Se você estiver pronta, eu estou também
11 Epílogo
Notas iniciais
Seis meses se passaram desde o nosso casamento, agora estou entrando no carro sentindo a dor mais forte e a dor mais feliz que eu poderia ter. Nossos filhos vão nascer, e eu não consigo mensurar o tamanho a minha alegria.
Quando nós descobrimos que eram gêmeos ficamos em estado de êxtase. Por um lado foi um alívio, estamos travando uma guerra sem fim sobre quem seriam os padrinhos. Eu queria Roman e Tasha, ele queria Patterson e Borden. Sarah e Reade ja eram padrinhos da Candice.
Mas por outro lado eu tinha muito medo. Meu único contato com crianças foi com Sawyer e Candice, e não era um contato tão próximo que eu pudesse ter alguma experiência. Kurt tentava me acalmar dizendo que eu seria uma boa mãe, eu fingia me acalmar para não apavorar ele também, mas por dentro me desespero só crescia.
Kurt sempre passava em bancas, livrarias para comprar livros de gravides, livros sobre parto, amamentação. Esse era o nosso jeito de aprender. E como nós entramos num consenso que não sairíamos para trabalhos no campo tínhamos mais tempo para ficar juntos e estudar sobre isso. Foi uma decisão dura, difícil, mas necessária. Eu não suportaria se algo acontecesse a ele.
Optamos por não saber o sexo dos bebês, Sarah fez questão de preparar o quarto deles e me ajudar com o enxoval. Como não sabíamos o sexo o quarto foi decorado nas cores branco, cinza e amarelo. Ficou perfeito e eu passava boa parte do meu dia lá dentro, imaginando como seria quando os bebês chegassem. E confesso que já ficava cansada so de imaginar.
Combinamos o seguinte, Roman e Tasha serão padrinhos do primeiro bebê a nascer e Patterson e Borden do segundo. Independente do sexo. E temos também 4 opções de nomes, Henry e Luke caso sejam meninos e Louise e Beatrice caso sejam meninas, se for um casal será Henry e Louise.
Repasso tudo isso na minha cabeça várias vezes, até escrevi para entregar aos médicos, acho que vou ficar tão nervosa que não vou nem lembrar os nomes na hora.
Quando chegamos ao hospital Kurt desceu do carro e abriu a porta pra mim pedindo para um enfermeiro trazer uma cadeira de rodas.
— Kurt — apertei o seu braço com a maior força possível chamando sua atenção.
— Oi meu amor — ele disse me fitando com seus lindos olhos azuis, quero tanto que nossos filhos puxem os olhos dele.
— Você tá entendendo que estamos entrando aqui nos dois e vamos sair daqui nos quatro — pergunto.
— Eu sei. E você não pode imaginar o tamanho da minha ansiedade por isso. Podemos? — ele disse ajeitando a cadeira na minha frente.
— Vamos — Kurt me pegou no colo e me colocou na cadeira entrando comigo para dentro do hospital.
Nós ficamos tão apavorados quando a bolsa estourou que não ligamos para ninguém, me lembrei disso no caminho para o quarto.
— Kurt liga pra alguém, pra Patterson e pede ela pra avisar o resto do pessoal para eles virem. — eu disse pegando o meu celular dentro da bolsa de maternidade.
— Verdade, nem pensei nisso, vou ligar para Sarah também. — Kurt disse também pegando o celular no bolso.
Eu disquei para o Roman, agora ele estava vivendo entre a África e NY, como eu já estava na última semana da minha gestação ele ficou aqui em NY em alerta, queria muito que ele participasse desse momento de alguma forma.
— Roman, minha bolsa estourou estou no hospital, chame a Tasha e venha pra cá o mais rápido que você conseguir. Te amo e to te esperando, beijo — só falei isso é desliguei o telefone, esqueci de falar qual hospital e mandei a localização por mensagem de texto mesmo.
Eram duas da manhã então não tinha muito trânsito, espero que eles consigam chegar a tempo.
Nos acomodamos no quarto e entrou uma enfermeira com um aparelho de ultrassom móvel, ela iria conferir se a posição dos bebês estava de acordo para um parto normal e se a dilatação já era o suficiente.
Fiquei tensa por alguns segundos, mas ela me tranquilizou.
