Notas iniciais
Hi people.

Antes que eu pudesse perceber o que estava acontecendo, fui empurrada escada acima e logo estava debaixo de um chuveiro fervendo, as roupas grudando ainda mais no meu corpo molhado, o cabelo liso colado nas bochechas, parando de tremer um pouco, mas ainda me abraçando, porque nem mesmo água quente para juntar e colar todos os meus pedaços outra vez.

Mãos fortes e gentis me sentaram no chão morno e me ajudaram a tirar as roupas pesadas que faziam eu me sentir 200 quilos mais pesada. E tinha que computar o fato de eu me sentir no fundo do poço, o que só aumentava a minha percepção de peso. Suspirei quando percebi que minhas lágrimas se misturaram com a água do chuveiro e não eram mais as únicas a se preocuparem em me tocar.

Quando eu realmente percebi onde estava, me vi sentada em uma cama king sise, vestindo apenas minha roupa intima, com o estranho da ladeira passando um moletom enorme pela minha cabeça como se eu fosse uma boneca. Me assustei comigo mesma.

Onde você se meteu, Isabella?

Uma calça de algodão também foi colocada em minhas pernas, me mantendo aquecida. Aquelas mãos me levantaram como um bebê e me levaram perto de uma lareira.

– Fique perto do fogo. Você vai ficar bem. — Sussurros. Eu gostava daquela voz. Mas ela era mais forte, mais autoritária que aquilo. Será que o cara era bipolar? Divaguei por mais um tempo, que não soube precisar, entrei em um tipo de estado vegetativo. Vaguei para o fundo da minha mente, passando pelos rostos conhecidos que não poderiam ter me abandonado. Não deveriam ter me abandonado.

O primeiro foi o de Emmett, ah, meu lindo irmão, o que nós fizemos?; meus pais apareceram de forma igual, um ao lado do outro, e eu quase sorri ao ter a imagem clara do meu aniversário de sete anos, a ultima lembrança boa; vovó Swan, tomou veneno duas semanas antes de Emmett se enforcar; tio Carlisle e tia Esme, foram embora de Forks antes de eu completar dez anos, nunca voltaram.

Seria eu tão miserável a ponto de ninguém querer ficar ao meu lado? Claro que sim, Isabella. Vai ver suicídio é genético.

Então, como um clarão, o rosto desse estranho e prepotente homem apareceu no fundo dos meus olhos fechados. Um sorriso torto de matar, de parar corações e pernas. Vestindo seu moletom cinza. ele estava... me ajudando?

Abri os olhos bruscamente, tomando conta de que vestia um moletom masculino, o rosto molhado de lágrimas, os braços cruzados ainda segurando meus pedaços soltos, o queixo apoiado nos joelhos. Eu estava sozinha num quarto enorme, uma coberta cobria meus ombros e meus pés frios.

Ele não desistiu. Por que, raios, ele não desistiu? Todo mundo sempre desiste. Suspirei. Nessa hora, com outro moletom cinza, Edward entrou no quarto. A expressão séria também demonstrava preocupação. Comigo? Ele trazia um prato fundo com as duas mãos. A fumaça mostrava que estava realmente fervendo. Ele apoiou o prato no criado mudo e veio até mim. Se aproximou lentamente, como se eu fosse atacá-lo, ou como se eu fosse um animal enjaulado. Esticou sua mão esperando que eu a aceitasse, mas eu não consegui esboçar nenhuma reação. Eu ainda estava entorpecida pelo pesar e tristeza de anos que resolveram aparecer hoje.

Ele veio mais perto e, vendo que eu não fugiria ou algo do tipo, me pegou no colo e me colocou em sua cama. Deu um sorriso que não chegou aos olhos. Me fez comer a sopa, o que não foi sacrifício, já que o pão que tinha comido já fazia um tempo. Falando em tempo, há quanto tempo eu estava naquela casa? Naquele estado? Com aquele homem?

