Se o Amor é uma Ilusão, Deixe-me Ser Iludida
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Minhas roupas se encharcam ao entrar na piscina, e sigo Marco até o bar no extremo oposto. Ele segura a minha mão vigorosamente, e observo as omoplatas de suas costas nuas se moverem harmoniosamente enquanto andamos contra a resistência da água clorada. A tatuagem tribal que inicia no seu antebraço direito se estende até o ombro e termina na nuca, e a tintura negra bem vívida e definida denota que ele a fez recentemente. Bem, o Rio de Janeiro faz isso com as pessoas mesmo.
Chegamos ao bar e Leonardo está preparando shots de tequila, derramando mais líquido pelo balcão do que dentro do pequeno copo. As piranhas estão sentadas nos banquinhos, despejando seus litros de silicone sobre o bar e conversando euforicamente entre gritos agudos e palavrões, com a voz fanha e morosa já evidenciando o nível de embriaguez. Os rapazes estão jogando Biribol, também não muito sóbrios. Onde está Tomas? Estudo em volta e não encontro sua cabeleira loura em nenhum canto. Provavelmente foi embora. Será que ele está chateado comigo? Ou está magoado? Bem, a única certeza que tenho é que minha carona foi para o brejo.
_ E aí, meninas – Cumprimenta Marco, esticando seu braço livre sobre o balcão e apanhando uma garrafa de Ice.
_ Olha quem resolveu voltar – Fala Natasha, que exibe o corpo incrivelmente esbelto num biquíni tomara-que-caia. – Você está nos abandonando hoje, Lorenzito. Tou carente – Ela queixa com voz de criança, fazendo biquinho.
Meu sensor de piranha apita enlouquecidamente.
_ Sabe como é linda, esses abestados não sabem nem como colocar sal grosso no gelo. Preciso fazer tudo, e mais um pouco – Ele explica, dando uma piscadela marota. Sua mão ainda está entrelaçada na minha, e sinto como se meu corpo estivesse desfalecendo, derretendo igual sorvete no verão e se misturando na piscina.
_ O que seria de nós sem você – Enaltece Gabriela, aparentemente muito bêbada. Ela se inclina para ele e dá um beijo demorado na sua bochecha, e ao retirar seus lábios posso ver sua língua desgrudando da pele bronzeada do italiano.
_ Continuariam a ser as mais gatas do Rio – Marco elogia, e as assanhadas se explodem em risos embaraçados. – Garotas, para quem ainda não conhece, esta é a Nora. Gente finíssima. – Ele apresenta, atravessando seu braço malhado pelos meus ombros de maneira que meu rosto encosta no seu peito robusto.
Gente finíssima? Só se for no caráter mesmo.
_ Oooi namorada do Tomas! – Acena Isabella, tão chapada que quase derruba seu copo.
_ Ela não é namorada do Tomas. Eles estavam só combinando o horário de ir embora, não é mesmo? – Improvisa Marco cruzando o olhar para mim, e eu afirmo com a cabeça. – Eu quero que vocês cuidem dela, se me entendem.
_ Poode deeeixar! – Grita Gabi, batendo a mão sobre o balcão.
_ Iiiih fudeu! – Continua Natasha, jogando os longos cabelos molhados para trás. – É hoje que a coitada vai ver o macaco em cima do poste!
Marco meneia com a cabeça, divertido. Em seguida, ele volta para mim e me segura pelos ombros, fitando-me diretamente nos olhos. Seus cílios molhados estão grudados, e isso de alguma forma evidencia o verde-oliva límpido, que toma uma coloração azulada pelo reflexo da piscina. As gotas d’água escorrem pela sua linha da mandíbula, e pingam sobre a clavícula proeminente, seguindo percurso pelo peitoral e finalmente encontrando o caminho de volta para casa.
_ Qualquer coisa que precisar pode falar comigo. Ah, e se eu te encontrar chorando no banheiro de novo, vai arcar com as consequências – Ele brinca, e um sorriso molenga escoa pelos cantos da minha boca.
