Se Possível, Que Deus Nos Guarde.
2 Capítulo 1
A princesa Nadja Klyn acordou sentindo-se enjoada. Há pouco tempo estava tendo uma seqüência de sonhos bizarros, porem bons. Agora nada passava de uma vontade de voltar ao seu sono e esquecer de todo o compromisso que tinha hoje, claro que por obrigação. Hoje era o festival de primavera, o festival que ambos os sexos apaixonados se declaravam uns para os outros, podia ser na tentativa de começar um relacionamento, um pedido de casamento ou o que iria acontecer com Nadja: Um pedido de casamento sem namoro e sem amor nenhum.
Nadja sempre achara que sua mãe sentia algum tipo de inveja dela, apesar de não entender o porquê, mas vamos aos fatos: Sua mãe sempre foi feia, apesar de ser loira e de olhos claros, sempre tivera traços grotescos e nada femininos, assim como seu pai, loiro de olhos claros e nenhum pouco atraente. Ela já nasceu totalmente diferente, tinha os cabelos e olhos castanhos com traços finos e delicados.
Logo após da morte de seu pai, a rainha começou a ter uma personalidade que não tinha desde então, talvez tenha ficado traumatizada pela morte sem motivos de seu marido e começou a atacar a todos que cruzavam seu caminho, inclusive Nadja. Só que a perseguição com Nadja aumentava á cada dia, com xingamentos extremamente ofensivos e ameaças sem sentidos. Então chegou o dia em que sua mãe lhe avisou que iria se casar com o Príncipe de Vanglóvia, Jean Hosten.
Ela nunca mais trocou uma palavra com sua mãe desde então.
Nadja levantou-se da cama pensando em quanto tempo fazia que não conversava com a sua mãe, uns seis meses? Talvez, não se lembrava, só sabia que tinha que ir logo fazer o desjejum para se encontrar com sua professora de etiqueta, que hoje seria mais severa do que nunca, pois precisava ser extremamente educada e demonstrar bons modos na frente de seu futuro marido e toda a população de Anêmona. Estava desejando a todo o momento muito auto controle para não xingar a todos.
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— Você tem que demonstrar felicidade, surpresa e todos os sentimentos positivos na hora do pedido – Karen, sua professora, falava andando de um lado para o outro com uma expressão bastante preocupada a Nadja – Para você é obvio que não é surpresa, só que a população acha que vocês estão apaixonados, então se demonstre apaixonada por ele! — Ainda preocupada, Karen pega um leque e começa a se abanar.
— Você já olhou para a cara de tonto que ele tem? – Karen soltou um gemido de preocupação, e depois de um tempo Nadja continuou a reclamar – Eu não estou nenhum pouco a fim de me casar com um cara como aquele, preferiria estar arando terra a viver num palácio. – Disse tranqüila, mas por dentro estava extremamente nervosa.
-VOCÊ PRECISA É LAVAR ESSA BOCA, ISSO SIM – a cada palavra que Karen soltava com agressividade, Nadja se arrependia ainda mais de ter dado sua opnião – Você tem de tudo, dinheiro, beleza, é querida por toda a população de Anêmona e ainda fica com essa rebeldia!! Deveria agradecer a deus todos os dias a sorte que você tem menina! – Karen se sentou no sofá mais próximo e continuou se abanando freneticamente. Parecia que estava prestes a ter um infarto.
-Eu não pedi a Deus nada disso e você sabe assim como eu que ele é horrível! E alem de tudo é um grosso. Não sei onde minha mãe estava com a cabeça quando decidiu esse casamento. – Karen se abanava ainda mais rápido agora – Você, assim como eu, não iria querer um homem daquele para se casar!
Alguns minutos se passaram em silencio, com isso Karen já tinha se acalmado um pouco, tinha compreendido o motivo de a menina estar rebelde quanto isso, mas se a princesa fizesse alguma coisa errada no meio do pedido, à cabeça de Karen seria a primeira a ser cortada.
