Sea

1 Capítulo Único


A noite estava fria e a única luz que a iluminava eram as estrelas e a lua, refletindo seu brilho no mar.

O mar. Se extendia até o horizonte, com às vezes – só às vezes – Feixes de luz prateada que prendiam o olhar. Mas mesmo no escuro da noite, continuava majestoso e misterioso, fazendo com que seja impossível desvendar seus segredos, o que esconde em suas profundezas.

Os homens acham que sabem tudo, que controlam tudo, até o mar. Mas não controlam, ele os controla. O mar é indomável. Pode ser belo e calmo, mas também pode ser violento, perigoso e imprevisível.

Agora, só mais uma coisa. Tema o desconhecido.

***

O vento forte da noite balança os vestidos das garotas e os pés pisam a areia fria e úmida. Theodora e Emma fecham os olhos sentindo o cheiro do mar.

-É lindo, não? – diz Emma abrindo os olhos

-É sim – responde Theodora sentando na areia macia acompanhada de Emma.

As duas ficam em silêncio por alguns minutos, observando a paisagem á sua frente. Theodora dá um longo suspiro e se levanta limpando a areia da roupa e das mãos.

- Então, vamos? – Pergunta Theodora a Emma, estendendo a mão.

Emma levanta com a ajuda de Theodora. — Tem certeza disso thea? – Pergunta enquanto limpa o vestido.

- Por que, está com medo? – Diz a garota em um tom desafiador, com um sorriso travesso no rosto.

Claro que não! – Diz Emma fazendo uma careta – Era só para me certificar de que está tudo certo com você.

- Pois está sim.

As duas caminham até a margem, a água tocando os pés nus.

-Está muito fria — Emma diz esfregando os braços.

- Para mim, está ótima – diz Theodora, avançando até a água atingir sua cintura. – Vamos logo! – Ela grita olhando para Emma que estava ainda na margem. – O que foi, perdeu a coragem?

- N-não – diz Emma gaguejando.

- Venha logo. Vamos, não precisa ter medo, não vai acontecer nada, eu prometo. – Diz Theodora olhando para amiga.

- Tudo bem – Emma fala avançando devagar sempre olhando para os lados e para trás até alcançar Theodora.

As duas vão em frente até não tocarem os pés na areia. Thea nada de um lado para o outro, dando longos mergulhos, mas Emma ainda não estava tão confiante.

- Eu já disse, não precisa ficar com medo, apenas aproveite. – diz Theodora em frente à Emma.

- Não consigo, é difícil ficar tranquila em um lugar onde não vejo quase nada. Estou começando a achar que não foi uma boa ideia virmos aqui de noite.

- É claro que foi uma boa ideia, deixe de ser boba. Você precisa se divertir mais, sabia?

Emma estava começando a se acalmar com os comentários de thea, até que viu um movimento estranho mais á frente.

- Thea... Acho que vi algo lá na frente.

- Aonde? — Pergunta olhando para trás. – Não vejo nada. Eu já disse, fique calma não tem nada para ter medo.

- Tudo bem. – Emma diz tentando se acalmar. Olhou novamente e viu o mesmo movimento, agora mais rápido. Imaginou ser um peixe, por ter visto algo como escamas. Mas não, era grande de mais para ser um. Ou ela só sabia, dentro de si, que não era um peixe.

- Thea, eu realmente vi algo. E está mais perto agora.

-Eu já disse, não é nada, e eu vou provar. – A garota diz nadando mais á frente.

- Não Thea, volte!

Mas Thea continua avançando – Viu? Não tem nada aqui. Nada para se preocupar.

- Tudo bem! Só volte para cá, agora!

- Calma, estou indo. – Ela diz, mas de repente, Thea arregala os olhos e bruscamente é puxada para baixo.

- Thea! — Emma grita desesperada pela amiga, olha para a água, mas não consegue enxergar nada, nem mesmo o próprio corpo. Continua gritando, sem nenhuma resposta. Não quer aceitar, mas sabe que thea se foi. Vira-se e tenta o mais rápido possível voltar para a margem, mas suas forças estão sendo sugadas pelo medo. Ainda assim continua nadando em direção à margem, até que ela para e sente algo agarrar seu pé, Mas não era nada que esperasse, era uma mão, tão fria quanto à água do mar, e quando caiu em si, foi também puxada para o fundo. Debateu-se tentando se livrar do que a segurava e olhava para os lados procurando algum sinal de thea, mas não a viu. Olhou para baixo tentando ver o que lhe puxava, e tinha razão quanto às escamas, também tinha razão sobre não ser um peixe. Era uma criatura que nunca pensara que veria na vida, ou mesmo que fosse real. Era belo e assustador ao mesmo tempo, mas naquele momento, o que queria ver era a beleza da mesma. Amenizaria a dor de saber que não poderia se salvar daquilo. Ela se virou e Emma deu uma olhada no ultimo rosto que veria na vida, um rosto bonito como nunca vira antes, porém se olhasse dentro de seus olhos, era possível enxergar a maldade neles. Fechou os olhos, sabendo que nunca veria a luz de novo. E estava certa.

Ninguém nunca soube o que aconteceu com aquelas garotas, só saíram de casa um dia e não voltaram mais, deixando mães angustiadas pela perda das filhas. E então fica a pergunta, será que mais mães perderiam filhas e filhos daquele mesmo jeito? A resposta é sim.

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