Screams
2 Brooke e Audrey
Notas iniciais
— Audrey… — Brooke caminhou calmamente até as cadeiras postas perto da piscina, o olhar de Audrey era entediante e talvez Brooke estivesse bêbada, mas parecia que enxergava uma Audrey totalmente triste.
— Hei…— a garota de cabelos negros balançou a garrafa de cerveja com um pequeno sorriso no rosto.
— Eu não esperava vê-la aqui — observou Brooke.
— Então somos duas… Ei, bela máscara — apontou para a máscara que causava grandes arrepios em Brooke. — Grandes planos pra depois?
— Tentador… Digo, um cara vestiu isso para matar nossos amigos e o pessoal tratou como se fosse uma piada — sorriu tristemente.
— Isso porque normalmente as pessoas são nojentas.
— Eu sei! Até as que eu gosto… Emma me abandonou, Jake me espionava e o resto, bem, eles sumiram. Então, parece que você é oficialmente a minha favorita na festa — o sorriso dessa vez tornou-se maior e mais encantador, como um convite belo para coisas proibidas.
— Então não é exatamente um dia feliz na casa Maddox — brincou Audrey.
— Não — Brooke estalou a língua e voltou a falar. — O que a traz à minha festa insignificante?
— Eu encontrei algo que sugere que Emma está dormindo com o inimigo, mas ela não quis me ouvir e eu não quero ver.
— Não… Kieran não pode ser o assassino. Ele é bonito demais. Na verdade, Ted Bundy provou que beleza não anula insanidade.
— Verdade… Apenas não quero vê-la se ferir.
— Eu sei. Só está se preocupando com ela. É o que amigos fazem. Ou, ao menos, deveriam… — as sobrancelhas arquearam-se e pensamentos rápidos e nefastos passaram-se pela cabeça da jovem.
— Sabe, meio que gosto desse humano de verdade que está se tornando — disse Audrey, de repente.
A atenção foi totalmente atraída a garota de cabelos curtos e escuros. Brooke a olhou como se estivesse analisando sua possível presa.
— Está flertando comigo? — questionou, com um sorriso brincalhão.
— Você adoraria — respondeu Audrey, também sorrindo.
As duas se aproximaram, sentindo o cheiro de bebidas alcoólicas e cigarros baratos impregnados nas roupas. Brooke também reparou na pele bonita e macia que Audrey tinha e por um momento sentiu inveja, pois gostaria de ter uma pele como aquela.
— Olhe para a gente, estamos criando laços — murmurou Brooke.
— Amigas antes de garotos — brindaram com o copo vermelho de plástico e a garrafa quase vazia de cerveja, sorrindo como se estivessem esquecido tudo que passaram nos últimos meses.
— Vamos apenas não enlouquecer — rebateu Brooke.
— É, apenas não enlouquecer… — murmurou.
Audrey sentia a brisa gelada bater em suas costas como se estivesse a encorajando de simplesmente fazer o que queria. Por um momento Audrey quase se afastou, mas a aproximação repentina de Brooke foi o suficiente para que não estragasse aquele possível momento.
E o momento realmente aconteceu quando os lábios se tocaram, como se estivessem sussurrando palavras bonitas uma para a outra.
Brooke sentiu-se estranha mas muito bem. Naquela hora, não havia assassino, não haviam assassinatos e nem pessoas idiotas na sua casa.
Havia ela e Audrey. Haviam suas bocas geladas se tocando, até que ambas sentissem o gosto amargo da bebida.
Audrey sentiu cheiro de perfume caro, enquanto Brooke estava mais preocupada em fechar os olhos e apreciar o momento, do que sentir o cheiro de sua amante.
Mas aquele simples colar de lábios não durou por muito tempo.
— Gravou isso? Gravou a cena lésbica? — questionou um dos convidados de Brooke, olhando para o amigo e a câmera, como se estivesse feito algo histórico.
— Sai fora daqui, seu babaca — Audrey levantou-se e foi o suficiente para que ambos saíssem correndo e rindo.
E então um clima estranho estalou-se ali. Talvez fosse de vergonha ou talvez apenas estivessem digerindo a cena que ocorrera.
De qualquer forma, ambas sentiram-se felizes.
— Um brinde a todas as reviravoltas que estão acontecendo na nossa vida? — pediu Brooke, levantando novamente o copo de bebida.
— Um brinde a nós! — os copos bateram-se mas não transmitiram nenhum barulho.
Elas beberam novamente e, sei ainda se lembravam, também haviam se beijado algumas outras quatro vezes.
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