Notas iniciais
Olá, margaridas! Não tive tempo essa semana, então um feliz natal atrasado para vocês!! Muita paz, alegria, saúde e felicidade para todos os leitores de Schyler! Ah, e caso eu não poste nada até lá, UM FELIZ ANO NOVO!! Amo muito muito vocês

Ela me encarou por longos segundos esperando que eu fizesse o mesmo que ela ao atacar a pobre da árvore com um golpe bem dado. Mas, o que Gail havia esquecido, era que não sou nem um pouco violenta, então golpear uma árvore não era bem uma coisa que eu faria.

– Se você não quer atrapalhar durante a guerra, é melhor treinar direito. – ela me encarou com olhos perigosos e repreendedores. — Não vou ser babá de ninguém e muito menos Gabriel, então trate de fazer o que eu mandar.

– E quem disse que preciso obedecer você, Gail? – cruzei os braços. O que? Ela estava começando a me irritar!

– Eu. – Gail sorriu maldosamente. –Se não quer me obedecer, pelo menos mostre o que sabe fazer e me surpreenda.

Claro, bem espera ela em agir dessa forma. Eu nem sabia bem o que poderia fazer, e quem dirá mostrar alguma coisa.

Estávamos em um campo aberto, numa região próxima à Muralha da China, porém os turistas não podiam chegar até aquele lugar, de acordo com ela. Gail colocara algumas espécies de bonecos para que eu treinasse o ataque, mas ela apenas destruíra árvores.

Olhei em volta e respirei fundo pensando o que eu poderia fazer. Lembrei do que pesquisei na outra noite sobre mestiços e o quão perigosos eles poderiam ser. Ok, eu sou uma nefilin, sou uma mestiça, agora só tenho que descobrir exatamente o que é “perigoso” para minha espécie.

– Você nem sabe por onde começar. – Gail balançou a cabeça negativamente. – Ok, vou ajudar contra a minha vontade. – ela andava a minha volta. – Pense em algo do passado ou presente, algo que possa atingir seu ponto sensível. Lembre-se de alguma coisa ruim que aconteceu com você, um ferimento, alguém que a apunhalou pelas costas como se fosse traída... ou... um abandono.

Levantei os olhos na direção dela.

– Um abandono. – ela repetiu com um pequeno sorriso nos lábios. – Lembre como foi ser deixada para trás, como se sentiu ao ver os olhos da pessoa que a abandonou. Tente reviver essa experiência novamente.

Minha respiração estava se acelerando. Eu começava a perder o controle.

– Lembre-se do que a pessoa disse! – ela repetia acelerando os passos enquanto andava a minha volta. Minha respiração cada vez mais descompassada. – Se coloque novamente nessa situação! Sinta na pele, sinta a dor no peito.

Fechei meus olhos com força, lembrando exatamente qual foi a primeira coisa que meu “padrasto” havia falado, coisas que não faziam sentido na época.

“Você é uma aberração”

“Um monstro. Não é desse mundo”

“Vai acabar matando todos nós.”

“Você é um monstro, Schyler, não merece estar viva”

“É uma aberração, um bicho de zoológico”

– Lembre, reviva, sinta. – repetiu Gail. Mesmo de olhos fechados, percebi que ele se afastava de mim.

Eu sentia algo tomando conta de mim, subia pelas minhas veias enchendo-as. Minha respiração já estava completamente descompassada, acompanhava meus pensamentos fluindo pela minha mente, a qual repassava as imagens de quando fui expulsa de casa, de quando Carrie tentou me buscar. Lembrei da última coisa que ouvi de meus pais, as vozes deles enchendo minha mente, confundindo.

Agachei no chão, segurando os cabelos com as mãos, puxando-os contra meu coro cabeludo. Eu queria colocar tudo para fora, finalmente expulsar aquele sentimento assim como quando fui expulsa de casa. Eu precisa gritar, era necessário.

E então, gritei.

O som fora alto, porém não agudo. Poderia ser confundido com um grito de dor, como se estivessem me matando, apunhalando-me bem no peito com uma faca. O sentimento de raiva e dor estava sendo colocado para fora, tudo parecia já estar diferente em minha mente enquanto eu gritava com toda a força que eu continha nos pulmões.

De olhos fechados, no escuro de meus pensamentos, joguei-os todos para fora com a maior força que já senti em minha vida. Parecia que meu coração havia parado de bater por longos e intermináveis segundos enquanto eu gritava.

Quando perdi o ar e meu peito se esvaziou, senti meu corpo relaxando aos poucos até que eu finalmente pude estar forte novamente.

E quando abri meus olhos, meus lábios se abriram com tamanha surpresa.

Droga, agora eu sabia exatamente o que poderia fazer.

A minha volta, exceto por mim, todo o campo de trigo amarelado estava escuro, como se uma grande explosão tivesse acontecido bem ali e eu, a bomba. Os trigos estavam caídos ao chão, escurecidos como cinzas, e onde eu estava, o pequeno espaço parecia intacto.