Marco entra na partida de Biribol e agora nada mais resta além de mim e as piranhas. Luto constantemente contra a minha blusa de alça que flutua para a superfície, e arranjo um cantinho atrás de Natasha para me encostar. Espero sinceramente que elas me esqueçam, para que eu possa digerir tudo o que acabara de ocorrer. Marco é mais incrível do que pensei que fosse. Quer dizer, ele foi totalmente compreensível comigo, quando poderia ter sido um completo babaca. Tá, ele curte bastante uma azaração mas até agora não o vi “em ação”, de fato. As piriguetes estão até sentindo a falta dele!
_ Pega aí – Diz Leonardo, empurrando um shot de tequila que desliza sobre o granito do balcão até mim. Não sei exatamente o que devo fazer, mas estão todos pegando seus copos e colocando uma pitada de sal sobre as costas da mão.
_ Vai dizer que nunca bebeu tequila desse jeito? – Questiona Natasha, franzindo o cenho para mim.
Eu nunca bebi tequila de nenhum jeito.
_ Gosto mais de vinho – Menti, e pelo visto ela engoliu a desculpa.
Espiono o que os outros estão fazendo e tento imitá-los. Eles gritam arriba, abajo, derecha e não sei mais o quê, e cada um pega uma tira do limão cortado num prato, em seguida, lambem o sal da mão e pingam as gotas ácidas do limão que caem na língua, virando o shot de uma única vez. Faço a mesma coisa só que trinta segundos atrasada, parecendo o Rubinho Barrichelo em campeonato de Fórmula 1. O gosto do sal foi ruim, a do limão, pior, e o da tequila insuportável. Tenho vontade de colocar tudo para fora, mas seguro firme e empurro goela abaixo com a língua. O líquido desce quente e posso senti-lo bater na parede do estômago.
_ Agora você é dos nossos! – Brada Leonardo, levantando meu braço junto com o dele.
Será uma coisa boa? Algo me diz que não. Mas por enquanto, eu quero errar.
Como o previsto, enchi a cara feito um gambá. E não pense que eu fui muito longe: tomei apenas três cervejas e mais um shot de tequila. O mundo gira o suficiente para o céu estar no chão e o chão no céu, e a cada passo que dou o mundo treme como num terremoto escala 9 de Richter. Literalmente, estou sentindo cócegas no cérebro. Meus lábios estão frouxos e cedem a qualquer baboseira que me digam, e já não consigo terminar uma frase sem levar ao menos um minuto para completa-la. Mesmo assim, as garotas que agora são minhas melhores amigas do universo continuam a beber e me incentivam a continuar, e vejo que não tenho muita escolha.
Mais uma caipivodka aqui, mais uma piña colada lá, uma dose de whisky para finalizar e pronto, sou nocauteada. Perco o equilíbrio das pernas e sento numa das cadeiras, enterrando o rosto nas mãos. Meu estômago dá uma reviravolta, e o gosto ácido sobe pelo esôfago. Merda. Vou vomitar. Respiro fundo e ergo a cabeça para o alto, a fim de que todo o álcool fique preso dentro de mim. Novamente, meu órgão reclama. Preciso encontrar o banheiro urgentemente, mas está tudo tão escuro e embaçado que nem sei mais em qual direção está a casa. Já está de noite? Puta merda, eu ainda tenho que passar no supermercado. Caminho trôpega até o churrasqueiro, que está com um semblante exausto e o avental sujo de carvão.
_ Com licença... moço... onde fica... banheiro? – Pergunto, com a mão sobre a boca.
_ Naquela porta a direita. – Ele responde, sem ao menos indicar onde.
_ Obrigada, seu moço – Agradeço, tropeçando no meu próprio pé e indo para a direita, se é que ainda sei onde fica a direita.
