Notas iniciais
Bem, resolvi postar o capítulo dois também por ser um pouco mais longo~
Qualquer erro, avise-me!

Estava sentada em um banco próximo da calçada. Novamente, hoje fazia frio. A brisa gelada batia no meu rosto do jeito que me agradava. Eu apenas estava olhando para aquela rua e suas casas. Se não me engano, faz mais ou menos quatro anos que aconteceu tantos assassinatos brutais por essa rua, a Rua 12. E eu não pude fazer nada, nem sequer descobri o assassino, nem os corpos de todas as vítimas, nada. Foram assassinadas e seus órgãos retirados como se não fossem humanos, apenas animais.

- Bom dia. –Kamila sentou ao meu lado, interrompendo meus pensamentos.

- Ah, bom dia, Kamila. –a olhei, sorrindo.

- Já tomou café?

- Não.

- Vai querer?

- Não, obrigada.

- Ei, café da manhã é a refeição mais importante do dia. –ela me encarou.

Ri diante da infantilidade da jovem. Às vezes, era até divertido.

- Não se preocupe com isso.

- Claro que não, temos mais coisas para se preocupar, lembra?

- Sim...

A imagem do corpo do garoto assassinado e aberto voltou em minha mente, o qual teve seu coração roubado sabe lá por quem.

- Se tivemos sorte, pegamos o mesmo assassino de quatro anos atrás! –o olhar dela estava confiante e aquela frase soou com um ato de coragem.

- Mas nem conseguimos pegar ele quatro anos atrás, quem diria agora... –abaixei a cabeça.

- Como assim? Pode ser uma segunda chance para nós!

Ela ainda parecia confiante, já eu, nem tanto. Se eu não conseguir dessa vez, quantas vidas vão ter que acabar?

- Em primeiro lugar, isso não vem ao ponto. Vamos começar com as investigações. –tentei tomar um ato de liderança.

- Sim, Senhora! –ela colocou a mão perto da testa e riu.

Balancei a cabeça negativamente e levantei-me, segurando uma lista em minhas mãos e andando pela calçada. Nessa lista estavam todas as casas as quais deveria ir e as pessoas que deveria interrogar nos respectivos lugares.

Chegamos enfrente de uma escola antiga, onde a neblina era intensa. Porém, sua estrutura parecia bem reformada, mesmo assim dava para perceber muitas falhas. O pior de tudo era o excesso de silêncio no local.

- Macabro. –Kamila, como sempre, não conseguiu evitar fazer alguma observação.

Ignorei-a, mas eu iria dizer a mesma coisa. Comecei a caminhar lentamente para dentro da escola. Logo na entrada já era o pátio, e um pátio enorme. Figuras de giz espalhadas pelo chão, alguns brinquedos jogados em alguns cantos. Logo em frente tinha uma pequena escada e uma grande porta, possivelmente davam direto para as salas de aula.

Bati na porta e logo fui atendida. Uma mulher que aparentava ter uns cinquenta anos me atendeu. Entramos e cada uma sentou em uma poltrona, uma em frente da outra.

- Aceita? –a mulher levantou o bule de chá.

- Não, obrigada.

- Eu quero! –Kamila se manifestou.

A mulher colocou um pouco de chá na xícara de Kamila, que logo agradeceu. Eu me sentia envergonhada às vezes por alguns modos da minha assistente.

- Então, Senhora...

- Sandra.

- Sim, Sra. Sandra, prazer, meu nome é Helena e essa é minha assistente, Kamila.

- Prazer. –Kamila sorriu, lambendo seus beiços depois de dar um gole no café.

- Viemos aqui perguntar sobre Joon.

- Podem perguntar qualquer coisa, irei responder com honestidade. Eu amava aquele garoto, estudioso, animado, companheiro...

- Sinto muito pelo acontecido, vamos fazer de tudo para dar uma solução ao caso.

- Ficarei grata, assim como os outros.

- Mas primeiro preciso de sua ajuda. Como era o comportamento de Joon aqui na escola?

- Joon era um garoto normal, brincava, estudava e era educado. Mas, um problema dele é que ele era muito nervoso, perdia a paciência com qualquer um, o que fazia muita gente o corrigir. Ele também odiava gente insistente.

Logo que a mulher parou de falar olhei para Kamila, para ver se ela estava anotando tudo. Até agora, ela estava fazendo seu trabalho.

- E ele tinha algum problema entre colegas? –prossegui com as perguntas.

- Não, nada. Ele se dava bem com todos, garotos e garotas. Ninguém o invejava e nem nada do tipo.

- Quais eram os colegas mais próximos dele?

- Ele tinha dois melhores amigos, são irmãos gêmeos, Thales e Charlie. E tinha uma garota, Kanri.

