School Days
1 When we was young, oh man, did we have fun...
Notas iniciais
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( i. first date. )
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— O que foi dessa vez?
— Dicas, Megan. Eu preciso de dicas.
— Dicas do quê?
— Eu tenho um encontro hoje.
— Ah, claro.
Ela riu. E foi com gosto, como se estivesse caçoando da confissão — acreditava, de verdade, que ele ia sair naquela noite. Não tinha motivos para duvidar! Mas a situação era simplesmente cômica, já que o ruivo era a pessoa menos galanteadora que conhecia quando se tratava de encontros, e ver ele pedindo a sua ajuda era ainda mais engraçado. A morena era tão ruim quanto.
— Eu não 'tô brincando...
— Quem você vai encontrar?
— Bom, aí já não é da sua conta.
— Rude! É aquela garota do primeiro ano?
— Não.
— Então é a que sentou com você nas últimas três aulas de biologia?
— Não...
— A que te pagou um lanche?
— Não é uma garota.
Fizeram silêncio. O menino apenas tratou de virar o rosto, envergonhado; já ela não estava tão surpresa assim.
— Ah, tá. Então é o Raven.
— Vai se foder. Como você sabe?
— Não é difícil adivinhar. Você olha pra ele o tempo todo.
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( ii. after midnight. )
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— É a terceira vez no mês que vocês saem de madrugada. E é assim, tipo, há uns seis meses. Pelo menos já decidiram o que querem da vida?
— Eu não vou ouvir sermão de você.
— Não é sermão. Eu estou perguntando se você vai levar isso pra frente, Kalfr.
— Levar pra frente?
— Pedir o cara em namoro. Ir pra cama com ele. Ou lembrar que a sua incrível amiga te conseguiu um cara bonito e retribuir o favor...
— Desculpa se eu peguei o seu melhor amigo antes de você.
— Eu posso tentar superar. Me diz, o que vocês são?
— Amigos.
— Aham.
— Com alguns benefícios.
— Alguns.
— Megan...
Um dos seus passa-tempos favoritos era, definitivamente, deixar ele sem graça. Porque ele ficava daquele jeito por qualquer coisinha. Não fazia nem um ano desde que conhecera o mais novo — já que ele era um aluno novo, também, e nem nascera na Inglaterra; era islandês, se lembrava bem — e já o considerava uma pessoa bem mais interessante do que todas as outras dali.
— Você quer dar pra ele, não quer?
— O que?!
— Você. Raven...
— Não precisa repetir!
— Você quer.
— Não quero...
— Quer.
— Talvez.
— Kalfr.
— Quero.
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( iii. all the small things. )
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— Aquele cara novo que entrou na escola... você conhece ele, não conhece?
— Cara?
— É. Eu acho que é um cara.
— A Agni? É uma mulher, não um cara.
— Sério?!
— Aham. Você se interessou nela?
— Não...
— Eu imaginei que sim. Quer que eu fale com ela?
— Não!
— Depois da prova eu pergunto se ela quer ir no baile de formatura contigo.
— Eu nem conheço ela, Kalfr.
— E você tem um par?
— Talvez.
— Ok. Não. Então ela vai ser o seu par.
— Eu te odeio.
— Eu também te amo, Meggie.
— Tch. Boa sorte na prova.
— Eu não preciso de sorte, meu amor.
— Ah, precisa. Porque eu vou te matar quando esse sino tocar.
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( iv. going away to college. )
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— O barulho estava insuportável lá dentro...
— Bom, é assim que bailes funcionam.
— É, tem isso. Mas eu fico feliz de estar sozinho com você, de qualquer forma.
— O que você quer dizer com isso?
— Nada demais. Não me entenda errado. É sério.
— Eu não tinha interpretado nada.
— Ótimo.
Os dois estavam deitados no gramado dos fundos do colégio, observando as diversas estrelas brilhantes que predominavam o céu escuro daquela noite. A música conseguia ser ouvida de longe, mas era completamente ignorada também.
Seguraram as mãos. Olharam-se. Tudo tinha começado no começo do ano letivo, o último ano do colégio, e estava acabando ali. Tinha passado rápido. Muito rápido.
— O que você vai fazer quando sair daqui, Raven?
— Eu não sei. Acho que eu ainda tenho algum tempo para pensar.
— É, mas não muito.
— Talvez o seu conceito de tempo seja diferente do meu.
— Talvez.
— Mas você vai voltar pra casa?
— Eu não tenho motivos pra ficar.
— Oh, wow.
— Meu Deus, desculpa.
— Tudo bem. Eu acho que eu vou ter que me focar em pensar em um motivo agora. Antes de pensar no que fazer da vida.
— Suas prioridades estão meio erradas.
— Eu acho que não.
— Então temos conceitos diferentes quanto à isso também?
— É provável.
— Vamos voltar pra dentro.
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( v. what's my age again? )
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— Eu nunca pensei que ia me divertir tanto.
— É bom ouvir isso. A ajuda daquele idiota não foi em vão então, não é?
— O Kalfr não é idiota...
— Ele é.
— Um pouquinho.
— Se você diz.
— Vocês tem alguma briga antiga, ou...?
— Na verdade, não. Eu só adoro implicar com aquele cara, mesmo.
— Ah. Eu te entendo, se for dessa forma.
— Heh. Devo te levar em casa?
— Não precisa.
— Mesmo?
— Mesmo. Eu me viro sozinha.
— 'Tá bem, então. Toma cuidado.
— Eu vou tomar.
— Te vejo pelas férias.
— Te vejo...
A morena teria respondido adequadamente se a outra garota não tivesse roubado os lábios antes de dar-lhe a chance.
Sinceramente, foi melhor daquela forma.
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( vi. always. )
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— Não atende mais o telefone, Raven?
— Eu estava ocupado...
— Com o seu namorado.
— Com o meu- sim.
— O que vocês decidiram, afinal?
— Acho que o Kalfr vai ficar por aqui. Ele não quer ir embora. Mas a indecisão dele me deixa confuso às vezes.
— Você se acostuma.
— Eu me acostumo.
— Ele deve ficar nervoso com aquela coisa de ser filho de padre e estar namorando com...
— Sim, é isso.
— Deve ser complicado morar com alguém como aquele cara.
— Eu tenho a vaga impressão de que entendo um pouco.
— Ah, sim. Seu pai.
— Pois é.
— Que bom que vocês estão bem. Mas hoje você é meu, corvo. Eu tenho muita coisa pra te contar. Foi horrível da sua parte, se ausentar tanto da vida da sua melhor amiga assim...
— Eu não me ausentei. Eu só me ocupei um pouco mais.
— Que seja. Mas hoje eu não vou te dividir. Vamos sair pra tomar alguma coisa.
— Tudo bem. Sem objeções.
— Nenhuma?
— Nenhuma.
— Vai desligar o celular?
— Sem chance.
— Chato.
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