Se O Seu Coração...
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
eu espero que você gostem, pois eu iria deixa-la escondida no meu caderno sem revelar para ninguém u_u
Chovia do lado de fora da Guilda. Suspirei enquanto me recostava na janela e observa as gotas descerem pelo vidro e se acumularem em sua base. Mirajane serviu um copo de suco a mim, e agradeci, voltando minha atenção para o resto da Guilda.
Bagunçada. Era o que resumia ela hoje (e todos os outros dias). Embora estivesse chovendo, ninguém deixou de sair de suas casas (dormitório no caso de alguns) para vir fazer absolutamente nada na Guilda. Até mesmo Laxus se encontrava em um dos cantos da Guilda.
Mira passeava pela Guilda com uma bandeja em mãos, depositando copos e reenchendo outros. Kinana, preparava bebidas no balcão principal do bar, para Macao e Wandaba. Happy servia-se de peixe, trazido especialmente para ele pela albina enquanto Charlie apreciava um chá de canela ao lado de Wendy, que estava entediada junto à mesa de seu time. Seus bracinhos estavam dobrados na mesa e cabeça pousada sobre eles.
Olhei para os integrantes da mesa de Wendy. Lucy conversava animadamente com Erza e Mira, que acabava de chegar junto a mesa e interrompia a fala da loira, que fez uma careta. Natsu estava debruçado sobre a mesa, exatamente como Wendy, depois de ter tentado chamar a atenção de Lucy diversas vezes. Quanto a Gray...
Pisquei os olhos achando que fosse mentira. Ele estava olhando para mim?
Seus olhos escuros se encontraram com os meus e se desviarão rapidamente, fingindo prestar atenção na conversa das meninas. Foi nessa hora que aconteceu. A Guilda ficou em silêncio quando um relâmpago cortou o céu e a voz de Mirajane ecoou com sal pergunta direcionada a Scarlet:
-Então é verdade que você e o Jellal já fizeram “aquilo”?- Erza ficou vermelha. Lucy segurou o riso enquanto Wendy fingia não ter ouvido a pergunta. Natsu levantou o rosto da mesa e a Guilda não emitiu nenhum som enquanto esperava a resposta. Erza olhou ao redor e viu todos os rostos concentrados em si, logo em seguida tentou formular algo para dizer:
-I-is-sso na-não importa im-impo-importa.- gaguejou a ruiva. Ela se pós de pé mas Mirajane a empurrou no banco de volta. Havia um brilho maligno nos olhos azuis da Strauss. Do meu ponto de vista ela estava se vingando de Erza por algum motivo.
-Pode revelar Erza.- Continuou a albina- Todos nós sabemos que você e o Jellal se encontram uma vez por mês- Seu sorriso permanecia em tom de zombaria.
-Mira-san!- Erza brandiu se pondo de pé, e fazendo a albina recuar.- Pare com isso!- A atenção da Guilda permanecia na ruiva- Eu não sou a única que tem segredos sobre relacionamentos!- Laxus disse algo no fundo como: ‘ então ela realmente já fez aquilo” logo seguido de um riso e um olhar mortal de Erza. Virou-se na direção da loira ao seu lado- Lucy por exemplo.
-O quê?- Lucy se alarmou. Erza continuou:
-Ela tenta fingir que detesta quando o Natsu aparece em sua casa, mas segundo ela própria, adora ver ele dormindo em sua cama e ainda mais quando ele aparece para importuna-la durante a noite!
-Isso não é verdade!- As bochechas de Lucy estavam vermelhas. Contive um riso me lembrando de quando fomos treinar na Akane Bitch. Lucy havia dito algo do tipo. Vi Natsu rir da cara de Lucy e depois puxa-la para mais perto de si. Lucy cruzou os braços e fitou o vazio.
-E tem mais! Anunciou Erza, procurando pela Guilda seu próximo alvo.- Levy e Gajeel!- Gajeel-kun?? Olhei para ele do outro lado da Guilda. Que diabos de posição era aquela? De forma peculiar, ele estava deitado no chão, escorado em um dos braços olhando para a parede, assoviando uma canção. Já Levy, escondia o rosto com um livro intitulado “Romances de uma noite de verão” enquanto Jet e Droy estavam arrasados atrás da baixinha. Ri novamente da cena.- Levy-chan! Confesse que durante o Daimatou Embu você só queria saber do bem estar do Gajeel! Você implorou que Rogue não o mata-se mesmo que eles não pudessem te ouvir!- Concordei com a cabeça. Havíamos visto um vídeo, o pessoal da Guilda havia comentado também. Na hora dava até pra ver os olhinhos de Levy brilhando com lagrimas.- E o que me diz sobre a boa vontade de Gajeel em querer ajudar a pequena Levy durante o Exame classe-S?
