Se Você Quiser Ser Meu Namoradinho
1 Capítulo Único
Dave e eu estávamos sentados nos bancos de trás da lanchonete. Ele insistia que tinha que me contar um segredo e tinha de ser ali.
- Fala, Dave! – pedi curioso. – Você ta fazendo tanto mistério que daqui a pouco eu é que vou te contar um segredo!
- Pie, você também tem um segredo para me contar? – perguntou animado. O olhei de soslaio e disse:
- Não.
David ficou com a expressão triste e ao mesmo tempo pensativa.
- Fala, pooorra! – falei já nervoso.
- Maaas é que eu tenho vergonha e não sei se devo te contar!
- Ahh, então não é sério! – descansei na cadeira de braços cruzados. O lugar não estava cheio, mas ali atrás o barulho das pessoas falando abafava totalmente a nossa conversa.
- Éééé sim! – Dave subiu na mesa e me encarou bem de perto. – Escuta... O caso é que... – parou de falar, descendo da mesa.
- É queee...?
- O caso é que eu to gostando de... Você! – disse ele. Senti meu coração dar uma batida forte.
- Dave... Sério?
- Não, to brincado! – falou irônico e um pouco chateado. Ficamos nos olhando.
- Er...
- É, Pierre... Eu já sei que você é hétero! Mas, eu precisava contar para alguém e por ironia do destino o meu melhor amigo é você! – David falou também cruzando os braços [n/a:Ta! ].
- Não! Não é isso! – falei rápido. Uma garçonete nos trouxe o cardápio e me interrompeu bem na hora em que eu planejava falar.
- Aqui. Vão querer que lhes traga algo logo?
- Não. – respondi a olhando, irritado. A moça percebeu e saiu de perto da nossa mesa.
- Coitada...
- Nada! – me debrucei na mesa. – Escuta, Dave... Como eu disse, não é isso. Aliás, não tem nada a ver! Eu gosto de você, sabe?
Dave subiu o olhar para mim, me encarando confuso.
- Pie...
- Daaaaaaaaaaave! – uma menina veio correndo em nossa direção, fazendo eu me jogar na cadeira irritado, claro.
- Hey. – ele disse seco.
- Heey! Eu peguei a matéria da aula hoje para você! – a menina ruiva disse, com voz e olhar derretidos.
- Ah! Cara, que legal! Realmente! – falei alto para ela. – Mas, cara, você chegou tarde.
Levantei da cadeira e acompanhei a menina para longe de nossa mesa. Na verdade para fora da lanchonete. Voltei e sentei na cadeira à frente de Dave.
- Posso falar? – perguntei irritado e David concordou com a cabeça.
- Eu... Ahh, eu não vou enrolar... – aos poucos minha coragem ia sumindo. Sim, bem na hora em que eu menos precisava. – Eu...
- Ahhh! Fala logo! Daqui a pouco mais alguém vai interromper! – David disse.
Voltei a me debruçar na mesa.
- Vem, é um segredo. – puxei David pela camisa vermelha e ficamos muito perto. – Eu. Te. Amo. — David arregalou os olhos e eu ri. Aproximei-me, o quanto mais era possível, mas ele se afastou um pouco.
- Pierre. Vai todo mundo ver!
Olhei em volta, e dali com certeza algumas pessoas veriam. Então, peguei o cardápio e o abri na lateral da mesa, proibindo os olhares.
- Agora não vão mais! – David sorriu e se aproximou. Fomos chegando perto, e nossas respirações viraram apenas uma. Tocamos nossos lábios, em um selinho.
- Te amo, meu namoradinho. – disse eu e o beijei em um selinho menos tímido que o outro.
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