Logo acima de minha cabeça, pude ver as asas de Gail se aproximando quando ela pousou violentamente ao meu lado. Um estrondo se fez quando ela pousou, fazendo-me por pouco cair ao chão.

– É... – ela tinha uma sobrancelha arqueada. – Você é mesmo uma nefilin.

Eu estava aterrorizada.

– Mas... mas o que eu fiz?! Quero dizer, caramba, o que... o que eu fiz.. – eu gaguejava tremendo descontroladamente.

– Isso? – ela apontou os braços para todo o campo. Pela primeira vez, vi um meio sorriso estampado em seus lábios. – Isso é só o começo, Schyler. Você é mais poderosa do que imagina.

[...]

Não sei bem o que eu deveria pensar, pela primeira vez havia experimentado na pele qual era meu poder. Quero dizer, agora eu sabia exatamente qual era meu poder e o que eu era capaz e isso era o que mais me assustava. Eu era poderosa, poderia causar uma destruição.

Será que é isso que Lieene quis dizer sobre eu ser a chave para que vençamos a guerra?

Tudo que eu queria naquele momento, era ter Gabriel ali e poder ouvir a opinião dele. Provavelmente ele estaria com tanto medo quanto eu, afinal, ninguém esperava que eu fosse tão poderosa assim, exceto por Gail, era parecia sempre saber.

Mas... e se eu fosse um monstro?

Afastei esse pensamento e me foquei no que faria a seguir. Eu queria descobrir o que mais eu era capaz de fazer, mesmo morrendo de medo do resultado.

Estiquei minha mão esquerda bem a minha frente, observando-a por alguns instantes, tentei me focar em algo que não fosse exatamente ódio, apenas algo que pudesse me tirar o sorriso. Eu queria testar o lado positivo.

Fechei os olhos como antes e me concentrei no amor de minha irmã, o fato de eu sentir tanta falta dela. Foquei-me em Gabriel e como eu o queria para sempre em minha vida, desde seu sorriso único, a forma com que ele dizia meu nome, ou mesmo seu beijo apaixonado. Claro, isso arrancou-me um sorriso e algo mais uma vez tomou conta de meu interior, preenchendo minhas veias e meus pensamentos.

Abri os olhos lentamente e tive uma surpresa, não fora destruição, fora algo controlável e ainda assim perigoso. A minha mão erguida estava quente, pegando fogo literalmente. As chamas preenchiam minha mão, contornando-a, flamejando na direção de meu rosto. Mas como eu não sentia dor, era como se as chamas nem estivessem ali.

Apontei minha mão em chamas na direção de um cano de ferro solto do lado de fora de casa. E com força, atirei-a na direção do mesmo, lançando o fogo como uma explosão na direção do cano. Em segundos, ele pegou fogo e virou cinzas.

– Ual. – exclamei surpresa.

– Parece que vamos ter uma surpresinha para os anjos negros e demônios. – fui surpreendida por Gail encostada ao batente da porta com os braços cruzados me observando. – Um bônus.

Dei de ombros um pouco sem graça.

– Você não parece surpresa.

– Claro que não, nem tenho porque ficar. – ela suspirou. – Eu já vi um nefilin, lutei contra um. Sei exatamente o que vocês são capazes.

Abaixei os olhos. Gail nunca havia falado nada sobre sua suposta relação com nefilins, mas agora eu sabia o porquê de ela nunca ter se surpreendido com o que eu podia fazer.

– Aquilo que você fez no campo é quando seu poder é centralizado. — ela saiu do batente até mim. – Vocês são como uma panela de pressão, podem explodir a qualquer momento. O bom, é que você pode controlar, porém se atingirem um ponto sensível seu...

– Eu me descontrolo e acontece aquilo. – terminei soltando um suspiro longo. – E se Aliha souber disso e usar isso contra mim?

Ela mordeu os lábios, como se não tivesse resposta.

– Ela vai, isso eu tenho certeza, Schyler. – Gail franziu o cenho. – Por isso os treinos, é uma forma de você aprender a controlar quando Aliha usar seu sofrimento como arma contra você mesma.

Desviei os olhos. Eu sabia o que fazer e estava decidida.

– Então vamos treinar. – encarei Gail com um olhar decidido. – Se sou mesmo a chave dessa guerra, é hora de colocar em prética.

Gail sorriu levemente, provavelmente pensando o mesmo que eu. Esticou a mão direita em minha direção e sem pensar duas vezes, estiquei a minha e a apertei. Estava na hora de deixarmos nossas diferenças de lado e perceber que estávamos do mesmo lado.

Eu e Gail, íamos lutar juntas.

Notas finais
Eu sinceramente não curti muito esse cap, acho que é porque escrevi correndo nesse dia '----' Nos vemos no próximo, beijocas xx