- Amiga mais próxima?

- Sim, sempre via ela com ele, parecia que se davam bem. Ela às vezes andava junto com os gêmeos, ou se não ficava sozinha. Ela é uma garota tímida.

- Certo, irei até a casa dos colegas mais próximos de Joon. Obrigada Sra. Sandra. –levantei, despedindo-me.

- Eu que agradeço. Boa sorte, tomara que achem o assassino. –ela foi até a porta e a abriu.

- Bye-Bye! –Kamila se despediu também. – E o café estava ótimo!

- Obrigada, querida. –a mulher sorriu.

Saímos em silêncio, apenas andamos mais rápido até a próxima casa que era de Thales e Charlie, os gêmeos.

- Quanta pressa. –Kamila tentava me acompanhar.

- Só não quero ficar muito parada nessa rua.

- Medo?

- Não.

- Medo! –ela tentava me provocar.

- Pare. –a encarei.

Logo estávamos em frente da casa. Toquei a campainha uma vez e fui atendida por um homem alto.

- São as investigadoras?

- Sim.

- Pois não, entre. –ele sorriu.

Nos cumprimentados e entramos na casa. Uma mulher nos recebeu e fomos até a sala. Ela gritou o nome dos dois garotos que logo estavam sentados ao lado dos pais. Eram dois gêmeos loiros com algumas sardas espalhadas pelo rosto pálido.

- Aceitam café? –a mulher levantou o bule.

- Sim! –Kamila colocou a xícara perto.

Suspirei, tentando não comentar o ato da jovem. Francamente... Já é a segunda vez hoje! Ou terceira, vai saber se ela não comprou antes de vir me encontrar.

- Então, preciso fazer algumas perguntas.

- Á vontade!

- Bem... Na verdade, para os filhos de vocês. Tudo bem?

- Sim, claro. –um dos gêmeos respondeu.

- Queria saber a relação de vocês com Joon.

- Bom... –o mesmo continuou. – Nós éramos muito próximos desde que ele se mudou para aquela escola, nos dávamos muito bem. Mas claro que tínhamos amizades com todos os garotos da turma, porém acho que eu e Charlie éramos os mais próximos.

- Nunca tiveram problemas com algum garoto ou algo do tipo?

- Não, nunca.

- E Ka... –tentei me lembrar do nome. – Desculpe, esqueci o nome da garota.

- Kanri! –Kamila leu no bloco onde anotou.

- Isso, obrigada, Kamila. Kanri era amiga de vocês?

- Sim, também era uma amiga próxima.

- Tímida?

- Sim.

O garoto quieto, Charlie, ao lado do irmão, começou a perder um pouco de vergonha ao ponto de falar também.

- Mas ela gostava do Joon...

- Gostava?

- É, eu acho. Desde que o Joon entrou na escola ela era apaixonada por ele.

- Verdade, ela sempre elogiava ele para mim. –Thales afirmou.

- Certo... Bem, era só isso. Obrigada.

Despedimos-nos e fomos direto a próxima casa; a casa dos pais de Kanri.

- Não vamos visitar os pais do Joon? –Kamila perguntou.

- Depois, todos os assistentes já falaram com eles. Vamos conversar com eles quando formos procurar as pistas.

Assim, logo chegamos à respectiva casa. A casa era enorme e muito linda, foi a maior casa que vi naquela rua. Era realmente uma casa muito rica. Toquei a campainha no mínimo duas vezes. Uma mulher bem vestida me atendeu, sorridente.

- Policiais? Entrem!

- Com licença.

Entrei na casa. Era tudo muito grande, os móveis lindos e bem arrumados, carpetes limpos e cores escuras pela casa. Acho que essa família é rica, pois todos são muito bem vestidos com jóias.

- Sentem-se! –a mulher também se sentou ao lado do marido. – E então? Já conseguiram alguma coisa?

- Ainda nada, porém vamos conseguir! –Kamila sorriu.

- Tenho certeza. –a mulher retribuiu o sorriso.

- Queria saber sobre sua filha, Kanri. –fui direto ao assunto. – Ela é amiga de Joon?

- Sim, ela é.

- E como é sua personalidade?

- Bem... Infelizmente, ela é bem tímida, mas é educada, dócil, esperta e gentil. Uma menina perfeita!

- Nunca teve problemas com colegas ou algo do tipo? Ou com Joon?

- Nunca, te garanto.

- Certo... E onde ela está agora?

- Ah, acho que ela saiu, ela sempre vai dar uma volta por ai. Com certeza está no bosque.

- Ok... Bem, isso é tudo. Obrigada!

Notas finais
Até mais~ Prometo que não irá demorar.