Se Essa Rua Fosse Minha
8 Capítulo VIII
Notas iniciais
Qualquer erro, avise-me~
Finalmente conseguimos chegar ao bosque que, como sempre, estava vazio. Corremos para dentro dele e paramos logo que vimos Kanri. Ficamos apavoradas.
Kanri estava no centro do campo onde o gramado era verde. Em frente dela estava o corpo de Joon com sua barriga costurada. Ao lado dele estava seu ursinho todo rasgado e, em cima da barriga de Joon, seu coração. A garota estava ajoelhada em frente do corpo segurando uma faca onde apontava para seu peito.
– Kanri! –gritei seu nome.
A garota virou seu olhar para mim lentamente. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. As lágrimas ainda escorriam pelo rosto.
– Pare, agora! –Kamila gritou também.
– Por que eu deveria parar? –ela sorriu.
– Essa não é a única solução, Kanri! –disse.
– Sim, é a única solução...
– Pra que tudo isso?
– Por que eu o amo... E agora, nós dois vamos ficar juntos para sempre! Seu coração é meu, e agora irei lhe entregar o meu!
Arregalei os olhos, era como na canção.
– Eu nunca quis mudar, mas quando meus pais ficaram paranoicos por dinheiro eu não tive escolha... Porém, eu quis continuar amando as pessoas. Joon foi o único que continuei amando. É injusto nós não ficarmos juntos! –ela voltou a chorar. – Helena, você não concorda? Você não concorda com a justiça?
– Kanri... Você não precisa fazer isso... Eu te imploro! Esqueça a justiça e só pense na sua vida!
– Minha vida... Eu nunca pensei nisso... Do que ela é formada? De mentiras? –ela foi abaixando a faca lentamente.
Estava um pouco mais aliviada por ela ter abaixado a faca, mas sabia que isso ainda não estava bem. Kanri ainda estava infeliz.
– Você ainda pode mudar tudo isso, Kanri.
– Você não entende, Helena? Pensei que eles me amavam, pensei que todos me amavam. Eu estava os amando para receber o que em troca?
– Kanri, não se pode simplesmente amar qualquer um.
– Por favor, venha aqui perto que conversaremos depois. –foi a primeira coisa que Kamila pensou ao ouvir a conversa.
– Eles me enganaram direitinho fingindo que me amavam, estão de parabéns. Porém, eu também fiz certo de entrega-los para a policia. Cedo ou mais tarde, vocês iriam encontrar isso. –ela olhou para a faca. – Quem culparia uma garotinha?
– De qualquer jeito, não iríamos te culpar. Eles realmente eram assassinos. Você viu, não viu?
– Eu acompanhei aquela vida miserável de matança repleta de dinheiro. Era frustrante... Eu poderia ter morrido. Eu tentei não sei infeliz. Eu procurei o amor...
Kanri arrastou suas mãos sujas de sangue pela barriga de Joon até chegar ao seu pescoço, apertando-o. Seu pescoço estava todo costurado devido às facadas. Ela sorriu para o cadáver, porém voltou-se a chorar.
– Eu... Eu sou igual a quem eu mais odeio! Eu virei uma assassina, não virei?! Mas eu quero que tudo fique bem...
– Eu prometi que no final tudo iria ficar bem, Kanri! Eu irei cuidar de você! Por favor! –não resisti e comecei a chorar também.
– Não chore Helena. Tudo vai ficar bem. Agora, eu que te prometo. –ela sorria.
– Então venha até mim!
– Não posso. Já tirei a vida de Joon por causa dessa minha paranoia que eu achava que era amor... Eu sou uma assassina. Eu matei quem eu amava. Eu não podia imaginar ficar sozinha e pensar que meu amor foi em vão!
– Eu posso te amar, Kanri. Vou te amar como uma filha.
Agachei-me e abri os braços, sorrindo e olhando para ela. As lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto.
Ela sorriu de volta. Quando eu pensei que ela iria largar a faca de vez, ela voltou a levanta-la lentamente. Não dava para saber se era iria avançar em mim ou nela própria.
– Me desculpe Helena. Apenas pense, no final, tudo vai ficar bem... Obrigada.
– Não! Não! –me levantei e corri até ela.
– Se eu roubei, se eu roubei seu coração, tu roubaste tu roubaste o meu também... Se eu roubei, se eu roubei seu coração, é porque, é porque te quero bem... –essas foram suas últimas palavras.
Não cheguei a tempo. Kanri atravessou o peito com a faca, fazendo o sangue jorrar para os lados e sujar a grama de vermelho. Apenas cheguei a tempo para fazê-la cair em meus braços. Ela ainda estava de olhos abertos, respirando pela boca.
– Por favor, Kanri! Não! –comecei a chorar.
– Tudo... Vai... Ficar... Bem... –Kanri fechou os olhos lentamente, sorrindo.
– Kanri!
Comecei a chorar diante do cadáver da garota. Kamila se aproximou de mim com um rosto triste. Ela me abraçou, tentando me consolar.
Tudo vai ficar bem?
O Bosque da Solidão continua com o mesmo nome, mas agora foi reformado. Suas plantas estão agora verdes com uma cor viva. Flores coloridas foram espalhadas pelo gramado e os galhos das árvores cortados e bem tratados, deixando os raios de sol entrar no local. Pessoas iam frequentemente lá para caminhar ou passar uma tarde, era um lugar muito refrescante.
No centro havia dois túmulos e duas lápides. Em uma estava escrito Joon e, bem ao seu lado, estava escrito Kanri. As flores cresciam ao redor dessas lápides.
Enfrente disso havia uma placa onde estava escrito seguintes palavras;
“Bem Vindos ao Bosque da Solidão onde moram dois anjos que iram ficar juntos para sempre.”
Ao lado dessa placa havia mais outra com a letra inteira daquela canção.
Eu cheguei lentamente enfrente dos dois túmulos, me agachando. Coloquei delicadamente um buquê de flores enfrente de cada lápide.
– O bosque ficou lindo, Helena. Kanri iria adorar... –Kamila se aproximou de mim, colocando sua mão em meu ombro.
– Queria ficar com ela aqui...
– Mas você sempre pode estar com ela aqui. –Kamila sorriu.
Sim, ela tinha razão. Eu sempre irei ficar com Kanri aqui. Eu sempre irei vir até esse bosque.
Kamila sentou-se ao meu lado e tirou uma flor do gramado, colocando o meio das duas lápides. Ela começou a cantar aquela canção com uma bela voz.
Se essa rua fosse minha eu não teria derrubado tantos corpos assim.
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