Daphne, Fred, Velma, Salsicha e Scooby estavam sentados no sofá em frente a janela, encarando os policias irem de um lado ao outro.

Os pais de Dpahne e o prefeito conversavam nervosos com os policiais e i controle de animais que foram chamados para analisar o local.

— Ainda acham que não vale a pena investigar? — Velma pergunta, com a voz fraca encarando o vestido arruinado pela enorme quantidade de sangue.

— Eu vi como aquilo me olhava. Era... Raiva, pura raiva. Talvez seja só um animal, mas aquela mulher perdeu um braço e precisamos ter certeza do que ela viu. — Fred engoliu em seco, encarando a poça de sangue.

— Isso é muito assustador. Sério, eu vou acabar me mijando todo, eu odeio lobos. — Salsicha diz, abraçando as pernas.

— Hey. — Fred segurou a mão cheia de sangue seco de Daphne, e ela continuou encarando o sangue em seus sapatos. Ela odiava sangue. Era sinal de morte. — Você está bem?

Ela negou com a cabeça, e Fred a fez olhar pra ele. Seu rosto tinha vários respingos de sangue, e os olhos cheios de lágrimas.

— Estou assustada. — Ela sussurra, respirando fundo. Não chore, Daphne Blake.

— Eu também. — Fred diz, antes de limpar uma gota de sangue maior.

— Tivemos muita sorte. — A voz de Ulrich os faz levantar os olhos, e encara-lo. — Esse era um ômega.

— Um ômega? — Salsicha pergunta, confuso.

— Um lobo solitário. — Velma explica, entendendo o que o homem quis dizer.

— Lobos atacam em matilhas. Esse veio sozinho. Tivemos sorte de não ser uma matilha inteira. Muita sorte.

— Já estudou o comportamento de lobos? — Velma pergunta.

— Sim, por um tempo. Eles não habitam essa região. Não tenho ideia porque está tão longe de casa. Devia saber sobre seus ancestrais, Scooby.

— Ancestrais? — O cachorro pergunta, arqueando uma sobrancelha.

— O detalhamento genético do lobo cinzento mostra que ele é ancestral do cão doméstico.

— Não. Aquilo não era um lobo cinzento. — Fred diz.

— O que?

— Era enorme. Escuro. Olhos vermelhos. — Ulrich o encara, estupefato.

— Esse lobo não é daqui. Alguém trouxe ele. — Eles arregalam os olhos, e observam Kösker passar as mãos no cabelo. — Vou fazer algumas ligações. Talvez vocês consigam descobrir quem o trouxe, vocês não são a Mistério S.A?

— Somos. — Velma concorda, pensando.

— Então o façam. Rápido. Ou haverá mais sangue derramado. Muito sangue derramado.

— Não é só captura-lo? — Fred pergunta. — Com uma armadilha.

— Depende. — Ele olha o relógio. — Mas talvez não.

— Temos que falar com a mulher, quando ela melhorar. — Velma diz, olhando os amigos.

— Temos. — Fred concorda. — Vamos tirar esse sangue de você, okay? — Ele segura a mão de Daphne, a fazendo levantar. — Vão pra casa. Se recuperem disso. Nos vemos amanhã.

Eles assentem, e Fred os deixa levar a maquina de mistério para deixar Velma em casa e estacionar na do Salsicha.

— Você está bem mesmo? — Fred pergunta, subindo as escadas segurando sua mão.

— Sim. Vou ficar. Foi só o choque. E você?

— Vou ficar quando vocês não correrem mais risco. — ela assente.

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— Salsicha dirige muito mal. Se chegarem aqui com a Máquina intacta, vai ser um milagre. — Daphne diz, sorrindo.

Os dois esperavam os amigos em frente a mansão dos Blake, que logo surgiram no fim da rua. Ela arrancava e parava algumas vezes, invadindo a outra pista e o passeio, enquanto os risos de Scooby eram ouvidos do outro bairro.

— Gente. — A ruiva ri.

Fred faz uma careta, e assim que ele estaciona, assume o lugar do motorista e Daphne senta atrás.

— Ô diabo, eu não sei dirigir direito não.

— Tem razão, Salsicha. — Velma diz, encarando a parede de olhos arregalados, completamente agarrada ao cinto. — Graças a Deus, Fred.

Ele ri, dando partida.

Rapidamente eles chegam ao hospital, e a recepcionista os deixa entrar até o quarto dela.

