Se recuse a afundar

4 Antes que eu me esqueça, escreve o teu nome neste papel


Depois de uns amassos deliciosos com Jonathan tive que voltar pra festa, disse a ele para curtir com os amigos, porque mais tarde ele iria curtir comigo. Em seguida fiquei com minhas amigas de infância dançando e curtindo a festa.

Avistei meu irmão discutindo com um amigo dele e ver aquela cena me deixou um tanto quanto preocupada, por isso rapidamente fui até eles ver o que estava acontecendo.
— Eu falei pra tu não deixar entrar ninguém aqui com droga, cacete! — Meu irmão berrava apontando o dedo no peito do Thor.
— O que tá acontecendo? — Perguntei, já tirando o dedo do meu irmão que apontava para Thor, não queria vê-lo tratando um amigo com tanta raiva por motivos nem tão relevantes assim.
— Por que você não responde essa porra? — Meu irmão perguntou para mim puto da vida.
— Foi mal, me distraí. — Dei de ombros bem tranquila. — O que foi que aconteceu?
— Uma mina estava distribuindo cocaína e doce pela festa. — Explicou ele.- Se a polícia bater aqui estamos fodidos! Um vizinho da rua detrás já ameaçou a chamar a polícia se a festa não acabar até, estourando, às quatro da manhã.
— Nossa... — Comentei preocupada.
— E pra piorar tinha uns caras loucassos caçando briga por aí, por efeito da cocaína, tinha um que quase bateu na própria mina. — João disse tentando conter a raiva fechando sua mão com força.
— Já expulsou ele da festa? — Perguntei.
— Só o que quase bateu na mina, o resto se recusa a sair, mas seu irmão tá falando para eu expulsar. — Disse Thor.
— E por que você não quer expulsar? — Questionei.
— Caras que tem drogas também podem ter armas. — Thor expôs seu argumento. — Entendeu?
— Entendi... — Falei e avistei Jonathan de longe acenando para mim. — Melhor acabar com a festa às quatro da manhã mesmo, passa pra última atração da festa logo, libera dose de tequila pra galera ficar louca logo e ir embora. — Recomendei.
— Acho uma boa... — Thor concordou enquanto meu irmão olhava para mim e para Thor sucessivamente.
— Ok. Vai você lá avisar os caras no bar, chama suas amigas e ajudem eles a distribuir as doses. — Pediu João que posteriormente repassou a nova decisão para o restante da galera da organização.

Antes de ir chamar minhas amigas e ir para o bar, fui em busca de Jonathan que me esperava impacientemente.
— Oi! — Disse me aproximando.
— Coloca teu número aqui. — Jonathan me entregou seu celular.
— Ok. — Peguei o celular da mão dele e comecei a digitar o meu número enquanto percebia que ele parecia impaciente e agitado.
— Vou ter que levar meu amigo em casa, ele está dando PT e mandaram ele vazar... — Jonathan começou a falar e finalmente pausou. — Eu tô como motorista da rodada... O cara acabou de terminar relacionamento... Tá sofrendo... Prometi que levaria ele pra casa... — Ele se justificou.
— Ah! — Não consegui conter a cara de decepção e ele sorriu satisfeito em ver que eu queria que ele ficasse.
— Ei... — Ele me puxou pela cintura. — Se você quiser... Eu volto... — Jonathan propôs com um sorriso no rosto enquanto alisava carinhosamente meu rosto.
— Volta mesmo? — Perguntei ainda envolta sem seus braços.
— Sim! Acha que desperdiçaria a oportunidade de ficar contigo? Não! — disse ele que em seguida selou nossos lábios e os mordeu deliciosamente. — Fica com teu celular que vou falar contigo daqui a pouco.
— Tá bom. — Abri um sorriso. — Eu te acompanharia até a porta se eu pudesse, mas preciso resolver um problema.
— Relaxa. — Ele selou nossos lábios novamente. — Não tem problema. Você não tem noção do quanto quero ficar com você!
— Só vou saber se você aparecer... — O intimei.
— Hoje nada vai nos atrapalhar! Nem meu amigo otário que deu PT. Já te fiz esperar demais.
— FEZ MESMO! — Disse alto e em bom tom fazendo ele rir.
— Até mais. Vê se não tenta esquecer minha boca com outras. — Advertiu ele estampando um sorriso brincalhão no rosto.
— A sua é inesquecível, bebê. — Pisquei e ele deu risada.
— Estou contando com isso, bebê. — Ele continuou com o sorriso estampado no rosto e beijou meus lábios, sua língua adentrou em minha boca e iniciamos um beijo delicioso. Suas mãos deslizavam pelo meu corpo fazendo com que eu o desejasse cada vez mais. Sempre que tentávamos parar e nos desvencilhar um do outro, iniciávamos novamente o beijo.
— Me espera.

Por fim, ele beijou minha testa e saiu andando pela multidão. Fiquei o observando caminhar até o amigo que estava passando mal, jogado na grama daqui de casa. Ele se aproximou do amigo e o ajudou a se manter de pé saindo caminhando com os braços dele enroscado na cintura para que não caísse. E antes que Jonathan fosse para o corredor em direção a saída, ele olhou para trás, nossos olhares se cruzaram e ele sorriu.

Fiquei com o sorriso daquele ser humaninho o resto da noite na cabeça, e é claro com uma ansiedade enorme, mal consegui me interessar por mais alguém naquela festa. Na loucura de ficar no bar distribuindo tequila por meia hora, conheci uns caras da faculdade super legais, que pegaram meu número para marcarmos de sair — não falei que aceitaria -, uns eram estudante de arquitetura e se ofereceram para um orçamento grátis para minha nova residência, achei hilário e até gravei um vídeo para ter como prova depois.