— Eles estão encaixadinhos, mas você só tem 2 centímetros de dilatação. É super normal, não se preocupem — ela olhou para mim e para o Kurt que apertava a minha mão — daqui a alguns instantes o seu obstetra vai passar aqui para te avaliar de novo e te dar algum panorama.
— Obrigada — respondemos.
— Se você se sentir incomodada com as dores — ela chegou perto de mim e pressionou os meus quadris com as mãos — você faça isso nela. — ela disse para o Kurt. — Por agora que você tem poucos centímetros de dilatação vai adiantar.
Ela chamou Kurt para fazer a pressão nos meus quadris enquanto ela dava as instruções.
— Temos essa bola de pilates também, você pode se sentar nela e ficar quicando de leve, isso ajuda a dilatar também. Ainda não é necessário, mas se a senhora quiser se levantar um pouco sair da cama, esse exercício vai ser legal.
— Qual é o seu nome? — eu perguntei a ela, ela estava sendo tão gentil e eu não tinha nem perguntado o seu nome ainda.
— Jessie — ela respondeu.
Jessie não parecia ter mais de 30 anos, seus cabelos eram numa tonalidade loiro escuro, parecia ser natural, e usava uma trança de lado. Que fazia seu rosto ficar ainda mais angelical. E ela era tão doce, tão gentil. Eu não poderia estar mais grata por ter ela na equipe que faria o meu parto.
— Jane se você precisar de alguma coisa só você apertar essa campainha que eu venho. O médico já esta chegando para te avaliar, quando ele der o "ok" você pode ter até 4 pessoas, além do seu marido, aqui no quarto na hora. Aí você me passa os nomes e eu passo para o recepcionista do hospital liberar. Por enquanto é só você e o seu marido. Tudo bem?
— Tudo certo — Kurt respondeu.
Jessie fez um carinho no meu pé e saiu do quarto. Eu e Kurt ficamos encantados com a sua sutileza.
Kurt estava a todo momento perguntando se eu tava bem, se precisava de alguma coisa, querendo pressionar o meu quadril, que eu me levantasse pra ir até a bola. Toda essa preocupação só me faz sentir o quanto eu amo esse homem. Mas nesse momento eu só queria ficar tranquila.
— Meu amor, eu sei que você tá preocupado e ansioso, mas ficar andando de um lado para o outro assim só está me deixando mais nervosa — eu disse.
— Jane o médico tá demorando — Kurt disse sem parar de andar de um lado para o outro.
— Só fazem dois minutos que a Jessie saiu daqui, por favor sente aqui — eu falei puxando a cadeira para mais próximo da cama.
Kurt se sentou começou a acariciar minhas mãos eu já estava quase cochilando quando o médico entrou no quarto.
— Sra e Sr Weller, como estamos? — Ele disse desenrolando o estetoscópio do pescoço — Ótima hora esses bebês escolheram para vir ao mundo em — ele continuou conferindo os meus batimentos.
— Desculpa Dr James eu tentei explicar pra eles que ainda era de madrugada mas já vi que vão ser um pouco desobedientes — disse em tom de brincadeira.
— E aí doutor? Ta tudo certo? — Kurt perguntou nervoso.
— Temos um papai nervoso aqui — nós rimos, Kurt permaneceu sério, preocupado.
Dr James acabou de me avaliar e se sentou na beirada da cama.
— Não temos com o que se preocupar por enquanto, nesses últimos minutos você dilatou mais 1 centímetro, isso é um ótimo sinal. A senhorita Jessie vai continuar fazendo visitas a cada meia hora. Caso precise de alguma coisa, ou sinta uma dor que não consiga suportar chame ela ou eu a qualquer momento que vamos avaliar novamente e se você quiser podemos aplicar uma peridural. Mas aconselho você a aguentar o máximo que puder.
— Obrigada doutor. — eu disse.
— Acho melhor vocês descansarem um pouco, tirar uma soneca. — Dr James disse.
Nós assentimos com a cabeça e ele se retirou do quarto.
Resolvi seguir o seu conselho e fechei os olhos para dormir.
Acordei com Jessie entrando no quarto para mais uma avaliação.
— Como está as dores Jane? — ela perguntou.
