Notas iniciais
Voltei. Para quem ainda está aí!

Acordei com uma sensação estranha. Algo de errado aconteceu. Olhei para a foto na cabeceira da cama e vi Emmett sorrir para mim. E até seu sorriso parecia estranho.

Você está delirando, Bella. Pensei.

Tomei um banho demorado. Eu sabia que ainda tinha tempo até a aula começar. Eu sei que não sou a única a odiar segundas-feiras, mas hoje até o ódio estava diferente. O cheiro do meu shampoo, a macies o meu cabelo, a textura da minha pele. Tudo.

Algo está errado.

Passei a mão no espelho embaçado e olhei nos meus olhos. Aquilo era... alegria? Não... Não pode ser. Não pode ser de jeito nenhum. Fazia um tempo que eu não me via assim. Até o espelho estranhou.

Ri de minha piada. É. Eu ri. RÁ.

Fui para meu closet animada. Peguei um shorts. Fazia tanto tempo que eu não usava um. Ele é preto com spikes, curto. Acho que ninguém nem lembra de como são minhas pernas. Vesti um top preto por baixo da regata branca. Calcei meu All Star colorido, que na verdade estava mais para preto de tão sujo. Meus pulsos cortados estavam cobertos de pulseiras. Nada como um bom disfarce.

Meu cabelo preto, e roxo, e azul, e rosa, estava preso em um rabo de cavalo alto. Passei base embaixo dos olhos para a esconder a profunda olheira que, eu sabia, não sairia tão fácil assim. Olhei no relógio e vi que estava um pouco tarde. Atraso outra vez, não.

Corri pelas escadas, passei rápido pela cozinha escolhendo uma maçã qualquer enquanto ouvia os "filha, espere" dos meus pais. Subi na minha moto preta, ligando rapidamente.

"Vamos, linda," eu pensei para minha moto, "eles estão chegando aqui". E, com esse pensamento animador, ela ligou. Cheguei nos 80km/h em alguns segundos, sorrindo para o vento. Estacionei em qualquer lugar, me certificando de que ninguém chegaria perto dela.

Andei pelos corredores. As pessoas me encaravam e sussurravam. Será que eu tinha esquecido de depilar minhas pernas? Olhei para elas e não... Estava tudo okay.

"Será que tem ela é uma aluna nova?" O sussurro chamou minha atenção. Quem? Eu? Olhei para os dois garotos de onde veio o sussurro. Ignorei. Eu sempre ignorava. Fui até o meu armário e o sussurro "ela vai arrumar uma briga com a Swan" me deixou intrigada. Será que ninguém sabia mesmo quem eu era?

Abri meu armário que logo se fechou. Uma mão delicada e pequena se apoiou na porta de metal.

– Com licença, garota. Esse armário aí já tem dona, e, pelo que eu saiba, não é você. — Alice me olhou, brava.

Eu sorri, sarcástica.

– E a dona é você, nanica?

– Olha aqui. — Ela já estava abaixando o nível. Eu quase ri. — Só tem uma pessoa no mundo inteiro que eu deixo que me chame de "nanica". Você não é essa pessoa. — Ela quase gritou. — E qual é o seu nome?

– Bella Swan. — Eu estendi minha mão em sua direção. — Você deve ser Alice Brandon. Ssinto muito pelo alvoroço.

Alice gritou, chamando — mais — a atenção das pessoas para nós.

– Não a-cre-di-to! — Ela me olhava de cima a baixo. — Mas o morro te fez bem, hein, amiga? — Ela estava aminada, como sempre. Alice... — Agora que já recuperei do choque de te ver de shorts outra vez vamos às novidades, umas não tão boas quanto outras. Qual você quer primeiro? As boas ou as péssimas?

– As péssimas. "Best for the last" — Eu sempre dizia isso.

– Claro. — Ela suspirou, trocando a expressão animada por uma de pesar. — Ontem a noite, Rosalie foi encontrada morta em seu quarto. Jasper me chamou e o enterro vai ser hoje. Você tem que ir comigo.

– Por que? — Eu estava chocada.

– Porque ao lado do corpo dela tinha um bilhete. E no bilhete estava escrito "Emmett, estou chegando".

Engoli em seco, segurando minhas lágrimas.

"Aqui não, Isabella. Aqui não."

Assenti devagar.

– As boas noticias, por favor. — Eu precisava de distração. Alice entendeu.

– Jasper me pediu em namoro no sábado. Dois alunos novos na escola. E... — Ela continuou falando. E falou até o ultimo sinal do dia. — Não esquece que o enterro é às 18 horas, Isabella. — Ela só me chamava de Isabella quando falava sério. Eu não poderia faltar nem se eu morresse.

Passei correndo em casa, deixando minha moto pegando um pacote de traquinas e minha bicicleta. Corri para minha montanha. Analisei o topo da ladeira com mais interesse do que no dia anterior. Aquele pedaço de terra ainda seria meu.

Desci gritando como uma louca. Os paralelepípedos batiam nos meus pneus e eu nem me importava mais. Eu sorri entre um grito e outro. Quando eu cheguei perto das casas, fui interrompida por um outro grito bem... másculo.

– Ah, não, garota, você não vai gritar todo dia na frente da minha casa, não. Por que toda vez que eu vou para um lugar calmo alguém aparece para estragar? — Ele disse, me assustando por completo.

Ou seja, eu freei a bicicleta para olhar em seu rosto, mas apertei o freio errado e o pneu da frente parou. Voei para frente, sendo atropelada pela bicicleta e batendo a bochecha direita e meus dois joelhos no chão.

Que legal!, pensei sarcástica.

É, eu parei nessa linda posição. A cara no chão e a bunda para cima. Eu mereço.

Senti a bicicleta ser tirada de cima de mim. A mão da pessoa tocou minha coxa, subindo pela minha bunda e parando nas minhas costas.

– Dá licença? — Eu perguntei irritada, tentando levantar.

Péssima ideia.

Parei ajoelhada na frente de um homem... lindo. Quero dizer, decidam vocês mesmas: os pés descalços, uma calça de moletom cinza, sem blusa (abdômen definido), queixo quadrado, lábios finos e bem desenhados, nariz reto, olhos verdes e cabelos meio ruivos, meio loiros, completamente bagunçados.

Percebi que analisei o homem com os olhos e agora, seus lábios finos sorriam torto.

– Desculpe se te assustei, Senhorita...? — Ele deixou a pergunta no ar.

Espera, foi ele que gritou e me fez cair?

– Senhorita o caramba, eu me machuquei por sua causa, seu idiota. — Eu estava bem irritada agora.

Ele pegou meu pulso, também irritado, e me levantou bruscamente. Eu gemi de dor. Joelhos, bochecha e pulso. Não seria, então, muita dor para eu aguentar em um dia?

Mas eu já não passei por coisa pior?

Notas finais
Dicas? Sugestões? O que acharam? Tell me, baby. Kisses, L.