Se hoje fosse seu ultimo dia
1 I. Você poderia dizer adeus para o onte
O vento batia no meu rosto e fazia meu cabelo esvoaçar. Essa sensação já familiar a tempos me causava mal estar, me fazia lembrar de casa, não de minha mãe, ela só me causará dor, mas de quando era uma garotinha de 12 anos que vivia nas ruas de USA com Luke, daria de tudo para ter ele ao meu lado, me abraçando, sussurrando coisas no meu ouvido, ter sua respiração e seu cheiro comigo seria a melhor coisa do mundo.
Ele morreu, se sacrificou, antigamente acreditava que ele fez o que era necessário, apenas teve o que mereceu, mas depois de anos sendo apenas mais uma peã de Artemis entendo-o, quando penso em sua decisão apenas uma pergunta vem na minha mente. Por que ele salvara o mundo? Talvez nunca tenha resposta, se tivesse também não adiantaria em nada, só posso me contentar em perseguir monstros a pedido da deusa, agora por exemplo, é um cão infernal que ameaça alguns semideuses, olho pro lado e vejo Lua apontando uma flecha para o monstro, em poucos segundos seu tiro certeiro corta o ar e faz ele se desintregar.
Sorrio, no fundo eu ainda gostava daquela menina de muitos 14 anos, seu cabelo negro como a noite e seus olhos brancos no começo me assustavam, nunca vira uma cega se mover com a agilidade e delicadeza de Lua, depois de muitos dias me encontrando com ela durante o dia – quando Artemis perde um pouco de sua força- me confessara que havia tendo sonhos estranhos, neles ela era uma menina de pele morena, usava um boina verde e tinha um irmão cujo nome era Nico. Na época ela tinha treze anos e não sabia de quem era filha, seu sátiro havia sido morto e por isso levávamos ela para o acampamento, por alguma razão a deusa não me deixava sozinha com ela.
Depois de alguns dias, enquanto lutávamos contra uma hira, fui ferida, ela correu em minha direção e no exato momento que iríamos ser mortas fez com que fantasmas surgissem do nada e flutuassem em torno do monstro, minhas suspeitas se concretizaram, ela era Bianca, mas o que não sabia era que segredos ainda cercavam-na.
Na mesma noite nos reunimos na beira de um rio e contamos tudo para Lua, assim que acabamos de falar ela sorriu e disse que talvez por ser filha de Hades havia se recordado, mas não tinha interesse de reencontrar seu irmão, se fizesse isso só faria-o sofrer, pois estava decidida a viver sua paixão, não para o meu espanto, todas se calaram, amor nunca fora um bom assunto no nosso bando, sempre foi visto como algo fútil e irracional.
Meses se passaram e ela ainda vivia conosco, um dia ela estava na praia e desenhava com uma vareta na areia, quando me aproximei vi que eram nós duas e um menino loiro com grandes olhos verdes.
- O que é isso? – perguntei.
- Minha visão, cabeça de pinheiro. – respondeu sorrindo.
Me espantei, será que mesmo com sua condição limitada ela conseguia lembrar de meu rosto? Mas mesmo assim como podia saber quem era aquele menino e como ela era?
- Sabe, não queria te assustar – falou largando a vareta e ficando de frente para mim – Mas sou uma vidente, papai me disse pouco antes de eu renascer que daria a mim um dom que ao mesmo tempo me traria dor e ao mesmo tempo me faria feliz.
- Dor? – falo, não queria que ela se ferisse, um sentimento que desde Luke me abandonara havia renascido junto com ela, algo que nunca sentira por garota alguma.
- Sim, dor – disse colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha – Afrodite é má, ela faz casais serem formados, geralmente eles acabam ficando juntos, nesse mundo ou em outro, mas também podem nascer em épocas erradas.
Antes que pudesse perguntar alguma coisa, seus lábios se encostaram nos meus e a lua encobriu o sol.
Abandonei o bando, durante um ano vivi com ela nas ruas de Nova York, mas um dia um homem bateu na minha porta, seu nome era Jano e ele trazia escolhas.
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