Nenhum dos dois se pronunciou. Gajeel continuou assoviando e Levy escondendo o rosto no livro que tremia em suas mãos. O pessoal da Guilda cochichava e olhava de um casal para o outro. Lucy permanecia vermelha e Natsu ria enquanto passava um braço por sua cintura. Gajeel não se moveu e Lily tentou faze-lo dizer algo, mas desistiu logo em seguida.
-Elfmam e Evergreen!- Ela anunciou sem ao menos esperar o pessoal assimilar o segundo casal. Acho que ninguém esperava por esse casal. Eu mesma nem havia cogitado a ideia de que os dois se gostassem.- Durante o exame classe-S os dois disseram a Mira que iriam se casar!- Nossa. Quantos segredos desse tipo Erza sabe?
-Foi para distraí-la!- Gritou Evergreen com o rosto corado. Elfmam ainda tentava entender as palavras de Erza.
-Então tente me explicar porque você foi a única que se prontificou a cuidar dele durante o Daimatou Embu.- Ever se calou olhando para os lados e vendo todos com cara de interrogação.
-Porque isso é coisa de Homem!- Esbravejou Elfman. Todos o ignoraram. Me impressionava o fato de ninguém ter feito Erza se calar ainda. Acompanhei a visão de Erza e vi seu novo alvo. Na verdade ela ia dar o troco...
-E Mira...- Sua voz tinha um tom de revolta e seus olhinhos brilhavam.- Não pense que eu não sei quando o seu precioso Laxus lhe faz visitas a noite.- segurei o riso para não rir muito alto. Achei que apenas eu soube-se das visitas do Laxus. Nós havíamos combinado, que eu faria chover e ele discretamente faria relâmpagos. Logicamente não era todas as noites e eu sempre sabia quando ele lhe visitava. Laxus riu do outro lado da guilda e olhou para mim fazendo um sinal de silencio. Assenti e prestei atenção novamente a Mira e Erza.
-Are, are...- Mira sorriu meiga tendo seu segredo revelado. Ela gostaria de saber como Erza sabia dessas coisas. Não que ela tenha aparecido no quarto de Mira alguma noite e chutado Laxus de lá, e também nenhum dos dois se sentiam com medo da Scarlet.
Olhei ao redor da guilda procurando novas vitimas para Erza. Bisca e Alzack não contavam pois já estavam casados e já haviam feito “aquilo”. Isso estava na cara já que possuíam a pequena Asuna. Havia ficado sabendo de alguns boatos sobre Romeo e Wendy terem se beijado, mas descartei a hipótese de Erza fazer a menina confessar alguma coisa. Charle e Happy eram outros que não contavam. Além de que eles não eram realmente um casal já que Charle não demostrava nenhum interesse no excced azul.
Então, por fim, depois de vasculhar os casais, me lembrei dele. Seus olhos negros encontraram os meus mas depois que ouvi Erza dizer meu nome a olhei acusadoramente.
-E é claro que... –Erza olhou para mim- Não podemos esquecer o quanto Juvia ama o Gray- Meu rosto esquentou. Droga Erza! Agora toda a guilda estava olhando em minha direção, até mesmo ele! O mais impressionante, é que ao analisar o rosto do pessoal, ninguém ficou surpreso com o fato. O único que não pareceu mais se importar comigo sendo o centro da guilda, foi ele próprio, que desviou a atenção para qualquer outro ponto que não fosse eu. Erza voltou a dizer- Sem contar é claro que o Gray não consegue dizer o que sen...
A boca da Erza congelou. Literalmente. Uma camada de gelo a cobriu e todos olharam acusadoramente para Gray, que fingiu não ter feito nada. Nos entreolhamos novamente. Havia descontentamento em seu olhar. A Guilda virava a cabeça de um para o outro esperando alguma reação ou alguma fala. Até mesmo Gajeel se levantou de seu posto e me encarou de forma seria, esperando que eu me expressasse. E eu me expressei.
Me levantei do canto da janela e andei até a porta ciente de que todos mantinham os olhos em mim, menos ele. O vento frio refrescou a Guilda e não me importei de sair na chuva. Acho que a gritaria habitual voltou depois que demos (dei) o assunto por encerrado.
