Search And Destroy
4 Estranhas revelações
Notas iniciais
A semana passou e a adaptação de Levy e Juvia ficou cada vez menos complicada, por mais que elas tivessem pesadelos às vezes e ainda passasem por momentos de tormento. As consultas diárias com a terapeuta ajudaram bastante e eram a única atividade social que conseguiam praticar, já que a fila da terapia era maior do que a fila do refeitório. Enquanto estavam esperando sua vez, iniciaram naquele diálogo mais decorrente que um 'bom dia”.
“Levy-san, aquilo realmente aconteceu e nós estamos morando aqui, não é?” Juvia começou timidamente.
“Sim...sim para todas as alternativas. Eu não consigo me lembrar da cara do rapaz e era somente um? Porque se fosse um, teríamos conseguido nos defender, não? Teríamos que ter nos defendido!”
“Por que não conseguimos lembrar? Por que esse branco na nossa cabeça? Por que todo esse pesadelo? Por que não conseguimos esquecer e quando devemos lembrar não nos lembramos de nada?”
Ouviram uma voz conhecida ao fundo. “Porque é o jeito que a mente de vocês conseguiu fazer funcionar.” Cana dizia.
“Mas Cana-san” Juvia justificava, “se tivéssemos visto, poderíamos denunciar o desgraçado. E agora fica esse vazio. Ele levou algo de nós, de mim e eu não consigo saber o que é e nem quem ele é. Tem essa tatuagem no peito. Essa maldita tatuagem que eu não consigo nem lembrar se já vi antes, se eu fiz algo...”
“Juvia,” Cana interferiu, “Nada justifica e infelizmente não há nada a fazer. A não ser continuar nessa fila da terapia. Sentar o popô e dizer tudo isso pra Erza. Ela é a melhor que eu já vi. Conseguiu fazer até a Lisanna 'falar'.
“Falar? Ela não fala Cana.” Levy discordou. “ Ela fala através de mensagens no celular.”
“Ela não conseguia nem fazer isso. Ela fazia gestos curtos ou ainda acenadas do cenho. Não formava uma frase completa, não lembrava como escrever.”
“Mas o que aconteceu com ela? Ela não comenta.” Levy disse.
“Bom, não é que ela esconda, mas ela viu a família toda ser assassinada quando ela tinha uns 5 anos e foi criada pela família de assassinos. Ela viu tudo e não foi bonito. Sem falar que os cretinos começaram a abusar dela no momento em que ela entrou na casa. Isso começou aos 5 e terminou aos 10, quando ela estava forte o suficiente para matar todos eles.”
“Ma..tar?” Levy assustou-se
“Sim. Ela matou todos e libertou as outras garotas que estavam ali. Lisanna sabe muito bem quem ela defende e ela tem um senso de moral definido e completamente parcial.”
“Ela matou com 10 anos?”
“Sim...e não parou por ai. Eles a ensinaram a torturar, a criaram para ser uma assassina. A destruíuram completamente. Só que é o seguinte, ela usa o que aprendeu para nos ajudar. Ela nos proteje. E não machuca mulheres.”
“Não?”
“Não. Ela nunca relou a mão em uma mulher na vida a não ser para ajudar, ok, teve uma vez que aconteceu, mas é um caso isolado. Ela tem uma força sobrehumana e usa isso em prol do que ela acredita ser correto. Eu posso ver o olhar de julgamento de vocês. Escutem. O que vocês passaram, ela passou mil vezes mais. Vocês se culpam com essa idade, ela tem esse sentimento de culpa desde os 5 anos. A lealdade dela é inquestionável e as habilidades dela são úteis para todos nõs. Irão se acostumar.”
“E os patins?”
“Jeito fácil de se locomover.”
“Bonito também.”
“E como vai a terapia?” Cana mudou de assunto.
“Não sei. Ela quer nos fazer lembrar, mas cada vez nos afundamos mais nas lembranças, entende? Até ficar tudo completamente submerso e turvo. Eu só lembro da tatuagem. Não lembro da voz, do cheiro, do toque, nada. Só dessa bendita tatuagem.” Juvia respondeu desconsolada.
“Mas vocês foram atacadas ao mesmo tempo?”
“Pelo que parece sim, essa noção de tempo está muito estranha pra gente e eu fui atacada por trás, não consegui ver nada. Juvia disse que foi pela frente e ele usava uma máscara,mas foi insano o suficiente para tirar a camisa e mostrar essa marca.”Levy completou.
“Então foram dois. Cada um tem um modus operandi diferente. É tudo um sistema que não pode apresentar falhas. Se deu certo uma vez, continuará executando da mesma maneira.”
Enquanto estavam nesse diálogo, a porta do escritório abre e uma albina sai bastante transtornada. Completamente vermelha e descabelada, vai até Cana e diz: “Natsu”.
