Se Eu Fosse Você...
5 What a mess :o
Notas iniciais
Regina tinha ficado a noite inteira na biblioteca tentando encontrar algo que fizesse Emma e ela destrocarem de corpos. Mas ao mesmo tempo não conseguia parar de pensar naquele banho que tivera... Na maciez da sua atual pele... De como era tentador aquele corpo em que se encontrava.
A prefeita se condenava por tais pensamentos, mas não conseguia mais esconder que sentia algo por Emma... Mesmo assim, tinha medo... Será que era algo recíproco? Será que era apenas um desejo momentâneo? De uma coisa ela tinha certeza... Não iria se entregar tão facilmente... Há muito tempo tinha construído uma barreira que nunca ninguém conseguiu derrubar... Ainda que soubesse que Swan tinha retirado algumas pedras.
Para Regina, a ideia de amar de novo era muito delicada... “Amar?”, ela pensou “Será que eu estou amando a Emma?” Um sorriso involuntário brotou de seu rosto. Era óbvio que estava apaixonada... Mas ainda mantinha a muralha que possuía... Sabia que o amor era uma fraqueza.
Em meio a pensamentos, a mulher encontrou um livro sobre desejos e, esperançosamente começou a folheá-lo em busca de algo que a ajudasse.
Depois de muita procura, Regina se deparou com uma frase bastante intrigante:
“Qualquer consequência só pode ser desfeita pela completa realização de sua causa”
A sentença martelava na cabeça da prefeita... Mas nada conclusivo era alcançado. Decidiu que era melhor esperar a manhã e conversar com Emma...
Emma... Como conseguiria encará-la? Mesmo estando em seu corpo, seria impossível falar com a xerife sem se lembrar dos momentos tão prazerosos que Regina teve na banheira.
Por um momento Regina teve um desejo um tanto estranho de... Tecnicamente... Ir para a cama com ela mesma... A mulher riu afastando os pensamentos.
Mas, de alguma forma, a prefeita não acreditava que aquilo fosse possível nem na condição em que se encontravam... Mesmo no corpo de Regina, Swan era tão... Tão... Swan! Seu jeito era único e inconfundível... De forma que a rainha não enxergava tanto a aparência atual da xerife... Mas a pessoa que estava ali dentro.
Regina subiu as escadas e foi para seu quarto. Deitando-se na cama, Regina adormeceu com aqueles pensamentos tendo a certeza de uma coisa: o dia seguinte seria insano!
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Emma acordou após apenas uma hora de sono. Talvez a fama de tarada realmente lhe caísse bem... Não tinha conseguido resistir... Perdeu a conta das vezes em que atingiu o êxtase imaginado que estava desfrutando da prefeita.
Era uma coisa louca... Afinal ela tinha realmente provado dos prazeres daquele corpo... Mas queria que Regina realmente estivesse ali... Queria proporcionar o mesmo, e talvez algo ainda melhor a ela.
Emma fingia para ela mesma que não se lembrava... Mas durante uma das recuperações de um orgasmo ela admitiu que amava Regina... Que estava completamente apaixonada por ela. Porém ela preferia acreditar que tudo aquilo não passava de um desejo carnal e que logo iria se satisfazer.
Por outro lado... A xerife não sabia com que cara iria olhar a prefeita a partir daquele dia... Como não se lembrar de tudo o que imaginou? Como esquecer aquele paraíso que lhe foi disponibilizado?
Como se fosse destino, Emma ouviu o celular tocar e se espantou ao ver que era a prefeita. Ficou alguns segundos que pareceram horas encarando a tela do aparelho decidindo se atenderia ou não... Por fim...
– Alô? – Emma atendeu com a voz falha.
– Emm... Emma? – Regina sem querer gaguejou e se xingou profundamente por aquilo. Recobrando a confiança, disse com voz imponente – preciso que me encontre no Granny’s em vinte minutos, OK? Descobri algo... E... Bom... Precisamos conversar...
Por um instante o coração de Emma parou... Será que... Que ela sabia o que a xerife tinha feito? E... Espera... Ela a tinha chamado de “Emma”?
– Sobre o que é essa conversa exatamente? – Emma disse normalmente... Porém para Regina soou com um ar provocativo e sedutor que fez suas pernas vacilarem. Recobrando novamente o estado lúcido de pensamento respondeu
– Sobre o nosso problema, Swan... Não é óbvio? Sobre o que mais seria – Regina disse tentando esbanjar arrogância e atingindo seu objetivo, visto que Emma revirou os olhos pensando “Voltei à Terra... Aí esta a Evil Queen...”
– Tudo bem, Madam Mayor... Em vinte minutos na lanchonete... Te vejo lá...