Não protestei quando Erza disse que amava (amo) Gray. Mas sua segunda frase me deixou mais abalada. Sente. Era essa a palavras que Gray a impediu de dizer. Mas por quê?
Segui caminho até a praça da cidade, sem mesmo querer ir a algum lugar especifico. A frase de Erza martelava em minha mente e isso apenas causou uma chuva mais forte. Nãos quis influenciar o tempo, mas a conversa do pessoal da Guilda me deixou desanimada.
Na praça procurei u bom lugar para me jogar na grama, e o melhore que encontrei foi abaixo de uma arvore. Pingava ali em baixo, tanto quanto fora dela, mas não me importei com a água. Encostei-me na árvore abraçando os joelhos junto ao corpo. Meu corpo tremia por conta do frio repentino que senti.
Fechei os olhos tentando apagar aquelas memorias inúteis. “sem contar é claro que o Gray não consegue dizer o que sente”. O que ele sente? Essa pergunta me assombrava e sempre irá me assombrar. Quando o assunto surgiu na Guilda eu podia ver os olhares que ele me lançava. Mas nem mesmo aqueles olhares inseguros podiam me dar a resposta da pergunta em minha mente.
Como que queria que ele surgisse agora... segurando um casaco para mim e se senta-se ao meu lado para me dizer a resposta.
-Gray...sama...- Seu nome escapou em um soluço. Uma lagrima escorreu pelo meu rosto e logo a sequei com a manga do vestido azul. Mas é claro que ele não viria atrás. Não haveria motivo. Todas as vezes que ele me rejeitou, respondiam a minha pergunta. O que ele sente?
Nada.
Mas meu coração não aceitava esta resposta. Ele se agarrava as esperanças mais ridículas que encontrasse. Agarrava-se ao motivo idiota de Gray ter congelado Erza. Agarrava-se aos seus olhares inseguros. Agarrava-se a ideia de ele aparecer ao meu lado, pedindo desculpas por tudo e me dizendo o que realmente sente.
Me levantei ignorando os pedidos escandalosos do meu coração de continuar esperando por ele. Sequei novas lagrimas com as costas da mão, e engoli as outras que insistiam em querer descer por meu rosto. Sai novamente na chuva.
Para onde eu iria?
Não queria voltar para a Guilda. Não irai conseguir sustentar os olhares inquisidores do pessoal. Meu dormitório não era um lugar bom. Havia coisas demais lá relacionadas a ele, e isso só me deixaria pior.
O único lugar que eu não seria encontrada seria o penhasco com vista para o mar que eu tanto gostava. Um lugar realmente perfeito. Caminhei apreçada, querendo relaxar com a visão do mar se estendendo no horizonte. A chuva interrompia meus pensamentos ao passar direto por meu corpo e me deixando formigamentos agradáveis. Valeu a penas ir até lá.
As folhas da única arvore balançaram forte por causa do vento constante que havia. O balanço rangia conforme me aproximava dele. Era como um daqueles brinquedos de crianças feito pelos avós, com uma corda e um toco de madeira, onde as pontas da corda eram amarradas com nós abeis em um galho forte o suficiente para aguentar duas crianças em pé sobre ele.
Sentei-me nele, apreciando a vista que me haviam concedido. O mar. Mesmo com o som da chuva, eu podia ouvi-lo. As ondas agitadas batiam com força contra as rochas lá em baixo. Coloquei um fio do meu cabelo para traz, mas o vento os jogos todos de volta, tapando minha visão.
Cabelo... a algum tempo as meninas haviam dito que seu muda-se o meu visual Gray prestaria atenção em mim. Não me parece que tenha funcionado. Suspirei pesado e com a ponta dos pés me balancei vagarosamente. O vento ajudou e logo eu estava em um ritmo lento de vai-e-vem, que me deixou mias calma.
Fechei os olhos que cantarolei uma musica baixinho...
Se o seu coração chora
Feche os olhos e pense
Naquilo que a deixa feliz...
Se o seu coração se quebra
Feche os olhos e se concentre
Naquilo que é capaz de concerta-lo...
Se o seu coração doí
Feche os olhos e imagine
Que nós estamos com você...
Minha mãe costumava me cantar esta musica para mim. Isto é, antes de minha aldeia ser invadida por bandidos e ela ser sequestrada por eles, me deixando sozinha. Nunca conheci meu pai, mas minha mãe dizia que ele estava em uma aldeia em Iceberg, mas que foi destruída por Deliora, de modo que ela não teve mais noticias dele. Depois que ela se foi, a chuva veio.
