Scintilla

1 Introdução


A lua cheia brilhava na sua habitual cor branca-marfim, sendo ocultada em alguns momentos pelas nuvens que eram movidas pelos fortes ventos da estação. A grama balançava levemente, algumas folhas se desprendiam das árvores e ninguém se atrevia a quebrar o silêncio.No topo da colina, um garoto que se escondia debaixo de uma capa negra, grande demais para o seu tamanho, marchava solitariamente. Suas roupas estavam encharcadas pelas chuvas da última semana. Seu rosto estava pálido e seus olhos verdes já haviam perdido o brilho. Não deveria ter fugido... Será que o aceitariam de volta?

O garoto respirou fundo, então voltou ao seu caminhar solitário. Ele se indagava porque havia deixado aquele lugar enquanto apreciava a sensação de andar sobre a grama macia. O cheiro de lasanha toma conta do nariz da criança, enquanto ela via a fumaça ao longe. Pouco a pouco surgiu uma casa. Paredes brancas, teto metálico e uma chaminé que exalava lufadas de fumaça.

A criança se aproximou da casa. Não se sentia muito à vontade naquele lugar. Ele bateu na porta de madeira, tentando esconder o saco que carregava mais profundamente na capa, quando a porta se abriu e ele escutou uma voz feminina:

--Dan! Você voltou! – o abraço apertado de sua mãe lembrou Dan que ele não havia deixado nenhum bilhete. Não era a primeira vez que isso acontecia, e por mais que ele jurasse que nunca haveria uma próxima vez, ele sempre tinha o desejo de sair daquele lugar isolado.

Após retribuir o abraço apertado de sua mãe, o garoto entrou dentro da casa. Não queria escutar mais reclamações. Já sabia de cor o discurso que iria ouvir. Ele simplesmente não poderia viver nesse lugar isolado só porque o seu pai morrera. As metrópoles, embora tivessem causado a perda do mesmo, ainda eram o seu verdadeiro lar. Tentando evitar escutar as reclamações, Dan correu pela pequena sala de estilo colonial e subiu as escadas para ir para o seu quarto.

O quarto de Dan era parecido com o da maioria dos garotos da sua idade: um grande relógio na parede, um pequeno computador feito de metal em cima de uma escrivaninha cheia de desenhos de máquinas. Uma prateleira com alguns poucos pergaminhos de magia escondidos entre livros de histórias... e o seu maior tesouro que estava no pequeno saco que carregava dentro da capa de seu pai. Dan não escondeu um risinho de excitação quando retirou um pequeno barco pirata de dentro do saco e o colocou em cima de sua cama. Seus olhos brilharam quando o barco começou a flutuar levemente, a um palmo do seu colchão surrado.

Entretido com o seu novo brinquedo, Dan não fazia idéia do que lhe esperava. A vários quilômetros daquela casa, na grande metrópole de Guyll estavam reunidos os maiores líderes políticos da cidade. Era estranho ver tantas pessoas importantes naquela casa imunda, escondida em uma ruela qualquer da cidade. Todos estavam sentados, formando um círculo ao redor de um homem, que segurava amarrada uma garota, que devia ter no máximo uns dez anos de idade. Ela usava duas pesadas botas de ferro que não permitiam que ela desse um passo, além de ter as mãos amarradas nas costas. Usando os trapos que usava, provavelmente seria ignorada nas ruas, como qualquer outro mendigo, mas se fosse assim ela não estaria ali. Seus belos olhos arroxeados selavam o seu destino.

--E então cavalheiros, é hora de pararmos com a conversa. Como vocês sabem, o lance inicial é de sete milhões de Krones.—falou o homem que estava no centro do circulo.

A sala se encheu de murmúrios. Era possível viver uma vida inteira com aquele dinheiro. Na maior parte dos leilões, mesmo em itens muito raros, várias vezes nem se chegava a tal preço. Praticamente lendo os pensamentos dos possíveis compradores, o homem continua:

--Devo lhes lembrar que esta é uma peça única. Claro que nenhum simples escravo valeria tal preço, mas peço que considerem a situação e a raridade desse... “ser”.

As palavras certamente tiveram o efeito esperado, pois os lances foram crescendo a uma velocidade impressionante, até que a porta se abriu com um estrondo:

--Erick Trevisan D’ Mont. Você está preso por atentado à coroa, assassinato e contrabando! – disse, entrando na sala de sopetão, um homem que aparentava ter uns trinta e cinco anos. Sua mão direita era feita de bronze e em seu olho esquerdo havia um estranho tipo de monóculo, que mais parecia um relógio transparente.

--É muito tarde para você.—Dizendo isso e deixando uma risada soar, Erick saca a sua espada. Era uma bela lâmina negra, com safiras e rubis incrustados no cabo. Em um movimento rápido, ele baixa a espada e perfura a sua própria barriga com a mesma.—Eu sempre... Venço. Haha...hahaha.

Um forte vento entrou pela janela enquanto Erick se desfez em trevas. Sua espada caiu no chão, manchada de sangue, porém seu corpo, agora em forma de sombras, foi carregado pelo vento, deixando todos os presentes perplexos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.