Se você sente algo, cante!

14 Um segredo que não é mais um segredo, como lidar?


Notas iniciais
B04 L317UR4.

Eric Redfox

— Sinceramente, acho que vocês dois deviam parar de frescura e namorar sério logo — digo para o Nathã após o mesmo me contar da ideia que teve de 'namoro teste'.

— Não fala assim, até agora está dando certo — Nathã diz sorrindo.

— Vocês têm quanto tempo nesse 'teste'?

— Dois dias com hoje.

— Paciência... — suspiro.

— Deixa disso — Nathã diz rindo e sentando no banco da praça na qual estamos e eu me sento ao seu lado.

Ficamos ambos encarando Kaithy que estava mais afastada de nós brincando com Deph e outros cachorros que estavam lá com seus donos.

"Dono de cachorro em pleno domingo as 9:00am com cachorro no parque, podiam estar dormindo..."— penso vendo tanta gente com seus cães.

— Humm... — escuto o Nathã murmurar e o olho.

— Que foi agora?

— Nada... — ele diz e eu olho para onde ele está olhando.

"Entendi"— penso segurando o riso.

Kaithy estava com um rapaz loiro mais alto que ela brincando com a Deph e outro que cachorro bem maior, que suponho ser o cachorro dele. Estavam conversando bem animadamente, e o Nathã aqui se roendo de ciúmes besta. Nesses momentos agradeço por não ter namorada, pois sei que sou ciumento demais. Eu já teria ido lá e a carregado para longe dele. Sei que é besta, mas sou assim.

"Nathã também não tem atitude nessa relação..."— penso o olhando.

— Toma atitude Nathã! — digo e ele se assusta.

— Que foi?

— Você só falta explodir de ciúmes, vai lá e a carrega para longe, ou dá uma desculpa para ir embora. Ficar ai parado não faz ciúmes passar.

— Mas não tem motivo para fazer isso, só estão conversando. Estou com ciúmes sim, mas não acho certo fazer isso — ele diz rindo.

— Realmente não posso namorar... — digo vendo o rapaz ir embora e Kaithy continuar brincando com a Deph.

— Também acho, achei que eu era ciumento, mas você me surpreendeu agora — Nathã diz se levantando — Quer ir comigo comprar sorvete?

— Vam-- — sou cortado pelo meu celular tocando — Um minuto — digo ao Nathã e atendo, era meu pai. Fico ao lado do Nathã falando no celular.

—Eric, como está filho? — meu velho pergunta.

— Bem, qual o motivo de ligar assim esse horário? — o pergunto rindo, pois ele não me liga de manhã.

— Teve uma situação aqui em casa, tem como eu passar uns dias ai com você? — ele me pergunta e eu sorrio. Passar um tempo com meu velho será bem agradável.

— Claro, nem precisava perguntar, era só chegar — digo e o escuto rir.

— Ainda guarda a chave no mesmo lugar? Pelo som do ambiente já sei que não está em casa, o que é bom, parece que você não tem saído muito.

— Sim, estou no parque com uns amigos — escuto ele rir — Qual a graça?

— Não te imagino acordando cedo para ir ao parque em pleno domingo.

— Pensei a mesma coisa... Mas o que não fazemos pelos amigos — digo e nós dois damos risadas.

— Bem, quando você voltar nos vemos na sua casa então filho, até mais tarde.

— Até mais tarde — dito isso ele desliga.

— Toma — Nathã me dá um sorvete de casquinha, daqueles de maquina.

— Obrigada — digo pegando — Meu velho vai passar uns dias lá em casa.

— Que legal! Eu amo seu pai, ele muito divertido — Nathã animado. E realmente, esses dois juntos nunca dá uma conversa que preste.

— Sim, ele já vai estar lá de tarde quando eu voltar, quer ir lá? É bom que já ajuda a arrumar algumas coisas.

— Claro, ver seu velho é sempre um prazer — ele diz e olha para o lado, eu o acompanho com o olhar e vemos Kaithy se aproximando com a Deph.

— Oi meninos, aprontando o que? — Kaithy pergunta.

— Nada especial — a respondo.