— Querida Nadja – Karen para de se abanar e a encara com seus olhos azuis diretamente nos olhos negros de Nadja – Eu compreendo os seus sentimentos, contudo não posso faze nada para você. Desculpe-me, apenas cumpro minhas ordens.
— Tudo bem – disse Najda, com uma voz chorosa – Está tudo bem, não há nada a fazer não é mesmo? É Meu destino, não tenho escolha. – Houve uma pausa por alguns minutos — Por favor, deixe-me ir ao meu quarto eu preciso de um tempo para mim...
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Passara algumas horas desde que Nadja saiu de sua aula de etiqueta para ficar trancada dentro de seu quarto, e é claro que seu guarda-costas não deixaria isso passar batido. Hunter (Seu nome de cavaleiro) era sem duvidas o único amigo de Nadja, ela pode o chamar de irmão sem temer a algum tipo de traição por parte dele. Ele sempre foi o mais leal de todos.
Hunter por sua vez realmente gostava da princesa, tinham uma ligação muito forte, se davam extremamente bem e ele arriscaria sua própria vida para salva-la. Como de costume, Hunter fora consolá-la em seu aposento.
— Princesa? – Hunter dizia atrás da porta de seu quarto – Posso entrar? Esta precisando de algum tipo de ajuda?
— Entre, por favor – A porta se abriu e Hunter entrou – Está tanto na cara que eu estou mal?
— Você não saiu do seu quarto desde seu desjejum Princesa — Hunter fecha a porta e prossegue em direção a cama — e isso não é de seu costume...
— Você me conhece mais do que eu mesma – Nadja se senta na cama, e faz um gesto com a mão para Hunter fazer o mesmo. Houve um silencio um tanto quanto constrangedor entre os dois, então ela solta – Eu não preciso contar a história Hunter, você sabe sobre toda a minha vida e eu não quero fazer isso! Não quero me casar, eu não quero... – Nadja sentiu sua garganta apertada e logo lagrimas começaram a cair, uma, duas, três, dez, vinte e quando se deu conta, estava aos prantos nos braços de Hunter.
Hunter acariciava seus cabelos negros delicadamente, e reparava como seus cabelos se pareciam. Ela assim como ele tinha volumosos cabelos lisos e com uma textura macia. A partir daquele momento ele sentiu uma espécie de remorso por não contar tudo o que sabia.
Já Nadja sentia uma espécie de amor fraternal que nunca tivera. Sempre com uma educação rígida passada de pai pra filho, nunca soube o que era um carinho fraternal vindo de sua mãe e até mesmo de seu pai. Considerava Hunter e alguns empregados do castelo sua verdadeira família, mas uma princesa não poderia pensar assim. Ela era um chamado divino, tinha que ser maior que as outras pessoas, pelo menos assim foi educada. Ou será que ela podia se misturar aos plebeus também?
— Obrigada por existir – Ainda aos prantos, Nadja balbuciava – eu apenas queria que esse momento se paralisasse, não quero ter que me arrumar e sair para a cidade...
— Eu também sou obrigado a fazer coisas que eu não gostaria Nadja, matar pessoas é uma delas... só que é por uma boa causa né? Defender o nosso reino é o meu dever. – Hunter parecia meio confuso ao falar sobre isso, as mortes sempre atormentavam seus sonhos.
— Eu te acho um herói, mesmo com as mortes Hunter. – Nadja se recupera do choro, e aos poucos vai ficando confiante — Você põe em risco sua vida pelos outros, pelo nosso reino! Quando eu for rainha, em seu funeral, eu certamente irei fazer uma estatua sua bem grande e em cada discurso comentar da sua existência, para que o povo nunca o esqueça.
— Funeral, é? – Hunter solta um riso constrangido e meio nervoso – Irei considerar isso um elogio vindo de você. Preciso ir, irei chamar suas empregadas para te arrumarem para o baile. Obedeça a suas ordens como futura rainha, querida.
