de se levantarem, uma guerra havia começado.

–Bem, vamos acabar logo com isso!

~

Afrodite corria pelas casas atrás de seus respectivos donos, tropeçara duas ou três vezes em corpos tanto de espectros quanto de protetores da deusa, seu olho ardia e a dor em seu braço era praticamente insuportável, não conseguira avistar ninguém em seu caminho até o templo de Atena e sua própria casa fedia a morte, sangue e dor.

Subiu os degraus aos tropeços, segurando o braço debilitado, ainda tivera que batalhar com uma leva de espectros inferiores que tentara pará-lo por estar ferido, tolos, sempre julgando pela aparência...

–Camus!

–Afrodite! O que houve?

–Minos! Ele estava na casa de Shura, onde estão Máscara e Saga?

–Como assim? Eles estavam com você! Alias, onde está Shura?

–Ele...

–Não... Mas, quem?

–Radamanthys. Ele conseguiu derrotá-lo, mas pagou um preço... Agora Minos está lá, e virá atrás de mim, não entre em seu caminho, não desperdice sua vida a toa, precisaremos de bons cavaleiros para defender Atena e a terra, deixe que venha.

–Hei, do que está falando?

Afrodite corria pelo salão ignorando o aquariano que fora deixando para trás, esbarrava nas portas e paredes, sua cabeça latejava e seu coração parecia não ter espaço suficiente para palpitar o tanto que necessitava.

–Deuses... Poupem-o, por favor...

Escancarou uma das portas deparando-se com uma cena que não imaginaria ver, há cinco metros de si um corpo grande e moreno estirado ao chão, dois metro ao lado deste, um jovem espectro vestido em uma sapuris negra desacordado embaixo de escombros de mármore.

–Aldebaran!

–Hm... -Gemeu, remexendo o corpo em direção a voz que o chamava.

–O que aconteceu? -Aproximou-se do corpo do morenos, colocando a mão boa em sua testa. -O que fizeram...?

–Ah... E aí, Dite? -A voz era fraca e saia em sussurros falhos, um filete de sangue escorria pelos lábios grossos do taurino. -Não achei que iria vê-lo antes de ir... Fico feliz...

–Do que está falando seu idiota?! Você não vai a lugar algum! Lembra, me prometeu que iria cuidar de meu jardim!

–Eh... É mesmo... Me desculpe peixinho... Acho que não vou poder, pelo jeito vai ter que ficar por aqui mais um tempo...

A grande mão morena ergueu-se acariciando os fios dourados, um sorriso fraco nos lábios e a incrivel necessidade de expor tudo que sabia e escondia em seu coração, o olhar de Peixes beirava o pânico, não podia permitir que Aldebaran desistisse tão fácil... Mas, ao observar o estado do corpo do dourado notou que não era uma questão de escolha... Havia perdido uma perna, seus tímpanos sangravam, havia um corte na lateral esquerda do corpo que quase o rasgou ao meio. Engoliu em seco, agradecendo aos deuses por ter limitado a visão do taurino escondendo partes de seus corpo sob pedras.

–Eu sei que está ruim...

–Aldebaran...

–Hei, Afrodite... Estava te esperando.

–O-o que?

–É... -Sorriu fracamente, ainda acariciando as mechas louras. -Por muito tempo, eu te esperei... Passei minha vida toda observando o garoto de cabelos loiros e andar galante, imaginando o quanto seria legal poder ser amigo dele! Mas... Você sempre esteve tão longe...

–Não! Não Aldebaran, eu estou aqui! Exatamente aqui, ao lado, veja! -Agarrou uma das mãos morenas segurando entre a única que conseguia mover livremente.

–Não... Não Dite, você não está, você nunca esteve comigo...

–Por favor... Não diga isso...

–Hei... Não faça essa cara triste, não estou reclamando... Eu gostei, pude aproveitar... Mesmo... Mesmo que eu nunca o alcance Afrodite, mesmo que eu continue sendo um reles mortal, mesmo que seus olhos só alcancem um certo olhar azulado... Eu agradeço, tive a oportunidade de ver uma pessoa que todos julgam de modo errado... Eh, eles são bem burros, sabe?!