Aquilo é um choque tanto para os presentes quanto para a própria Lisanna que não sabe de onde saiu essa palavra estranha e o som dessa voz que não reconhece como sua. Desesperador. Pegou nos braços de Cana como se fossem a única salvação possível. Chorava. Sim, caiam lágrimas desesperadas daqueles orbes azulados e a chacoalhava com veemência. “Natsu” e engasgava.
“Cana, quem é Natsu?” Erza perguntou visivelmente aturdida
“O único homem que ela salvou.”
“Você o conhece?”
“O vi uma vez.”
“Traga-o aqui” Erza foi resoluta.
“Eles não se conhecem. Se viram uma vez. O cara não lembra quem o salvou.”
“Como você sabe disso?”
“Eu providenciei.” Cana disse baixinho.
“Não interessa. Traga-o aqui. Faça com quem convivam. Você tem noção do que isso significa? Ela perdeu a fala com 5 anos. Tem 27 e a primeira fala dela é esse nome. Faça o necessário. Traga-o aqui, faça com que eles convivam. Dê um jeito.” Erza disse estupefata.
“Não farei isso. A não ser que Lisanna quiser. Se ela falou o nome dele, pode vir a falar mais coisas. Não colocarei ela em cheque dessa maneira Erza. O cara não a conhece, eles não convivem. Agora eu chego na delegacia e digo: hey Natsu, você pode fazer uma sessão de terapia porque a sua salvadora precisa da sua ajuda? Ah, aquela que te salvou do estupro que você nunca teve coragem ou memória pra dizer? Tem noção do que isso fará com ele?”
“Não me importo.” Erza disse
“Se eu fosse você, me importaria. Lisanna já salvou você também. Deve sua vida a ela. Compreenda a importância desse homem Erza. A coisa foi tão insana que Lisanna quebrou dois princípios de uma só vez. Matou uma mulher e salvou um homem. Acha mesmo que ela permitiria que qualquer pessoa o colocasse em uma situação dessas? De confronto com lembranças? Pense como a profissional que é.”
Toda aquela gritaria chamou a atenção de Kinana que se dirigiu ao local e ficou pertubada pelo que viu. Ver Lisanna, a imagem da frieza completamente transtornada a comoveu de uma maneira muito desagradável.
“Lis, o que aconteceu? Cana, o que está acontecendo?”
Lisanna foi até a médica e disse: “Natsu.”
“VOCÊ ESTÁ FALANDO?”
“Natsu.”
“Cana, é só o que ela fala?” Kinana se dirigiu a Alberona.
“Sim.”
“E o fuzuê é?”
“Porque a Erza quer trazer o cara aqui. Pra ajudar ela a falar mais coisas. Mas você sabe o que aconteceu. Você o tratou. Acha mesmo que ela vai querer que traga o Natsu aqui?”
“Qual é o problema de trazer o Natsu aqui?” Erza perguntou
“Nós fizemos ele esquecer de tudo.” Kinana disse tristemente.
“Como?”
“Hipnose.” Kinana respondeu.
“Vocês hipnotizaram uma vitima de estupro? Sem nenhum critério? Nem pensaram no depois?”
“Foi o primeiro homem que salvamos Erza! Não sabíamos o que fazer! Presta atenção. Você teve homens bons na sua vida, teve uns ruins, mas teve homens bons. A gente só tem referencial ruim. Dá valor no seu diploma e junta dois com dois. Acha mesmo que seria fácil assim? Infelizmente distinguimos o ser o humano! Porra, ninguém é perfeito. Fizemos o que achamos melhor naquela hora. Com o que deu pra fazer naquele momento. Ele viu tudo o que a Lisanna fez. Viu a maneira como ela os matou e ficou em choque. Por favor Erza. Não faça isso. Ele tem um emprego bom, consegue funcionar. E não sabemos as repercussões. Vai que o efeito hipnótico acaba? Imagina as repercussões.?” Kinana implorou.
“Exatamente. Ele também precisa de tratamento Kinana. Hipócrates não significa nada para você? Fez o mesmo juramento que eu, nos formamos juntas pelo que eu me recordo. Você o machucou quando evitou que ele confrontasse o problema e recebesse o tratamento.” Erza disse estoica
“Você nunca hipnotizou antes? Quem é você pra me dizer isso? Hipnotizou o seu namorado pra que ele esquecesse o que aconteceu naquela torre do paraíso. Ou você pensa que eu não me lembro do que você fez? Eu estava lá junto de você quando ele pediu chorando para que você o fizesse esquecer tudo. Quebrou a hipnose do seu adorado Jellal ou você ainda diz que a marca no rosto dele é de água quente e não da marca de ferro que aqueles caras do orfanato fizeram? Você ainda fez pior. Fez com que ele esquecesse memórias da infância. Não nos recrimine. A não ser que você tenha libertado o Jellal, coisa que você não fez.' Kinana esbravejou.
