Scorpius & Rose (vol. 2)
15 Capitulo 14 - A bastarda dos Malfoy
Notas iniciais
Scorpius & Rose
Capitulo XIV — A bastarda dos Malfoy
Tinha caído no sono mais uma vez, Draco havia lhe dito que isso era um efeito colateral raro da poção que ela estava tomando, que provavelmente tinha surgido por causa do desequilíbrio hormonal em que Rose se encontrava visto a sua situação. Quando voltou a abrir os olhos, o cenário havia mudado drasticamente. Parecia manhã, embora nuvens grossas e pesadas escondessem qualquer vestígio de sol, tudo que tinha era uma garoa fina e fria. O salão podre tinha sumido, ela estava ao ar livre agora, em uma clareira fantasmagórica. Seus pulsos e tornozelos estavam presos a uma mesa de pedra em uma das extremidades do gramado morto, a frente haviam cinco pessoas, encapuzadas e ajoelhas de costas para ela, e então a vegetação rasteira se estendia a diante, no entanto, atrás não havia mais nada além de árvores podres. Os cinco ajoelhados gemiam em socorro, provavelmente de bocas amordaçadas por debaixo dos sacos de pano. Rose se contorceu, mas isso só servia para marcar seus pulsos com o próprio sangue.
Além dos gemidos de socorro, apenas o vento suava ruidosamente, em todo o resto era silêncio. Nada é mais gritante do que o som do silêncio.
Rose Weasley só não sabia que na extremidade oposta a sua, para além das árvores haviam uma série de homens ajoelhados desde o início da madrugada atrás dos troncos negros, observado o perímetro com suas varinhas em punho. Eles assistiram calados enquanto todo o circo estava sendo montado, eles viram quando ela foi presa a mesa por bruxos vestidos de negro da cabeça aos pés.
— Ela está acordada, caramba – sussurrou Scorpius, seu coração a mil.
— Isso é um bom sinal – disse Harry abaixado mais à frente. Seu tom era sombrio. – Eles ainda não reapareceram, mas os prisioneiros não estão sozinhos lá. Teddy, preciso que você faça um resumo.
A primeira equipe tática do Serviço Secreto Bruxo era a que estava reunida ali, liderada pelo General Potter, Ronald Weasley e Teddy Lupin, o aurores de elite do Quartel. Mais cinco soldados seguiam suas instruções, posicionados logo atrás, de ouvidos atentos ao que seria dito. Dois deles eram Scorpius Malfoy e Albus Potter, ambos não sabiam o que era respirar desde que assumiram posição. O medo os assombrava, mas quisera eles que fosse terror da missão e não de quem dependia do sucesso dela. O sistema gerara um único objetivo para aquele trabalho: eliminar a ameaça para a comunidade bruxa antes mesmo que a mesma tivesse conhecimento do ocorrido. O que quer dizer que não importava, para o sistema, o valor dos sacrifícios. Como aurores, tal objetivo era tudo o que interessava, porém, havia coisas em jogo demais para eles, para todos eles. Tornou-se impossível separar o pessoal do profissional.
— Até onde sabemos, sete pessoas sumiram nos dois últimos dias – começou Teddy. Todos da equipe estavam conectados através de minúsculos pontos de magia presos aos tímpanos, tornando o som hipersensivel para vozes previamente programadas. – Rose Weasley e Draco Malfoy foram vistos por último há dois dias no St. Mungus; Olívia Thompson sumiu na noite do mesmo dia próximo a entrada trouxa do Ministério e mais quatro alunos de Hogwarts desapareceram pelos arredores da escola há poucas horas atrás. No nosso campo de visão, há seis prisioneiros. Reconhecemos um deles como Rose Weasley e, aparentemente, quatro dos encapuzados são alunos se considerarmos o fardamento, mas não há especulação para o quinto e não localizamos o sexto. Segundo McGonagall, Lysander Scamander, Tory Thomas, Lilian Potter e Lara Finnigan são os alunos desaparecidos. Acreditamos que os motivos...
Então algo explodiu bem atrás deles, o impacto inclinou os troncos envelhecidos violentamente e jogou os aurores para dentro da clareira. Rose virou a cabeça para a fumaça e quando ela se dispersou, seus olhos estavam presos aos de Scorpius.
O mundo parou de girar no ritmo habitual, arrastando-se desde então.
Ele ia se levantando, como um reflexo do ataque, mas em nenhum momento ele a deixou. Ambos estavam fora de orbita, não havia mais nenhum som, apenas os olhares. Não viram quando a clareira foi cercada por bruxos vestidos em negro e de faces escondidas atrás de mascaras. Tudo o que eles viram foi um alivio estranhos e assustador de que os dois ainda estavam vivos, no entanto, o ainda era como uma faca afiada em seus pescoços.
— Chegaram bem na hora! – uma voz estridente surgiu de algum lugar. Scorpius não estava prestando atenção até a fonte do som se posicionar na cabeceira do altar, com a mão enluvada sobre o cabelo de Rose. O loiro ameaçou avançar, até que a outra mão apontou uma varinha prateada pra cabeça da ruiva – Mecham-se e os miolos dela voaram num belo show vermelho.
Rose rosnou, Scorpius congelou.
— Eu deveria saber – o tom debochado de Ronald Weasley surpreendeu a todos. Ele não falara por horas a fio e agora parecia tão... tão... calmo.
