Se Essa Rua Fosse Minha
3 Capítulo III
Notas iniciais
Qualquer erro, avise-me! Sim sim, é uma fic bem simples para minha conta não ficar muito ausente e vazio, mas eu tentei caprichar mesmo assim em fazer um pouco de drama x3
Despedimos-nos rápido e saímos daquela casa.
- São ricos! –Kamila comentou enquanto andávamos.
- Sim, são mesmo.
- Não teve café!
- Kamila, acho que você tem que maneirar na cafeína.
- Concordo! –ela riu. – Vamos para a delegacia?
- Pode ir indo na frente, vou dar uma passada no bosque.
- Ok... Não se atrase! –ela se despediu e pegou o caminho inverso.
Caminhei até o bosque. Ele era muito assustador. Suas árvores eram enormes e tampavam a vista, deixando o caminho de dentro do bosque mais escuro. O bosque foi abandonado, ninguém mais ia lá, o que deixa sua atmosfera ainda mais sombria. O pior de tudo é que foi nesse bosque que começaram a aparecer os desaparecimentos das pessoas e logo depois os assassinatos. Foi assim que o Ladrão de Órgãos se manifestou.
Logo na entrada no bosque, em pé e olhando para dentro do local, onde as árvores cobriam e deixavam tudo escuro, havia uma garota. Ela usava um vestido vermelho e uma tiara na cabeça, também vermelha. Seus cabelos eram pretos, lisos e bem compridos. Seu rosto parecia de uma boneca, era realmente uma garota linda. Seus olhos azuis e fixados no bosque, ela estava bem concentrada. Ela estava abraçada com um ursinho de pelúcia, parecia um pouco velho, pois dava para perceber que foi remendado.
- Olá. –me aproximei, agachando para ficar a altura da garota. – Prazer, meu nome é Helena. –sorri.
- Olá... –ela me olhou, séria.
- Seu nome é Kanri?
- Sim.
- Belo nome. Eu fui à sua casa, mas você não estava. Seus pais me disseram que você poderia estar aqui.
- Á minha casa? Por quê?
- Estou investigando a morte de Joon e queria te fazer algumas perguntas. Posso?
- Joon... –ela abaixou a cabeça.
- Você... Gostava dele? –eu realmente não sabia o que dizer nesse momento, a garotinha parecia tão triste.
- S-Sim... Sempre... Gostei...
- Eu sinto muito pelo o que aconteceu, mas eu prometo que vou por o assassino na cadeia.
- Sério? Cuide de Joon também...
- Cuidar de Joon?
- Justiça.
- Ah sim, querida, eu sei. É isso o que eu faço da minha vida. –sorri novamente, porém ficava confusa às vezes com as palavras da garota. – Eu te prometo.
- Não gosto de perder alguém que amo... Queria que ele ficasse comigo para sempre.
- Ninguém gosta.
- Eu o amava. –ela disse de repente.
- Entendo...
- Entende? É triste, não é? Eu não pude fazer nada.
- Não pense assim, acho que ele não iria gostar de te ver triste. Sorria, certo?
- Ele gostava de mim também?
- Ele nunca te disse isso?
- Ele foi embora sem me responder... Isso é injusto. Eu o amava. Eu o amo.
Resolvi ficar um pouco em silêncio. A garota parecia bem abatida por causa da morte do garoto. Nunca vi uma criança de oito anos amar assim... Mas eu sei que é apenas um amor de criança, mas essa perda realmente não vai fazer bem para a Kanri. Eu senti tanta dó dela.
- Se essa rua, se essa rua, fosse minha... Eu mandava, eu mandava ladrilhar. Com pedrinhas, com pedrinhas bem brilhantes. Só pra ver, só pra ver meu bem passar... –Kanri começou a cantarolar.
- Essa é uma bela música, e sua voz é linda.
- Você acha? Obrigada. Eu amo essa música, meus pais cantavam sempre para mim quando nós vínhamos nesse bosque.
- Sim, eu acho. Mas, infelizmente, preciso ir pra casa. Se precisar de qualquer coisa, até mesmo alguém pra conversar, pode me procurar, certo?
- Jura?
- Sim.
- Obrigada! –ela sorriu, um sorriso extremamente lindo que me fez ficar feliz.
- Certo, quer que eu te leve pra casa?
- Não, obrigada. Eu gosto de ficar nesse bosque. Depois que meus pais pararam de me levar para cá, eles falavam para eu ficar aqui sozinha enquanto eles trabalhavam em casa. Ás vezes eu os ajudava.
- Tudo bem, irei te deixar ai. Não volte tarde para casa. Até!
Levantei-me e fui me afastando aos poucos de Kanri, mas logo pude ouvir a ela cantarolando.
- Nessa rua, nessa rua tem um bosque, que se chama, que se chama solidão. Dentro dele, dentro dele, mora um anjo, que roubou, que roubou meu coração...
Ela realmente tinha uma bela voz.
Aos poucos, já estava bem distante de lá, estava pegando o rumo para a delegacia. Logo que cheguei lá dei de cara com Kamila, com uma expressão preocupada.
- Kamila, o que foi? –a olhei, confusa.
- Helena! O corpo de Joon sumiu!
Engoli um seco na garganta. Esse não era um dos melhores casos que eu já enfrentei.
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