Notas iniciais
E aí, gente? Preparadas para conhecer personagens novas?

Lucya passou a noite em claro, sentia-se dependentemente faminta e curiosa.

Elise Watson se descrevia como uma garota solitária, de poucos amigos.

No fundo Lucya a compreendia, colocando-se em seu lugar várias vezes quando Elise se sentia confusa.

— Amanhã nós temos aula, garota. – Gemeu Helena, do outro lado do quarto. – Dá pra apagar logo esse abajur e tentar dormir?

Mesmo com a luz desligada, Lucya não deixou de imaginar como Elise se deitava naquela cama, olhava para o teto do quarto e se sentia triste, incompleta.

Depois de refletir por alguns minutos, caiu no sono.

Na manhã do dia seguinte, Lucya foi acordada pelos berros de Helena, anunciando estarem cinco minutos atrasada.

Foi para a cantina do castelo, tomou café da manhã e seguiu rapidamente para a sua primeira aula de química avançada.

— Está atrasada, senhorita! – reclamou uma mulher encorpada de cabelos negros e olhos castanhos.

— O castelo é muito grande, perdão – absorveu a italiana.

— Não tolero atrasos, mas dessa vez passa, pois é o seu primeiro dia. – rezingou a professora de química.

Com as faces vermelhas, Lucya se sentou em uma mesa mais afastada. Os olhares de todos caiam sobre ela.

A professora de química pigarreou.

— Continuando; a química relata o estudo científico da constituição da matéria, suas propriedades, transformações e as leis que as regem.

Mais uma vez a mestra de química foi interrompida por outra aluna atrasada.

— Está em horário improprio. – ralhou ela.

A morena de olhos verdes ironizou; — Jura querida? Acredita que eu nem percebi?

— Cadê o seu uniforme? – perguntou rispidamente a professora.

— Não uso aquele vestido ridículo nem que me paguem. – respondeu com desgosto.

Antes de se voltar para o quadro e continuar a aula, a professora lançou um último olhar de antipatia para a aluna.

A garota sem uniforme procurou lugar e se acomodou justamente na mesa onde Lucya estava sentada.

— Alguém pode me dizer como era comumente chamado o modelo atômico de Thomson? — indagou a professora para as demais alunas presentes.

— Então, é o seu primeiro ano na escola? – a colega ao lado tentou puxar assunto com Lucya.

— É sim. – respondeu a garota.

— A proposito, eu me chamo Christy. – apresentou-se.

— Sou Lucya Marie...

— Pra fora! – ordenou a professora de química, olhando ameaçadora para as duas. – Vão conversar as duas bem longe da minha sala. Aliás, ambas causaram muita confusão chegando atrasada.

— Obrigada pelo favor. – resmungou Christy, pisando com força em direção à porta.

Lucya sentiu o corpo inteiro tremer e quase foi parar no chão enquanto caminhava pra fora da sala.

Ao bater a porta, escultou a voz alterada da professora; — Dá próxima vez, façam o favor de chegar cedo.

— Deve ser a sua primeira vez. – observou a recém conhecida, Christy. – Vamos cair fora daqui ou algum monitor chato vai nos levar para a diretoria.

Hesitante Lucya caminhou para fora do castelo. Sabia perfeitamente que não poderia se esconder no quarto, já que de manhã se fazia rondas.

— Pra onde vamos? – a italiana perguntou.

— Não faço ideia. – deu de ombros.

Detrás de três rochas imensas, fora das localidades escolar, jaziam Helena e mais outra garota cuja identidade ainda era desconhecida.

— O que fazem aqui? – perguntou Lucya.

— Matando aula, obvio. – respondeu Helena, um tanto esnobe. – Esta é Violet Rosalie, minha nova "coleguinha".

Violet, uma garota de cabelos castanhos um pouco na altura da costa sorriu sarcasticamente para Christy e Lucya.

— Vamos cair fora daqui, o que acham de tomar um banho no lago do castelo? – perguntou Christy.

— Dizem ser muito transparente. – comentou Violet.

— Há quanto tempo estão na escola? – perguntou Lucya.

— Desde ontem à noite. – as três responderam.

Com medo, Lucya as seguiu em direção a matinhas que ficavam um tanto distante do castelo.

— Acho que vi. Fica logo ali. – apontou Violet, para um campo de visão limpo de arvores e cercado por águas limpas e transparentes.

Sem pensar duas vezes, Christy despiu-se e pulou na água.

— É um pouco gelada – gritou ela. – mas é boa.

Violet e Helena se juntaram a recém-conhecida.

— Você não vem, Lucya? – quis saber Helena.

A italiana preferiu a companhia do diário de Elise Watson, leu algumas folhas e decidiu dar algumas voltas pela mata da ilha inexplorada.

— Volto daqui a pouco. — avisou para as garotas.

Lucya pegou um caminho aberto e começou a andar pela ilha. A temperatura costumava ser bastante abafada durante o dia. Por sorte, o lago e as árvores aliviavam a tensão, dando sensação de frescor.

— Esse lugar é incrível! — comentou, entrando mais para dentro. — me sinto uma exploradora descobrindo a floresta amazônica.

Distraidamente, Lucya não percebe a presença de uma inimiga verde e pegajosa.

— Meu pé! — grita ao sentir algo pica-la.

Amedrontada a cobra verde foge para dentro de arvores.

Desesperada começa a gritar loucamente, estava muito distante das garotas, em questão de segundos poderia ser vitima de uma morte dolorosa.

Aos prantos cai no chão frio, sentia sua visão começar a distorcer.

— Lucya? — ouviu os gritos de Helena vindo de um lugar muito distante.

Reunindo todas as únicas forças restantes, respondeu; — Aqui!

Então tudo ficou muito escuro e silencioso.

— Ela pode morrer, não pode? — Helena indagou para Violet.

Já se passava das onze, em um comodo afastado as garotas tentavam reanimar Lucya.

— Nós seriamos as culpadas? Céus, depois de tudo que eu fiz significaria a morte! — ofegou preocupadamente Violet.

— Calma, ela ainda está respirando... sorte ter trazido a cachaça... muita sorte! — murmurou Christy. — só que depois de perder cinco aulas, vou precisar de uma boa justificativa amanhã.

— Isso é o de menos! — disse Helena.

Aos poucos os olhos da garota foram se abrindo. Lucya ainda sentia dor, mas estava feliz por estar bem.

— Eu... Onde estamos?

— No quinto andar do castelo. — explicou Helena. — uma sala tão velha e empoeirada que me faz querer espirrar.

— T-tem mais alguém com a gente? — perguntou Lucya, tossindo um pouco.

— Só eu e eu. — respondeu Helena, olhando para um grande espelho.