Erza ficou em silêncio. Respirou resignada. “Jellal lembra de uma coisa ou outra. Não tem como realmente apagar uma memória, mas sim, a vida dele esta bem melhor do que antes.
“Pode nos hipnotizar?” a voz de Levy pode ser ouvida ao longe. “Por favor?”
“Não podemos. Infelizmente não podemos. Isso é ilegal e não foi feito em nome da clínica e do abrigo. Isso foi um caso pessoal meu e uma hipnose emergencial da parte das garotas. Se souberem que podemos fazer isso, que nos aproveitamos da dor de um paciente para um tratamento experimental, eu e Kinana podemos perder a licença e consequentemente o abrigo fecharia, sem falar no que isso poderia fazer nas estruturas do tratamento terapêutico. Foram casos de julgamentos parciais que resultaram nessas ações completamente inconsequentes. Espero que compreendam a nossa posição.”
“Eu...sinceramente não compreendo.” Levy começou a dizer com raiva.
“Levy-san, elas não podem tirar de nós. Não podem tirar de nós dessa maneira.” Juvia respondeu baixinho.
“TIRAR O QUE? O QUE SOBROU?” Levy chorava.
“Levy-san, ainda somos nós. Não tivemos memórias alteradas, tivemos um momento horrendo que vai nos perseguir pro resto da vida, mas ainda estamos inteiras, se não estivermos, essas mulheres vão nos ajudar a ficar, mas esses dois homens não sabem o que aconteceu com eles. Não sabem o que passaram e provavelmente saberão. Se foi como elas disseram, a hipnose não foi concluída, não sabemos o que viria. Ao menos, nós sabemos e informação é poder. Temos o poder de conviver com isso. Por mais que seja uma porcaria, temos o poder de nos termos de volta. E será que precisaríamos de mais coisas sendo tiradas de nós?” Juvia disse calmamente.
Levy não disse nada e somente se lançou aos braços da mais alta chorando copiosamente.
A fala da garota ressoava nos ouvidos das médicas, de Cana e Lisanna. Realmente tinha sido errado. Mas era o que poderia ser feito no momento. Mais uma palavra pode ser ouvida em uma voz estranha para os presentes. “Desculpem”
Todos pararam e olharam Lisanna que ainda estava chorando.
“Desculpa pelo quê?” Cana perguntou docemente.
“Desculpem.” Mexeu nos bolsos procurando o celular. [se eu tivesse chegado antes, o Natsu não teria sofrido isso e ninguém precisaria hipnotizá-lo. E isso não faria que as meninas duvidassem que só queremos ajudá-las. E também não faria a Erza e a Kinana brigarem por algo que foi feito há tanto tempo atrás.]
“Quantos anos tinha o Natsu quando tudo aconteceu?” Levy perguntou
“Ele tinha acabado de entrar pra polícia, 20, 21..ele ficou em choque, tanto que ele não se lembra de nada, ele já não se lembrava antes e por causa do choque e por ele ter visto a Lis e ser policial, a gente se desesperou e fizemos isso. Nos aproveitamos do fato dele estar em choque pra cobrir o nosso rastro.” Kinana disse.
“E o seu namorado, doutora Erza?”
“Eu nem era doutora ainda. Kinana estava comigo. Ela me auxiliou, mas não tínhamos terminado a faculdade. Foi algo insano de se pensar e de se fazer, poderia ter custado a sanidade dele certamente.” Erza deixou sair em um fôlego só.
“Lisanna, obrigada. Mas isso não é sua culpa. Na verdade, não existe culpado além do desgraçado, ou melhor, dos desgraçados que fizeram isso. Vocês estão nos ajudando enquanto outros estão nos olhando como se fôssemos culpadas. Vamos superar isso.” Levy disse entre lágrimas. “Temos que superar isso.”
–-------------------------------------------------------------------------------------------------
Na delegacia, Natsu tinha sido acometido por uma crise de espirros violentíssima, sem falar na semana insana que tivera. Desde que conhecera a garota platinada, seus pesadelos mudaram. Ele sabia que tinha acontecido algo com ele, mas não conseguia se lembrar, sabia que doía, que tinha algo a ver com a moça de cabelo branco e ele, mas não conseguia distinguir os fatos. Era somente dor, entretanto, quando a garota aparecia a dor desaparecia. Ele era um jovem homem, 20 anos recém completados e era algo misturado com uma vergonha e tristeza imensas, que estava encravada no fundo de sua memória...não era momento de pensar nisso. Tinha o telefone, mas não podia ligar para a moça, ela não falava. E começou a trocar mensagens,embora ela parecesse arredia, nunca se recusava a 'falar' com ele.
