Se recuse a afundar
3 Ele seria uma busca ou uma fuga?
Notas iniciais
Analu POV.
Não consigo me lembrar a última vez que sai com minhas amigas e curti pra valer, não me lembro a última vez em que fui à uma festa. Andava tão estressada com a faculdade que não me permitia fazer nada, minhas prioridades eram voltadas para a minha família e para meus estudos. Mas, hoje todas minhas amigas estavam presentes, desde as mais antigas para as atuais e eu aproveitaria cada uma delas o máximo que pudesse.
O primeiro DJ tocou uns remix legais de rap nacional e internacional o que me fez ir a loucura.
— Você viu quem tá aqui? — Me questionou Samara, minha amiga da faculdade.
— Quem? — Perguntei de volta olhando ao redor tentando descobrir a quem ela se referia.
— Seu crush do corredor. — Sussurrou ela mais próxima de mim me fazendo ir a loucura.
— MENTIRA! — Dei um grito bem alto com a adrenalina pulsando.
— Juro! Vi ele quando fui pegar catuaba aquela hora que cheguei. — Contou ela com o sorrisinho malicioso no rosto.
— O que ele está fazendo na minha casa? — Questionei confusa.
— Amigos em comum, bebê. — Disse ela dando risada.
— Ou você convidou sem me falar nada. — Sugeri sabendo que estava certa.
— Talvez sim, talvez não. Que tal você ir falar com ele e descobrir?
— Você é uma safada! — Debochei rindo.
— Me prometa que se você ver ele vai tentar puxar assunto. — Disse Samara em tom autoritário. — Se liga, ô anta, ele está na sua casa, na sua festa! — Relembrou-me.
— Vou ver o que posso fazer. — Falei a ela que me olhou puta da vida revirando seus estúpidos olhos claros. — Vou dar uma volta. — A avisei.
— Depois volta aqui para rebolarmos nossa bunda. — Disse ela jogando seu corpo de um lado para o outro e rindo.
— Pode deixar, daqui a pouco a gente rouba a cena. — Dei uma piscada pra ela.
— Amo você linda! — Ela passou a mão em meus fios curtos de cabelo e me abraçou de lado.
— Ai odeio esse seu sentimentalismo só por conta da minha fase de luto. Eu juro que não estou fingindo sentir dor nem nada disso, estou bem, ok?
— Ai que grossa! Tô falando real pra você! Credo! — Reclamou ela.
— Também amo você. E você está maravilhosa! — Mudei o tom da conversa.
— Você também está maravilhosa, como sempre! — Samara sorriu achando graça da minha mudança repentina de humor.
Sai a procura do boy da faculdade que eu estava de olho há meses. Mas não o encontrava de jeito nenhum, só encontrava uns amigos do meu irmão tentando chamar minha atenção.
— Estava te procurando! — Bianca disse em voz alta enquanto se aproximava de mim. Ela já estava com os cabelos molhados presos num coque, usando apenas a parte de cima do biquíni ripple estampado e shorts jeans.
— Oi amiga. Já foi pra piscina? — Perguntei achando estranho.
— Sua cunhada me pediu pra entrar, pra fazer as outras meninas perderem a timidez e entrarem. — Contou ela achando graça.
— Ah sim.
— Pra alguém que disse que ia aproveitar cada segundo da festa, estou te achando bem chatinha. — Analisou Bianca.
— Não tô conseguindo relaxar. — Confessei de uma vez. — Parece que a qualquer momento vai acontecer algo terrível. — Suspirei me lembrando da sensação que foi descobrir que estava órfã e de como foi horrível ter acontecido de modo tão inesperado.
— Amiga, não vai acontecer nada! — Ela colocou as mãos em meus ombros e me sacudiu. — Para com suas nóias!
— Não fala assim! — Reclamei fazendo manha.
— Falo sim! Eu sou sua melhor amiga e nesse momento digo que você precisa conversar com um cara legal e uma bebida para relaxar. — Disse ela me puxando e atravessando a multidão indo até o bar.
Ajudamos meus amigos a servir no bar com o intuito de analisar os caras bonitos da festa. Sinceramente eu não sei de onde saiu tanta gente bonita, me apaixonei uma porção de vezes.
— Já disse que vocês são foda hoje? — Perguntei aos meus amigos que estavam ajudando no bar.
— Você pode achar que estamos sofrendo por passar boa parte da festa aqui mas é aí que você se engana... — Disse Derek num tom sugestivo.
— Perdi a conta das mina que choveu aqui querendo ser... — Heitor disse num tom perverso.
