Schyler

21 Capítulo 21 - Anjos negros


Notas iniciais
Haaaaaaaaaaaaaaallo povo que saudade! Bom, decidi que voltar a postar Schyler aqui no Nyah e dessa vez veio pra ficar! "Stories for fun" ainda funciona no facebook e lá também vão ser postados os capítulos daqui e inclusive os das outras fics o/
Sorry a maldade de ter parado de postar, mas bora continuar com o lindo romance Schyel? ;D

Quando acordei naquela manhã, senti um local vazio de tecido gelado, indicando que, quem estivera ali, já fora embora há algum tempo. Belle ainda fungava em meus pés, e provavelmente estivera assim desde a outra noite quando Gabriel a colocou em meus pés. Abri meus olhos lentamente avistando o local vazio ao meu lado, ele deveria ter ido embora há algum tempo, como disse que apenas descansaria.

Levantei da cama e fui me arrumar para trabalhar, tomei um banho gelado para acordar e troquei minhas roupas por uma calça jeans e uma camiseta cinza com estampa de lobo. Calcei botas e peguei minha bolsa pronta para pegar um táxi para o trabalho no café do Bob.

Porém, quando cheguei na cozinha, fui surpreendida por uma sombra no canto oposto à onde eu estava.

- Droga, Gabriel!! – exclamei me apoiando na bancada devido ao susto. – Faça algum barulho!

Ele riu de meu susto enquanto terminava de tomar o copo de água que havia pego. Ele usava a mesmas roupas em que estava quando dormimos e seu cabelo castanho se encontrava bagunçado e caia sobre seus olhos violeta.

- Eu levo você para o trabalho com o carro que Tristan pegou. – disse quebrando o silêncio que se estendeu pela minha cozinha. – Não precisa pegar um táxi, é perigoso.

Arqueei as sobrancelhas.

- Perigoso como? Espera que um dos milhões de taxistas de New York seja um demônio ou anjo negro disfarçado pronto para me atacar e me forçar a dizer onde você está? – eu sorri de forma debochada. – Qual é, com tudo que enfrentamos, acho que sei me cuidar sozinha.

Gabriel nem teve o trabalho de responder, pois já estava com as chaves do carro em mãos e me ajudava a colocar o casaco por cima de minha blusa. Com isso, meu braço tocou o dele e as lembranças de ontem a noite vieram a minha mente – o beijo e as conversas – o que automaticamente fez-me corar.

Juntos, seguimos até o carro de Tristan em frente ao meu prédio e ele dirigiu em silêncio, como se estivesse pensando em algo. Por um instante, tive a oportunidade de avaliar minha situação – havia uma horda de anjos negros e muito perigosos e demônios mandados para me matar e se vingarem de Gabriel. Já havíamos enfrentados muitos e todos eles davam avisos de um futuro ataque, talvez pior do que o anterior.

Resumindo tudo, eu estava em uma grande enrascada e por mais que eu não quisesse, grande parte da culpa era de Gabriel. Eu via o quão arrependido estava, ainda mais no outro dia quando admitiu que não podia me perder... eu conseguia ver no fundo de seus olhos violeta, que ele não queria ter me colocado em meio a tudo aquilo e isso, eu usava como motivo para não sentir ódio nenhum.

Mas, afinal, quem pode sentir ódio de quem acabou de começar a amar?

Quando chegamos em frente ao café do Bob, de repente me senti mal em continuar trabalhando ali. Com tudo acontecendo, o fato de meus pais não me quererem e... o futuro perigoso, era como se trabalhar ali quebrasse toda a história.

- Schy, você está bem? – ouvi a voz grave de Gabriel ao meu lado me tirando do transe.

- Ahn... estou. – resmunguei me virando em sua direção. – É só que... não sei se é bom eu continuar trabalhando aqui. Não acho que seja uma boa ideia, já que posso ser atacada a cada passo que dou em direção a qualquer coisa.

Ele ficou em silêncio por longos instantes, tentando entender tudo que eu dizia. Ainda pensativo, ele olhou na direção da rua e disse:

- Amanhã vamos falar com Aliha. Ela vai ter que entender que você não é culpada de nada e quem tem que pagar por tudo o que aconteceu na segunda guerra mundial, sou eu. Eu libertei os demônios e os fiz possuir corpos humanos, não você.

- Mas...

- Sem “mas”.- interrompeu sem alterar o volume da voz. – Mesmo que ela venha com toda a horda de anjos negros, temos que começar de algum lugar. Eu vou enfrenta-la e do jeito que Aliha é teimosa, vai nos fazer enfrentar algo pior do que eu estou imaginando. Schyler, você estaria preparada para enfrentar os obstáculos que Aliha colocar em nosso caminho?

