Schizophrenic

17 20 de março de 2015


Notas iniciais
Eu sei que eu prometi ontem, mas vamos fingir que nossos relógio estão algumas horas atrazadas, ok? Gostaria de agradecer todos os reviews que recebi até agora, saibam, como eles tem sido importantes para mim. Espero que gostem.

“20 de março de 2015

Caro Christopher,

meu dia hoje passou bem rápido. Fui para a escola, voltei para a casa e passei a tarde fugindo do Isaac. Kyle veio aqui hoje, ficamos conversando sobre formas como acabar com o Isaac (risos), claro que nada sério, apenas piadas.

Bem, nem sei exatamente porque estou escrevendo isso, vou me arrumar agora para ir à casa do Bryan, acho que só quero te convencer a ir comigo. Vamos? Por favor, Bryce vai me deixar louco, e com certeza Isaac, no fim das contas, vai também e... Deixa pra lá, faz mais de uma semana que eu não te vejo e é obvio que você está me evitando.

Até mais, Chris.”

Guardei meu diário no fundo falso da gaveta, onde guardei também meu álbum de fotos com Chris, se deixasse em qualquer outro lugar, tenho certeza de que minha mãe o jogaria fora.

A água morna que escorria pela minha cabeça me ajudava a pensar, ou mellhor, amenizava um pouco a pressão que eu sentia, nem meus remédios, que eram feitos para isso, me ajudavam a pensar, ou melhor, pensar com clareza.

Saí do banheiro com uma toalha enrolada em minha cintura e me deparei com Isaac sentado em minha cama, não que aquilo me surpreendesse. Peguei uma calça e uma cueca no armário e dei meia volta em direção ao banheiro, mas ele me segurou.

–Não precisa ir para o banheiro se trocar, — ele disse – pode fazer isso aqui mesmo.

–Se você sair daqui, faria isso com o maior prazer. — respondi sério.

–Está exigindo muito, não acha?

–Vai se fuder, Isaac.

Ele avançou para cima de mim derrubando a calça que estava em minha mão, e me segurou com o braço na parede. Minha respiração estava ofegante por causa do susto. Seus olhos azuis escuros me esquadrinhavam, tentando observar cada detalhe meu, cada traço meu que ele ainda não conhecesse, cada poro em meu rosto. Ele se aproximou lentamnte de mim e selou nossos lábios.

Meu primo beija bem? Muito. Seu beijo é extremamente viciante? Com certeza, mas tudo o que ele fez comigo...

Eu o empurrei com força.

–O que aquele dançarino de merda tem que eu não tenho? — Isaac gritou chateado.

–Pela milionésima vez, Bryce e eu não temos nada!

–Você só engana a si mesmo. Eu já vi como você olha pra ele Adam, e como ele olha para você, pare de negar.

–Pode deixar eu me trocar agora?

–Claro.

Ele puxou a minha toalha, me deixando completamente nú e saiu do meu quarto.

–E eu vou com você. — ele gritou antes que a porta batesse.

Me vesti e desci para a sala, Isaac já estava lá me esperando.

Meu primo não parava de me encarar, mas não falava obsolutamente nada comigo.

–Ele nunca vai se conformar que vocês...? — Chris perguntou aparecendo ao meu lado.

–O que está fazendo aqui? — Balbuciei, não importa se estava escuro no carro, ele entendeu.

–Achei que talvez precisasse de mim.

Eu sorri discretamente e peguei na mão do Chris, era bom senti-lo ao meu lado.

James parou na frente da casa dos gêmeos, eu pedi para que ele viesse nos pegar à meia noite e meia antes de sair do carro.

Logo que entrei, vi que não estavam só algumas pessoas do teatro, Bryce se colocou ao meu lado e me disse que na verdade era uma reunião dos membros do musical, por tanto ali tinha membros da equipe de dança e música, além do teatro. Adooooro conhecer gente (deu pra sacar a irônia?), ok, eu conheci o pessoal do teatro, mas eu meio que precisava, então não conta.

Isaac sumiu nos primeiros cinco segundos que chegamos, pelo menos não preciso lidar com ele a noite toda.

Me sentei em um sofá de dois lugares esperando que Bryce sentasse ao meu lado, mas ele foi para a cozinha. Chris sentou no braço do sofá e ficou rindo.

–O que foi? — balbuciei.

–Sua cara. — ele respondeu – Você gosta dele.

–Não.

–Ok, se quer se iludir, se iluda.

Eu sispirei e levantei do sofá sem me importar se Chris estava atrás de mim, ou não. Eu sei que não deveria andar pela casa dos outros, mas eu sou curioso por natureza, e minha curiosidade falou mais alto que a ética.

Eu estava em uma espécie de sala íntima, quando senti um toque no ombro me assustando.

–Não devia estar aqui. — Bryce falou com um leve sorriso.

–Desculpe. — falei fazendo menção de voltar, mas Bryce me impediu.

–Mas agora que está, fique. — ele se aproximou de mim, mas eu dei um leve soco em seu estômago, antes que ele se aproximasse mais.

–Não.

–Porque não?

–Não gosto de caras, está bem? — menti.

–Seus lábios e sua língua dizem outra coisa. Bryan falou com você?

–Sobre?

–Deixa pra lá, você e meu irmão são amigos e não quero que pense algo negativo sobre ele por minha causa.

–Fala logo, Bryce.

Pude jurar que vi um sorriso e um brilho maldoso passar por seus olhos por um segundo, devia voltar a tomar meus remédios.