Havia um outro trecho da música,, mas eu nuca consegui me lembrar, pois eu pegava no sono e acordava sempre depois. Quando eu pedia para mamãe repeti-la, ela apenas sorria e negava com a cabeça dizendo que era apenas para ocasiões especiais. Para mim, sempre que estou triste, é uma ocasião especial para canta-la. Como aquela.
-Bonita música.- Me assustei ao ouvir alguém se pronunciar atrás de mim. O som da chuva caindo sem cessar, e as ondas batendo nas rochas, haviam encoberto seus passos. Me coloquei de pé, tentando analisar quem estava no meio da chuva me observando. Segurei um grito na garganta e tapei a boca com as mãos quando o reconheci.- Mas você não pulou uma parte? Não vai me dizer que não se lembra?- Seus olhos negros estavam travessos.
Não consegui responde a pergunta dele. Respirei com dificuldade, tentando recuperar a fala. Pisquei os olhos diversas vezes para ter certeza de que não era uma miragem Neguei com a cabeça depois de um tempo, e consegui tirar a mão da boca para falar.
-Tem uma parte... Mas Juvia não lembra...- Os olhos dele estavam brilhando. Abracei meus braços tentado me esquentar e fugir de qualquer aproximação repentina. Ele sorriu de canto e se abrigou em baixo da árvore com o balanço entre nós.
-Deixe me ver... acho que era... – ele cantarolou no ritmo da música e depois começou:
Se o seu coração estiver congelado...
Feche os olhos e deseje...
Que o calor de alguém o derreta por você...
Pisquei os olhos novamente. Como ele sabia aquela parte?
-Co-como voc-você sa-sabe?- gaguejei a pergunta e ele sorriu novamente. Senti minhas pernas amolecerem.
-Era uma canção de minha vila. Quando alguém de nossas famílias partia, e estávamos tristes demais para nos expressar, cantávamos esta música. Isso, é claro.. antes de ela ser destruída por Deliora.
Deliora. Meu pai era da vila que Deliora destruiu. A mesma de Gray... As coisas fizeram sentido. Meu pai deveria ser desta vila, e ensinou a canção a minha mãe. Sempre achei que nunca havia uma ligação entre meu pai e eu. Até Gray me dizer aquilo. A canção que eu mais cantei em minha vida, era a que mais me ligava com ele. Me pernas bambearam e cai de joelhos no chão sentindo a mais profunda tristeza. Lagrimas de saudade escaparam de meus olhos e Gray se abaixou ao meu lado.
-Ei Juvia, esta tudo bem?- Sua mão estava sobre o meu ombro e a outra apoiada no chão.
-Meu pai... meu pai foi um homem de sua vila, Gray-sama... Juvia nunca teve noticias dele, e até agora achava que nenhuma ligação... Não era ele que cantava a canção para mim, era minha mãe... Por isso eu sempre achei que...- As lagrimas saiam sem controle. Alguns minutos antes eu chorava por Gray, aquele garoto que me abraça e tentava me consolar agora. Mas agora, eu chorava por meu passado.- A mãe de Juvia fora sequestrada... só voltei a cantar... depois que o conheci...- Por fim... voltei ao assunto que começou na Guilda. Meu amor por Gray, e como tudo havia melhorado em minha vida desde então.
Deixe que Gray me abraça-se e me aconchega-se em seu peito, enquanto minhas lagrimas de tristeza por minha família, e por ele próprio, escorriam por meu rosto. Não sei quando eu comecei a ouvir a voz de minha mãe nas palavras de Gray, mas aquilo me fez parar um segundo e distinguir o que ele fazia. Gray me abraçou quando se escorou na árvore, comigo ainda em seu peito, e logo em seguida começou a cantar enquanto eu adormecia em seus braços:
Se o seu coração chora
Feche os olhos e pense
Naquilo que a deixa feliz...
Se o seu coração se quebra
Feche os olhos e se concentre
Naquilo que é capaz de concerta-lo...
Se o seu coração estiver congelado...
Feche os olhos e deseje...
Que o calor de alguém o derreta por você...
Se o seu coração doí
Feche os olhos e imagine
Que nós estamos com você...
Quando eu acordei uma hora depois, ainda chovia, e ainda estava o penhasco. A minha volta, havia um casaco que reconheci como sendo o de Gray. Não me mexi. Uma das mãos dele bagunçava o meu cabelo enquanto minha cabeça permanecia pousada em seu peito. Pelo canto do olho, consegui enxergar seu rosto. Olhava para o céu escuro e chuvoso perdido em pensamentos. Confortável demais para demostrar que havia acordado, fechei os olhos querendo que aquela lembrança durasse para sempre.
