School Killers
49 Nunca confiarei em você novamente
Notas iniciais
Poseidon não pode deixar de ficar preocupado quando viu o estado do filho, ele tinha emagrecido uns seis a sete quilos, o curativo em seu braço denunciava o tiro que ele havia levado e sua expressão denunciava dor.
Percy olhou o pai com hesitação, por um momento pensando que ele tinha ouvido a conversa que ele tinha tido com Annabeth no labirinto, mas ele aparentava calmo demais, impassível demais e pelo que ele se lembrava de Poseidon, o homem não tinha nenhuma dessas características.
— Sente-se — pediu apontando para a cadeira a sua frente, fazendo Percy assentir e ir em passos lentos até o local e fazer o pedido.
— O que foi? — indagou fraco se arrumando na cadeira.
— A escola está passando por momentos de crise e preciso falar algumas coisas aqui, estou como seu professor, não seu pai... — ele começou, mas Perseu riu fraco.
— Não se preocupe, não te considero meu pai a muito tempo — respondeu, mesmo não sendo completamente verdade, afinal tinha tido uma esperança quando o viu, mas tinha decidido desistir completamente de sua antiga vida quando esteve de volta com sua filha, estava ali por ela, apenas ela.
— Bom, a escola na verdade é um sistema de governo, um projeto secreto aonde usufruímos do segredo para recrutar criminosos... — Poseidon se cortou ao ver que ele não esboçava reação nenhuma — não está surpreso?
— Annabeth me contou tudo no labirinto, ela achou que era melhor eu saber aonde estava me metendo, apesar da diretora não ter contado detalhes para ela, Anne é inteligente, ela deduziu e me informou depois de nós conversarmos algumas coisas — Percy deu de ombros —, mas continue, conte o que tem que contar.
— Percy, o di Angelo me contou o que aconteceu, suas escolhas a favor da CIA e principalmente da ameaça que as atitudes deles causaram a sua filha — Perseu não pode deixar de demonstrar feições irritadas ao ver a menção da menina na conversa na boca de seu pai, mas ele desfez tal cara e apensa voltou a se demonstrar impassível — eu quero saber o que acha do colégio ser uma atitude do governo? E principalmente o que vai fazer com tal informação? É um traficante de alta-classe, um dos criminosos utilizado pelo governo...
— Eu entrei aqui por dinheiro, não tenho nada contra a escola ou ao governo, sim, eles ameaçaram minha filha, mas foi a CIA, o di Angelo, um dos funcionários desse colégio a salvou, não vou falar nada se é isso que quer saber, se eu tivesse a intensão de arruinar a escola eu não teria ajudado o di Angelo, eu não teria voltado para cá, eu estava do lado de fora, livre, posso ser lerdo, mas não sou burro, então, não, não vou falar nada e nem fazer nada com tal informação.
O pai do garoto engoliu em seco e assentiu suspirando, tirou do bolso uma agulha e uma caixa com um microchip.
— A escola está exigindo uma garantia, eu quero sua autorização para instalar esse microchip em seu corpo, ele vai monitorar seus sinais vitais e localização...
— E se eu abrir a boca ele me mata — o moreno colocou em pauta rindo, dando de ombros — sinta-se à vontade, pode instalar.
Poseidon assentiu se levantando e dando a volta na mesa instalando o eletrônico na nuca do filho.
— Suponho que não vá me apresentar a minha neta — Poseidon comentou se recostando na mesa o fazendo rir.
— Não, pai, não vou te apresentar a ela, você nem deveria saber da existência dela — Percy declarou dando de ombros —, mas entendo o ponto do di Angelo, com a crise que a escola se encontra ele achou que seria mais justo você julgar se eu seria ou não confiável, afinal você participou durante quinze longos anos da minha vida.
— Eu não sou a mesma pessoa de quando você era criança, Percy...
— Era o que você falava para minha mãe — o mais novo riu — desculpa, eu vou mudar, eu prometo, não vai acontecer de novo, e vocês sempre discutiam de novo, você sempre a traia de novo, você sempre tinha ataques de novo, você levou um filho seu para nossa casa e deixou sobres cuidados da minha mãe na maior cara de pau, você sempre bebia de novo, sempre fazia as escolhas erradas de novo e de novo, e sempre dizia: dessa vez vai ser diferente, eu mudei, não sou a mesma pessoa e minha mãe aceitava, por minha causa, ela achava que eu precisava de um pai, de um símbolo masculino, ela aguentava tudo que você fazia todos os dias, um bêbado nojento que só por ter dinheiro que não estava enfiado no fundo de uma grade imunda largado para apodrecer lá dentro, então não me interessa se você realmente mudou, você pode ser a melhor pessoa do mundo, pode dizer que me ama quantas vezes quiser, pode mover as montanhas por mim e seus outros filhos espalhados pelo mundo, eu nunca vou deixar você se aproximar da minha filha, porque não vou esperar para depois vir novamente com mais um pedido desculpa e promessas que você não cumpre, ela é minha filha e eu vou ser um pai melhor do que você um dia sonhou em ser, pois eu vou garantir que ela não precise se perguntar se pode confiar em mim, se eu não estou mentindo para ela ou algo do tipo.
Perseu se levantou batendo a mão nas calças e encarando o pai no fundo dos olhos.
— Eu não te odeio, pai, mas eu nunca vou confiar em você novamente e por esse motivo eu quero você longe da minha vida, por esse motivo eu fugi quando tinha quinze anos, posso ter feito escolhas erradas, mas essa não foi uma delas — ele pigarreou se afastando — posso ir embora ou tem algo mais que queira me dizer?
— Pode sair, espere na sala do final do corredor, é a única porta sem nada escrito, depois vão liberar você para ir embora, recolher suas coisas e provavelmente o di Angelo vai te levar até sua filha.
Percy assentiu, dando as costas e saindo sem olhar para trás, como fez da primeira vez alguns anos atrás, suspirando cansado. Ao entrar na sala sorriu suave ao ver alguns de seus amigos já reunidos ali. Thalia estava adormecida novamente nos braços do irmão, Annabeth conversava baixo com Leo que tinha Bianca também adormecida, cansada devido aos efeitos do gás. Até mesmo Rachel estava ali quase dormindo com um sorriso suave nos lábios tentando prestar a atenção na conversa que Leo e Anne tinham.
Ele se juntou aos amigos sorrindo de leve para eles, que continuaram a conversar o puxando para o bate papo que se estenderia por algum tempo e o faria esquecer a conversa que ele havia tido com o seu pai.
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