Se machuque com mais frequência

1 Se machuque com mais frequência


Notas iniciais
Oneshot bobinha com um plot rápido que tive. Espero que gostem :3

Lorcan Scamander deu um grito e insultou até a primeira geração dos Weasleys.

— Abaffiato!— ordenou Molly para a parede que dividia seu quarto com o quarto da prima Roxanne. – Pare de se mexer! – reclamou para Lorcan.

Lorcan estava sem camiseta na cama de Molly, com uma ferida horrível que continha sangue seco e ia do peitoral até o ombro direito. Ele se remexia sem parar. Molly passava Essência de Murtisco por toda área machucada percebendo que não ia ter sucesso algum.

— O que foi dessa vez? – perguntou Molly, olhando para metade do corpo dele nu na penumbra do quarto.

— Um Arpéu. – resmungou Lorcan a contragosto. – Os malditos dedos com garras.

Lorcan Scamander era um caçador de recompensas de animais mágicos. Uma profissão não legalizada, por isso ele também era um fugitivo do Ministério da Magia. Lorcan trabalhava tanto para bruxos que queriam se livrar de um animal perigoso rapidamente e sem muitas perguntas, como para trouxas que se deparavam com as criaturas mágicas e eram incapazes de subjugá-las. Para os trouxas, Lorcan era apenas uma pessoa que lidava com monstros sobrenaturais. Lorcan fazia estragos que o Departamento para Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas e a Central de Obliviação eram obrigados a reparar logo após sua fuga, tendo subjugado ou matado o animal mágico em questão (dependia da circunstância).

Sempre que Lorcan se feria demais, não podendo recorrer ao Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos senão ia parar em Azkaban mais rápido do que as garras daquele Arpéu que o tinha ferido, ele recorria a Molly.

Molly era medibruxa e era atendente em Danos Causados por Feitiços. Eles se conheceram através da namorada de seu irmão gêmeo. O próprio apartamento de Molly permitia que Lorcan Scamander aparatasse diretamente lá pra dentro. Roxanne não fazia ideia disso. Ninguém nunca sabia o paradeiro de Lorcan.

— Vou ter que usar o condão. – avisou Molly em tom de bronca. O condão era a principal ferramenta de trabalho de Molly, uma corrente de prata com uma haste que terminava num pingente em prisma.

— Que maldição! – resmungou Lorcan.

— Cale a boca e pare de se mexer.

Molly sentou ao lado dele na cama, o quarto iluminado apenas por algumas velas dentro de enormes bolas transparentes suspensas no ar que lembravam bolhas.

— Vulnera Sanentur. – resmungou Molly por todo o peito dele. — Vulnera Sanentur. Vulnera Sanentur.

Lorcan adquiriu uma coloração branca. Seu rosto se contorceu com o desconforto da pele se regenerando de uma vez.

Molly não ligou para as caretas dele. Foi até um grande armário que ela tinha no quarto, cheio de gavetas, portas e prateleiras e pegou um frasco transparente com líquido esbranquiçado. Sentou ao lado do fraco Lorcan e empurrou o frasco para ele.

— Para repor seu sangue. – explicou ela.

Lorcan tomou num gole só. Seu rosto foi adquirindo novamente a coloração normal. Ele mexeu o ombro aos poucos para constatar que estava curado. No peito só sobrou uma pequena cicatriz.

Molly aproveitou o tempo para analisá-lo. Desde o ano anterior, em que ele a procurou porque tinha sido mordido por um lobisomem, Lorcan tinha ficado mais... Musculoso?! Seus ombros pareciam mais fortes e sua barriga mais firme. Ele não usava os cachos armados como o irmão – ele raspava a cabeça. Os olhos eram castanhos como os de Rolf Scamander. Enquanto o gêmeo Lysander era magricela e usava óculos, Lorcan tinha o porte mais quadrado. Todo o seu corpo parecia tenso.

— Pare de babar em cima de mim Molly. – ele riu.

Molly saiu de seus devaneios em que atacava Lorcan com a boca e mordeu um dos lábios.

— Venha aqui. – pediu Lorcan puxando-a para si. – Converse comigo.

Molly tirou os tênis com os pés e se juntou a ele na cama. Deitou a cabeça no peito recém curado dele e sua cabeleira ruiva ficou roçando em sua pele. Lorcan pegou um punhado de fios da cabeça dela e ficou brincando com eles.

— Obrigado por me enviar a Poção do Acônito todo mês. – ele ronronou pra ela.

