Era como estar dançando em nuvens. Pela primeira vez, não importava-se de utilizar saltos, os pés vagando pelo salão decorado e chamativo. Qualquer mulher gostaria de estar em seu lugar.

Ela sabia disso.

Sabia que enquanto seguia os passos do desconhecido, estava sendo brutalmente assassinada na mente de outras mulheres. “Desconhecido”. Souta não lhe era alguém desconhecido. A mulher conhecia-o como mais ninguém daquele imenso salão, como mais ninguém iria conhecer.

Fez uma última volta e então caiu aos braços do amado, o fitando com paixão. Amava-o com todo seu coração, mas por um simples erro seu, não podia falá-lo em voz alta. Sem demora, ela soltou-se dos braços fortes do rosado e antes que pudesse ser puxada por este, se foi. Fugiu para fora do imenso salão, os olhos vagando pelo belo jardim.

Virou-se para trás ao ouvir os passos aproximando-se, séria com a presença do homem que a pouco acompanhara-a em uma dança. Os lábios vermelhos combinavam com os cabelos também avermelhados, a máscara negra dando contraste nos olhos heterocrômicos. Por mais que se segurasse, por mais que se afastasse, era impossível ignorá-lo. A presença de Souta era grande e ela sempre sabia que era seu príncipe.

Mas ele já não era seu. A dor visível nos olhos rosados do amado, os lábios forçando um sorriso. Aquilo lhe doía tanto. Lhe quebrava vê-lo triste e sem qualquer resquício de alegria que já lhe dera tanta beleza. Ah, céus. Luxúria era um verdadeiro monstro. Nem mesmo o amor em pessoa poderia lhe ajudar. Jamais pergunte o que o amor pode fazer por alguém. Suspirou. Um erro de tantos anos havia destruído uma vida inteira. Uma vida feliz e perfeita aos olhos da ruiva.

Se ao menos tivesse corrido quando tivera a chance. Agora já não a tinha. Queria ter corrido para os braços de Souta quando tinha o direito. Mas seu medo falara mais alto e ela pagava por isso. A visão de ambos voltou-se para a lua, imaginando a vida perfeita que teriam.

Que já não podiam ter.

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