— NÃO TERMINA A FRASE. JÁ ENTENDI. — Gritei e eles desataram a rir. — Agora vou indo, minha pesquisa acabou por aqui.
— Toma aqui. — Heitor me entregou meu copo personalizado cheio com Catuaba. — Vê se vai curtir, caralho! Você sabe que se eu não fosse seu amigo já estava jogando um migué pra cima de você faz horas.
— Parem de me encher o saco me mandando curtir, tô tranquila, numa boa. — Disse irritada.
— Bebe essa porra ai que é. — Bianca disse toda mandona.
— Eu odeio todos vocês. Complôzinho do caramba contra mim. — Falei fuzilando-os com os olhos cheia de raiva.
2 am.
Já tinha bebido pelo menos uns quatro copos de Catuaba e o efeito já tinha batido. Tinha beijado em torno de duas bocas desconhecidas, caras bonitos e chatos a propósito, mas com beijos bons. Consegui reunir todas as minhas amigas para dançar no palco justo no DJ que toca funk. Por que mesmo que eu fiz isso? Pra que eu fiz isso? Ah, lembrei, ia viver intensamente. Não era esse o propósito? Então lá estava eu, rebolando minha raba para todos verem.
Minha casa ficou parecendo um baile funk, não teve uma que não rebolou até o chão. Me diverti horrores, minhas amigas eram as mais loucas do universo, não tinham pudor nenhum! Nossa performance improvisada encerrou com uma competição de quem dançava mais. Mas é claro que euzinha não participei de algo assim, só dei inicio a putaria mesmo e depois sai do palco.
Assim que desci do palco dei de cara com um carinha que eu gostava na época de colégio, coisa mais linda! Nos cumprimentamos, conversamos, trocamos algumas ideias, mas o que me deixou intrigada foi o boy da faculdade do qual eu tinha uma queda, mas nunca tinha trocado sequer uma palavra, apenas olhares profundos. Ele também estava de papo com outra mina mas não parava de me olhar e eu não conseguia parar de olhá-lo.
Depois que os assuntos acabaram, me despedi do meu antigo crush e fui caminhando em direção do crush atual. Eu atravessei as pessoas que nos separavam com os olhos grudados nele e ele com os olhos grudados em mim. Ele acabou deixando a mina com quem estava conversando e veio em meu encontro, não sei direito o que estava acontecendo e nem o que eu estava fazendo, só sei que algo estava me puxando na direção dele.
Quando nos encontramos ele abriu um sorriso e eu sorri junto, eu sei lá porque estávamos sorrindo um para o outro sem dizer nada. Dei um passo a frente para cortar o espaço que havia entre nós e ele me disse "oi" ainda sorrindo.
— A conversa estava interessante? — Perguntei a ele em tom de provocação e ele me encarou com os olhos semi cerrados.
— Não tanto quanto o show incrível que tu deu lá no palco. — Disse ele próximo ao meu ouvido me fazendo rir.
— Gostou? — Perguntei ainda com o objetivo de provocá-lo.
— Se eu gostei? Não sei... Acho que teria que ver de novo pra poder opinar... — Disse ele me encarando com aqueles olhos cheios de mistérios.
— Tá tentando me convencer a um showzinho particular?
— Não foi com a intenção, mas já que você mencionou... Eu adoraria. — Respondeu ele sorrindo.
— Quem sabe... — Disse deixando a resposta no ar.
— Que tal a gente ir pra outro lugar pra conversar? — Sugeriu ele.
Apenas assenti e ele pegou minha mão me puxando para ficar na frente dele, dessa maneira ele me guiou entre a multidão e quando chegamos próximo a entrada da casa foi minha vez de guia-lo.
Não tinha muitas pessoas dentro da casa, só tinham casais se pegando e algumas pessoas jogadas no sofá. Nos guiei até um jardim interno da casa, próximo as escadas que davam acesso ao andar de cima, aquela parte da casa também estava restrita pois era ali que mamãe cuidava de suas plantinhas.
— Que lugar é esse? — Perguntou ele observando ao redor.
— Um jardim particular da minha mãe. — Falei com o sorriso estampado no rosto.
— Sua mãe? — Questionou ele confuso e eu assenti, e ficamos em silêncio por alguns segundos. — Você é a Analu? A Analu que tá dando a festa? Que é irmã do João Newbold?
— Sim... — Concordei.
— Ah taaaa... — Disse ele.
— Quem você achou que eu era? — O questionei curiosa pela resposta.
— Estou aqui com você justamente para descobrir. — Respondeu ele.