— Vamos invadir a casa do Eric hoje, o pai dele vai estar lá — Nathã diz ainda animado com a ideia de ver meu velho.

— Legal, posso ir conhecer seu pai Eric? — ela pergunta sorrindo.

— Pode sim — digo sem pensar — Vamos almoçar lá em casa, já poupa viagem.

— E me poupa trabalho, hoje era meu dia de cozinhar — Kaithy diz colocando Deph na coleira e andando junto conosco — Nathã, porque não comprou sorvete para mim? — ela o pergunta brincando.

— Você tem açúcar demais no sangue — ele a responde rindo.

— Falou o chocólatra — ela retruca.

— Não é você que vive reclamando que enjoa muito rápido com doce? — Nathã se defende.

— Um sorvete não me enjoa, nem venha com desculpa para cima de mim — Kaithy diz de braços cruzados.

— Vamos almoçar logo, parem de DR comigo aqui — digo.

— Não é uma DR! — Nathã diz reclamando comigo.

— DR? — Kaithy pergunta.

— É uma expressão em português para "Discussão de Relacionamento" ou ''Discutir Relação" — Nathã explica.

— É quando o casal tá brigando — digo resumindo — Vocês que aprendem o português usam muitas palavras, resumam — digo rindo.

— É porque como não nascemos aqui aprendemos o português completo, para saber usar nas frases — Nathã se defende de eu ter o chamado de chato indiretamente.

— Eu estudei o português errado por três meses antes de achar o idioma certo — Kaithy diz suspirando.

— Português errado? — a pergunto.

— Sim, estava estudando o português de Portugal, era para estudar o português brasileiro. Juro que quase enfartei! Faltava poucos meses para vim e eu ainda havia estudado o português errado — ela diz e eu e Nathã começamos a rir.

— Mas é lerda viu! — Nathã diz abusando ela.

— Por isso outro dia você chamou a menina da sua sala de 'rapariga' — digo ainda rindo — Ela veio dar queixa na minha sala de você.

— Eu só entendi o motivo dela não gostar de mim uns meses depois... — Kaithy diz.

— Sabe Kaithy, nas próximas férias podíamos viajar — Nathã diz — Chamar todos para ir, podíamos invadir a Disneylândia.

— Boa ideia Nathã! — Kaithy confirma animada.

— Eu não vou não, não quero ficar de vela — digo — Vai você e a Kaithy, ai chama o Jhonas e a Laiane. Eu vou virar a iluminaria do lugar.

— Isso te incomoda? — Nathã pergunta.

— Sim. Não me importo de sair com todos aqui, pois somos amigos e é divertido. Mas viajar é mais... Como posso dizer?

— Mais solitário? — Kaithy completa.

— Não é solitário. É meio chato, me sinto como bagagem adicional — digo bagunçando meu cabelo um pouco.

— Entendi... — Nathã diz sorrindo — Meio que entendo, quando saia o Jhonas e a Laiane e eu ia junto com eles eu sentia como se tivesse atrapalhando o momento deles.

— Isso! É isso mesmo. Nós três aqui juntos é divertido, mas em outras situações eu me sinto... 'Atrapalhando' o momento.

— Besteira Eric — Kaithy diz me olhando — Quando eu saia com minhas amigas e o namorado delas eu sempre me divertia muito, e sempre abusava quando rolava clima entre eles — ela ri ao lembrar — Atrapalhar as fotos de casais é uma das melhores coisas.

— Acho que com as meninas a experiência é outra... — digo e Nathã concorda.

— Meninos que se incomodam com coisas tão simples — ela diz.

Ficamos conversando sobre diversos assuntos até chegar à minha casa, que não ficava tão longe do parque, mas a Deph parava toda hora para cheirar as coisas, e isso acabou prolongando o caminho. Ao chegar à rua vimos os pais da Kaithy saindo para algum lugar, e ambos acenaram para nós sem falar nada, apenas seguiram seu caminho. Isso me lembra...

"Não, não, não, não, não, não!! Como pude esquecer uma coisa dessas?! Estava tão distraído que nem lembrei dessa complicação!!"— penso entrando em visível desespero.