Engoli um seco. Essa era a coisa certa a fazer? Enfrentar tudo o que Aliha inventar de colocar em nosso caminho para ajudar a causar minha morte? Bom, eu tinha um arcanjo ao meu lado e a ajuda de outro anjo.

- Sim.

[...]

- São quase seis horas da tarde, imbecil! – gritou Bob para o novo estagiário que começou a trabalhar no café. Ele tinha apenas 16 anos e não fazia a menor ideia do que estava fazendo naquele café. – Ande logo, eu não vou ficar dando ordens para um garoto! Schyler, você cuida dele!

Ao ouvir meus nomes, revirei os olhos. Estava óbvio que Bob se vingaria do dia que deixei ele falando sozinho e colocaria o menino novo aos meus cuidados. Deixei o pano em que usava para limpar o balcão e fui até o menino.

- Oi. – murmurei, enquanto apontava o que ele tinha que fazer. – Desculpe pelo Bob, ele está de TPM masculina hoje. – o menino riu de minha piada e se colocou em frente ao que eu fazia. – Quando eu chamar, você leva o café e outros para os clientes, ok?

Concordando com a cabeça, ele foi atender alguns clientes e logo apareceu novamente com um bloquinho me dizendo todos os pedidos. Agora, sem muita pressão, o garoto até que estava conseguindo trabalhar sem muito esforço e até como se estivesse gostando.

Depois de algumas horas, eu finalmente poderia ir embora e isso indicava que... droga, eu e Gabriel veríamos Aliha para uma conversa séria. Eu tinha quase certeza de que algo ruim aconteceria, ainda mais porque, pelo o que Gabriel dizia, Aliha havia se voltado totalmente contra ele, então isso significava que ela não pensaria duas vezes em me matar. É, como se já não tivessem coisas o bastante querendo me matar.

Peguei minhas coisas, me despedi do menino novo e estava prestes a sair pela porta da frente do café, quando Bob apareceu me chamando. Eu o ignorei completamente, revirando os olhos só de ouvir sua voz, porém, algo que ele disse me fez parar bruscamente no meio do caminho.

- O... o que? – gaguejei.

- Eu disse, — disse ele alterando o volume da voz. – para você dizer para o seu namoradinho, que ele não é páreo para o que está por vir! Se cuide, Schyler, porque o inferno subirá para a terra!

Arquejei ao ouvir uma risada maligna atrás de mim. Entretanto, não fiquei ali para ver o resto, tropeçando em cada coisa a minha frente, sai correndo atrás do carro de Tristan em meio a tantos táxis de New York.

[...]

Gabriel não duvidou quando contei sobre Bob e sua frase maligna antes de me deixar correr dali. Eu tremia ao repassar aquela frase centenas de vezes em minha mente e sentia o ar faltar.

Droga, até ele?

- Eu disse que não seria nada fácil. – disse Gabriel enquanto eu via pela janela do carro, que estávamos indo até a área mais afastada da cidade. – Não confie mais nele, não posso ter certeza se esse cara é um deles ou não.

- Aliha já sabe que vamos vê-la? – murmurei ansiosa para mudar o assunto. Gabriel percebeu, então não voltou ao que eu dissera sobre meu chefe.

- Sabe. – suspirou. – Ela não está sozinha, posso sentir a presença de outros seres. Aliha é um anjo esperto, não vai querer se mostrar numa região humana, provavelmente vai nos levar até um lugar secreto ou algo do tipo. – ele desviou os olhos da estrada para mim. – Schy, você tem que confiar em mim, não importa o que ela diga.

- Eu confio.

Isso pareceu bastar para Gabriel. Continuamos o caminho em direção a algum ponto cego na estrada, uma região bem mais afastada de minha cidade do que o normal. O céu se estendia em uma neblina fina por causa do final da tarde e começava a anoitecer, uma hora nada agradável para encontrar um quase anjo da morte.

No meio do caminho, eu senti algo atrapalhando minha audição, quase como se alguém estivesse sussurrando coisas em meu ouvido perto demais. Era uma voz aveludada, quase que sedutora e perigosa. Dizia palavras em outra língua, mas rapidamente consegui compreender, como se eu já soubesse a tradução.

Segurem-se. Isso vai doer um pouquinho.

E antes que eu pudesse me dar conta, minha visão escureceu, eu senti meu corpo ser puxado para um lugar distante, uma sensação de que alguém havia enrolado uma corda ao redor de minha cintura e me puxado com muita força. Senti minhas entranhas se contorcerem e um grito escapou de meus lábios. Ouvi o grito de Gabriel, quem também tentava dizer algo, porém sem sucesso.