— Sinto que as contrações estão vindo de 7 em 7 minutos mais ou menos. — disse.
— Ótimo você está progredindo bem, vamos fazer o exercício da bola para estimular a dilatação? — Jessie disse me ajudando a levantar, Kurt tinha ido na recepção ver o pessoal que tinha chegado. — Ja tem duas horas que o Dr James te avaliou e você ainda não saiu dos 3 centímetros.
— Deus... — eu estou nervosa.
— Jane olha pra mim, não há com o que se preocupar. — fomos juntas até a bola.
Minha barriga não cresceu muito, mas mesmo assim incomoda. Ficamos ali juntas conversando, criando expectativas enquanto eu me exercitava. Depois disso ela me ajudou a ir no banheiro e me deitou na cama de novo. Eu sentia muita dor.
— Esse aparelho que eu estou ligando aqui vai contar o intervalo das suas contrações. Vamos lá. — Jessie disse ligando o aparelho.
Depois de um tempo ela disse.
— Suas contrações estão vindo de 4 em 4 minutos. Vamos conferir mais uma vez a dilatação. — Jessie mais uma vez conferiu minha dilatação.
Ja tinha mais de quatro horas que eu estava no hospital. A dor só aumentava e nada do Kurt aparecer.
— Você está com 6 centímetros de dilatação. Espero que até nas próximas duas horas você já esteja com os seus filhos nos braços. Seu marido já resolveu quem vai vir assistir o parto? — ela disse puxando papo tentando me tranquilizar.
— Não sei, ele saiu e ainda não voltou — disse com a voz fraca sentindo uma contração.
— Respira, conte até 3 e expira — ela disse segurando meu peito me incentivando a respirar.
Nesse momento Kurt entra no quarto, junto de Patterson, Roman, Tasha e Sarah.
Eles entraram devagar no quarto, já Kurt quase não conseguiu freiar a tempo de chegar na minha cama de tão rápido que correu.
— O que que tá acontecendo? Já tá na hora? — ele disse com os olhos lagrimejando.
— Está quase, creio que daqui umas duas horas no máximo vocês terão dois lindos bebês para pagiar.
— Jane como você esta se sentindo? — disse Patterson se aproximando de mim.
— Ansiosa, e com um pouco de dor. — respondi.
— Jane, vai da tudo certo — Roman pegou na minha mão.
Jessie pediu que eles se afastassem para me dar espaço para respirar.
Consegui dormir mais um pouco e acordei com uma dor muito forte, e uma vontade incontrolável de fazer força. Jessie chamou o Dr James para uma última avaliação.
— Kurt se posicione aqui ao lado da sua esposa — dr James chamou.
Kurt pegou na minha mão direita com uma mão e com a outra ele fazia carinho no meu rosto e cabelo. Jessie segurou a minha esquerda.
— Ok Jane, você alcançou os 10 centímetros! Está preparada? — Dr James disse.
Dr James chamou o resto da sua equipe que veio paramentada. Queria que Jessie ficasse ali segurando a minha mão, então ele precisou de mais uma enfermeira.
Pedi Jessie uma toalha para morder, enquanto eu fazia força para empurrar. As lágrimas embaçavam a minha visão, eu não conseguia enxergar nada além do Kurt, queria ver a face dos meus amigos, do meu irmão. Não tenho dúvida que estavam todos chorando. Me perdi em pensamentos até o Dr James me pedir para empurrar novamente fazendo mais força.
— Jane mais uma vez, já temos a cabecinha do primeiro bebê — disse Dr James empolgado.
— Jane será que é o Henry ou a Lou? — ouvi alguém perguntando distante, demorei a reconhecer a voz, era a Tasha, ela seria a madrinha do primeiro que nascer. Não tive forças para respondê-la.
— Jane, mais uma vez — pediu Dr James.
Eu fiz a maior força que poderia e o Dr James me entregou o primeiro, era um menininho, era o Henry, eu disparei a chorar, mas não podia eu tinha que fazer mais força tinha mais um bebê. Na mesma hora uma enfermeira pegou Henry dos meus braços e eu incentivei Kurt a ir atrás ver se estava tudo ok. Nesse momento Roman tomou a minha mão que Kurt tinha deixado, me deu um beijo na testa que me deu mais força para continuar.