Entretanto, ele sentia que ela escondia algo. Será que era um namorado? Será que era a origem? Nada o deixava mais curioso. Pensava nela o tempo todo, Lisanna o que estará fazendo? Será que eu mando uma mensagem agora?. Não poderia. Estava em serviço e logo o seu parceiro iria voltar das férias. Não se passou um segundo do fim desse pensamento e Natsu sai voando de seu assento.
“OEEEE SALAMANDER, QUE CARA É ESSA? COMEU E NÃO GOSTOU?” Gajeel Redfox bradava.
“Não é da sua conta, imbecil. Como foi as férias?”
“Ótimas. Conheci uma menina linda que por sinal mora aqui e combinamos de nos encontrar quando eu voltasse de viagem. Levy é o nome dela. Inteligente, pequena e maravilhosa. Exatamente o meu número. Agora me conte as novidades.” Gajeel disse feliz.
“Conhecemos Cana Alberona”. Natsu disse baixinho.
“Brincou? E esse lugar ainda está inteiro? Como ela é? Ela é gostosa?”
“Gostosíssima. Cabelos longos, cintura fina, voz maravilhosa e uma atitude, meu amigo. Fez o delegado ali ficar louco.”
“Como assim? Mais louco do que já é?”
“Muito mais. No dia em que ela veio aqui, chegou batendo os saltos no linóleo, como se fosse a rainha do lugar. Não teve um que não olhou e ela nem se dignou a nos observar. Parecia da realeza ou uma assassina, não sei. Uma força da natureza que com 3 palavras desconcertou o delegado de uma tal maneira que ele não grita há uma semana. Incrível.” Natsu completou
“E por que você não aproveita a sessão de fofocar pra contar que o estuprador reapareceu, dessa vez tem um ajudante porque ele pegou duas garotas dessa vez e com quem você vem trocando mensagenzinhas de amor e como você conheceu a moça.” Laxus falou estoico.
“Er...er..ah, eu acho que isso não é importante..eu quero dizer, não da Lisanna. Isso não é importante.” Natsu falou desconcertado.
“Ela tem cabelo platinado e olhos azuis?” Gajeel perguntou divertido.
“Ah..eh..ah, tem sim. É a moça com quem eu sonho. Satisfeito?”
“Já pegou?”
“Pegar..que raio é isso de pegar? Eu não pego mulheres, eu as conquisto.” Salamander falou orgulhoso.
“Bom, essa será a primeira que eu veria você conquistar então, cara.” Laxus disse divertindo-se.
Natsu parecia nervoso, mas acabou rindo no final das contas. “É, eu também.”
Gajeel não querendo parecer estraga-prazeres tocou no assunto do estuprador e ouviu nervosamente Natsu dizendo que foram duas garotas perto da Universidade de Magnólia, mas elas tinham feito a denúncia através da ong da senhorita Alberona e todos os exames e tratamentos eram feitos por lá também, o que implicava anonimato.
“Mas o que essa mulher pretende obstruindo a justiça desse jeito? Será que ela não sabe que é necessária a denúncia pra que se tomem providências?!” Gajeel esbravejava.
“Ela não obstrui a justiça porque deseja Gajeel. As vítimas a procuram. Ela tem todo o aparato necessário, ela está preocupada com as vitimas e não com a prisão do cara. A forma como ela age, parece que vai matá-lo. Ela vê a polícia e todo o sistema legal como uma fábrica de estupradores, ela não consegue ver a parte da punição e ela tem a opinião popular com ela desde que salvou a mulher do prefeito de ser espancada até a morte pelo marido. Sem falar que ela tem uma espécie de cão de guarda invisivel que realiza as maiores peripécias. Foi essa pessoa que pegou o Nosferatu, lembra? Aquele que gostava de empalar as mulheres? Ele morreu empalado também. Essa mesma pessoa pegou o Ivan e o matou. Não procuramos essa pessoa que está dando aquilo que o povo deseja. Mas isso não pode sair do controle. Temos que pegar esse meliante. E esse deve ser o melhor de todos, já que nem Cana Alberona conseguiu colocar as mãos nele.”
“Não acha que essa moça tem poderes demais pro tamanho dela?”
“Tem e nós não temos poder algum.” Laxus disse desanimado.
–---------------------------------------------------------------------------------------------
Em um lugar ignorado, um homem moreno e tatuado observava o último suvenir que tinha pego em sua última empreitada e pensava: Ah Juvia, foi bom ter você contra o meu corpo novamente. Mas o idiota do Lyon estragou tudo quando pegou a sua amiguinha anã. Ainda bem que ele teve a presença de espírito em pegar a vadiazinha por trás, ao menos provou um pouco daquela bundinha que parecia deliciosa.Incrível como você não reconheceu o meu pau em você. Provavelmente terei que pegar você de novo...eu mal posso esperar.
Fale com o autor