— O nome dela é Ann De Layue. Conhecida da minha mãe, ela é da França. Tem uma empresa de roupas aqui. Não é muito grande, mas ela tem herança. — Daphne explica, encostanto na parede do lado de fora do quarto. — Não tem nenhum familiar próximo, alguns amigos, ela é meio... Anti-social. Tem 41, um chiuaua... É, acho que só.

— É suficiente. — Fred diz. — Quem vai entrar?

— A inteligente para fazer as perguntas certas. — a ruiva diz, e todos olham para Velma.

— Tem certeza que é uma boa idéia? A Velma é meio... — Salsicha diz.

— Invencível? Grossa? — Scooby completa, e ela revira os olhos.

— Ela perdeu um braço, vou ser gentil com ela, prometo. — Ela respira fundo, e entra.

A mulher é pequena, com cabelos vermelhos escuros, com algumas rugas e manchas de pele de idade. Seu braço esquerdo era apenas um cotoco, envolto por fachas brancas.

Velma se senta, e ela acorda.

— Quem é você?

— Oi, senhora De Layue. — Ela se lembra das palavras de Salsicha. Invencível. — Sou Velma Dinkley, da mistério S.A, aceita responder algumas perguntas? São bem simples, coisa que a polícia provavelmente já fez.

— Estou cansada. — Ela vira o rosto.

— Entendo... Só queria ajudar na busca do animal que a feriu, eu e meus amigos não somos policiais, somos detetives do suposto sobrenatural, e queremos investigar...

— Sobrenatural?

— É, tipo, monstros, vampiros. No fim sempre achamos o ser humano por trás disso, e resolvemos o mistéri...

— Então vai acreditar no que eu disse pros policiais? Riram de mim, e disseram que é estresse pós traumático, mas eu sei o que vi.

— Então comece do começo.

— Certo. — Ela se acomoda, olhando-a com os olhos azuis claríssimos. — Eu saí para fumar, odeio jantares assim. Eu ouvi uma movimentação estranha, não saí muito de perto da porta. — A sobrancelha de Velma se ergue. — E quando vi, algo surgiu atrás de mim. Estava escuro, mas sei o que vi. Era alto, e a medida que eu ficava mais aterrorizada ele mudava. Os pelos cresciam mais, as orelhas, as garras, e eu sabia que era um monstro, um animal enorme. Mas vi que ele usava calças jeans. Seus olhos eram vermelhos, pelo escuro como breu, e eu estava petrificada, aterrorizada. Um dos terrores de Baía Cristal, bem na minha frente, e eu achei que ia morrer. Até que ele diminuiu um pouco e se transformou num lobo pouco menor que eu. E quando tive forças para gritar, ele arrancou meu braço. Não lembro de nada depois.

Velma a encarava, pensando e anotando mentalmente.

— Eu acredito em você, Ann, e vamos achar o homem que fez isso com você.

— Obrigada. De verdade. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — É tão difícil.

Ela começou a chorar, e agarrou Velma num abraço. Ela fez uma careta assustada, e deu alguns tapinhas de consolo em suas costas.

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— Pai do céu, um lobisomem que vira lobo gigante? Tipo os do Crepúsculo? Ah, não, não vamos nos meter nisso! — Salsicha diz, e Scooby entra debaixo dos seus braços, tremendo e tapando os olhos com as mãos.

— Concordo com o Salsicha.

— Vocês aceitariam por um biscoito Scooby? — Daphne sorri, tirando um pacote da bolsa.

— Tentador. Mas nem que São Jorge desça do céu. — Salsicha diz, e Scooby cruza os braços.

— Hãhã. — Scooby concorda. — Viu o que ele fez com a Senhora Ann?

— Tem razão. E o pacote todo? — Ela diz, e os dois arregalam os olhos.

— Agora mesmo. Vamos investigar! — Scooby comemora, tirando o saco da mão dela.

— Continua falando, Velma. — Salsicha diz, comendo vários de uma vez.

— Que nojo, Salsicha.

— Enfim. — Velma continuou a falar. — Eu encontrei um pequeno furo na fala dela... ela disse que não saiu muito de perto do salão de jantar. E a polícia encontrou sangue por todo o jardim, mesmo eu não achando que dá pra fazer isso sem um braço.

— Que estranho. Por que ela mentiria? — Daphne pergunta, pensando.

— As marcas de sangue indicam que ela estava com um ferimento antes, porque acharam sangue nas paredes e plantas longe da porta, e...