– Até... – Regina desligou com um sorriso bobo e falou para si mesma – Como eu amo que você me chame de Madam Mayor, Miss Swan...
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Quando chegou no Granny’s, Emma por um instante se viu procurando pela figura de Regina... Demorou para perceber os cabelos loiros idênticos aos seus virados de costas para a entrada do restaurante.
Indo em direção à mesa a xerife ouviu um chamado vindo do balcão... Mais especificamente de Ruby:
– Emma... Emma... Aquela noite no Rabbit Hole foi sensacional... Você viu aquele gato que deu em cima de mim? Só meu hein? – a ruiva disse num sussurro plenamente audível
Sem pensar Emma respondeu enquanto se sentava à mesa:
– Lobinha, lobinha... Marcando o território sempre... Vê se fica longe do que é meu hein? – disse rindo e, após encarar a figura loira na sua frente percebeu a burrada que tinha feito...
– Er... – Ruby ficou confusa – Você tá querendo me dizer que a Emma é seu território Regina?...
– NÃO – Regina se apressou em responder chutando a canela da xerife – A Regina tá meio gripada hoje... Não tá falando nada com nada... – a prefeita olhou para a própria figura com cara de culpada e quase soltou uma risada – e sobre aquela noite... – naquele momento Emma encarou Regina com um olhar de “Não diga nenhuma besteira!” – depois você me conta mais detalhes OK?
– Tudo bem... – Ruby franziu o cenho – Mas ainda acho que as duas estão um tanto quanto estranhas – a garçonete se virou para pegar o bloquinho de anotações e Regina se preparou para soltar uma de suas farpas, porém recebeu um chute de Emma. Surpresa a prefeita encarou a xerife confusa
– Neste momento... A Regina que seria a indelicada... – Emma sussurrou piscando para a outra que sorriu discretamente – Isso não é da sua conta, vira-lata... – Emma disse com o ar mais arrogante que pôde simular
– Uau... Retiro o que eu disse... Você está perfeitamente normal Regina... – Ruby disse se aproximando e Emma deu uma pequena olhada para a prefeita que claramente queria dizer “Quem é a burra agora?” – E então? Vão querer o de sempre?
– O de sempre... – as duas responderam juntas. Ruby anotou os pedidos e se retirou.
– Então, Regina... Vamos ao que interessa... – Emma sussurrou – sobre o que você tanto quer falar comigo?
– Sobre isso – a prefeita tirou o livro de sua bolsa e abriu na página em que estava a frase – Leia... Acho que talvez possa nos ajudar...
Quando Emma foi pegar o livro das mãos de Regina seus dedos se encostaram levemente provocando um choque elétrico pelo corpo de ambas... Instantaneamente as duas olharam para as mãos e depois se encararam como se quisessem decifrar o próprio olhar ali na frente. O contato só foi quebrado quando notaram a presença de Ruby trazendo os pedidos.
– Expresso puro... – Disse colocando o café na frente de Emma – Chocolate Quente com Canela – e este na frente de Regina. As duas olharam para as xícaras... Depois se encararam... Depois olharam para Ruby... Lentamente cada uma pegou a bebida na sua frente e deu um pequeno gole. A cara das duas foi inacreditavelmente cômica... Por sorte a garçonete já tinha se virado e deixado as duas a sós.
– MEU DEUS... – Emma disse – Como você consegue tomar isso? É horrível! – A xerife empurrou o café para Regina
– EU QUE O DIGA! – Regina respondeu – Não tem nada que eu deteste mais nesse mundo que canela... – a prefeita fez cara de nojo e empurrou o chocolate para Emma – Mas voltando ao que interessa... Eu acho que essa frase pode ser a chave para nós voltarmos aos nossos corpos...
– Como? – Emma disse tomando o chocolate e dando graças a Deus por sentir o líquido doce descer por sua garganta.
– Bom... Ele fala sobre causa e consequência... É meio óbvio que a consequência é... Isso... – Regina apontou para ela mesma e depois para Swan. As duas riram e depois se encararam... Ambas ficaram vermelhas e um silencio se estabeleceu.
– Então a causa... – Emma quebrou-o tentando fingir que não estava constrangida – Seria... Hmmm... O pedido do Henry?
Regina pensou por um momento e bateu na mesa assustando Emma
– É isso! – a prefeita pegou o livro e leu a frase em voz alta — “Qualquer consequência só pode ser desfeita pela completa realização de sua causa”, ou seja... A troca de corpos só pode ser desfeita pela completa realização do desejo do Henry... Então... – as duas se olharam e concluíram juntas
– Temos que saber o que exatamente o nosso filho pediu...
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