Com bastante esforço, encontro o banheiro e me deparo com uma fila de quatro pessoas na minha frente. Eles não estão muito melhores que eu. Tem um cara magrelo que está respirando estranhamente pela boca, e provavelmente está tendo uma crise asmática. Outra garota chora desesperadamente ao telefone, gritando com voz ébria “eu te amava, porra!”. Álcool: destruindo dignidades desde o surgimento do mundo. Não consigo me concentrar na conversa furiosa porque minha cabeça dá um giro mortal duplo escarpado, e comprimo os olhos de tanta dor. A ânsia de vômito e as náuseas voltam. Meu corpo esfria pelos extremos, e sinto que minha pele está da cor do frango ensopado que minha avó fazia aos domingos. Meus pensamentos se voltam totalmente para o meu próprio organismo, como se meu cérebro fosse capaz de comandar o sistema nervoso autônomo, e a única coisa que me passa pela mente é “não vomita, não vomita, não vomita”.
_ Vai chorar de novo? – Diz uma voz distante, embora tenha a sombra de uma pessoa ao meu lado.
Ai não. Não, não, não, não. Será que é ele? Agora, neste exato instante tão delicado e apreensivo?
_ Marco...? – Pergunto com a voz perdendo o seu vigor.
_ Si, sono io. – Ele responde em italiano, mas desconfio que talvez seja em português mesmo e eu que não consigo mais decifrar nada em minha volta.
_ Me... ajuda – É a única frase que consigo pronunciar, já não aguentando mais o gosto da bile na minha úvula. Será que o primeiro porre da vida pode ser fatal? – Por favor – Peço num suspiro agonizante, como se eu estivesse me afogando no naufrágio do Titanic.
_ Aguenta só mais um pouco. – Fala a voz distante. Sinto seus braços me envolvendo pelas costas e pernas, e de repente meus pés perdem o chão. Estou em seu colo, com o rosto coladinho na sua blusa macia, sendo carregada com a leveza de uma pluma. Este provavelmente é um dos melhores momentos da minha vida, e estou fodidamente dormente e dopada dos pés à cabeça. Mesmo assim, ainda consigo ver as formas do seu queixo erguido e a curva do nariz, e ele abaixa o olhar para mim e posso detectar as nuances do seu rosto perfeito. Numa fração de segundo, esqueço das náuseas, do enjoo e da dor de cabeça. Estou nos braços de Marco Lorenzo Vittorelli, o lugar pelo qual tanto desejei.
Adentramos a casa e escuto seus passos atravessando o aposento. O som de portas metálicas pesadas ecoa e sinto o metal gelado encostar no meu pé. Escuto um click. Roldanas começam a trabalhar. Estamos num elevador. O grande cubo de aço para no ar e dá um ressalto, abrindo novamente. Ouço mais passos e uma maçaneta girando, as chaves penduradas na fechadura tintilam ao bater umas nas outras. O que Marco está fazendo? Abro meus olhos doloridos e tudo está uma penumbra ao redor, não me permitindo mais ver os contornos das feições dele.
_ Marco... – Sussurro fracamente, porém o silêncio absoluto faz com que minhas palavras sejam completamente audíveis.
_ Estamos chegando. – Ele afirma, seguro de si.
Marco repousa meu corpo numa superfície revestida por um tecido gostoso, que me relembra a seda. Estou totalmente deitada na horizontal, encoberta pelo breu que não me deixa enxergar um palmo a frente. Não sinto mais ele, e muito menos o ouço. Minhas mãos deslizam em volta em busca do italiano, mas não percebo nada além que o pano acetinado que cede aos meus dedos como manteiga.
_ Onde estou? – Questiono, com o temor crescente no meu centro.
Uma luz é acendida no final do quarto, revelando Marco que está na entrada de um banheiro. A luz amarela aquecida chega até mim pela porta aberta de onde ele está agora, expondo as formas de uma cama de casal na qual estou deitada. Levanto a cabeça mais rápido do que posso, e a tontura me pega de jeito. Estou no quarto de alguém. Há um armário branco com espelhos a minha direita, e posso me ver deitada com as pernas e braços estendidos, feito uma estrela-do-mar sob a penumbra. O que diabos está acontecendo?