Dedos gélidos tocaram minha mão e tive que abrir os olhos novamente. Nossas mãos estavam entrelaçadas. Vi ele suspirar e recostar a cabeça na árvore, e como não enxerguei seu rosto, me sentei, e o encarei, agora desperta. Por que seus olhos insistiam em brilhar tanto?
Nos encaramos por alguns segundos, até ele levantar a mão que mexia em meu cabelo do chão e tocar meu rosto gentilmente.
-Desculpe.- Ele disse. Meu rosto deve ter transmitido minha confusão, então continuou Eu não deveria ter demorado tanto para me decidir.- Sua mão que acariciava meu rosto caiu subitamente. Seus olhos se fecharam e suspirou pesadamente como fez antes, mas soltou minha mão da sua. Recolhi minha própria mão, que ainda formigava com seu toque junto ao corpo e murmurei baixinho que o desculpa por qualquer coisa. Como ele não pareceu ouvir, repeti:
-Juvia te desculpa, Gray-sama.- Gray abriu os olhos, mas nada disse, e ficou a me observar. Depois fez algo irreal. Se aproximou de mim, sem demostrar insegurança. Seu impulso repentino em minha direção me desequilibrou e em uma tentativa de recuar acabei caindo de costas no chão. Antes que eu pudesse me levantar e me afastar, os braços de Gray se posicionaram ao meu lado e seu rosto ficou de frente ao meu.
Seu rosto se aproximou do meu a cada segundo. Meu coração disparou e meu sangue subiu para o rosto. Seus olhos se fecharam lentamente. Entrei em desespero e não soube o que fazer. Fechei os olhos e pude sentir seu halito fresco e gélido roçar em meu rosto. Seus lábios se aproximaram dos meus e um segundo depois, nós nos beijamos. Um beijo realmente bom e totalmente diferente daqueles que eu tanto imaginara.
Mas durou muito pouco.
Gray se afastou e recostou-se novamente na árvore, enquanto eu voltava a respirar, e me sentava ainda com os olhos fechados. A sensação gélida de seus lábios e o formigamento ainda estavam ali. Toquei-os com a ponta dos dedos, sentindo-os gelados. Abri os olhos para ver o rosto de meu amado, e me decepcionei.
-Como eu pensei- Disse friamente- não senti nada...- sua fala foi cortada por um relâmpago.
Meu coração se desfez em pedaços. Me levantei chocada e triste demais para aceitar aquelas palavras. Seus olhos pareciam confusos ao se encontrarem com os meus. Tentei dizer alguma coisa, mas nada saiu. Então fiz a coisa mais lógica que veio a minha cabeça.
Corri até o penhasco e me joguei de lá.
Minha cabeça latejava. Meus sentidos eram nulos. Tentei me sentar, mas nenhum músculo me obedecia corretamente. O lugar onde eu estava era macio e bem arejado. Os sons foram voltando gradativamente, conforme eu tentava me acostumar.
A chuva ainda continuava, embora eu não soubesse o porquê. O barulho ritmado de um lacrima que media minha pulsação me alertava onde eu estava. Onde eu achava que estava. Meus olhos abriram muito lentamente tentando se acostumar com a pouca luz do quarto. Minha cabeça girava e doía cada vez mais ao tentar entender onde eu estava.
As cortinas estavam fechadas e havia apenas um único lampião aceso no quarto. Eu nunca estivera ali antes. O barulho da chuva me dizia que eu não estava em Magnolia, era como se eu estivesse... na floresta.
Movi a cabeça para o lado, para observar melhor o cômodo. Não havia muito a se ver. Um sofá, uma cômoda, uma mesa com diversos potes e a porta. Suspirei e voltei a minha posição inicial. O lacrima fez um barulho diferente e ouvi movimentação atrás da porta. Dela surgiu um feixe de luz, e alguém entrou no quarto.
A principio achei que era um Natsu em versão feminina e velha, pelos cabelos rosas. Mas depois a reconheci como sendo a médica que nos ajudara no Daimatou Embu. Porluschka.
-Como está se sentindo?- Ela me perguntou, mas não respondi a principio. Tentei me lembrar do motivo de estar ali.
Ah! Sim! Gray. Era esse o motivo.
Murmurei um “mal” para Porluschka, e ela suspirou.
