Schyler

56 O julgamento


Notas iniciais
Oii, chegueeeeeeei Mais um capítulo depois da tristeza do último :( quem ficou tão triste como eu? Cara, eu adorava mesmo a Carrie, ela era uma das minhas personagens preferidas de Schyler.... mas fazer o que né? Eu não posso ser tão previsível nas histórias! Espero que gostem desse, é um dos últimos de Schyler, então aproveitem!

Quando meus braços deixaram o corpo de Carrie deitado sobre a madeira gélida e ainda molhada pelas ondas que batiam violentamente contra o barco, eu senti como se meu mundo estivesse indo com ela. Havia um enorme buraco em meu peito, pois não possuía mais família alguma além de Bastian, meu pai. Mesmo que não conseguisse o considerar dessa forma, tinha que tentar, principalmente porque ele era tudo o que me restara.

Coloquei Carrie deitada na direção do céu – seus olhos estavam fechados, o cabelo escuro formando ondas ao redor de seu pescoço e ombros. os braços e pernas esticados e colados ao corpo. Vê-la daquela forma era doloroso demais. Entretanto, era o que me mantinha viva, pelo o que pude notar. Havia uma estranha força a mais com a morte de minha irmã, eu estava em um ponto crítico.

De lábios cerrados e expressão séria, meus olhos se dirigiram na direção dos anjos negros que restaram e Aliha, quem ainda permanecia sentada ao chão agonizando por não conseguir tirar a lança de seu peito. Quando sua atenção se voltou em mim, pela primeira vez eu a vi com medo.

Na verdade, aterrorizada.

Aproximei-me dela lentamente, quase como quem estivesse tentando tortura-la aos poucos. Talvez eu estivesse mesmo fazendo isso, porém não controlava meus atos. Eu agia conforme o que minha mente me dizia, como uma voz em meu subconsciente ditando as regras.

E quando estava bem a sua frente, sem mais delongas, agarrei a estaca que estava em seu peito e a puxei para fora não me importando nem um pouco com a careta que Aliha fizera ao ver o objeto fora de seu corpo.

– Eu deveria enfiar essa lança em você até seu corpo subir logo para o céu. – murmurei apenas para ela ouvir. – Mas acho que quando chegar lá, tem uma grande chance de voltar para baixo. Se é que me entende.

Da mesma forma que me aproximei, afastei-me de Aliha caminhando com a lança em mãos pronta para caso alguma surpresa acontecesse.

E claro, até parece que ela deixaria as coisas acontecerem daquela forma.

– Você acha mesmo que eu vou ser mandada para o inferno, Jackson?! – esbravejou ela. Eu parei em meio do caminho no mesmo instante. – Acredite, a única criatura repugnante que vai para o fogo será você!

Aquele fora o estopim para mim. Respirando fundo e mal conseguindo conter o ódio, eu rapidamente tornei em sua direção queimando por dentro. Irritada, eu andei até ela com a fúria que tentava esconder estampada em meus olhos.

O mesmo que, consequentemente, trouxe as chamas.

Senti todo o meu ser queimar. O fogo não só tomou conta de meus braços, mas também se alastrou por meu corpo preenchendo cada canto até eu estar inteiramente tomada pelas chamas ardentes. Porém, ao contrário das outras vezes, aquelas chamas possuíam uma cor um pouco diferente.

Eram esverdeadas pelo o que pude notar. Possuíam uma intensidade milhões de vezes maior que as anteriores. Talvez por conta de meu ódio ser diferente, do tipo que jamais tive em minha vida ou simplesmente porque eu estava louca para colocar fogo naquela maldita vadia.

– Aliha, — minhas palavras foram diretas. Eu a encarava bem de perto e fixamente em seus olhos violeta, os quais mudavam conforme toda sua confiança ia embora. As chamas queimavam perigosamente perto de seu rosto e asas. – eu já cansei das suas ameaças. Você acha que mete medo algum em mim? Sinto em lhe dizer, mas não dou a mínima para o que você diz. É um anjo hipócrita que perdeu todo o brilho divino. Se quer saber, Gabriel, um anjo caído, é milhões de vezes bom comparado a você.

Apesar de hesitante, ela sorriu.

– É uma pena que não tenha mais medo de mim. – e quando se aproximou para sussurrar próximo ao meu ouvido, achei que fosse mata-la ali mesmo. – Não foi o que apareceu no rosto de sua irmã antes de eu enfiar uma estaca no peito dela.

Furiosa, eu estava prestes a colocar fogo em suas asas ou talvez enforca-la quando uma voz profunda tomou conta de todo o ar.

– Parem!

Confusos, todos erguerem o olhar para o alto procurando pela origem da voz. Todavia, não havia nem sinal de onde poderia ter vindo o som.

– Schyler Jackson, se afaste do anjo. – continuou a voz, porém em um tom mais baixo.