Em seguida, nossos corpos foram jogados contra um chão macio, um campo verde repleto de flores arroxeadas. Em torno, havia uma espécie de deserto, mas algo sem a areia, apenas um local completamente deserto. Meu corpo havia se esticado sobre as flores, por isso tive uma grande dificuldade de me levantar, sentindo cada ponto doendo.

Arrisquei uma olhada para o lado, e encontrei Gabriel na mesma situação, ele gemia como se tivesse sido atingido com força. Ele se levantou e, sem olhar em minha direção, esticou uma mão convidando-me para segurá-la. Com um pouco de dificuldade, segurei sua mão e olhei para onde ele encarava seriamente.

E lá estava ela, com sua horda de anjos de asas negras.

Era tão pálida quanto eu, exibia traços fortes e que marcavam, grandes olhos violeta como os de Gabriel. Era pelo menos, dez centímetros mais alta que eu, possuía longos cabelos loiros até a cintura e um olhar ameaçador, sendo coberta por um manto negro encapuzada. Logo atrás dela, haviam seis anjos também encapuzados, porém com asas grandes e tão negras quanto a noite pairando.

- Olá, Gabriel. – disse. Era a mesma voz que eu escutara antes de chegar aqui. – Vejo que veio com seu bichinho de estimação.

Sem dizer nada, Gabriel apertou mais meus dedos contra os seus, indicando que eu deveria ficar quieta o tempo todo. Respirei fundo enquanto era fuzilada pelo olhar impactante de Aliha – ela parecia ler minha alma, como se soubesse o que eu pensava naquele instante.

- O que querem de mim? – voltou ela a dizer de forma impaciente.

- Que reconsidere em mandar os anjos negros atrás de mim e Schyler. Aliha, você sabe o quão imprudente está sendo manda-los para nos matar! Nunca foi culpa dela, se alguém aqui merece queimar no fogo do inferno sou eu. – Gabriel rangia os dentes, com ódio. – E você, já que se voltou contra seu próprio irmão!

Isso foi como um tiro no estômago de Aliha e isso, pude ver claramente em seus olhos e a forma com que ficaram indignados.

- O que?! – esbravejou ela dando dois passos a frente. – Eu? Não é minha culpa que meu irmão resolveu se vingar dos humanos por terem tantos direitos e nós não! Você é um tolo, assinou a própria sentença de morte.

- Não. – disse ele simplesmente. – Você sabe bem o que vai acontecer se mandar os anjos negros atrás de Schyler. Estará colocando os humanos em uma guerra novamente! Vai cometer o mesmo erro que eu, Aliha!

- Eu não erro, não sou uma tola como você, Gabriel! – ela estava furiosa. – Você era um arcanjo, um dos anjos mais importantes de toda a hierarquia e conseguiu estragar tudo por causa dessa garota! Não é minha culpa o que você fez, eu apenas continuei do lado certo da guerra!

- Então, ficar contra mim era o lado certo da guerra? – sua mão esmagava a minha, porém me mantive onde estava, em completo silêncio. – Certo, então era! Eu não me importo que lado você escolheu, tudo o que estou pedindo é que reconsidere! Os demônios já estão a nossa procura, já basta eles, não quero estar contra você!

Aliha respirava fundo, seus olhos violeta começavam a tomar a aparência avermelhada, como se ela fosse explodir. Alguns dos anjos logo atrás dela se colocaram em posição, prontos para atacar caso alguém se opusesse.

- Nada do que disser vai mudar o que faremos com vocês. – disse ela soberana. – Ela é diferente. Os demônios querem seu pagamento por tentarem transformar a humanidade em completo caos, e você, Gabriel, é quem os soltou, então terá que pagar. – os olhos violeta de Aliha se voltaram mais uma vez a mim. – Eles não querem qualquer coisa. Schyler é diferente, não é uma mundana. Ela é o último mestiço que resta na humanidade, seus poderes podem ser maiores do que de qualquer anjo ou demônio. Se eles a matarem no inferno, serão indestrutíveis e terão sido pagos pelo trabalho anterior.

Engoli um seco.

- Temos que matar vocês, os demônios não podem tê-la. – continuou Aliha. – Sinto muito, mas são minhas ordens. Se preparem para o que está por vir.

E com isso, ela me lançou um olhar devastador antes de minha visão ficar completamente negra e eu desmaiar.

Notas finais
~pensando seriamente em dar uns tapas na Aliha~
Alguém mais me ajuda? kkkkkkkkkkkkkkkkk
Até o próximo, beijocas :) xx