Schizophrenic
15 16 de março de 2015
Notas iniciais
“16 de março de 2015
Caro Christopher,
meu domingo ontem foi uma loucura. Lembra do meu primo Isaac? Aquele menino um ano mais velho que nós, que nos acompanhou para aquela viagem à casa de campo? Bem, ele e seus pais estão aqui em casa, chegaram no sábado. Pois bem, ontem eu acordei com ele me encrando, não perguntei há quanto tempo ele estava ali, tive medo da resposta, quando pedi para ele se retirar, que eu precisava trocar de roupa, ele disse que não se incomodava.
Depois do almoço, e depois de diversas tentativas frustradas de evitar o Isaac, eu decidi que aceitaria o convite do Bryce e iria para a casa dele, seria mais facíl lidar com o dançarino do que com meu primo, mas minha mãe me obrigou a levar o Isaac e aí eu não poderia mais dizer que não iria ver meu... amigo?!
A casa do Bryce é incrível e enorme, bem maior que a minha casa, e olhe que eu achava que minha residencia merecia um mapa. Bryan não estava lá e seu irmão não sabia me dizer onde ele estava, no momento eu pensei que não seria tão ruim o Isaac estar ali, pelo menos poderia esquecer por ora o que havia acontecido no meu teste.
Ficamos jogando videogame no quarto do Bryce, sua decepção era quase paupável, era obvio que ele queria que estivessemos sozinhos. Depois de algum tempo, Isaac perguntou onde era o banheiro, vi um sorriso se formar no canto dos lábios do Bryce.
Isaac saiu do quarto.
–Porque tem me evitado? — ele perguntou quebrando o silêncio.
–Não estou lhe evitando. — respondi sem olhar para ele.
–Você fez de novo. Foi por causa do beijo? — eu não respondi e ele começou a rir – Foi por causa do beijo. Adam, você sabe que aquilo... Aquilo foi só uma encenação, não sabe? Não foi um beijo de verdade.
Naquele momento algo se quebrou dentro de mim, mas afinal eu sempre suspeitei, não foi?
–Sei. — respondi por fim um pouco cabisbaixo.
Ele levantou meu rosto pelo queixo, olhou em meus olhos e selou nossos lábios. Começamos uma disputa por espaço nas bocas um do outro, ao mesmo tempo que perdiamos o ar lentamente.
–Isso foi um beijo de verdade. — ele respondeu ofegante.
Depois que Isaac voltou jogamos mais um pouco, enquanto eu tentava fingir que nada havia acontecido.
Era por volta de quatro da tarde, quando tivemos a brilhante ideia de jogar verdade ou desafio.
Isaac girou a garrafa e esta parou com a pergunta voltada para ele e a resposta voltada para mim.
–Verdade. — falei antes que ele perguntasse. Assim que falei me arrependi quando vi um brilho maldoso passar por seus olhos.
–Você ainda fala com o Chris? — Ele perguntou antes que eu pudesse manda-lo parar.
–Vamos. — falei me levantando.
–Quem é Chris? — Bryce perguntou.
–Ele... — Isaac começou.
–Não ouse. — o interrompi sério.
–Quem é Chris? — Bryce perguntou de novo.
Eu saí do quarto e Isaac veio logo atrás de mim.
Voltamos em silêncio para casa, eu não pudia acreditar que Isaac havia contado, eu não conseguia acreditar que aquele filho da puta...
Igonrei o Isaac o resto da noite e não falei com Bryce hoje na escola. Fiquei aéreo a aula inteira inclusive na de esgrima, o professor reclamou comigo.
Quando voltei para casa, meus pais e meus tios haviam saído e Isaac esperava em meu quarto.
–Porque? — eu perguntei.
–Seu namoradinho deveria saber do seu amigo imaginário. — ele falou com um sorriso de escário.
–Isaac...
–Adam, pare de dizer que o Christopher existe, ou existiu, porque nós dois sabemos que não é verdade e acho que o Bryce devria saber também.
Ele saiu e me deixou sozinho. Quem me dera aquele ser o único motivo de eu odiá-lo, não Chris, não é apenas por ele saber a verdade sobre você, ele... Tem alguém na porta,
até mais, Chris.”
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