–Há um ano eu... Ele descobriu com a namorada dele. Não me julgue, ok? Ela estava mal, ficamos bebados e deu no que deu. Dois meses depois ela me ligou e me disse que estava grávida e ela sempre usou camisinha com o Bryan. Quando ele descobriu... Nossa, ele ficou muito puto, ele... perdeu completamente a cabeça. Os pais dela descobriram e se mudaram para Londres, peguaram seu celular, apagaram suas redes sociais. Ele se chama Brendon e... eu não tenho nem uma fotdo do meu filho e acho que ele nunca irá descobrir que sou seu pai. Desde então, qualquer relacionamento que eu tenho ou qualquer pessoa que eu gosto ele estraga. Ele provavelmente vai contar essa história pra você quando tiver a oportunidade, mas é claro, me colocando como o dissimulado.

–Porque está me contando essa história?

–Porque eu gosto de você. E... você será a próxima vítima do Bryan.

Ele segurou minha mão e antes que me desse conta estávamos nos beijando, dessa vez, não tivemos pressa, eu de certa forma estava conciente do que fazia e realmente queria fazer aquilo, ou ao menos, acho que queria.

–Tenho que conversar com umas pessoas, mas ainda quero falar com você depois. Ok?

Eu afirmei com a cabeça ele se foi.

Continuei com minhas andanças pela casa, fuquei com medo de me perder, ´sério. Chris vinha logo atrás de mim, mas estava no mais completo silêncio, nem acreditava que ele realmente estava quieto.

Passei por uma especie de sala sem portas, que possuía um piano de cauda. Meus olhos brilharam ao ver aquelas teclas de marfim. Passei meus dedos por algumas teclas de uma forma bem rápida, tocando uma introdução de uma música. Olhei para os lados, e ao ver que estava sozinho, me sentei de frente para o piano.

–Não sabia que tocava. — Bryan falou me assustando.

–Meu pai pagou aula para mim dos seis aos dez anos. — falei parando de tocar. — Desculpe, não deveria estar aqui.

–Tudo bem.

–Toca?

–Não, meus pais que compraram isso, nem sei pra quê. Toca alguma música.

Toquei uma parte de uma das partituras de Bethoven, e ao fim, Bryan aplaudiu.

–Não faça isso, foi uma merda. Faz muito tempo que eu não toco.

–Não sabia que você tocava – A voz de Christopher ecoava em minha mente, juntamente com o brilho eu seu olhar, ao ver meus dedos dançarem nas teclas do piano.

–Está exigindo muito de si mesmo.

Ele se sentou ao meu lado.

–O que está achando?

–Não sou muito fã de festas e digamos que sou um pouco reservado.

–Também não gosto muito. Foi ideia do Bryce, achou que uniria os grupos para realizarmos o projeto.

Seus olhos viajavam entre meus lábios e meus olhos, ele inspirava profundamente como se estivesse pensando e criando coragem.

–Nem pense. — falei – Olha, sou seu amigo e amigo do seu irmão, você e ele tem todoo direito de estarem brigados, mas não quero ficar no meio disso, ok?

–Do que está falando?

–Não quero estar no meio dessa vingança. Pronto, falei. Ele teve um filho com sua namorada, você guardou rancor, legal, mas eu não estou com seu irmão e não irei ficar.

–Espera, Bryce lhe disse que ele é o pai do Brandon? E que... Eu sou o vingativo? Ele está passando dos limites. Olha, não sei exatamente o que meu irmão lhe falou, mas o filho é meu, ele que levou o corno e... Eu que fiquei com a Rafaela.

–Ele me disse que falaria isso.

–Ele mentiu Adam. Ele não suporta me ver feliz, por isso mentiu para você, por isso pediu ao Oliver para que ele pedisse para vocês fazerem aquela cena.

–Porque ele faria isso?

–Porque eu gosto de você.

Ele me beijou me pegando desprevinido. Seu beijo era voraz, como se ele precisasse fazer aquilo, envolvente e... doce, era viciante.

Eu o empurrei, não queria estar no meio daquilo tudo, mas ele continuou, eu empurrei mais forte, fazendo ele se bater contra a parede.

Eu saí correndo dali atrás do Isaac, enquanto mandava uma mensagem para, James.

***

Eu estava em meu quarto, com a cabeça no colo do Christopher, enquanto ele afagava minha cabeça.

–Porque empurrou o Bryan? — ele perguntou.

–Porque sim.

–A propósito, acho que você deveria se afastar do outro, do Bryce, não gosto dele.

–Mas eu sim, ele é a única pessoa daquele ninho de víboras da escola que eu confio.

–Pois não devia.

–Eu tô cansando desse parafuso, dessas voltas sem fim. Já disse como sinto sua falta? Era mais fáci lidar com as coisas com você por perto. Minha culpa.

–Para de se culpar, Adam. Não foi culpa sua. Não foi sua culpa nos afastarmos.

–Fica aqui comigo hoje?

–A noite toda.

–Boa noite, Chris.

Notas finais
Maior capítulo que escrevi, tava inspirado. Qual verdadeira intenção dos gêmeos com Adam? Qual problema do Isaac? Porque Adam acha que estragou tudo? Aproveitando o momento, recebi um review de um leitor, que me perguntou se havia algum ator que seria a imagem dos personagens, mas eu disse que não tinha ninguém em mente, mas e vocês? Como vêem os gêmeos? Adam? Isaac? Chris? Kyle? E qualquer outro personagem que para você seja importante. Mandem nos reviews. (PS: Não precisa ser todos eles).