Schyler

23 Capítulo 23 - Predestinada


Notas iniciais
Olá dreamers! Finalmente o Nyah voltou e eu posso postar os lindos capítulos *-* quem estava com saudade? O/ uhsushushsuhsush Boa leitura, nos vemos lá em baixo!

Terminei de colocar minhas coisas no carro ainda sentindo minhas pernas bambas pelo o que iríamos fazer. Gabriel tivera a ideia de tentarmos falar com pelo menos dois anjos caídos que também moravam na cidade, mas o único problema era que os dois possuíam personalidades um pouco complicadas e provavelmente tentariam atacar, de acordo com Tristan.

Isso me preocupava ao máximo, pois só naquele mês eu já deveria ter sido atacada pelo menos quatro vezes e não queria mais uma luta até a guerra final. Entretanto, algo me dizia que uma briga estava à minha espera hoje.

Entrei no carro de Tristan praticamente me jogando no banco de trás apenas ouvindo a conversa dos dois sobre planos de defesa e tal. Odeio quando fazem isso, me faz parecer a irmã caçula ignorada da família, ainda mais porque os dois são homens grandes e eu pequena, por isso parecem ser mais velhos. Bom, eu nunca soube a idade de Tristan ou Gabriel, mas algo me diz que anjos não contam idade como os humanos.

– Pegou sua mochila? – perguntou Gabriel sem perceber que estava zombando da minha cara. Deixei os olhos semicerrados enquanto via pelo retrovisor Tristan segurando o riso.

– Não sou uma criança, Gabriel. – resmunguei. Em minha bolsa, estavam algumas lanternas, cordas e seja lá mais o que for que eles colocaram ali dentro. Se precisássemos mesmo escalar alguma coisa, eu ia ficar apenas olhando, morro de medo de altura e só de imaginar um prédio alto, já tenho tonturas. – E sim, ela está aqui do lado.

Vi um pequeno sorriso surgir nos lábios de Gabriel antes que ele desse partida no carro e dirigisse em direção a sei lá aonde. Mesmo que eu soubesse sobre irmos atrás dos anjos caídos, eu não fazia a menor ideia de onde eles estavam na cidade, afinal, New York é gigantesca. Mas, quando eu tentava perguntar o local, Gabriel sempre mudava de assunto, acho que ele estava com a famosa TPM masculina hoje, pois permanecia quieto por muito tempo.

Eu sei que ele sempre foi assim, muito quieto, mas havia algo diferente nele hoje. Parecia distante, não ouvia quando Tristan se referia a ele e nem prestava atenção às piadinhas. Forcei-me a acreditar que era preocupação sobre o que faríamos, porém... havia algo mais.

– Quando chegarmos lá, tente ficar quieta a maior parte do tempo, ok? – Tristan virou a cabeça alguns graus, apenas para que eu visse seu perfil. Assenti com a cabeça. – Não sabemos se esses são perigosos, eles têm um temperamento difícil, mas muitas vezes só ameaçam e não atacam.

Assenti novamente sem precisar realmente dizer alguma coisa, afinal, nenhum deles estava me dando informações necessárias, então eu pagaria na mesma moeda. Afundei no banco tentando dormir um pouco enquanto ouvia música com meus fones de ouvido. Depois de algum tempo, acabei adormecendo.

[...]

Acordei ao ouvir uma voz suave em meus ouvidos e logo depois lábios macios tocaram minha bochecha. Meus olhos se abriram lentamente até que avistei os olhos extremamente violetas de Gabriel e um meio sorriso estampado em seus lábios. Arqueei as sobrancelhas tentando entender sua mudança repentina de humor, porém quando estava prestes a dizer qualquer coisa, ele colocou uma mão de leve em meu braço e me ergueu do banco, fazendo com que eu ficasse em pé ao lado dele.

Estávamos novamente no píer em que eu tive a visão. Mas hoje o mar estava muito mais calmo do que naquele dia, antes, as ondas chegavam a tocar nossos pés se os colocasse na ponta do píer. Já hoje, o mar mal havia ondas e parecia estar bem tranquilo.

– Não diga nada. – sussurrou ele em meus ouvidos.

Não havia ninguém ali. O píer estava completamente silencioso e deserto, exceto por nós e possivelmente, algum anjo caído um pouco perigoso.

Em silêncio, coloquei a mochila no chão ao lado de meus pés e olhei em volta a procura de qualquer coisa. As maquinas de uma obra que ocorria próxima ao píer também estavam vazias, nenhuma pessoa ao redor. Logo, comecei a sentir que algo muito estranho estava acontecendo, pois pelo o que percebi, anjos caídos tinham uma fama um pouco mais... digamos, visível.

Tudo que eu ouvia, era o som dos pássaros, de algumas ondas pequenas quebrando e nossas respirações. Estava silencioso demais, coisa que não deveria estar acontecendo.

– O que querem?

Uma voz poderosa se materializou muito próximo a nós. Ao mesmo tempo, eu, Gabriel e Tristan nos viramos para a direção do carro atrás de nós a fim de encontrar o dono da voz. Perto do carro, havia um caminhão gigantesco carregando alguns materiais de construção e logo atrás dele, surgira um homem alto e esguio – possuía um corpo musculoso, usava roupas pretas da cabeça aos pés e grandes olhos violeta. Ele tinha pele morena escura e cabelos negros lisos que caiam sobre seus olhos. O anjo caído possuía traços fortes e perigosos, lembrando-me de uma pantera à espreita antes de atacar sua presa.

Droga, isso não vai prestar.

