School Killers

38 Aula teórica sobre manipulação. Você controla a situação?


Notas iniciais
Hey cerejinhas, tudo bem? Espero que sim! Sábado responderei os comentários não respondidos e dito isso deixarei que vocês leiam o capítulo. Espero que gostem! Boa leitura! Boa aula!

Thalia se sentou ao lado de Annabeth, pegando seu caderno e suspirando cansada. A aula de hoje seria teórica, então abriu seu caderno sorrindo para a amiga e achando graça das orelhas de gatinho azul que prendiam a franja recém feita de seu cabelo para trás, exibindo seu rosto e deixando que apenas os cachos loiros emoldurassem suas feições.

A menina não usava muita maquiagem, apenas lápis branco na linha d’água, os cílios com muita máscara, aumentando-os mais do que o normal, as bochechas avermelhadas a deixando mais fofa com um toque de iluminador e um batom rosa claro, o que com certeza era básico demais para a menina que tinha mania de sair por aí com roupas temáticas e exóticas, tudo sempre muito colorido.

No dia de hoje a Chase usava um vestido azul bebê justo ao corpo, com a saia de prega ganhando destaque de acordo que descia, o tecido não ultrapassando a metade de sua coxa, um cropped de moletom branco com corações azul claro espalhados por todos eles e nos pés uma sapatilha branca, que agora balançavam com tranquilidade sem tocar no chão devido a cadeira alta.

A porta se abriu de supetão e todos se calaram, e a aula deu-se início, mas foi de automático, assim que a voz se fez presente todos olharam surpresos para o homem que falava e Thalia sentiu seu coração falhar miseravelmente quando os olhos azuis elétricos bateram nele.

— Manipulação mental, é uma chave importantíssima em qualquer trabalho que você tenha em sua vida — Nico falou em voz alta, o sotaque italiano revelando sua verdadeira origem, ele jogou a arma que estava no cos de sua calça na mesa, se apoiando na madeira, virando-se para os alunos, cruzando os braços — apesar de terem entrado nessa escola para aprender a matar, fazer tal nem sempre é a melhor escolha, alguém sabe me dizer o motivo?

Annabeth levantou a mão, chamando a atenção do professor que sentiu o coração parar rapidamente ao ver a Grace sentada. Os olhos azuis elétricos levemente arregalados em surpresa, marcados com uma maquiagem escura, tão intensos que ele quase podia ver os raios tremeluzirem ali. Os lábios entreabertos com o batom vermelho vivo. As roupas consistiam em uma calça cintura alta e um cropped preto de renda que mais aparentava ser um sutiã do que qualquer outra coisa, a pele branca perfeita sem nenhuma marca visível.

— Chase — autorizou a menina falar, engolindo em seco e molhando os lábios.

— Nem sempre é aconselhável matar, pois qualquer assassinato fora de seu alvo você não vai ser pago por tal, sem falar que aumenta as chances de deixar rastros — a loira falou, oscilando de maneira mais discreta possível os olhos entre a melhor amiga e o professor a sua frente.

— Exato — o italiano desviou o olhar para qualquer ponto que não fosse a aluna — é aí que se entra a manipulação, estar no controle da situação, nem sempre é estar na frente, claramente sendo você que está comandando e falando as pessoas a ordem, é deixar que o outro acredite que ele está no controle. Qual a maneira mais comum de se controlar alguém?

Ninguém se prontificou a responder e ele assentiu.

— Sexo — respondeu ele mesmo vendo que ninguém sabia. — É comum, principalmente mulheres usarem do seu corpo no nosso meio para manipular, obviamente essa não é uma matéria que vocês terão aulas práticas porque todos aqui saberão que o outro está tentando te manipular, mas o principal é fazer o necessário para conseguir o que quer, e no caso de vocês pode ser informação ou sair impune de algo. Uma outra questão muito comum é que pessoas que normalmente falham em manipular é que elas tentam, mas claramente não gostam do que estão fazendo.

Ele se desencostou da mesa, dando a volta e sentando-se em sua cadeira.

— Muitas vezes vocês vão ter que fazer coisas que provavelmente vocês não gostariam de fazer, mas vocês escolheram essa vida e se quiserem continuar nela, e não provavelmente atrás de uma grade de cadeia, nunca façam desgosto por nenhuma atitude, vocês são assassinos, façam o necessário para continuar impunes por seus crimes.

Nico declarou e depois se levantou novamente indo ao quadro e continuando a aula. Thalia encarou seu caderno, sua respiração mais descompassada do que deveria, era loucura, era o di Angelo bem ali, dando aula para sua turma como se nada nunca tivesse acontecido, como se ele não tivesse desaparecido por meses sem nenhum rastro deixando todos pensando que ele estava morto.

— Estão liberados — o professor autorizou, vendo os alunos começarem a sair, indo até sua mesa e começando a arrumar as coisas ali.

Ele viu uma sombra surgir sobre a madeira, levantando o olhar para a garota que estava a sua frente, alguns alunos ainda saiam.

— Algum problema, senhorita Grace? — ele questionou, arrumando a postura.