Entreguei o prato e sussurrei um "obrigada" com a voz rouca de tanto chorar e soluçar. Seu sorriso foi mais verdadeiro desta vez. Colocou o prato em qualquer lugar e me fez deitar. Se deitou do meu lado, tentando se aproximar mais, mas eu já estava no meu limite. Coloquei uma mão entre nós, limitando a aproximação.

– Você vai me contar? — Ele sussurrou para não quebrar o silêncio bruscamente. Eu balancei a cabeça. Não. Fechei os olhos por dois segundos. Não agora.– Não quer conversar? — Continuei quieta. — Eu sei que você fala, Isabella. — Ele me encarou, sério. — E vai ter que me contar, você sabe. — Balancei a cabeça, levantando o queixo. Não se eu não quiser. Ele pareceu gostar da minha reação. Como se, por um segundo, eu tivesse voltado ao normal. Ele descruzou meus braços e me senti desmoronar. Olhei para ele, novas lágrimas nublando minha visão. — Não, não, não. Está tudo bem.

Ele me confortou e eu tive a certeza: ele era bipolar. Quase ri com o pensamento. Homem estranho. Possessivo e cuidadoso. Autoritário e malicioso. Calmo e curioso. Mas hoje meus lábios não saberiam sorrir. Nem com ele, nem com Alice.

Ele continuou falando aos sussurros tentando distrair minha mente dos pensamentos suicidas e auto depreciativos:

– Sabia que eu sou um escritor? — Eu neguei. — Fugi da minha casa em NY, depois da minha casa em Chicago, depois da minha casa em Seatle, só para encontrar uma paz que não encontrava em nenhum deles. Todas as casas são isoladas, mas, sempre que eu me instalava, aparecia um vizinho ou algum nativo e ouvia musicas altas, gritava no telefone, brigava com a esposa. Sei lá. Sempre tinha alguém para atrapalhar. — Ele deu um sorriso fraco. — Por isso fiquei tão bravo por você estar gritando na minha rua ontem. Minha mãe decorou essa casa. Fez questão de deixar explicita a felicidade da nossa família. — Ele balançou a cabeça. — Foi demais para você, não foi? — Eu assenti fracamente. — Eu percebi. Sabia que seus olhos são lindos? São meio... únicos. Não decidi que cor eles são ainda...

E ele se manteve falando por tempos, sem me deixar perceber se haviam se passado minutos, horas, dias ou semanas. Ele sorria de vez em quando. Eu me fascinava por suas histórias felizes e estranhas. E, por saber que ele é um escritor, não soube diferenciar o que era verdade e o que era invenção. Isso só aumentou minha admiração. "Um bom escritor é aquele que acredita nas próprias histórias".

De tempos em tempos, ele nos mexia, mudava nossa posição, me acomodava. Nos levou até a sala — continuou falando -, pegou comida na cozinha — ainda falando -, mostrou a capa de seus livros, mostrou os seus preferidos. Olhei pela janela da sala e fiquei preocupada por ver a escuridão. Procurei um relógio. 21:58. Quis levantar e ir embora, mas lembrei que ele ficaria para trás e achei que não seria justo. Como não foi justo comigo quando todos se foram.

Levantei voluntariamente pela primeira vez desde que cheguei ali, andei até ele e me inclinei em sua direção. Ele parecia meio chocado, mas ficou devidamente parado. E, então, sorriu quando sentiu meu beijo em sua bochecha. Suspirei e voltei ao sofá. Me deitei sem vontade de sair daquela casa, e de perto do dono dela. Vi ele passar pela porta da cozinha e trazer mais coisas para comer. Doces e sorvetes desta vez.

Ele apoiou minha cabeça em sua perna.

Ele cuidou de mim.

Ele estava ali.

E ficou até que dormir.

Notas finais
E ai? O que acham? Eu amei escrever esse cap. Comentem e recomendem, docinhos. Beijos, L.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.