Observo Marco colocar a mão por baixo da blusa polo e esta sobe até seu peito, expondo o seu abdômen levemente definido. Ele tira a blusa e alonga os ombros, lançando um olhar de relance para mim. Subitamente, toda a veneração que cultivei sobre Marco a respeito de sua beleza incomparável e seu jeito sedutor desapareceu num único estalo, assim como o açúcar que derrete na água. Eu não acho mais aquele peitoral sexy. Eu não tenho mais atração por aqueles olhos verde-oliva.
Estou com medo. E ao mesmo tempo não consigo me mover.
Tento me virar de bruços mas o ácido estomacal queima até a garganta, como se eu carregasse uma saca de batatas na barriga. O nervosismo apenas aumenta as náuseas, e assim não consigo ficar de pé sem ter a sensação de que o teto inteiro desabou na minha cabeça. Escuto o barulho de uma torneira sendo ligada, e da água batendo contra um plano rígido. Eu tenho que ir atrás de Tomas, mas sei que ele nunca poderá me ouvir dali. Deus do céu, como eu queria o Tomas ali comigo. Os passos sorrateiros de Marco se aproximam, e eu decido que preciso me mexer a qualquer custo. Bamba, me ponho de pé e me apoio com o braço no armário, tentando me manter com a mesma dificuldade de juntar os cacos de um espelho. Ele está bem atrás de mim, e ridiculamente, me pega pelo colo de novo e me leva até o banheiro.
_ Me solta! – Tento gritar, esmurrando seu peito com o punho inutilmente.
_ O que deu em você – Ele resmunga, soltando um arquejo cansado. – Vocês são todas iguais. Nunca sabem o que querem.
A claridade do banheiro me ofusca nos primeiros segundos, e ele me coloca sentada no vaso sanitário com a tampa fechada.
_ Me deixa em paz – Eu suplico, com o queixo trêmulo. Assisto Marco pegar sua blusa, e ele a mergulha na banheira de hidromassagem pela qual a água quente escorre, exalando um vapor denso que preenche todo o banheiro. A blusa é retirada da banheira e Marco a torce lentamente como uma toalha encharcada, até virar um rolete.
Ficar sentada me faz sentir pior, e o enjoo volta à tona. Acho que o fato de estar sentada num vaso sanitário faz com que meu cérebro queira se livrar dos problemas o mais logo possível. O líquido alcoólico sobe até a boca e consigo prender com a língua, mas outra vez ele retorna e agora está mais forte. Não há escapatória. Solto um esganiço entalado e Marco rapidamente me tira de cima da privada, abrindo as duas tampas e me ajudando a inclinar para acertar o buraco do vaso. Ponho tudo para fora, com toda força. Quesito elegância: nota zero. Quesito arrependimento: nota dez.
Após a tarefa árdua, caio ajoelhada perante o vaso sanitário, vendo o vômito desaparecer descarga abaixo. Por aquele ralo também vai minha decência, minha pureza, e talvez minha virgindade também esteja em jogo.
_ Agora você melhorará. Vai ver – Diz Marco carregando a voz da experiência. Ele pega a blusa torcida e se ajoelha ao meu lado, começando a limpar meu rosto cuidadosamente. Em seguida, distorce uma parte da roupa e coloca sobre minha testa suada, deixando-a parada com a mão. – Dizem que o gelo é anestésico. Mas para mim o vapor é o melhor remédio. Abre seus poros e estimula a sudorese, assim o álcool é eliminado mais rapidamente do organismo. Não há nada melhor que um bom banho de queimar a pele depois de um porre bem dado – Ele fala, abrindo um sorriso torto para mim.
_ Eu não quero tomar banho. – Retruco.
Mentira, eu quero sim. Mas não com ele me olhando.
_ Alguma hora isso terá que acontecer, mocinha. – Marco brinca. – Por enquanto você deve descansar. Tem como voltar para casa?
_ Eu ia de carona… com o Tom. – Respondi, com um toque de pesar.
_ Ia? Saquei. – Ele reflete por alguns instantes. – Me espere lá embaixo. Vou pegar as chaves do carro e tirá-lo da garagem.
_ Não quero dar trabalho.
