Schyler

35 O salão negro


Notas iniciais
Olá meus bbs! Eu tive algumas ideias para a fic e pode ser que daqui uns dois capítulos vocês queiram me matar (mais do que o normal) ok? Sério, o pessoal do facebook (onde eu também posto a fic) já ta fazendo um escândalo por um cap que eu postei essa semana hehehe mas fiquem tranquilos, é um drama passageiro que só vai ajudar a Schy na verdade :) Então, boa leitura!

– Tem certeza absoluta que quer fazer isso?

Aquela deveria ser a décima vez em apenas cinco minutos que Gabriel me perguntara isso. Ele parecia ainda mais preocupado que eu, quem realmente deveria estar com medo por saber que Miguel conseguia ser ainda mais forte que o próprio Gabriel.

Enquanto ele continuava a falar, eu estava sentada sobre a cama improvisada tentando colocar minhas botas e enfrentar as garras de Belle (quem Gabriel trouxera para que minha gata não morresse de fome).

– Você sabe que Miguel agora é o príncipe dos anjos, certo?

Dessa vez, eu não o ignorei.

– Como assim “Miguel é o príncipe dos anjos”?

Gabriel se encostou no batente da porta de meu quarto improvisado como se estivesse se preparando para contar uma história longa. Bom, talvez realmente fosse já que a maior parte de suas histórias demoram dias para acabar.

– Depois que eu fui expulso do céu, ele se tornou o segundo no comando. Os mundanos acham que ele sempre foi, mas Miguel que os fez acreditar nisso, apesar de eu ter sido sempre mais importante que ele. – ele suspirou. – Odeio essa história, prefiro achar que ainda sou o segundo no comando e estou em férias.

Não consegui conter o riso ao perceber que o senso de humor de Gabriel acordara mais forte naquela manhã, coisa que não acontecia a um bom tempo. Nos últimos dias, ele conseguira ser o mais resmungão e irritado que eu poderia suportar e de repente, lá estava o Gabriel engraçado que nunca conheci.

Ao contrário do que achei, ele não tentara questionar o motivo de meu riso, apenas ficou ali trocando olhares com minha gata, que o encarava fixamente a um bom tempo. Achei engraçado aquilo, mas preferi não dizer nada, então continuei arrumando minhas coisas enquanto os dois se mantinham em silêncio.

– Belle não gosta de mim. – murmurou ele de repente. – Posso ver isso nos olhos dela.

– Se depender da forma com que ela olha para as pessoas, essa gata detesta até mesmo a mim. – resmunguei enquanto me levantava para checar o se havia comida e água para Belle.

Gabriel riu de minha frase e caminhou lentamente em minha direção, ficando quase a minha frente enquanto eu enchia uma caneca com água para a gata. Por um minuto, achei estranho aquela aproximação toda, pelo menos até sentir a ponta de seus dedos tocando de leve a pele de meu pescoço e subindo em direção à orelha e rosto. Seu toque era como uma experiência fora do normal, como se ascendesse todas as sensações que nunca tive. De acordo com ele, anjos podiam causar aquela sensação, mas ele nunca havia testado.

Um arrepio percorreu toda minha nuca assim que senti seus lábios tocando a pele sensível logo abaixo de minha orelha, deixando um rastro de calor.

– Miguel vai tentar tirar você de mim. – disse ele num sussurro ainda com os lábios próximos demais. – Eu não irei deixar, nem que para isso eu tenha que morrer.

O choque ao ouvir aquela frase fez com que eu me virasse bruscamente em sua direção para ver exatamente qual a expressão em seu rosto. Ele estava sério, completamente silencioso encarando-me da mesma forma misteriosa que o vi pela primeira vez ao reconhecer seus olhos. Por mais assustador que ele pudesse parecer por conta do quão sério ele era, eu conseguia descrever exatamente o que ele sentia.

– Está exagerando de novo, anjo. – sussurrei. – Sou mais forte do que pensa.

– Acredite... – senti que seus dedos tocavam lentamente minha cintura, puxando-me mais em sua direção. – Eu sei bem disso.