Lentamente eu me afastei de Aliha ainda que contrariada até permanecer longe o suficiente dela, tanto que senti uma das mãos de Gabriel se entrelaçar a minha a fim de me acalmar. Fora como tomar um analgésico, cessando minha dor e fúria ao sentir a pele da pessoa que eu tanto amava tocando a minha.

– Vocês estão sendo acusados de se envolver em uma guerra não permitida e contra as leis celestiais. – disse a voz. Por um segundo, achei que conhecia a pessoa dona daquele timbre. – E por isso, serão enviados para o Salão negro para o julgamento.

Um som estranho chamara minha atenção. No lado oposto ao que estávamos do barco, os anjos negros levantaram voo sem mais nem menos. Se afastaram tanto do barco que tive a impressão que não iriam ao julgamento. Ou talvez, tivessem sido liberados ou coisa parecida.

Ao mesmo tempo em que eles levantaram voo, outro som fora captado por meus ouvidos. Dessa vez, não se tratava de asas batendo e sim, como se alvo estivesse desbotando. A imagem ao nosso redor parecia mudar a cada segundos, fazendo com que tudo desaparecesse e tomasse formas distintas. A madeira do barco desaparecia lentamente e era substituída por um chão esbranquiçado, o qual eu já vira antes e todo o resto fazia o mesmo.

Meus olhos se voltaram para o corpo de minha irmã no chão, o qual desaparecia rapidamente. Abaixei-me apenas o suficiente para lhe tocar o rosto até todo o seu ser desaparecer por completo e me restar apenas o chão branco em seu lugar.

Gabriel colocou os braços a minha volta de forma protetora enquanto eu procurava por meus amigos ao nosso redor. Bastian estava bem ao lado de Tristan e Blair, quem olhavam a tudo desaparecer com certo desespero inapropriado. Eu os acalmei com apenas um olhar, o que pareceu deixa-los um pouco mais a vontade com a situação. Afinal, eu conhecia muito bem para onde estávamos indo e se fosse da mesma forma, tudo seria mais calmo do que imaginei.

Porém, como sempre, eu estava bem errada.

Quando toda a imagem se transformou no tão conhecido Salão negro, eu tive uma imensa surpresa – todo o local parecia um pouco diferente. No local onde costumava ser uma bancada de cadeiras vazias, as mesmas estavam ocupadas por uma sequência grande de anjos usando roupas brancas muito parecidas com as dos antigos gregos. Todos tinham suas asas fechadas e escondidas atrás do corpo e os olhares atentos sobre nós. Já no lugar onde um juiz humano costumaria estar, Miguel ocupava o local com sua tão famosa – e irritante – pose soberana. Usava sua usual armadura dourada e ao contrário dos outros, apesar de fechadas, suas asas estavam bem à mostra em suas costas. Seu olhar acompanhava cada movimento meu.

Abaixo da bancada de material escuro, eu vi Aliha de joelhos sobre o chão com correntes douradas presas em seus pulsos e pernas. Ela lutava para tentar se soltar e com os movimentos, eu vi um grande buraco em sua armadura na região do peito, onde a lança costumava estar.

Havia um som ensurdecedor no salão, pois os anjos conversavam de maneira irritante sempre apontando e olhando em nossa direção. Obviamente, eles falavam sobre nós sem medo algum.

– Silêncio. – ordenou Miguel e em segundos, todos se calaram deixando um silêncio constrangedor e ao mesmo tempo, assustador no local. O único som que se ouvia era o das correntes de Aliha se movimentando conforme ela lutava contra as mesmas. – Aliha, membro do conselho celestial e Serafim, está sendo acusada de inúmeras infrações às regras angelicais. Se envolveu com a horda do anjo renegado Lúcifer e envolveu-se diretamente na guerra causada pelo anjo caído Gabriel e nosso ex arcanjo. Porém, sua maior infração foi à nossa principal regra, como deve saber. Você, está sendo acusada por ter assassinado uma humana inocente.

Um coro de oh!” se espalhou por todo o salão. Aquela parecera realmente ser uma regra importante, pois todos os anios encaravam à Aliha como se ela fosse uma vergonha ou talvez estivessem irados por ela ter feito isso. No entanto, minha atenção estava voltada à frase de Miguel quando citou a morte de minha irmã, a qual me trouxe uma lembrança recente que eu queria tanto manter afastada.

– Fique calma, está tudo bem. – sussurrou Gabriel apenas para mim. Seus dedos se entrelaçaram novamente aos meus reconfortando-me mais uma vez.

Um som alto distraiu-me de Gabriel, fazendo-me olhar na direção de sua origem. Aliha havia parado de lutar contra as correntes, porém não antes de joga-las com força contra o chão branco do lugar a fim de chamar a atenção de todos. Ela tinha os olhos fixos no arcanjo, encarando-o com um ódio quase que doentio.