-Acho que não quer vê-lo, certo?- Afirmei com a cabeça, já que eu não conseguiria falar ou me expressar. Minha visão borrou em lagrimas.- Tudo bem. Mas saiba que não poderá fugir dele para sempre.- Assenti e continuei chorando. Consegui mover minhas mãos até o rosto para conter as lagrimas. Porluschka se retirou fechando a porta ao sair.
Não liguei se alguém ouviria meus soluços. Eu podia ouvir Porluschka conversar com alguém, mas não era a voz dele. A voz parecia-se mais com a de Lucy. Ignorei as duas e concentrei-me em meus problemas.
Seria nessa hora que eu começaria a cantar para afastar as coisas ruins, mas a memória de Gray cantando para mim me impediu e apenas me deixou mais triste.
-Idiota- foi a primeira coisa que consegui dizer depois de vários minutos chorando.- porque Juvia foi se apaixonar por ele? Ele nunca se importou com Juvia!- alguém bateu na parede atrás de mim. Fiquei quieta e assustada por um instante esperando que acontecesse novamente. Mas tudo o que ouvi foi um sussurro:
-“me desulpe...”- a voz de Gray sumiu logo em seguida. Meu corpo tremeu e meu soluço ficou preso na garganta...
Mais tarde, depois que parei de chorar e culpar Gray, Lucy entrou no quarto e me pós a par do que aconteceu depois que sai da Guilda. Natsu não desgrudava mias dela, nem a noite nem de dia. Mira e Laxus não escondiam mais o fato de se encontrarem. Ever e Elfmam passaram a conversar menos, envergonhados um com o outro. Gajeel e Levy nem ao menos chegavam perto um do outro.
-Quanto tempo passou desde que Juvia ficou assim?- Pedia interrompendo a fala dela. Seus olhos se desviaram por um tempo e então respondeu:
-Dois dias e meio.
Dois dias e meio. Por ter se jogado de um penhasco com muito mais do que dez metros de altura. Não sei como sobrevive. Minha consciência sumiu antes mesmo de eu chegar à metade do percurso.
-Como sobrevive?- Lucy desvio o olhar de mim novamente.
-Gray me fez prometer que eu não contaria. Ele disse que quer ser o primeiro a contar sobre o que aconteceu. Disse também... que sente muito.
-Sente muito?!- esbravejei minha raiva- Ele por acaso lhe contou o que aconteceu? Juvia está cansada de ser ignorada por ele! O coração de Juvia...- parei de falar ao me lembrar daquela canção novamente. Chora? Eu só tenho que pensar em algo que me deixa feliz. A resposta: Gray. Meu coração está quebrado? Eu tenho que me concentrar em algo que o concerte. A resposta: minha amizade com Gray. Se ele dói? Eu só tenho que imaginar que ele está aqui...
E por fim... meu coração está congelado... Tudo o que eu preciso fazer é desejar que o calor de alguém (não de qualquer um, é um alguém em especial...) o derreta por mim. Meus olhos marejaram e ouvi Lucy suspirar, logo em seguida me deu um beijo na testa e saiu do quarto.
A canção continuou em minha mente. Os versos se repetindo e tendo significado. Um diferente daquele que Gray me descreveu. Não era apenas quando alguém ia embora. Era para quando precisávamos de alguém por perto. Acho que enlouqueci e acabei apagando de novo. Piorou ainda mais pois tive pesadelos a noite inteira. Um deles, talvez o pior, foi o seguinte:
“ Eu ainda estava deitada na cama, e Porluschka havia dito que sairia um pouco, para buscar medicamentos. Havia uma chance para mim andar um pouco e foi o que fiz.
Levantei-me da cama e pisei no chão gelado. Um trovão cortou o céu e clareou o quarto. Caminhei rápido até a porta do quarto, e parei um pouco antes de abri-la. A voz de Gray repercutiu do lado de fora. Mas não só a dele. Lucy estava ali também.
-Por que não a matou de uma vez?- Perguntou Lucy.
-Eu quero me satisfazer dela primeiro?- Deu como resposta.
-Quer dizer que vai usa-la e depois descarta-la?
-É mais ou menos isso.- Ele fez uma pausa e pude ouvir seus passos.- Você sabe quem eu realmente quero...- meu coração parou. Mesmo que eu soube-se que ele nunca me amou de verdade, não imaginaria que ele fosse capaz de dizer isso.
-Ei, olhe onde você coloca a mão, Gray!- Lucy protestou seguido de um riso tímido e depois, um o som de um beijo.