— Vamos lá de novo Jane — Jessie me disse com sua voz terna.
Eu fiz força de novo e não conseguir não gritar. E mais uma vez. Mais uma vez e pedi que Jessie colocasse a toalha na minha boca. Fiz isso por mais duas vezes até que nasceu.
— Vem um cabeludo ou uma cabeluda aí — disse Dr James.
Ele terminou de cortar o cordão e me entregou.
Era uma menininha, a minha Lou, eu a abracei muito e chorei, chorei e chorei. Pensei em como Candice iria ficar feliz ela queria tanto uma irmãzinha. Eu eu não podia acreditar que estava podendo dar isso a ela.
Jessie pegou ela do meu colo para examinar e limpa-la. Nesse momento Kurt voltou com o Henry enrolado numa manta cinza. Me entregou ele depositando um beijo em minha testa.
Jessie deixou Louise com as outras enfermeiras para me auxiliar com a amamentação.
Foi só então que eu consegui olhar ao redor e ver os meus amigos ali, todos emocionados. Se abraçando. E Kurt ele não conseguia parar, ao mesmo tempo que ele tava aqui comigo ele ia lá ver a Louise, ou ele tava com Sarah e o resto do pessoal.
Nunca vi Kurt tão desorientado. Mais uma vez tive a certeza que escolhi o homem certo para passar o resto da minha vida.
*
Era o dia seguinte, dia de ir pra casa, com os meus dois filhos. Falar isso ainda não fazia muito sentido pra mim. Já estávamos prontos para partir quando chamei Jessie no quarto.
— De toda essa experiência, vou te levar pra sempre comigo, o carinho e a atenção que você teve comigo, com Kurt e com meus filhos... — eu engasguei emocionada — eu nunca vou esquecer de verdade. E espero que nunca se esqueça da gente também.
Kurt pegou um vaso de flor que tinha pedido ele para comprar com um cartão.
— Ai dentro nesse cartão está o nosso contato e endereço, espero que você tire um dia para nos fazer uma visita. Muito obrigada por tudo o que fez por nós mais uma vez. — eu disse abraçando ela.
— Eu não sei o que dizer, obrigada vocês, eu só estava fazendo o meu trabalho — Jessie disse emocionada.
— Muito obrigado mais uma vez, pela paciência, pelo carinho, e atenção com a Jane. Não vamos esquecer mesmo. Continue fazendo seu trabalho, você é muito boa — disse Kurt abraçando-a também.
Limpei as lágrimas, colocamos os bebês no carrinho e quando a gente ia sair do quarto Kurt disse.
— Eu tenho mais uma surpresa.
— Mais uma? — eu disse.
— Sim, é sobre uma coisa que você me disse quando chegamos aqui, você estava errada. Não quis te corrigir na hora, para te surpreender agora. — Kurt falou enquanto a gente saia do quarto.
— Aí meu Deus, o que que eu disse? Não lembro. — disse sinceramente.
Fomos em direção ao elevador. Entramos. Apertamos o botão que indicava o andar que íamos descer. A porta se abriu. E lá estava ela, com duas pelúcias nos braços, uma branca e uma cinza, e uma flor.
— Tia Jane — Candice correu para os meus braços e eu não pude acreditar.
— Candice, meu bebê, você veio buscar a gente? — peguei ela no colo abraçando forte.
— Sim. — ela se rebateu para colocá-la no chão para ver os bebês.
Saímos do elevador, indo em direção à saída do hospital. Candice empurrava o carrinho com a ajuda de Kurt. E eu andava ao lado segurando as pelúcias e a flor que Candice havia nos dado.
— Você disse que nos entraríamos dois e sairíamos quatro. Na verdade nós estamos saindo como cinco.
Eu não pude resistir. Me joguei nos seus braços e dei um beijo.
Quando nos soltamos olhei ali em volta. Meus dois filhos, Candice e Kurt.
Eu não precisava de mais nada.
Mas eles ainda reservavam mais surpresas.
Ao chegar em casa estavam todos lá. Sarah, Reade, Sawyer, Patterson, Borden, Roman, Tasha e Allie com flores e balões escrito "SEJAM BEM VINDOS".
Eu não poderia estar mais grata por tudo isso.
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