Se Todas Fossem Lea
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Se todas fossem Lea
20 de junho de 2013
Nova Iorque
POV Dianna
Abri meus olhos lentamente por causa da luz forte que vinha das janelas grandes com as cortinas abertas, olhei para os dois lados e realmente nao reconheci o lugar que estava. Minha cabeça doía e eu nao me lembrava que havia bebido, imagina ter bebido tanto para ter um perda de memória. Escutei a porta se abrir e fechei os olhos devido ao barulho, parecia que tudo estava acontecendo dentro da minha cabeça.
– Bom dia Di!
–Bom dia babe! — nao, eu nao sabia quem era aquela mulher andando pelo quarto semi-nua, mas ja estava acostumada com situações como aquela, e minha atitude depois da terceira vez que aquilo tinha acontecido era sempre a mesma.Me levantei rápido sentindo ainda mais o efeito da bebida mas nao perdi a pose, comecei a me vestir sem prestar atenção no que a garota que falava. Outra vez respondi da mesma maneira, eu tinha certeza que eram as mesmas frases saindo da boca da decima ou vigésima mulher com quem eu havia saído nos últimos quase 2 anos. "Por que esta indo embora?" "Fique mais um pouco." "Vamos tomar o café da manha que eu preparei pra voce."
Peguei minha jaqueta no chão enquanto calçava a segunda sandália e já andava ate a porta.
– Nao posso querida.Estou atrasada para um evento, me passe seu telefone que eu te ligo antes de voltar para Los Angeles.
Era o jeito mais fácil de me livrar, sempre simpática, mostrando interesse, nunca dando o meu telefone e claro, nunca ligando.
Levantei meus olhos e olhei pela primeira vez de verdade para a mulher parada na minha frente. Morena, com no maximo 1,60 de altura e linda. Balancei a cabeça para tentar espantar o pensamento, isso também era bem comum, mesmo bebada eu sempre escolhia o mesmo tipo de mulher, e era o motivo disso que eu tentava tirar da minha cabeça.
Dei um beijo no canto da boca da linda mulher e soltei um pequeno sorriso quando ela corou, eu ainda tentava entender essa atitude que eu causava nas pessoas. A olhei outra vez e a menina abaixou a cabeça, rodei os olhos ainda tentando entender.
Sai quase correndo do quarto sem olhar pra trás e torcendo para que ninguem mais estive ali. Depois da pequena irma de uma mulher correndo atras de mim me chamando de Quinn e me pedindo uma foto, foi mais uma coisa que aprendi a me prevenir. Entrei no carro encostando a cabeça no volante e sentindo meus olhos queimando, os fechei com força tentando evitar o inevitável. Levantei meus olhos e os encontrei com o retrovisor. Estavam brilhantes de lagrimas, e me lembrei mais uma vez do que meu olhar fazia com as pessoas. No começo eu adorava, me achava poderosa, dona do mundo, a mulher que poderia fazer o que quisesse com outras. Mas isso começou a perder a força, a timidez e inferioridade das mulheres comigo passaram a ser chatos, queria atitude. E essa foi mais uma situaçao que me lembrava ela. ELA, sempre me olhou de forma fixa, sustentando o olhar por muitos minutos, parecendo me testar, me desafiar. E era lindo, assim como tudo nela, era lindo!
Me despertei com meu celular tocando, e no visor aparecia Jessica.
Atendi e ja liguei o carro arrancando da porta daquela casa.
– Amiga!!!! Como voce nao me da noticias em tres dias? Aconteceu alguma coisa?
– Nao Jess, estou apenas com muito trabalho por aqui.
– Nao me diga Dianna! Pare de mentir para sua amiga e me diz logo, o que andou aprontando, hein?
– Ah Jess. -suspirei frustada. — Passei na porta da casa da mae da Lea ontem. Eu nao queria, sabe? Mas parecia que o carro já sabia o caminho que ele ia fazer, e eu fui parar la. Olhando para aquela janela de sempre, mesmo sabendo que ela nao estava la…
– E entao voce se deprimiu e foi afogar suas magoas nos copos e em meio a algumas pernas, acertei?
Suspirei outra vez ja sabendo que viria outra bronca por aí. As vezes gostaria que Jess se cansasse de mim, mas estava dificil. Ela estava ao meu lado nos primeiros 2 meses de raiva pura, na epoca em que eu nao podia nem ao menos olhar na cara de Lea. Depois passou comigo a tristeza de ver Lea assumindo um romance com Cory, essa fase eu queria desaparecer, em alguns momentos ate morrer. E depois de um tempo eu quis mascarar essa dor, depois de tantas liçoes de moral que ganhei das minhas amigas passei a aceitar os convites para sair e passei a beber e ir pra cama com uma mulher em cada noite.
– Di, nos já conversamos sobre isso!
Havia conseguido disfarçar minha dor com essas atitudes pra muitos, mas Jessica era uma exceção.
– Jess, preciso desligar que estou digirindo ok?Te ligo mais tarde.
Desliguei o celular sem nem ao menos esperar ela se despedir, sempre escolhia a saída mais facil.
Notas finais
Beijos
Fale com o autor