— E você? — Perguntei.
— Eu?
— Quem é você?
— Jonathan Guedes. Prazer! — Ele pegou minha mão e a beijou.
— O prazer é meu, finalmente poder descobrir teu nome. — Ri pelo nariz e ele sorriu. É, eu estava meio bêbada já.
— Acho que eu tava curtindo nossa troca de olhares na faculdade. — Comentou ele me deixando surpresa. —
— Fale por você, eu não estava aguentando mais só a troca de olhares.
— Ainda bem que estou aqui pra dar um jeito nisso. — Disse ele com um meio sorriso no rosto. LINDO.
— Você é ainda mais bonito de perto. — Confessei.
— Opa, lisonjeado. — Disse ele que em seguida deu o último gole de sua cerveja em seguida colocou a longneck de Budweiser vazia no chão. Estávamos encostados na parede um olhando para o outro cheio de desejo, com a química nos envolvendo e a vontade de nos beijarmos só aumentava a cada segundo.
— Agora vem cá, deixa eu te ver mais de perto. — Ele me puxou pela cintura e me colocou no vão de suas pernas. — Estupidamente linda... — Comentou ele. — E você... está bem?
— Estou? — Questionei confusa com a pergunta dele de repente.
— É que... Eu soube... Do que aconteceu... Tenho alguns amigos em comum com o teu irmão... — Explicou Jonathan.
— Ah... — Suspirei me sentindo de saco cheio. E a sensação de que todos estavam com dó de mim me veio naquele momento fazendo com que eu me afastasse um pouco dele. — Tá tudo bem.
— Sinto muito por tudo que você está passando... — Disse ele me puxando de volta pra perto dele. —
— Jonathan, sério, não bebi o suficiente pra poder lidar com sentimentos agora. Só... Me deixa escapar um pouquinho da minha realidade... — O olhei nos olhos. — Eu e meu irmão fizemos um acordo de recomeçarmos hoje. Não é como se estivéssemos apagando o que passamos, é só um passo em direção ao futuro, deixando pra trás as dores que já passamos. Se você quer me ajudar, faça bom gasto do tempo que está passando comigo.
— Direta e objetiva... ok. Posso lidar com isso agora. — Disse Jonathan balançando a cabeça pra cima e pra baixo.
— Espero que possa mesmo, estou com muitas expectativas. — Comentei.
— Caso eu não alcance suas expectativas, relaxa que — Ele se aproximou da minha boca. — a gente tenta de novo. E de novo. E de novo. Até que você fique satisfeita...
Jonathan beijou meus lábios delicadamente, suas mãos passeavam pela minha cintura e as minhas em seu cabelo e nuca, nossos corpos estavam colados um ao outro e nossas línguas quando se encontraram foi uma explosão de sensações. Foi questão de minutos para que as coisas esquentassem e tudo que eu queria era que todos fossem embora da minha casa e que eu pudesse ir para o meu quarto ter uma noite tranquila com Jonathan.
— Você não tem noção do quanto imaginei como seria beijar você... — Sussurrou Jonathan com sua voz rouca próximo ao meu ouvido fazendo com que eu me queimasse de desejo por ele. — Imaginei minha mão percorrendo por todo esse corpo delicioso... — Ele desceu suas mãos que estavam em meu pescoço para os meus seios, cintura, quadril e bumbum. — E o quão bom seria apertar essa bunda gostosa...
— Posso te pedir uma coisa? — Perguntei já sem ar com todo tesão que seu toque e sua voz me causavam.
— Qualquer coisa, Analu...
— É sério.
— Tô com cara de quem tá brincando? — Questionou ele.
O puxei pela mão e o guiei até a poltrona, onde ele se sentou e me sentei por cima, em seu colo.
— O que vai me pedir? — Questionou ele novamente todo confuso.
— Como você sabe, a casa é minha e a festa também... Não posso ficar muito tempo aqui... Tenho que voltar pra lá... Mas... Gostaria de terminar o que nem começamos... — Falei.
— Hum... — Ele me fitou nos olhos.
— Se você quiser... Esperar um pouco mais... E ficar por aqui... Comigo... Numa cama... Mais tarde...
— Tem certeza? — Perguntou ele.
— Por que está perguntando isso?
— Você é dona da festa, dona da casa... Tem mil caras lá fora querendo você. Vai querer mesmo que EU espere?
— Se eu não quisesse não estaria te pedindo. — Justifiquei em tom de arrogância. — Topa ou não Jonathan?
Ele abriu um sorriso e selou nossos lábios.
— Tudo bem, te espero.
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