Ele saiu de trás do caminhão alternando os olhos violeta entre mim e os dois anjos ao meu lado. Gabriel tinha uma posição perigosa, um pouco a minha frente e os braços cravados ao lado do corpo, porém prontos para atacar a qualquer segundo.

– Eu perguntei o que querem. – repetiu o anjo caído. Ele cravou o olhar em Gabriel, quem dera mais um passo a frente de forma a colocar-nos em perigo. – Sei o que são e quem são. Não estou nem um pouco a fim de chamar a atenção de Aliha para cá.

Franzi o cenho. Ele sabia sobre Aliha e os anjos negros? Bom, parece que os anjos caídos são mais interessados nos assuntos do céu do que eu imaginei.

– Ótimo que já saiba sobre nós. – disse Gabriel. – Precisamos conversar com vocês dois. – eu franzi o cenho tentando entender o que ele quisera dizer com “dois”, pois eu apenas conseguia ver o anjo caído moreno apoiado pelo ombro no caminhão ao lado.

Mas logo outra pessoa se juntou a ele – era uma mulher quase que da mesma altura que o outro anjo caído, possuía cabelos extremamente brancos que caiam em cachos ao lado de se corpo magro, porém com aparência forte. Seu olhar me lembrava vagamente do de Aliha, mas o dessa era mais suave. Ela parecia calma e gentil, porém ameaçadora indiscretamente.

– Seus nomes, por favor. – voltou a dizer Gabriel de forma mais insistente. Os dois anjos caídos se entreolharam e logo responderam.

– Sou Stencil e essa é minha mulher, Lieene. – disse Stencil se apresentando calmamente. O clima tenso e perigoso havia passado apesar do começo e agora pareciam mais disposto a uma conversa normal. – Somos um dos primeiros anjos a caírem do céu antes do que vocês humanos chamam de segunda guerra mundial. Fomos à favor do arcanjo Gabriel e de seu ódio pelos direitos humanos.

Senti Tristan engolir um seco e Gabriel ficar tenso ao meu lado. Opa, acho que Stencil chegou a um assunto um pouco delicado.

– Eu sou Gabriel. – ele suspirou. – Era um arcanjo em tempos passados e causei a segunda guerra libertando os demônios do inferno. Vocês me apoiaram.

Stencil e Lieene se entreolharam confusos. Os dois pareciam não entender que Gabriel fora expulso do céu após tudo o que aconteceu. Bom, se eu estivesse no lugar deles também não acreditaria que um arcanjo também pôde ser expulso e ainda por cima, aparecer para eles e pedir ajuda.

– Precisamos da ajuda de vocês. – disse Gabriel. Ele tinha a expressão preocupada, e eu, sentia o mesmo que ele. Começávamos a perder as esperanças. – Estamos à beira de uma guerra. Uma guerra que, provavelmente, será muito pior do que a de antes.

E com isso, eu e Tristan ouvimos com atenção aos planos de Gabriel enquanto ele contava aos dois o que faríamos. Eu sentia que Lieene era a que mais parecia preocupada com os planos e não queria aceitar, mas logo ao terminar de ouvir, ela se virou na minha direção.

– Essa é a última mestiça? – perguntou esticando as mãos pálidas em minha direção. Eu me senti exposta, todos os olhos ali diretamente em mim avaliando minhas reações.

– Sou eu. – murmurei, a voz um pouco baixa demais. – Meu nome é Schyler Jackson.

Lieene deu alguns passos a frente chegando próxima a mim. Assim que ficou bem a minha frente, eu pude ver seu rosto pálido, os cabelos brancos e os grandes olhos violeta intimidadores. Ela não me parecia mais a mulher com aparência gentil e sim alguém que logo após me avaliar, iria me atacar. Por reflexo, dei um passo para trás temendo nossa proximidade, mas ela segurou meu punho antes que eu pudesse me afastar. Seus olhos iniciaram uma longa avaliação por todo meu ser até que finalmente ela me largou e dirigiu seu olhar para Gabriel.

– Essa garota é mais que uma mestiça, arcanjo. Muito mais. – engoli um seco ao ouvir isso. – Ela é... é predestinada. Está nos olhos da garota, eu posso ver seu futuro tão claramente quanto ver o sol de manhã.

Confusos, Gabriel e Tristan se entreolharam. Stencil tocou levemente no ombro da esposa e se dirigiu a nós.

– Lieene é uma vidente, uma dos poucos que sobraram. Ela está dizendo que há algo extremamente importante no futuro de Schyler. Algo a ver com seu pai, o anjo caído que a fez uma mestiça.

Minha respiração ficara mais agitada. Não sei bem o porque, mas aquelas palavras estavam me causando uma crise de pânico.

– Ele está certo. – pela primeira vez Tristan dissera algo desde que chegamos. – Alguns anjos caídos da era antiga possuíam poderes, como Lieene, eram videntes e outros. O pai de Schyler pode ser um deles.

A velocidade de minha respiração aumentou. Eu sentia minhas pernas começarem a ficar bambas e minha visão escurecer, mas eu não desmaiaria, eu teria que me fincar no chão. Lentamente, andei até Gabriel e prendi minhas mãos em seu braço esquerdo, usando-o como apoio. Confuso, ele procurou algum problema em mim, e logo entendeu o motivo de meu pânico.

– Você é predestinada, Schyler. – disse Lieene encarando-me com seus olhos violeta penetrantes. – Você será a chave durante a guerra.

Notas finais
Ai mds!! Chave para a guerra??! O que será que a Lieene quis dizer com isso O.O me deem a opinião de vocês :D Beijos :) x