— E se... O sangue nas plantas não for dela? — Salsicha diz, sem prestar muita atenção, apenas comendo os biscoitos.

— Caramba Salsicha, você é genial! — Velma diz. — Fred, dirige. Para a casa sa Daphne.

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— Certo. Salsicha, espera com o Scooby aqui, ele pode comprometer a cena. — Velma diz, prestes a entrar no jardim.

— Não gosto de sangue mesmo. — Scooby diz, se sentando.

— Quer ficar? — Fred sussurra a Daphne, que o encara.

— Não.

Eles entram pelo jardim, vendo a primeira marca de sangue. Era como se alguém tivesse se esfregado na parede enquanto corria.

Depois o chão tinha marcas irregulares e manchadas, assim como os arbustos que davam início a um pequeno caminho que levava exatamente onde Ann foi atacada, e havia espirros de sangue em todo lado, assim como uma enorme mancha que ia ganhando forma meio a marcas de salto até o salão.

— Ele usou o caminho para se deslocar para cá. Não é o que um lobo faria, ele teria se enfiado no mato e atacado.

— Sim. Ele não planejava ataca-la, fez por impulso, a primeira que viu. — Daphne diz.

— Talvez. Mas isso significaria que ele não tinha um alvo, apenas quer causar pânico. Ou talvez tivesse que incapacita-la por algum motivo. — Velma diz, olhando ao redor.

— Sim. Incapacita-la, não matar, porque se quisesse teria matado. Um lobo teria matado ela, assim como eu, mas ele não me atacou, por algum motivo. — Fred diz.

— Graças a Deus. — Daphne toca seu ombro.

— Sim. Como ele entrou? — Velma pergunta.

— Não sabem. — Fred.

— Você conhece a casa, Daph. Pense como um lobo, onde ele entrou?

Ela encara os amigos, pensando.

— Posso pensar como um cachorro? Se sim, sei onde ele entrou. — Eles a encaram. — Venham.

Eles a seguem, passando por onde Salsicha e Scooby estavam, e eles a seguem, contornando a enorme mansão lilás.

Eles foram até a trás, passando pelo lado onde havia outro jardim cercando a casa. Os muros de grade eram altos, tinham cercas elétricas em cima, e o portão era vigiado por um guarda particular.

— Foi um inferno para ele entrar aqui. — Velma comenta.

— Nem tanto. — a ruiva diz, sem parar de andar. — Eu tive vários cachorrinhos, todos eles sumiam. Depois descobri que usavam a passagem de caça do meu avô para fugir, mas a essa altura já tinha desistido de ter cachorros. Eu achava que o coelhinho da Páscoa os levavam, eu odiava esse feriado e quebrava todos os ovos para me vingar.

Eles riem, sem parar de segui-la pelo enorme terreno. Entraram num tipo de ginásio, e chegaram na parte de trás, onde estavam havia a piscina e as Mercedes e Ferraris estacionados.

Havia mais uma porta inteiramente roxa, e pequena, discreta atrás dos carros, que dava numa sala escura. Daphne acende as luzes, revelando armas penduradas num suporte. Armas grandes, pequenas, e ainda haviam gavetas cheias de apetrechos.

— Nooossa! Por que nunca me mostrou essa sala?

— Porque você iria surtar. Como agora. — Ela sorri.

— Ei. — Velma chama atenção para uma pegada ensanguentada no chão, em frente a uma porta de madeira. As marcas de unha eram enormes.

— Essa coisa é do tamanho da minha cabeça! — Salsicha exclama, analisando mais de perto.

— Caramba. — Fred ergue as sobrancelhas. — Espere. A pegada está...

— Virada para fora. Sujou depois de ele ferir Ann. — Velma diz. — Não faz sentido. O resto da casa está limpo.

— Eu não olhei com atenção. Vocês olharam? — Daphne pergunta.

— Não. — Velma responde.

— Certo. Salsicha e Scooby saem pela porta, e vejam se acham alguma coisa. E nós vamos voltar.

— Direto pra toca do lobo. Eeee! — Salsicha revira os olhos, e ele e Scooby saem, encontrando o fim da grade roxa que cercava mansão Blake.

— Não é que essa grade enorme acaba, Scooby?

Do outro lado havia uma enorme clareira verde que dava direto para a floresta de Baía Cristal.

— Salsicha. — Scooby apontou para o pequeno portão no canto que estava arrebentando e tinha sido reduzido a metal quebrado no chão. Eles engoliram em seco, e passaram em direção ao mato.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.