Seus lábios hesitaram pelo o que pareceu séculos até finalmente tocarem de leve os meus, quase como um toque de uma pena. Era tortura. O simples toque de Gabriel despertava o que pode se chamar “sobrenatural”, como um imã me obrigando a querer mais. Por maior que fosse a tortura, obriguei-me a apenas morder os lábios assim que ele se afastou.

Quando seus dedos se afastaram de minha pele, foi como a dor de perder alguém. A sensação estava se tornando pior desde que o beijei pela primeira vez, como se estivesse viciada em seu toque.

– Eu sei que está pensando que a estou evitando. – murmurou. Ele agora estava sentado sobre a cama bem ao lado de Belle. – Mas não estou, Schyler. Só acho que...

– Não é seguro, eu sei. – interrompi. Agora, eu já não queria mais conversar, estava decepcionada. – Ande, precisamos encontrar Miguel e o Salão negro.

[...]

Não sabíamos a certo como chegaríamos ao Salão negro, pois Gabriel apenas sabia como era o local, mas nunca realmente soube como chegar lá. Isso dificultaria e muito nosso encontro – no caso, reencontro — com o grande anjo Miguel, porém Gabriel insistiu que continuássemos procurando até que ele tivesse alguma ideia de como chegar lá.

– O grande salão foi apelidado de Salão negro depois que se tornou uma espécie de corte celestial. – disse ele enquanto caminhávamos pela Muralha da China observando as milhões de pessoas passando ao nosso redor. – A maior parte dos anjos caídos são julgados lá pouco antes de serem expulsos e perderem as asas. Isso é apenas uma forma de dizer, pois eu mesmo não perdi as minhas, elas apenas se tornaram um pouco menores e perderam a cor.

Eu estava encostada sobre o parapeito da muralha enquanto o ouvi contar o que era o Salão. Desde poucas horas atrás, eu havia me escondido atrás de óculos escuros tentando ignorar a maior parte do que ele dizia, porém, ao perceber que não poderia me livrar de Gabriel, apenas me forcei a ouvir.

– Os julgamentos são também apenas uma formalidade, já que o anjo será expulso de qualquer forma. Antes, eu costumava julgar, mas... agora é Miguel. Ele comanda o julgamento e diz ao anjo o que acontecerá com ele a partir do momento que ser mandado para a terra.

Todas as vezes que ele dizia sobre ter perdido seu posto no céu. eu sentia sua voz perder um pouco da tonalidade firme e forte, como se aquela fosse sua fraqueza. De qualquer forma, aquela realmente era a fraqueza de Gabriel – se lembrar de ter se revoltado contra os humanos e agora, fadado a conviver com ele pelo resto de sua vida.

– Tudo bem, já entendi como o local funciona. – resmunguei. – Mas isso ainda não ajuda a descobrir como chegar lá.

Gabriel suspirou de uma forma cansada ao perceber que fora vencido por minha irritação. Bom, eu não queria ser a chata que estava sendo, mas depois do que aconteceu de manhã, foi como um choque de realidade me mostrando o quanto estava quase dependente a Gabriel. Eu não poderia ficar daquela forma, principalmente agora que estávamos tão próximos a guerra.

Depois de longas horas discutindo como poderíamos chegar ao Salão negro, não percebemos o quanto o movimento de pessoas na muralha havia diminuído. Agora, não havia nem sequer dez pessoas ali, provavelmente por conta da noite chegando. Com o pouco movimento, pensei que aquela seria nossa deixa para tentar descobrir realmente como chegar ao Salão.

E como sempre, eu estava certa.

Assim como quando encontramos Dorian, Gale e Alec, um anjo alto de asas brancas pareceu surgir de repente do parapeito da muralha, pousando graciosamente sobre os tijolos. Usava uma armadura dourada parecida com a que vi Miguel usando.

– O príncipe dos anjos irá recebe-los no grande Salão Negro. – disse o anjo. Possuía uma voz firme, a qual me causou arrepios. – Por favor, sigam-me.

Por um instante, percebi que o anjo não havia se referido a Gabriel com nenhum nome. Quando olhei em sua direção, ele apenas retribuiu o olhar e entrelaçou nossos dedos para que me puxasse para onde seguia o grande anjo.

