Se Essa Rua Fosse Minha
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Qualquer erro, por favor, avise-me.
(desculpe, a primeira vez que postei esse capítulo deu algo errado que sumiu a pontuação, agora já arrumei)
Cinco anos atrás...
- Mamãe, olhe! Borboletas! –Kanri apontava para as borboletas amarelas que voavam em sua volta.
- Sim! Não são lindas, filhas? Lindas iguais você! –a mãe abraçava a filha.
- É claro que nossa princesinha é linda como uma borboleta! –o pai sentou ao lado da filha.
- Somos uma família de borboletas que amam esse bosque! –a garota fantasiava.
Os pais riram.
Eles estavam sentados na grama verde bem no centro, onde os raios de sol batiam diretamente e dava um brilho para as flores coloridas ao redor. As arvores e plantas estavam tão vivas, um verde belo!
- Filha, surpresa! –o pai colocou enfrente da filha um ursinho de pelúcia.
- Eba! Um ursinho de pelúcia! Era meu sonho! –ela pegou a pelúcia e a apertou forte. – Obrigada mamãe e papai! Eu amo vocês!
- Também a amamos! –eles disseram.
- Isso é importante, Kanri. Nunca se esqueça de amar alguém, certo? O amor é a felicidade! –a mãe sorriu.
- Certo! Sempre amarei!
- E sempre vai ser amada. –o pai concluiu.
A garota se tacou nos braços dos pais, que a abraçaram e fizeram cosquinhas nela. Os três riam. O pai pegava o ursinho e brincava com a filha.
- E qual o nome dele? –a mãe disse.
- Por enquanto nenhum. Na verdade, ele se chama Tudo!
- Tudo? Como assim?
- Por que ele pode ser qualquer coisa que a gente quiser!
- Ah, que criativa, minha querida!
Eles sorriam orgulhosos para a filha.
- Mamãe, papai, estou com fome... –ela bocejou também.
- Infelizmente, hoje não temos nada para comer... Amanhã vou comprar um pão, será que você pode esperar?
- Sim, eu posso. –ela sorriu.
- Então deite no meu colo, você parece cansada. –a mãe se aproximou da filha.
A filha deitou a cabeça nas pernas da mãe e ficou com o corpo esticado no gramado, era muito confortável. Os pais se olharam com um rosto triste por não ter comida, mas ao mesmo tempo sorriam por serem felizes.
- Se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar... –os pais cantavam uma canção para a filha.
Um ano depois (ficando quatro anos antes do caso atual)...
O segundo corpo caiu ao lado do cadáver. O sangue jorrava para os lados e sujava o gramado que agora não era mais verde. As facadas eram intensas, mesmo depois de mortos eles continuavam para ter certeza da morte. A faca foi fincada em baixo da pele da barriga que logo começou a se mover até abrir um grande corte. O corte foi aberto para os lados com mãos humanas dos próprios assassinos. De dentro eles tiravam os órgãos, cortando as veias que os seguravam. A mesma coisa foi feita com o outro corpo.
- Kanri, coloque no pote. –a mãe estendeu o braço segurando um rim.
- Mas... Eu não quero fazer isso, mãe. –os olhos de Kanri lagrimejavam.
- Faça o que eu mando, sua pestinha! –ela estava furiosa.
Kanri não disse mais nada ao lembrar que a mãe segurava uma faca e já estava nervosa, ela apenas colocou o rim no pote. Ela fez o mesmo com o resto dos órgãos.
- Se você chorar ou dedurar a gente, você vai acabar como esses dois corpos. –o pai guardou a faca e encarou a filha.
- Sim, papai... Eu entendi.
- Agora me de esses potes e vá direto para a casa. Leve os dois corpos. Quando terminar pode ir comer alguma coisa e se deitar. Se quiser ficar sem comer também, eu não ligo. Tanto faz, apenas faça o que eu mando. –o pai pegou os potes.
- Se não levar os corpos você vai comer um rim desses! Amanhã irei ver se fez certo. –a mãe mostrou o pote com o rim humano.
- Sim, mamãe...
Enquanto a garota arrastava os corpos segurando seus pés ela conseguiu ouvir os pais conversando enquanto se distanciavam em direção da casa.
- Iremos ficar ricos! –o pai comemorava.
- Sim! Vamos comprar tudo que sempre queríamos!
Os dois iam comemorando para casa.
“Eles mudaram... Eles só querem dinheiro...” Kanri pensava. “Mesmo assim eu não vou mudar. Vou continuar sendo eu mesma, irei amar todos como eles me ensinaram... Ser uma garota gentil e educada. Bem, eu espero continuar assim.” Quando ela ia chorar ela se lembrou da ameaça dos pais.
- Se essa rua, se essa rua fosse minha... –ela começou a cantarolar.
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