Um tempo se passou e então três mulheres ruivas foram arrumá-la, cada uma fazendo uma função: Cabelo, roupa e maquiagem. Nadja se sentia constrangida por ter alguém fazendo algo que ela conseguiria fazer facilmente. Não era difícil fazer um penteado, escolher uma roupa e passar um batom, ou era? Ela nunca tentou fazer nada, sempre teve toda mordomia possível, e nesses assuntos ela era uma tremenda pamonha. Se fosse largada no meio de uma floresta iria morrer de inanição nos primeiros dias.
Depois de algumas horas, Nadja estava belíssima. Suas empregadas escolheram um vestido longo, branco e com detalhes dourados, e para combinar uma tiara de ouro e muitas jóais, como brincos, pulseiras e um colar com uma pedra de diamante.
Recebeu o sinal que já podia descer e esperar até o festival da primavera começar. Ainda era 11 horas da noite, então decidiu ir ver as flores no jardim real, na frente do palácio e sem duvidas, seu lugar favorito.
Talvez tenha sido seu maior e melhor erro.
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Já fazia mais de uma hora que Eder e Eric estavam espiando o castelo para ver quando a princesa saia. Eric estava impaciente, claro. Sempre odiou esperar os outros, ainda mais ter que esperar para raptar alguma mulher. Iria ser seu primeiro seqüestro e ele nunca tinha passado por essa sensação antes. Já roubara demasiadas vezes, mas nunca roubara a filha de alguém importante, se é que isso faz sentido.
— Pai, eu já estou começando a ficar impaciente – dizia Eric tirando a sua franja loira da testa – essa princesinha ai vai aparecer ou não?
— Relaxe, apenas relaxe – Respondeu Eder na maior calma – Tudo tem o seu tempo, não podemos apressar as coisas querido. O que tiver de ser, será. Podemos tanto sair vitoriosos ou mortos essa noite.
— Que encorajador Eder Keller, quanto incentivo você esta a me dar nessa bela noite!
— Estou apenas sendo realista querido.
E logo, seus olhares encontraram ao corpo dela, da bela jovem de longos cabelos negros. Eric estava apenas esperando o sinal de Eder, pois a situação em si já era bem arriscada. O portão se abriu e ela foi caminhando lentamente até o canteiro mais próximo, de tulipas.
Eles não esperavam ver a princesa saindo sozinha,mas Eric aproveitou a oportunidade. Sem fazer ruído, caminhou lentamente até o canteiro de tulipas e parou ao lado puxando um assunto:
— Bela flor, não acha? – Teve a impressão que a princesa levou um leve susto, mas forçou um sorriso para caso ela o encarasse, tivesse uma boa impressão. O que de fato, adiantara.
— É... hm... são lindas.
Com o fato de ainda estar um pouco deprimida, nem se deu conta que nunca o tinha visto perto do castelo, mas ela era tão carente e precisava tanto de alguém para distrai-la naquele momento.
-Aposto que são suas flores favoritas, afinal elas são tão belas...
- Na verdade são as minhas segundas favoritas. A minha flor favorita eu nunca vi pessoalmente, só por imagens em livros. Infelizmente elas não crescem aqui na capital de anêmona.
— Isso é extremamente triste – acabou dizendo em um tom de ironia, o que não queria para esse comentário – Diga-me, qual é o nome da flor? Talvez eu já tenha visto, afinal já viajei aos sete cantos desse pequeno planeta.
— Sério? Que Maximo – Nadja ficou impressionada e soltou um leve riso bobo em sua face. Nunca tinha conhecido ninguém que viajara bastante – Sãos as jasmins...
— Jasmim? Já vi varias no reino de Amarílis – Blefou — e também de varias cores como brancas, laranjas, amarelas...
— Que interessante... – Nadja falou em um tom triste, não podia continuar falando com um homem na véspera de seu pedido de casamento. Se alguém visse, sua mãe poderia lhe dar castigos horrorosos — porem preciso voltar ao castelo. Hoje o festival de primavera me espera. – E então deu as costas e foi andando.