Soquei a porta e pude ouvir o espanto deles. Corri até a janela e joguei o objeto mais pesado que encontrei contra ela. Gray abriu a porta e Lucy entrou logo atrás, mas eu já estava do lado de fora, na chuva, no frio e perdida na floresta.”
Acordei com Lucy pedindo para mim me acalmar. O pesadelo tinha parecido tão real que se não fosse por Natsu me segurando eu teria tacado Lucy. Mesmo que eu estivesse irritado com Gray, eu não suportava a ideia de Lucy estar com ele. Respirei fundo, me acalmando e dizendo a mim mesma que fora apenas um sonho. Um sonho muito ruim que não seria realizado.
Porluschka me entregou uma xícara de chá quente e eu a aceitei. A luz do quarto estava ligada, e as cortinas continuavam fechadas. Natsu me soltou e caminhou até o lado de Lucy e ficou parado ali. Wendy e Erza estavam paradas na porta me observando, e quando a pequena sorriu, sorri de volta.
Não sei de tomei coragem para dizer aquelas palavras, mas me virei em direção a Lucy e pedi:
-Quero velo.
Lucy pareceu aliviada. Me ajudou a sentar na ponta da cama, cuidando para não encostar nos locais em que eu estava enfaixado, e apoiou um dos meus braços em seu pescoço, me ajudando a levantar e caminhar. Não que eu não consegui-se sozinha, mas não quis estragar a felicidade de Lucy de ajudar alguém ferido. Lucy me levou para fora do quarto, mas não paramos ali. Havia uma outra porta ali além daquele que eu vim.
-Consegue ficar parada um segundinho?- fiz que sim com a cabeça, se afastou de mim e bateu na porta do quarto. Como ninguém respondeu, ela girou a maçaneta e disse que tinha alguém querendo vê-lo. Não ouve resposta.
Caminhei um pouco devagar e hesitante até a porta. Abri, entrei e fechei a porta, ignorando os outros atrás de mim. Respirei fundo antes de me virar. Ele não olhava em minha direção. Estava sentado na cama, observando a janela e o céu lá fora. Seus braços estavam tão enfaixados quanto os meus e em torno de sua cabeça havia uma faixa branca. Me aproximei com cautela ainda sentindo minhas pernas enferrujadas, mas a meio caminho elas amoleceram e meus joelhos se dobraram.
O que me manteve de pé, e longe de chegar ao chão, foi Gray que me segurava, e que me ajudou a ir até a cama. Não consegui pensar em alguma coisa boa o bastante para dizer. Havia tantas duvidas em minha mente que não sabia por qual começar.
-Que bom que acordou.- Olhei em seus olhos escuros e vi o que temia. Ele dizia a verdade. Seu rosto transmitia cansaço, ou talvez fosse preocupação , não sei ao certo.
-É bom estar viva.- minha voz saiu seca.. Não era para ter dito isso. Foi mais um... pensamento em voz alta. Gray suspirou chatiado.
-Desculpe- novamente aquilo- Eu tenho... algumas perguntas...
-Não é o único.- Não conseguiu mudar o tom de voz. Gray olhou para janela r acompanhei seu olhar, confirmando assim que estávamos na floresta.
-Que tal um jogo? Perguntas e respostas. As damas primeiro.- Não finja cavalheirismo Gray. Mas tive que concordar que era uma boa ideia. Assim, comecei:
-Como encontrou Juvia no penhasco?
-Eu.. sabia que era um dos seus lugares favoritos.- fez uma pausa escolhendo as palavras certas- faz um tempo... quando você não estava me seguindo, eu seguia você. Era como um passatempo. Você conhecia os lugares que eu frequentava, então achei justo eu saber os seus... foi assim que eu descobri.- Gray me seguia? Como passatempo? Controlei minha respiração. Deveria estar irritada com o fato de ser apenas um passatempo para o Sr. Fullbaster, mas o fato de que ele me seguia querendo saber meus locais favoritos superou minha raiva do momento.
-Desde quando... você me ama?- Foi a pergunta dele. Achei que ele soube-se a resposta, mas mesmo assim, eu a expliquei.
-Quando Juvia ainda pertencia a Phanton Lord, e atacamos a Guilda, nós dois lutamos na chuva, em cima do telhado. Foi quando Juvia foi derrotada, por você que ela pode ver o céu pela primeira vez, já que a chuva sempre a seguia, como um fantasma atormentado... Então.. Gray-sama fez a chuva sumir... mas antes mesmo de você proporcionar o céu azul para Juvia, ela já o amava... Juvia nunca irá esquecer... ela ainda ama o Gray-sama.- saiu quase como um desabafo. Ele parecia... feliz com minha resposta. – Vez de Juvia – Comecei a suar. Eu havia feito está pergunta a Lucy e como resposta ela disse que Gray a responderia, então pedi: Como Juvia sobreviveu?- Olhei para minhas ataduras nos braços e em minhas pernas.