Tossiu e uma quantidade considerável de sangue saiu de sua boca, mas ainda sim o largo e alegre sorriso permanecia estampado em sua boca. Os olhos castanhos aos poucos perdiam seu brilho e o coração sempre tão pulsante silenciava-se vagarosamente.

–Hei... Afrodite.

–O-o que foi?

–Eu realmente gosto de você...

–Qual é grandão... Não fale assim... -Forçou um sorriso, lutando contra a realidade e os fatos, pedindo piedade, pedindo para que o poupassem... "Pelos deuses, me tirem tudo, mas deixem esse homem viver.... Por favor!" –Até parece que está se declarando!

–E não é?! -Riu alto, o som gostoso da risada animada de Aldebaran preenchendo todo o comodo. — Você é uma ótima pessoa... Espero que Máscara perceba isso antes de perdê-lo para sempre... Sabe, Dite, ele é um tremendo de um burro... Não fique bravo com ele.

–Não se preocupe Aldebaran, ainda iremos todos jogar poker juntos! Todos nós, eu, você, Máscara, Shaka...

–Não Dite... Não iremos... Você sabe que não.

Suspirou.

Os batimentos lentos, a respiração oscilando, a visão turva... Mas sorrindo. O velho e bom sorriso...

–Obrigado Afrodite... Por permitir que um cara como eu entrasse em sua vida... -Voltou as orbes castanhas para o pisciano que tinha os olhos marejados -apesar das lágrimas não caírem- segurando a mão do moreno rente ao peito. -Hei... Seu coração bate forte... Isso é bom... É sinal de vida...

Voltou os olhos para o pequeno pássaro que sobrevoava ambos os cavaleiros, com seu piado triste, mas acalentador. Sorriu ainda mais... Estava em paz. Estava pronto e preparado para abraçar a morte, caiu o olhar na imensidão azul que o encarava com determinação, dizendo palavras de animo que não faziam sentido em sua cabeça, afinal, estava tudo tão distante... Tudo escurecia... Pouco a pouco.... As paredes estavam longes e seu corpo parecia leve... Uma sensação boa no coração... Por que Afrodite parecia tão desesperado? Ele estava bem... Estava em paz... Iria descansar, não tinha motivo para aquelas expressões exageradas...

Um pio alto e doloroso marcou a ida de Touro para o beijo da morte, Afrodite gritou pelo amigo ainda na tentativa inútil de fazê-lo abrir os olhos. A face estava serena e o tolo sorriso ainda brincava em seus lábios.... Tombou a cabeça no peito do brasileiro, agarrado as suas vestes em seu choro mudo e desesperado... Havia perdido alguém que amava, um amigo, um companheiro, um ser humano...

E agora, a morte o levava, o levava em seus braços, deixando um pobre e desolado Afrodite apenas com o corpo...

"Deuses..."

O sabiá piou mais algumas vezes, picando a cabeça do louro como se implorasse para que deixasse o corpo do amigo, mas desistiu, bicou o peitoral do cavaleiro de Touro e voou. Havia cumprido sua missão, agora retornaria aos deuses e logo iria visitar a alma de grande e gentil moreno.

Afrodite, ergueu os olhos acariciando a pele rústica e grossa do quardião do templo de Touro, sorriu fracamente tetando conformar-se com a perda... Inclinou a face tocando-lhe os lábios em um triste beijo de despedido, passou as mãos pelos curtos cabelos castanhos e levantou-se caminhando até a saída do templo que levava ao altar de Atena...

–Me aguarde, Aldebaran, logo nos veremos novamente...

Notas finais
Entãão, espero que tenham gostado, me perdoem pelo que fiz ><!! Mas, foi o que aconteceu e sim, estamos muito, muito no fim mesmo! Isso quer dizer mais uns dois ou um capitulo! Espero que tenham gostado, nao vou enrolar mto aqui tbm pq tenho que dormir (4h da matina amanha x.x)! Obrigada por lerem! Até o proximo capitulo!

Tia Evye

PS: Quase chorei escrevendo o capitulo! ç.ç, nunca vou me perdoar!