— Eu tenho algumas perguntas sobre a matéria — mentiu, entrando no teatrinho enquanto os últimos alunos se retiravam.

Nico sentiu um calafrio subir por sua coluna ao ouvir a voz dela e não gostou nada da sensação. Arrumou a postura se apoiando na cadeira e assentindo.

— Diga — permitiu, mas a porta se bateu e a menina conferiu que só tinham eles dois antes de se virar indignada para ele.

— Você sumiu, sem falar nada, apenas desapareceu — acusou, largando os livros na mesa que separava os dois o vendo suspirar.

— Eu tinha que cuidar de uns problemas, foi uma missão de última hora, não tive tempo de falar com você — por que estava se explicando a ela? Pensou torcendo o nariz.

— Você tem plena noção que eu achei que meu pai tinha te matado? — questionou irritada, levando a mão na cintura, mesmo que um alivio descontrolado estivesse crescendo por seu peito, era realmente ele ali, ele estava vivo e bem.

O homem deu a volta na mesa com calma, a fazendo dar um passo para trás, todavia ela se manteve perto dele o vendo recostar-se na madeira como normalmente ficava em todas as aulas.

— Eu sei o que você pensou, mas eu não podia dar sinais que estava vivo — respondeu com calma, levando uma mão para o braço dela.

— Meu pai disse que te deu uma opção... — comentou, observando a mão dele calejada descer por seu braço desnudo, até estar em suas mãos, entrelaçando seus dedos.

— Ele me deu a opção de ir embora e continuar minha vida, ou voltar, que ele não interferiria mais em nada — respondeu calmo a vendo suspirar.

— Ele me contou de seu passado... — admitir aquilo a fez sentir seu estômago revirar com isso, abaixando o olhar para seus dedos entrelaçados.

Nico nem ao menos se moveu, continuou daquela maneira, um suspiro suave saindo de sua boca.

— Imagino que queira saber o motivo — ele concluiu molhando os lábios, quando não obteve resposta continuou — controle, essa sempre foi a questão, eu tinha que dominar a situação independente de qual fosse, quando eu sentia que estava o perdendo eu tinha que arrumar esse problema, por isso fiz tudo que fiz, desde pequeno.

— Quando nos conhecemos a primeira vez eu perguntei o porque você ter entrando na escola, você não me respondeu, qual o motivo? — levantou o olhar e ele se mexeu desconfortável, como tinha feito na primeira conversa que eles tiveram, todavia estando menos fechado do que já deveria fazer quase um ano que tinha se passado.

— Eu me adaptei ao que tinha, era uma criança, mal sabia o que estava fazendo, apesar de ter um ótimo raciocínio, nunca pensei no que realmente era certo ou errado e agi por impulso, mesmo tendo planejado passo a passo e quando seu pai me encontrou e me ofereceu a vaga, era isso ou viver ao relento, aceitei a proposta de estudar aqui então.

— Foi meu pai que te achou? — indagou confusa e ele assentiu.

— Seu pai me achou, me colocou nessa escola, garantiu que eu tivesse imunidade no primeiro ano, mesmo que fizesse merda eu não morreria, arrumou meu primeiro trabalho e me ensinou muitas coisas.

— Então você ainda se sente no controle da situação? Em relação a mim — questionou, o encarando nos olhos, o negro se misturando ao azul elétrico, algo tão intenso e inexplicável, ambos com cargas emocionais demais para serem explicados, histórias diferentes, um mundo completamente problemático que tinha sido danificado de diversas maneiras por várias pessoas, mas que tinham achado um lugar, naquele momento que não era caótico.

— Definitivamente não — ele respondeu a segurando pela cintura e a puxando para si.

Ao selar seus lábios ao dela ele finalmente se tocou o quanto sentia falta do toque dela, mesmo que não soubesse explicar e tendo consciência que sentia saudades de Thalia, ele só teve a compreensão de quanto quando ela retribuiu seu beijo, as mãos indo para seus cabelos enlaçando os dedos ali e puxando sem poupar forças, ao mesmo tempo que o afastava, o trazia para mais perto, a outra mão indo ao seu ombro, encravando a unha ali sem dor e piedade.

O coração dos dois entraram em sintonia, acelerados, o desespero pelo contato, algo tão confuso para ambos, mas ao mesmo tempo que fazia com que todas as perguntas simplesmente evaporassem de seus cérebros, pois parecia tão terrivelmente certo.

Nico virou, empurrando os materiais da mesa sem se importar ao ouvir algumas coisas caindo no chão. Colocou-a sentada ali a puxando pela coxa para juntar mais seus corpos, separando o beijo e indo a curva do pescoço dela, inalando o perfume dela antes de começar a beijar a área, sentindo-a tentar tirar sua jaqueta de couro e a ajudando-a fazer tal.

Se separaram, os olhos dos dois se cruzaram novamente, a pupila dela tão dilatada que o azul quase tinha sumido, se tornando negro, a respiração ofegante não de cansaço, não por buscar mais ar, mas por querer mais contato, os lábios entreabertos, e definitivamente aquilo parecia muito certo.

Notas finais
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