— Não blefe seu traidor de sangue, é a cabeça da sua filha que está nas minhas mãos!
— É um show até bonzinho vindo de alguém como você. Não posso deixar de mencionar que estou impressionado, Kieran – o ruivo continuou, sem se abalar.
Kieran? Quem diabos era aquela mulher, por Merlin?!
Albus observava a tudo em silêncio, olhando ao seu redor discretamente. Eles estavam numa posição ruim; cercados e acuados no centro da clareira, incapazes de se mexer. Os bruxos em negro apontavam suas varinhas para eles, mas teve que franzir as sobrancelhas quando percebeu a ausência de segurança nos mesmos enquanto faziam isso. Eram aqueles mesmos amadores idiotas que mataram sua tia e sequestraram suas garotas?
— Não os subestimem – avisou Harry num sussurro direcionado só para o filho. A percepção e perspicácia era, aparentemente, de família.
— Não seja tão apressado, o show mal começou! – Kieran eram uma mulher afinal, pálida e cabelos curtos, tão brancos quanto sua pele. Com um giro ao leu da própria varinha, sua máscara e capuz cederam ao passo que os sacos que cobriam a cabeça das vítimas ajoelhadas voaram para longe.
Draco Malfoy, Lysander Scamander, Tory Thomas, Lilian Potter e Lara Finnigan estavam amordaçados. Os últimos quatro tentaram gritar, inutilmente, e Albus teve que obrigar cada célula do seu corpo a ficar quieta. Os punhos de todos do esquadrão fecharam-se por debaixo das mangas de couro. O médico, percebeu o filho dele, estava marcado por manchas roxas por quase todo o lado direito do rosto, parecia prestes a desabar.
— Eu não tenho o dia todo, Kieran! Falta uma! – Harry sibilou.
— Oh, é claro, o General é muito ocupado! Você fala de Olívia?! Querida, por favor, não vamos deixar nossos convidados esperando.
Olivia Krum surgiu das sombras e ficou no outro lado vago da mesa de pedra, aos pés de Rose, sorrindo cinicamente.
— Como você ousa, sua vaca asquerosa?! – Rose falou pela primeira vez, ou melhor, gritou. A força em sua voz fez o coração de Scorpius aquecer um grau.
— É claro! Você tem uma espiã, conte-me uma novidade! Por que os supervilões não tem mais criatividade hoje em dia?! – Ronald continuou com seus alfinetes.
— O que ele espera com isso? – perguntou Scorpius num sussurro quase rouco.
— Ganhar tempo – foi Teddy quem respondeu, fazendo Harry fechar a boca.
Um grito ensurdecedor ecoou pela floresta. Dor e agonia, era tudo o que podia ser ouvido. O som era áspero, seco. Era Lilian Potter, contorcendo-se ao efeito de Crusius sobre a grama morta.
— LILIAN! – Rose gritou, enfurecida. A suas mãos rasgando-se nas fechaduras.
Albus tentou correr, mas o braço do pai o manteve onde estava.
— Mas que porra está acontecendo?! – Al gritou, perdendo a paciência.
Lilian calou-se, ou melhor, só lhe restara gemidos baixos e sofridos.
— EU NÃO ESTOU BRINCANDO, SEU TRAIDOR! Toda sua raça é uma afronta para a pureza da magia! Se vocês acham que nos calaram quando mataram o Lorde das Trevas, fico feliz em informa-lhes que não! – Kieran vociferou. – Há uma coisa boa em ser bom e isso quer dizer que você jamais conseguiram ser tão extremos quantos nós e por isso, até que mantenham um único homem que acredite na magia pura vivo, a ideia de milorde continuará a ecoar!
— ERA SÓ ISSO, KIERAN?! Você montou esse circo todo para dizer que a Era das Trevas voltou?! Você tem pelo menos ideia da grandeza disso tudo?! – Harry rebateu, o ódio transparecendo na sua fala. Eles não estavam mais blefando. – Então os solte! Liberte-os e saia por aí mantando trouxas e sangues ruins!
— Eu já o fiz, mestiço imundo, ou você acha que a morte daquela sua amiguinha sangue-ruim foi um acidente?!
— Bem pensado é que não foi!
— O que você quer dizer... – Kieran quase deixou-se levar – Esqueçam! Você não vai me enganar de novo!
— Então por que Rose?! – Foi a voz de Scorpius, alta, glacial, cortante como a do pai. Rose não o olhou, estava concentrada demais no que estava fazendo, o loiro tinha visto e estava ganhando mais tempo.
— Ah! Eu quase havia me esquecido de vocês... Scorpius Malfoy... – ao dizer o nome do garoto, a língua de Kieran dançou mais do que realmente o necessário em sua boca – O ex herdeiro de Lucius Malfoy, a família que mais me interessa nessa brincadeira. EX SIM, porque eu não sou idiota e nem tenho uma espiã atoua! Ou você acha que sua namoradinha medíocre estaria nessa mesa se não carregasse o seu bebê?!
— Do que você está falando?!
— DE CORTAR O MAL PELA RAIZ! Não permitirei que o próximo herdeiro dos Malfoy nasça com o sangue manchado por essa corja impura! Se foi negado a mim essa posse, será negado ao seu filho mestiço também! – clamou Kieran! – EU SOU UMA BASTARDA, MEU CARO! A BASTARDA DE LUCIUS MALFOY.
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