Se eu não tivesse você.
5 Um pensamento nada fixo no que eu realmente queria saber.
– Vem — ele disse segurando minha mão — eu te mostro.
Eu soltei minha mão da dele, mas continuei andando ao seu lado. Eu não deveria, mas eu confiava nele e isso não é nada bom.– Chegamos — ele disse.Era um lugar lindo. Um parque, com uma floresta vasta cheia de flores e um caminho de pedra. De dia o lugar estava lindo, mal conseguia imaginar como seria aquilo á noite. Pássaros cantavam e dava para perceber que havia muitos outros animais habitando ali. Era fantástico.– É o meu lugar favorito no mundo — ele disse enquanto sentava no chão, de uma forma que poderíamos ver a floresta inteira.– E agora, com certeza também é o meu — eu disse sorrindo.Fiquei admirada com a beleza e a simplicidade desse lugar,. Enquanto eu admirava a floresta senti que Guilherme estava me olhando e virei para ele.– O que foi? — eu disse– Nada — ele sorriu abaixando a cabeça — É só que...– O que você queria conversar? — eu o interrompi– Sobre você, sobre...– Que tal sobre o porque você me persegue? — eu o interrompi, novamente.– Que tal sobre você parar de me interromper? — ele riu — eu poderia ter falado sobre isso, mas você me cortou duas vezes.– Sinto muito! — eu disse debochando dele — Continue e conte da perseguição.– Perseguição? O que é isso? – Não brinca, por favor — eu disse rindo.Mas que poder é esse que ele tem? Me fez mudar de pensamento tão rápido que eu nem pensava em obrigá-lo a falar.– Me fale sobre você — ele disse– Não há nada de legal sobre mim.– Ah, qual é. Todo mundo tem pelo menos uma coisa interessante sobre si mesmo.– Então você quer saber sobre mim? Lá vai. — eu me ajeitei e o encarei — Eu tenho 16 anos,perdi minha mãe quando tinha 5, tenho um pai alcóolatra que está internado nesse exato momento, e só tenho uma amiga. E quer saber de algo interessante? Nada de tão legal acontece comigo, desde... Sempre.Ele sorriu com um ar de tristeza. Sim, isso acontece. Pode parecer estranho mas ele sorriu dessa forma. Só não entendi o que esse sorriso quis dizer.– Nossa! — ele disse erguendo as sobrancelhas e um pouco confuso — Você nunca teve esperança de que sua vida pudesse melhorar?– Já tive. Esperei por muito tempo e desisti. Posso parecer dramática mas é que realmente nunca aconteceu nada. E aposto que as coisas não vão melhorar de um dia para o outro.– É difícil de acreditar. Você é tão inteligente e... — ele disse com uma voz baixa — linda.– É difícil de acreditar — eu repeti o que ele disse,da mesma forma e ri.– Mas acredite, sou um ótimo observador e um pouco intuitivo — ele disse rindo e mexendo no cabelo — Você deve atrair atenção dos garotos.– Para um ótimo observador, você é muito bom sendo um adolescente normal — eu ri — sou do tipo extremamente sem graça e garotas assim não chamam atenção dos garotos.– Defina sem graça.– Sem muitos amigos, devoradora de livros, crítica nata quando o assunto é comportamento humano, amante da arte e super na minha.– Se essa sua definição de sem graça se condiz a você, eu posso dizer que eu sou do tipo de garoto que gosta de garotas assim.Eu sei aonde ele está querendo chegar. Não quero parecer vunerável, mas mesmo tempo quero mostrar o caminho para ele. Com toda certeza eu não estou gostando dele, mas é que ele desperta algo em mim não como um amor, mas como algo que eu não sei ao certo o que é. Bom ou ruim, eu não estou afim de saber, agora.– Eu acabei falando muito de mim e perdi a noção do tempo — eu o cortei e fingi que não o ouvi — Acho que já está na hora de ir, tenho que visitar o meu pai.Sua feição de desapontamento era facilmente visível. Não era esse o rumo que ele queria que a história tivesse levado. Mas ele sorriu. Sorriu de uma forma triste novamente, senti como se ele tivesse querendo dizer algo que era impossível de sair dele.Parece que eu sou a intuitiva aqui.– Tudo bem — ele disse enquanto apontava para o caminho que nos levava de volta a civilização. Andamos lado a lado. Sem dizer nenhuma palavra, afinal, acho que já ouvimos de mais por hoje.
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