Ele caminhava rápido em direção a grande escadaria da muralha até a parte final, onde havia uma espécie de casa onde vendiam bebidas e lembrancinhas da muralha. Para minha surpresa, as pessoas que costumavam ficar ali vendendo os objetos não estavam mais ali. Seguimos ele até que dobrasse a entrada da muralha até um dos morros ao qual ela se estendia como uma cobra.

O anjo fez um gesto com as mãos para que nós dois parássemos a alguns metros dele e simplesmente ficou parado ali por longos segundos como se estivesse esperando por que algo acontecesse. Ficamos em silêncio o encarando de costas por pelo menos cinco minutos até que finalmente algo aconteceu.

Bem a frente do anjo foi como se abrissem uma porta invisível, como um tecido que separava a realidade do mundo que Gabriel costumava viver. Aquela imagem me lembrou um pouco de quando ele me levara até o prédio em que a maioria das criaturas se escondiam do mundo dos humanos, pois o fato de eu ser Nefilim fez com que eu pude elevar o tecido da realidade. A pequena entrada se ergueu num feixe de luz indicando que aquela seria nossa entrada para o grande salão.

– Sigam-me. – pediu o anjo abrindo caminho pela entrada e fazendo um gesto com as mãos para que nós andássemos logo atrás dele.

Assim que passamos pelo feixe de luz, o mesmo se fechou logo atrás de mim desaparecendo por completo. Assim que me virei para finalmente conhecer o tão esperado Salão Negro, tive uma surpresa — era bem como eu imaginava, um local com um teto muito alto com paredes totalmente pintadas de um tom de marrom escuro. Bem no centro da parede do fundo, havia uma bancada muito parecida com as dos julgamentos na terra e a frente, sem cadeiras, apenas um candelabro de cristal gigantesco balançando levemente com a brisa que entrava pelas quatro janelas que se espalhavam pelas paredes.

– Onde ele está? – perguntei num sussurro a Gabriel, quem apenas deu de ombros e fez um gesto para que eu ficasse mais próxima a ele.

Só depois de desviar o olhar que fui perceber que o anjo que nos guiou até ali havia desaparecido.

Droga, isso não vai prestar.

– Schyler Jackson, quanto tempo! – de uma forma repentina, a voz de Miguel ecoou por todo salão fazendo com que eu e ele ficássemos em alerta.- Da última vez que nos vemos, eu tentei matar seu namorado.

A gargalhada diabólica de Miguel novamente ecoou por todo o local como uma cena de um filme de terror em que o personagem que dá medo estava prestes a atacar ou apenas preparar uma armadilha para os mocinhos. De alguma forma, aquilo realmente se tratava de uma armadilha, mas antes teríamos que entender o que Miguel queria.

– Sim, mas o máximo que conseguiu foi me causar arranhões. – disse Gabriel tentando atiçar o ódio de Miguel para que ele parasse com a brincadeira.

– Arranhões fatais você quis dizer, meu amigo. – logo pudemos ver sua silhueta angelical com as enormes asas brancas abertas para mostrar toda a maravilha por tê-las assim e não as cinzentas de Gabriel. Ele caminhou entre a bancada do júri e nós, que estávamos nem no centro do salão numa posição nada favorável. – Vejo que sobreviveram a todos os ataques.

– Não foi muito complicado. – eu disse tentando soar firme, mas minha frase apenas arrancou uma risada do arcanjo.

– Para uma Nefilim não deve mesmo ter sido. – ele sorriu maliciosamente. – Pelo o que alguns de meus anjos disseram, você anda treinando muito, não? Será que eu poderia saber o motivo e...

– Miguel, nos poupe de suas brincadeiras. – Gabriel o interrompeu. – Você sabe muito bem o que está acontecendo, agora nos conte o que quer nos contar.

O arcanjo arqueou as sobrancelhas negras parecendo surpreso com a petulância do anjo caído. Por um momento, Miguel pareceu completamente desprevenido, entretanto logo no outro, sua posição quase fatal novamente se mostrou.

– Você continua o mesmo, Gabriel. – murmurou. – Mas vamos logo ao assunto principal, precisamos ter uma conversa muito séria.

Notas finais
Vish, o que será que ele quer com a Schyler e o Gabriel? Alguém tem alguma ideia? Nos vemos no próximo, beijocas :) x