— Hey – Eric segurou seu ombro, e então ela virou e o fitou nos olhos. Ele tinha os típicos olhos verde-azulados que a população de Anêmona tinha, sem falar que Eric era muito maior que Nadja, afinal ela era uma jóia rara. Maioria da população de Anêmona tinha olhos e cabelos claros, de loiro escuro a ruivo. De olhos verdes a cinza. Não se encontrava muitas pessoas de genes dominantes. – Venha comigo! Eu acho que deve ter algumas flores em minha aeronave, talvez possa até encontrar um jasmim, com sorte.
Nadja era tão ingênua, bobinha! Como não seria com essa super proteção que recebera a vida inteira? Com apenas essa comentário deixou-se levar pelas mãos de Eric. Caminharam durante algum tempo, uns 10 minutos talvez? Nadja estava tão ansiosa e animada que nem prestou atenção no tempo da caminhada, e logo depois de uma colina, meio escondido, estava lá à aeronave. Era diferente das aeronaves de Anêmona, pois tinha formato de um navio. As aeronaves de Anêmona eram ovais, fechadas em todos os lados por um vidro de tom azul.
— Formato de navio?! – Dizia Nadja surpresa – Quer dizer então que você não é daqui, e sim do reino de Bouvardia!
— E como você sabe disso? Nunca saiu desse palácio. – Essas palavras machucaram a pobre Nadja. Eric parecia não ter tido intenção de machucar, às vezes era ruim com as palavras mesmo.
— Livros...
— Que bonitinha! Vamos subir as escadas? Eu aposto que você está muito ansiosa para ver se encontramos a flor que você tanto gosta.
— Será rápido? Eu realmente preciso voltar a tempo para o festival de primavera.
— Nós temos tempo de sobra querida – deu uma leve piscada a ela – Agora é o seu momento de esquecer tudo a sua volta e vir ver o que você realmente deseja.
Pronto, com essas palavras Eric já tinha ganhado a total confiança de Nadja, mesmo que tenham se conhecido há alguns minutos. Nadja tinha um coração tão bom, tão puro, como iria imaginar que alguém iria querer fazer mal a ela?
Então lá foram eles, subindo a escada de corda que estava presa na parte de cima do navio, ou aeronave, como queira chamar. Nadja nunca tinha subido uma escada de cordas o que a fez subir de um jeito desengonçado e lerdo. Ela sentia um cheiro estranho vindo da corda, um cheiro que talvez Eric não devesse sentir por já estar acostumado, mas a corda tinha um cheiro velho, de coisa podre, que há qualquer momento poderia estourar e derruba-la. E quanto mais ia subindo mais se sentia ruim. Um mau pressentimento estava lhe dominando, porém ele chegou tarde demais. Quando Eric lhe estendeu a mão para ela entrar na aeronave, viu algo que não gostaria de ver. Encontravam-se cerca de uns 50 homens, sendo que um deles estava ao lado de Hunter com uma pistola mirada em sua cabeça. Também se encontrava uma mulher alta, de cabelos lisos e curtos num tom loiro escuro, semi-nua no meio do barco agarrada com um homem ruivo, também semi-nu.
Tudo aconteceu muito rápido, Eric segurou os braços de Nadja e então os amarrou. Também pegou uma arma e mirou na cabeça da princesa, cuspindo as seguintes palavras:
— Somos uma tripulação diferente princesa, nós viajamos o mundo inteiro para roubar, matar e depois festejar. Considere-se honrada, pois você foi a primeira que seqüestramos e claro que nós vamos querer dinheiro em troca. É muito bom você e seu amiguinho ficarem quietinhos para nenhum dos dois morrer, e comece a rezar, para sua mãe nos dar a quantia que queremos.
Nadja estava assustada, mas não tanto quanto ouviu que iria se casar. Mesmo sendo anunciado um seqüestro ela não sentia ódio desses homens, e sim uma oportunidade de escapar de sua mãe, e conhecer o mundo a fora. Não queria admitir, mas sua maior vontade agora era de se juntar à tripulação.
— E se eu falar que – Nadja faz uma pausa, olhou bem para o rosto de Hunter que se encontrava em um tremendo estado de choque, e prosseguiu olhando diretamente nos olhos de Eric – eu não quero voltar para o castelo e ficar aqui com vocês?
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