– Você é mesmo um maldito cínico, Miguel! – esbravejou ela sem hesitação alguma. – Não me importa se você é um arcanjo, pois é tão culpado quanto esses imbecis! – ela apontou em nossa direção, no entanto, Miguel continuava a encara-la de volta. – Você é um mentiroso!

– Basta! – esbravejou o arcanjo socando a mesa à sua frente logo em seguida com uma força descomunal. – Já chega, Aliha! Por ser acusada de inúmeras infrações à nossas leis, sua pena será... – ele parou por um instante parecendo pensativo. Mas havia um sorriso em seus lábios. – Perder as asas. Você se tornará uma caída e nunca mais poderá tê-las novamente.

O choque estava perceptível no rosto de Aliha, quem caiu de joelhos sobre o chão mal conseguindo esconder o desespero que lhe tomou a mente. As correntes despencaram ao seu lado, no entanto, ela não dera a mínima atenção. Seus olhos estavam fixos no chão à sua frente, tanto que ela parecia paralisada.

E eu, me perguntava por que ela não agia.

Dois anjos entraram no Salão vestindo armaduras parecidas com a de Miguel, mas com escrituras diferenciadas e menores. Ambos eram morenos e tinham os olhos fixos em Aliha ajoelhada sobre o chão. Ela não se moveu apesar de tudo, nem ao menos quando os dois a ergueram puxando-a por baixo dos braços até ela estar firmemente porta de pé. Seus olhos não estavam mais fixos no chão e sim, se alternavam entre mim e Gabriel com um olhar que eu jamais seria capaz de decifrar.

– Não olhe agora. – sussurrou Gabriel abraçando-me apertado fazendo com que meu rosto ficasse escondido em seu peito.

No momento seguinte em que meus ouvidos ouviam apenas o som do batimento cardíaco de Gabriel, outro som tomou conta de todo o local. Primeiro, um grito agudo e desesperado, o qual me lembrava um urro de dor. Segundo, o som de algo sendo rasgado ou arrancado com força, sugerindo que aquele deveria ser o som das asas de Aliha sendo arrancadas de seu corpo. Eu tremi ao imaginar a sensação e ao continuar ouvindo o grito e os pedidos de socorro que escapavam de seus lábios.

Pensei que os sons não acabariam nunca até que finalmente cessaram. Achei que talvez pudesse olhar agora, mas no momento em que voltei meus olhos em sua direção, me arrependi – o corpo de Aliha estava quase totalmente sobre o chão. Ela estava de costas para mim, então eu pude ver o estrago que fora feito em suas costas, onde duas feridas lustrosas e abertas possuíam o formato da letra V ao contrário. Porém, assim que ela tombou um pouco para frente, as feridas se fechavam aos poucos de uma maneira extraordinária até que finalmente estavam totalmente em formato de cicatrizes. Ela não parecia mais sentir dor, mas não se levantava de maneira alguma.

– Você está expulsa do céu. – ouvi Miguel dizer. Ele estava de pé agora e tinha os olhos fixos em Aliha caída sobre o chão. – Adeus, Aliha. Aproveite sua estadia no mundo dos humanos.

Do lado oposto ao que estávamos, uma porta abrira totalmente deixando bem claro o que trazia de seu outro lado. Eu conseguia ver prédios, lojas, pessoas e uma porção de carros passando como se nada estivesse acontecendo. Por um instante, achei que poderia ser Nova York, mas Miguel não seria burro dessa maneira para manda-la justamente para lá. Deveria ser alguma cidade grande, talvez nem ao menos nos Estados Unidos.

Bom, eu esperava que não.

Lentamente eu vi Aliha levantando-se do chão sem soltar uma palavra sequer. Arrumou a roupa branca que fora colocada em seu corpo e caminhou com passos pequenos em direção à porta. Ela não olhava para trás, mas eu sabia que sua atenção estava voltada em nós, principalmente quando, ao passar pela porta, olhou em nossa direção seriamente.

E simplesmente sorriu.

A porta se fechou em um estrondo alto, o qual deixou novamente o local em um silêncio assustador. Agora, havia chegado a hora que Miguel tanto ansiava e mal conseguia disfarçar ao voltar a se sentar na bancada de juiz. E quando seus olhos se voltaram em nossa direção, eu soube que tudo seria muito complicado a partir daquele momento.

– E agora, o nosso próximo julgamento. – disse ele com um meio sorriso nos lábios. – Schyler Jackson, nossa querida Nefilim e Gabriel, o anjo caído. Parece que esse julgamento será um tanto divertido.

E eu não tinha dúvidas de que seria.

Bom, para ele.

Notas finais
Vish, quero nem ver '-' Estou merecendo comentários? Espero que sim, quero ver todos vocês deixando a opinião e claro, algumas criticas porque eu estou aberta para críticas haha Beijocas :) x