— Eric? — Kaithy me chama. A encaro por um momento e desvio o olhar.

"Talvez ele nem note... Já se passaram muitos anos."— penso me acalmando — "Mas tem outro problema que mora bem ao lado da minha casa que eu não lembrei também..."

— É hoje que pago pelos meus pecados... — murmuro abrindo a porta de casa com o Nathã e a Kaithy que estava com a Deph no colo — Vou coloca-la no quintal para ela ficar a vontade — digo pegando a Deph e deixando os dois na sala.

— Sabe Deph, acho que vou adotar um cachorro, a casa está bem solitária — digo brincando com a cachorrinha antes de coloca-la no chão e ela correr feito louca — Ao menos alguém aqui não tem problemas para se preocupar... — digo respirando fundo.

Escuto um barulho alto de alguma coisa quebrando dentro de casa e entro correndo.

"É hoje..." — penso ao ver a situação em que todos estavam.

Kaithy Fullbuster

O Eric levou a Deph para o quintal e está demorando um pouco para voltar. Como não era a primeira vez que vou a casa dele, praticamente me sinto em casa. Fui na cozinha beber um copo de suco que eu sei que sempre tem e deixo o Nathã na sala.

— Sr. Redfox!! — ouço Nathã dizer. Como estou na cozinha não estou os vendo, só ouvindo enquanto bebo um toddynho. Tem suco, mas toddynho é melhor.

— Olá meu rapaz, cresceu muito! Lembro-me de quando chegou aqui novinho sem saber falar português direito, e agora já é um homem! — ouço uma voz mais rouca e forte vindo da sala, obviamente o pai de Eric.

— Sim, já faz uns anos que o senhor não vem aqui, só o Eric ia te visitar — Nathã diz.

— Sim, eu não tenho saído muito de casa. Como vai você? E como anda as namoradinhas? — ao ouvir isso prestei atenção. Só por curiosidade mesmo, nenhum interesse pessoal. (*cof* *cof*)

— Anda com as pernas — Nathã diz e os dois dão risadas, mas eu fico sem entender.

— Você que gosta de tecnologia, viu o preço do novo Iphone nas lojas americanas?

— Não vi não — Nathã diz interessado.

— Estava uns 899R$ — o Sr. Redfox diz.

— Poxa! Que barato! — Nathã diz surpreso.

— Sim! Mas só nas lojas americanas mesmo, nas lojas brasileiras continua uns 6 mil e pouco — os dois riem de novo, mas ainda fico sem entender.

— Essa foi ótima, me pegou. Você não é capital de Roraima, mas é uma Boa Vista — os dois riem mais — Edifício ficar sem você — eles riem mais...

— Você não merece Palmas, merece o Tocantins inteiro! — e eles continuam rindo.

"Nem vou rir, vai que é doença..."— penso rindo de leve.

— Vai ficar escondida ai Kaithy? — Nathã me pergunta rindo e eu vou para a sala vendo os dois. O Sr. Redfox tem o cabelo escuro como o de Eric e olhos lilás como os meus, só que mais escuros. Um corpo normal, nem definido nem acima do peso. Aparenta ter trinta e poucos anos, mas como ele é pai do Eric sabemos que tem mais que isso, ele está com uma caixa fechada na mão. Pode parecer estranho, mas o Sr. Redfox não para de me encarar sem nem disfarçar a surpresa.

— Olá, prazer Sr. Redfox, me chamo Kaithy — digo me apresentando. Para minha surpresa ele deixa a caixa cair e a mesma faz um som alto de vários conteúdos de vidro se quebrando.

—...

—...

— O que foi isso?! — Eric chega correndo preocupado.

— Eric... — o Sr. Redfox diz parando de me olhar para olhar para o filho.

— Calma pai — Eric o ajuda a se sentar no sofá. Ele parece estar em choque.

— Vou pegar essas coisas para ninguém se ferir, Nathã, pega um copo de água para o Sr. Redfox, por favor? — digo tirando a caixa do chão.

— Claro — Nathã vai para a cozinha e eu levo a caixa para fora do lugar de risco.