Molly passou o nariz pelo pescoço dele só para sentir seu perfume. Lorcan não tinha apenas um cheiro. Seu aroma atual era uma mistura de cascas de arvores, Essência de Murtisco, fumaça do mundo dos trouxas e sangue. Ele continuou a girar os dedos pelos fios avermelhados dela.

— Achei que você fosse parar depois de ter adquirido licantropia. – confidenciou Molly no pescoço dele.

Lorcan deu um pequeno riso.

— Parar? É como me sinto vivo.

Molly mordeu o pescoço dele e Lorcan abafou um gemido.

— Eu sei por que você quer que eu pare. – sorriu ele.

— Sabe? – brincou ela. – Por quê?

— Você quer que seu seja seu namorado.

Molly gargalhou.

— Quanta presunção! Eu trabalho demais para ter um namorado. E sou babá da minha irmãzinha que fugiu da casa dos nossos pais.

O corpo de Lorcan ficou tenso, Molly sentiu.

— Como está a Lucy?

— Morando na sala. – respondeu Molly dando de ombros. – Provavelmente ela e Alice se casarão. A família de Alice aceita muito bem o relacionamento, ao contrário dos nossos pais.

Lorcan assentiu levemente com a cabeça. Como era um fugitivo ficava meses sem notícias das pessoas que conhecia e amava. Era leitor assíduo d’O Pasquim só para ler o que a mãe escrevia. Não trocava cartas com ninguém.

— E meu irmão? E Dominique? – perguntou ele com urgência na voz.

Molly passou a fazer círculos com o dedo em torno do peito dele.

— Foram para o Egito depois de eu prometer que ia mantê-lo seguro e sob controle.

— Obrigado Molly.

Lorcan pousou a mão no queixo de Molly e puxou-a para si. Molly atacou a boca dele com vontade e suas mãos o abraçaram. Lorcan respondeu com igual vontade e selvageria. Seus corpos se encontraram numa urgência desesperada. Molly conhecia cada cicatriz, cada canto de Lorcan. E Lorcan a devorava.

As velas derreteram com aparente rapidez enquanto os dois se enlaçavam na cama de Molly. Ela não soube quando sua camiseta voou para o chão, quando suas calças foram arrancadas e perdidas no meio do lençol ou quando seus cabelos ganharam nós de tanta agressividade.

Lorcan respirava alto. Quando sentiu seu mundo virar de cabeça para baixo, toda a energia concentrada num ponto só sendo atirada em tremeliques para todo seu corpo, Molly o acompanhou, sussurrando seu nome na escuridão.

Lorcan jogou o corpo para o lado na cama quando Molly saiu de cima dele, tentando recuperar o fôlego.

— Eu estava errado. – ele admitiu.

Molly, fraquejando, não entendeu.

— Sobre o que?

— Você também me faz sentir vivo. – ele soltou de uma vez respirando com dificuldade.

Molly sorriu para o teto. Enlaçou a mão dele na sua.

[...]

— Pra onde você vai? – ela perguntou baixinho, porque Roxanne já estava acordada na cozinha conversando alto com Lucy.

— Alguns trouxas com um bicho-papão na França. Estão dizendo que a casa está assombrada e que está dando alucinações nos moradores. Só estão vendo seus piores medos. O Ministério da Magia Francês está emperrado com burocracia. É só um feitiço, por Merlin. Depois vou vender partes do Arpéu para contrabandistas. Preciso de dinheiro.

Lorcan tinha tomado banho e se vestido. Molly o ajudava a estocar alguns suprimentos na mochila de viagem. Ele colocou a capa de viagem e a beijou com sofreguidão. Molly aproveitou ao máximo os lábios dele e o mordiscou.

— Eu sinto sua falta Molly. O tempo todo. – ele disse entre seus lábios.

— Você sempre volta. – ela riu.

— Eu sempre volto. – Lorcan concordou.

Lorcan a soltou devagar. Não estava com pressa. Pegou uma mecha dos cabelos dela e enrolou em seus dedos. Depois passou a mão por seu rosto. Molly não conseguia parar de sorrir.

— Até a próxima. – ele sussurrou.

— Até a próxima.

Ele soltou a mão dela. Ajeitou a mochila nas costas. Olhou bem nos olhos castanhos de Molly e sumiu no ar, aparatando.

Molly desejou que ele se machucasse com mais freqüência. Não ferimentos perigosos demais.

Só com mais freqüência.

Notas finais
O que acharam? Eu ia trabalhar esse casal numa short que abandonei por estar saindo do Nyah!, mas quis fazer um plot mais curto mesmo assim :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!