_ Não precisa se preocupar com isso. Você já deu. – Ele ironiza, mas não parece chateado na sua entonação.
Nós descemos juntos pelo elevador, com a sua blusa úmida aquecendo minhas costas. Por esguelha posso ver o seu peito desnudo subindo e descendo calmamente, e isso me provoca um arrepio.
O churrasco está nos seus últimos suspiros, muita gente já foi embora e o que resta são alguns bêbados sentados numa mesa com várias garrafas e latas vazias, contando histórias de bêbado. Caminho vagarosamente me abraçando com a blusa molhada, e volto para o deck da piscina que está iluminado por vários spots. Meu coração é disparado por uma nova surpresa: sentado na beira de uma espreguiçadeira, vejo o rapaz de cabelos loiros ondulados e tenros olhos azuis desanimados com os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele está com um soprador de bolhas de sabão, e seus lábios se curvam e sopram o ar que bate contra a camada fina que se distorce até formar uma curva perfeita que sai voando, e aterrissa na superfície da piscina. As bolhas chegam até mim e estouram ao me tocar em milhares de partículas ensaboadas, fazendo com que Tomas erga o olhar e me encare, sem grandes expectativas.
_ Onde você arranjou isso? – É a única pergunta que me passa pela mente, e aponto para o soprador.
_ Leo tem uma irmãzinha. Acho que ela esqueceu this thing por aqui. – Ele responde pesaroso, soltando mais uma sequência de bolhas espevitadas que se espargem pelo ar e são carregadas pela fresca brisa.
_ Desculpa por hoje mais cedo – Lanço sem cerimônia, antes que ele pudesse falar qualquer outra coisa. – Você... me deixa nervosa.
_ Por que eu a deixaria nervosa? – Ele questiona franzindo o cenho, deixando o brinquedo de lado.
_ Por que... por que eu tenho medo de machucar você, Tomas. – Eu digo, titubeante.
_ E por que você me machucaria? – Ele continua, cada vez mais confuso e mais perto da verdade.
Por que não é por você que tenho grandes sentimentos.
_ Por que eu sou a única que entende você, não é mesmo?
Tomas soltar o ar pelas narinas e contempla o céu sem estrelas, procurando por algo na vasta noite. Talvez estivesse procurando a coragem que tanto me faz falta.
_ Sim. É verdade. – Ele enfim concorda.
Posso ouvir os bêbados gritando o nome Marco e Lorenzito, e eu me viro para trás. Lá está ele, lindamente perfeito, com as chaves do carro na mão. Marco faz um aceno para mim e em seguida para Tomas, coçando a nuca ao chegar até nós.
_ O problema é o seguinte, Nora: o carro da Natasha está na frente do meu, que está imprensado na mureta. Como ela estava muito bêbada, foi embora de táxi e deixou o carro aqui e irá buscar só amanhã. A moral da história é que estou preso no Leblon pelo resto da noite.
_ Eu irei leva-la para casa, Marco. – Determina Tomas, levantando-se da espreguiçadeira. – Afinal estou aqui até esta hora só para isso.
_ Jura? – Eu exclamo, perplexa. – Você está até agora só para me levar para casa?
_ O que posso fazer se sou um homem de promessas – Ele diz, fatigado. Uma aura de frieza e descontentamento o envolve, e de longe se parece com o Tomas que conheci.
_ Pelo visto você deu azar e sorte ao mesmo tempo, Nora – Marco diz, com um sorriso galante. – Vejo os dois na segunda feira!
_ Obrigada Marco. Pelo que fez. – Agradeço acanhada, tirando sua blusa das costas e a devolvendo.
_ À disposição – Ele faz uma mesura forjada e apanha a blusa, dando um aceno e voltando para a mesa dos bêbados.
Antes de Tomas e eu sairmos pelo portão, dou a última espiada para dentro da casa e avisto, distante, Marco conversando a sós com Isabella na varanda. Os dois estão bastante próximos, o suficiente para sentirem a respiração um do outro. Ela põe os braços envolta de seu pescoço, ele a traz para mais perto de si.
Prefiro fechar o portão neste instante.
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