"Essa reação foi muito estranha. Será que ele tem algum problema de pressão?"— penso olhando para o nada. Permaneço lá respirando um pouco antes de entrar de novo.

— Kaithy? Está bem? — Nathã me pergunta.

— Acho que sim — sorrio para ele e o abraço, ele não disse nada por um tempinho, mas é ótimo ficar abraçada com ele assim.

— Parece até conto de fadas... Mas assim aconteceu, éramos dois apaixonados Julieta e Romeu — ele começa a cantar baixinho, só para mim, uma musica que não conheço.

— Letra bonita — digo prestando atenção na letra.

— Naquela noite encantada. Pedi pra lua dos amantes, que iluminasse essa hora, pra esse amor eternizar... — ele continua e dou um sorriso.

— Que fofo...

— Mas num passe de mágica, você desapareceu... Um eclipse maldito! O encanto se perdeu...— o encaro e ele continua a letra ainda baixinho, mas nada que impeça a voz dele de ficar linda — E o meu coração partido, foi sofrendo, e foi sofrendo! Tentando te encontrar na madrugada, fria madrugada...

— A letra ficou meio triste do nada...

— Sim — Nathã diz — É como as coisas são... Uma hora está bem, e outra está mal — ele me dá um selinho demorado.

— O que foi isso do nada? — o pergunto rindo de leve e ainda o abraçando.

— Sinto que as coisas vão ficar difíceis para você. Não é certeza, só um pressentimento. Mesmo assim, lembra que eu estou aqui para você não importa o que aconteça, certo?

— Certo — confirmo — Como termina a musica? — ele da uma risada e canta o resto baixinho.

— A lua me traiu! Acreditei que era pra valer... A lua me traiu! Fiquei sozinha e louca por você...

— A lua me traiu... — repito a letra da musica.

— Eu gosto dessa musica, pois sempre a achei contraditória. Começa bem, mas termina mal. E depois fica pior, pois ela diz "Não consigo te esquecer".

— De quem é?

— Uma cantora chamada Joelma, mas é da 'Banda Calypso' — Nathã diz — O nome da musica é 'A lua me traiu'. Foi uma das primeiras musicas que aprendi quando era criança e vim para o Brasil.

— Vamos entrar? — o pergunto.

— Vamos sim — ele confirma e entramos. Porem ouço que Eric e o pai estão conversando. Faço sinal para o Nathã parar — O que houve?

— Shhh... — faço sinal e fico escutando a conversa.

(Autora: Não façam isso em casa! Ouvir a conversa dos outros é errado!)

— Ela está aqui há tanto tempo e não me falou nada... Por quê? — Sr. Redfox pergunta.

— Fala serio pai, só de vê-la o senhor quase enfarta, imagina se eu te falo que ela se mudou para cá... — Eric diz.

— Te entendo... É bom ver que ela está bem, faz anos que não a vejo. Se ela está bem, nada mais importa — os dois sorriem.

— Sim, ela está muito bem — ouço Eric respirar fundo — Já que vai ficar aqui um tempo irei te contar antes que tenha outro susto.

— Prossiga...

— Eles estão morando aqui do lado...

"Eles?"— penso prestando atenção.

— Ótimo, não podia estar melhor. Sai de lá por conta de problemas e arrumo outros — Sr. Redfox diz com graça na voz.

— É só não tocar no assunto — Eric diz — O Sr. Fullbuster-- — o pai dele o corta.

— Fullbuster? Quem é esse?

"Meu pai? No que meu pai entra na historia?" — penso e Nathã me olha preocupado.

— Ele se chama assim, os dois e a Kaithy se chamam Fullbuster — Eric explica — Bem, o Sr. Fullbuster me disse que é melhor assim, pois ela é muito 'ética', e talvez não aceite bem a historia.

— Ética... Ela ficou como a mãe dela então — o Sr. Redfox diz sorrindo.

— Chega... — digo baixinho só para o Nathã ouvir — Vem comigo Nathã — seguro a mão do mesmo o puxando sem deixar o mesmo falar. Saímos pela porta do quintal, e continuo o puxando para casa de meus pais.