-Você pulou do penhasco, e acho que bateu a cabeça em alguma pedra durante a descida, não tenho certeza- Coloquei uma mão na cabeça e sentiu uma faixa nela pela primeira vez.- Pulei logo atrás de você sem entender o porque de você ter feito aquilo. E quando alcancei seu corpo, tentei formar alguma coisa que impedisse a queda. Não deu muito certo, e caímos na água. – seus olhos perderam o brilho ao se lembrar daqueles momentos.- as ondas nos jogaram diversas vezes contra as rochas, e demorei algum tempo até conseguir formar uma parede de gelo, e mais um pouco até nos levar de volta ao topo.- ele fez uma pausa e se recostou na cama, suspirando- Não consegui te acordar e andei desesperado com você até aqui, para ver se Porluschka conseguia fazer algo a respeito. Como castigo, ela me proibiu de vê-la. – tremi. A água não teria me matado na queda, mas eu não havia levado em conta a força da água e nem as rochas. Não agradeci a Gray por ter me salvado, afinal era ele o motivo para eu ter me feito o que fiz.- Juvia? Por que pulou de lá?- meu rosto ficou sombrio.
-Você disse... que não havia sentido nada depois que beijou Juvia.- Gray piscou os olhos.
- O quê? Não! Foi isso que você ouviu?- Começou a ficar nervoso- Eu disse: “Não senti nada diferente do que já sinto”. Juvia eu lhe beijei para comprovar meus sentimentos!
-Não!- coloquei as mãos na cabeça. Não era isso! Gray nunca se importou comigo e nem com meus sentimentos! Nunca se interessou ou demonstrou interesse!- Você está mentindo! Você disse que não havia sentido nada diferente! Você estava desprezando Juvia!
-Juvia!- nossas vozes estavam alteradas,=. Eu não queria estar gritando com Gray. Uma parte de mim queria acreditar nele, mas a outra me dizia que tudo sempre foi uma mentira.- Me escute, por favor!
-Não!- gritei novamente. Me levantei da cama e corri na direção da porta trancada. Droga! Gray me seguiu e parou muito perto de mim. Encostei as costas na parede enquanto tentava destrancar a porta com uma das mãos, e via Gray se aproximar ainda mais de mim. Minha visão borrou novamente e uma lagrima escorreu por meu rosto...- Se era verdade...- comecei minha ultima pergunta- o que você realmente sente por Juvia?- seus olhos não desviram dos meus e como resposta , ele me beijou.
Mas não foi como antes. Foi mais intenso. Mais real. Mais doce. Com... mais paixão. Eu mal podia acreditar. Gray envolveu minha cintura me puxando para mias perto de si. Desisti de destrancar a porta e me deixe levar por ele. Uma de minhas mãos ficou apoiada em seu peito, enquanto a outra envolvia seu pescoço e repuxava os fios de cabelos soltos por ali. Sua língua pediu passagem e cedi. A mão que antes envolvia minha cintura, desceu para a minha coxa. Seus lábios se desprenderam dos meus e beijaram as lagrimas que ainda insistiam em escorrer por meu rosto. Me deu um ultimo beijo antes de se afastar um pouco entrelaçar nossos dedos.
-Me desculpe...- comecei mas Gray colocou um dedo sobre minha boca.
-Me desculpe... eu demorei de mais para me decidir...
-Tudo bem...- com a mão disponível sequei outra lagrima que descia por meu rosto.- Juvia pede desculpas por não ter acredita em Gray-sama...
-Tudo bem... não a culpo por isso. Foi apenas um mal entendido...- Se afastou um passo de mim, e posicionou um punho fechado sobre a mão aberta, e criou uma tulipa de gelo, que me entregou logo em seguida.
-Obrigada... Como sabia que era a flor favorita de Juvia?- pedi mesmo que soubesse a resposta.
-Eu disse que te seguia.- depois sorriu.- uma ultima pergunta. – seus olhos ganharam novamente aquele brilho de quando me encontrou no penhasco.- posso beija-la novamente?- Sorri enquanto ele retirava minha ultima lagrima do rosto.
-Sempre...
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