4am

Aos poucos a galera foi indo embora, contra a própria vontade e sem reclamar muito, já que estavam loucos demais para isso. A festa tinha sido um sucesso, nós que estávamos na organização nos reunimos após todos desocuparem a casa e brindamos pelo êxito da nossa festinha.
— Próxima festa vai ser no nosso novo apê. — Meu irmão disse. — E foda-se os vizinhos desgraçados.
— Ah ta! — Falei rindo e recuperei minha seriedade para um discurso. — Obrigada galera pela colaboração, dedicação e paciência. Estamos em dívida com vocês, qualquer coisa que vocês precisarem eu e o João estaremos aqui!
— Bom, eu não ia te cobrar nada, mas já que você insiste... Quando é que você vai me apresentar as amigas da faculdade? — Guilherme disse fazendo com que meu irmão revirasse os olhos.
— Bom, tem umas minas lá na frente esperando uber. O que vocês estão esperando pra oferecer uma carona? — Comentei em tom sugestivo e eles já ficaram em prontidão para sair.
— Falou galera! — Guilherme e mais três saíram correndo.
— Meu Deus, que fogo no rabo! — Gritei para eles que já estavam correndo em direção a frente da minha casa. Me apressei para ir até a tv que monitorava as câmeras da casa e fui ver a cena dos meninos chegando nas minhas amigas.
— Passa pra cá a chave que tô morto, preciso dormir. — Meu irmão estendeu a mão e eu tirei a chave dele do molho de chaves que carregava. Em seguida meu irmão deu boa noite subindo para seu quarto.
— Vocês vão dormir aqui? — Perguntei à Bianca, Thor e Derek.
— Vou indo nessa, linda. — Thor se aproximou e deu um beijo em minha bochecha.
— Eu vou dormir aqui, mas só porque tô com preguiça de ir para casa. — Bianca respondeu.
— Ei! Tínhamos combinado de tomar sol amanhã e depois fazer compras! — Lembrei ela.
— Eu vou ter que ficar aqui, tô cedendo o apê pro meu amigo comemorar um ano de namoro... — Derek explicou entediado.
— O Rafa e a Gabi já estão fazendo um ano de namoro? Não acredito! — Comentei surpresa.
— Pois é...
— E pro Derek nada... — Falei rindo.
— Seguro muita vela. — Comentou ele.
Meu celular começou a tocar e o número era desconhecido, resolvi não atender, que desconhecido me ligaria uma hora dessas? Ligou mais duas vezes, o que me deixou incomodada e acabei atendendo.
— Alô?
— Não sei dizer se você tá me ignorando de propósito ou tá com outro, ou somente esqueceu... — Disse a voz no celular. Olhei para os meus amigos confusa e fiquei tentando lembrar de onde eu conhecia aquela voz. — Ok, você não sabe quem tá falando né?
— Não... — Respondi sem graça.
— Porra! — Comentou ele rindo. — O nome Jonathan soa familiar pra você?
— JONATHAN! JONATHAN! CARALHO! CADÊ VOCÊ? — Falei desesperada.
— Filha da puta, tá com boy novo... — Bianca comentou chocada. —
— Ué, você não viu ela pegando o cara? — Derek questionou.
— Eu tô virando a esquina da tua casa. — Disse Jonathan.
— Ok, tô te esperando. — Disse de imediato ficando extremamente animada. — Não te esqueci não viu?
— Se esqueceu não tem problema, em instantes te faço lembrar.

Desliguei o celular rindo abobalhada enquanto Bianca e Derek me olhavam surpresos.
— Achei que íamos passar o resto da noite juntos. — Disse Bianca frustrada.
— Não vai rolar. Eu preciso ficar com esse cara. Agora. Tipo, agora mesmo. — Falei entusiasmada.
— Que desespero é esse? — Derek questionou enquanto me olhava torto.
— Você não tem noção, não tem noção, de quanto tempo eu tô esperando por isso. Ele é lá da faculdade, do mesmo corredor que o meu, a gente sempre fica se encarando, mas nunca se fala. Hoje finalmente rolou e vai rolar mais! Porra! Finalmente! — Comemorei.
— A morte faz coisas estranhas com as pessoas. — Derek fez um comentário imbecil como ele sempre faz.
— Sério que você quer falar de morte? — O questionei com cara feia.
— NÃO, NÃO. Desculpa. Foi só uma observação infeliz. — Derek fez careta e me abraçou rapidamente com mil pedidos de desculpas.
— Mas ele não deixa de ter razão. — Bianca pontuou e em seguida apontou para o monitor das câmeras. — O boy chegou.

Abri o portão para que ele entrasse com o carro, e ele estacionou ao lado do carro do meu irmão na longa área da frente de casa. Fui ao encontro dele no lado de fora e ele já havia descido do carro, estava me esperando encostado no capô.
— Responder minhas mensagens que é bom nada... — Disse ele ao me ver aproximar.
— Desculpa, tenho dificuldades em responder as pessoas via celular. Nem mexi no meu celular depois da primeira mensagem que você me enviou.
— Hum. Vou relevar dessa vez.
— Pode abaixar a bola aí que eu tenho pavor de cobranças! — Disse criticamente.
— Nossa, não tá mais aqui quem falou. — Jonathan elevou suas mãos para o alto.
— Bobo. — Sorri ainda sem acreditar que ele estava ali. — Vem cá.

O puxei pela mão e o guiei para dentro de casa onde Derek e Bianca não fizeram questão de nos deixar a sós e resolveram segurar vela. Ótimo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.