— Vai fazer o que? — Nathã pergunta visivelmente preocupado

— Nathã... — eu paro no meio da rua entre a casa de meus pais e a casa de Eric — Eu não sei! — digo — Eu não sei o que fazer! Eu não sei o que pensar. Não sei nem o que estou sentindo... — sinto lagrimas preencherem meus olhos.

— Não acho que deva saber o que está sentindo, só sinta — Nathã diz e me embala num abraço, me fazendo começar a chorar no peito dele.

— Meus pais... — digo me acalmando — Meus pais não me veem chorar desde os meus doze anos, quando decidi que não ia chorar na frente de ninguém.

— Não é uma meta muito boa, chorar é melhor que explodir por não se expressar.

— Com você eu não consigo disfarçar meus sentimentos... Não sei se isso é bom ou ruim.

— Na minha opinião é uma coisa boa, eu amo pessoas verdadeiras — ele diz e beija minha testa.

— Vamos resolver a historia... — digo vendo meus pais chegarem de carro. Ao me verem os dois vem até mim antes de entrarem em casa.

— Filha? O que houve? — meu pai (Sr. Fullbuster) me pergunta. Ele possui o cabelo preto como o meu e olhos castanhos profundos. Tendo aparência de trinta e poucos anos.

— Olá Nathã, algo errado? — minha mãe (Sra. Fullbuster) diz se aproximando. Ela tem o cabelo até os ombros, cacheados e castanhos. Tendo os olhos verdes claro.

— Bem Sra. Fullbuster, espero que não — Nathã a responde.

— Kaithy! — Eric me grita vindo até mim, mas para ao ver meus pais e logo atrás dele vem o Sr. Redfox.

— Você... — meu pai diz o encarando desacreditado.

— Não esperava o ver — o Sr. Redfox diz encarando meu pai.

Narração

Depois de poucas palavras trocadas todos estavam na casa dos Fullbuster na sala. O Sr. Redfox sentado no sofá com Kaithy e Nathã sentados no mesmo sofá, o Sr. e Sra. Fullbuster estão em outro sofá lado a lado e Eric esta sentado no braço do sofá ao lado do pai (Sr. Redfox)

Todos em silencio... Mas logo Kaithy se pronuncia.

— Só para avisar — todos a olham — Que eu quero somente a verdade. Se existe algum segredo, é hoje que ele não é mais segredo.

— Não vejo necessidade filha... — o Sr. Fullbuster diz — Não complique sua vida assim.

— A ignorância é uma benção quando não temos consciência dela — Kaithy diz — Isso não seria ignorância no bom sentido. Quero a verdade.

— Kaithy, se acalme — Nathã diz sorrindo e segurando a mão da mesma.

— Você é minha irmã de sangue — Eric diz chamando a atenção de todos.

— Eric! — Sr. Fullbuster o repreende.

— Me poupe, já chegamos aqui! Ela merece saber, eu venho dizendo isso desde sempre! Olha só onde chegamos! Se queriam a proteger, parabéns, não conseguiram — Eric diz perdendo a calma.

— Como isso é possível? — Kaithy pergunta.

— Não vejo mais motivos para esconder a verdade de você... Filha — Sr. Redfox diz.

— Ela é minha filha! Não ouse falar essas blasfêmias perto de mim! — Sr. Fullbuster se expressa.

— Silencio!- Kaithy exclama — Só me contem a verdade, é tudo que peço por hoje...

— Pois bem... que a verdade seja dita, ou melhor, contada.

Historia:

O Sr. Redfox teve Eric com a sua falecida esposa, a Sra. Redfox. Antes de morrer, a Sra. Redfox traiu o Sr. Redfox com o seu irmão, que agora é conhecido como Sr. Fullbuster, que já namorava a Sra. Fullbuster, ou seja, ambos traíram seus cônjuges. A Sra. Redfox estava grávida de novo, e jurava que o filho era do Sr. Fullbuster, mas como eram irmãos a genética podia ser uma desculpa. O Sr. Redfox estava feliz por ter uma menina e fazer um casal de filhos. Mas enquanto o casal estava lá feliz com o novo membro na família, o Sr. Fullbuster contou tudo para sua esposa, mas ela o perdoou. Nisso o Sr. Fullbuster disse que queria ser responsável pela criança e contar toda a verdade para o Sr. Redfox, mas ela negou e disse que o caso deles acabava ali. Como a Sra. Fullbuster era estéril ela achava uma boa ideia o marido dela ter a guarda da criança por direito de ser o pai. A Sra. Fullbuster contou tudo para o Sr. Redfox, que por sua vez ficou sem reação sobre todo o assunto, e já tinha problemas cardíacos. Os messes foram passando e a historia se complicava ainda mais. A Sra. Redfox no seu amargo arrependimento tentou abortar sua filha diversas vezes, mas nada adiantou. Chegou o dia de ter a criança (Kaithy), após ter um parto calmo e Cesário, a Sra. Redfox teve depressão pós-parto e se negava a cuidar da própria filha. O Sr. Redfox com toda historia teve graves problemas de saúde e ficou um tempo sob observação medica, deixando Eric na casa dos padrinhos temporariamente. Aproveitando a situação, o Sr. Fullbuster jogou verde com o conselho tutelar e adquiriu a guarda da criança... Mudaram-se sem que o Sr. Redfox soubesse, e levaram a bebê junta como se fosse filha deles (eles legalizaram, então legalmente é). Mudaram de sobrenome pagando tudo legalmente, e viveram afastados. A Sra. Redfox morreu por falta de nutrição, ela se negava a comer, beber, ou sair do quarto. O Sr. Redfox nunca escondeu a historia do filho mais velho (Eric). Em uma das viagens os Fullbuster vieram morar no Brasil novamente, e Eric reconheceu seu 'tio', mas não falou nada por saber o que se passou. (Eric tinha uns onze anos e Kaithy sete anos). Ao ver sua irmã Eric se aproximou dela e conversaram bastante, ficaram amigos durante algumas semanas, tanto que conseguiu a confiança da garota para convida-la para casa dele. O Sr. Redfox ficou muito feliz e passou momentos agradáveis com a filha, e Eric a levava no Karaokê junto com o pai. (Kaithy falava que ia sair e os "pais" dela sabiam, mas não sabiam com quem). Não demorou muito para os Fullbuster notarem o que aconteceu, e levaram a menina para longe do Brasil. Como era normal se mudar com constância, Kaithy não fez perguntas, era só mais uma mudança. Não houve despedidas, mais uma vez ela havia sumido.

(Extra: O Sr. Redfox pegou o DNA da Kaithy e fez o exame. Kaithy é filha do Sr. Redfox e irmã de Eric tanto de mãe como de pai.)

Fim dos fatos

Imaginem se fosse você a descobrir tudo isso, pois eu não consigo descrever como Kaithy está se sentindo...

Kaithy Fullbuster ou Kaithy Redfox (Eis a questão)

Depois que acabaram de contar o que houve... Bem, não sei expressar como estou...

Não quero chorar...

Não estou triste...

Não estou feliz...

Não sei o que sinto...

— Se me dão licença... Eu... — digo me levantando e saindo da casa indo na direção do carro.

— Ei... Se acha que vou te deixar dirigir assim está enganada — Nathã diz me abraçando por traz de modo carinhoso — Vou te levar para casa...

Ficamos o caminho em um silencio confortável, preciso desse tempo para pensar em tudo que está acontecendo. Entramos em casa ainda em silencio. Tomei um banho frio e vesti meu moletom. Ao chegar à sala deitei no sofá e fiquei encarando o nada...

Uns minutos depois ouço um som ecoar pela sala, era o Nathã no piano. O som era lento e agradável, perfeito...

Prestando atenção nas notas reconheci a musica... A musica que cantamos juntos no dia que nos conhecemos no Karaokê.

A melodia no piano sem a letra é muito agradável... É simplesmente perfeita, e me acalma muito, ajuda a limpar a mente.

Não sei em qual momento tudo se apagou... Mas agradeço por ter conseguido dormir aquela noite.

Notas finais
0BR1G4D4 P0R L3R3M.