Schizophrenia
9 Quarto andar
Sigo em direção ao meu carro atordoada, continuo respirando fundo, a medida que ando vou dispersando meus pensamentos, controlando a minha raiva e indignação.
Que babaca!
Eu que iria ajudar ela, eu salvei ela! Não ele!
Entro no carro, não espero nem um minuto a mais ou a menos, já dou a partida e saio dali, o mais rápido que posso. Sigo em direção a minha casa, já são 15:25.
Nossa! O tempo voou, e com o passar das horas posso sentir meu corpo extremamente cansado e dolorido, os meus pequenos machucados começam a doer um pouco agora.
Acho que seria uma boa me distrair até o caminho pra casa, ligo o rádio e está tocando uma música desconhecida para meus ouvidos, não me importo, vou tentar manter minha concentração na estrada, e deixo a música de fundo para tentar relaxar.
Para minha “sorte” Camila mora a uma boa distância da minha casa, o que faz eu demorar mais que o previsto por conta do trânsito.
Passando um bom tempo eu chego em casa, estaciono meu carro, e saio logo em seguida, entrando em casa pela porta da garagem. Mal coloco meus pés dentro de casa e já posso ouvir vozes vindo da sala. Bom, a visita não é pra mim, e se for minha família, eles não estão me esperando, vou direto para o meu quarto então. Mas assim que passo por frente a porta, posso ouvir meu nome ser chamado.
—Lauren!
Reconheço a voz de primeira, sei muito bem quem estava me chamando, e não era um bom sinal, ouvir sua mãe te chama assim logo que você chega em casa.
Engulo em seco. Sigo em direção a sala.
Então vejo que tem uma pessoa com ela na sala, um homem para ser mais especifica, não posso ver seu rosto por estar de costa para mim.
—Oi mãe. — Falo sem graça.
E então ela se levanta da poltrona que estava sentada.
—Já era hora! — Diz ela se inclinando levemente para frente, para pegar a bandeja na mesa de centro, então nesta hora o desconhecido vira a cabeça em minha direção. Minha expressão de raiva era evidente. Então ele ri para mim, como se não fosse nada de mais.
—Luis está te esperando faz hora, ele até almoçou com a gente, e agora estamos tomando um cafezinho. — Ela continua falando sem me olhar. Luis mantem seu olhar fixo no meu. — Lauren, como pode deixar um rapaz como ele esperando, ainda mais quando veio te ajudar com trabalho da faculdade!
—Estava ajudando uma amiga e…
—Ah! Amiga sei, não quero você ajudando amigas, quero você aqui, recebendo ajuda de Luis, que é um garoto responsável, amável e muito educado, que apesar de saber da sua doença mental, ainda esta aqui por você! Deveria ser grata por isso, acha que mais algum homem vai te querer quando souber disso?
—Clara, eu nã…
—Não me interrompa Lauren! Você esta na minha casa, e eu estou recebendo uma adorável visita, não estrague isso com seus surtos, estou cansada disso! Quero que você se desculpe com Luis agora!
—Eu não…
—Não me faça repetir Lauren!
—Me… des…culpa… Luis — Falo seu nome com nojo.
Minha mãe me encara com raiva.
—Eu aceito suas desculpas Lauren. — Então ele sorri debochado. Idiota.
Minha mãe ao ouvindo essas palavras parece melhorar sua expressão.
—Aí meu bem, que bom viu! Você é um homem de ouro mesmo! — Falando com ele, ela sorri alegremente. Então ela se vira para mim e voltar a falar. — Já você — faz uma expressão de nojo. — Se comporte, e vê se o trata bem, ele está aqui para te ajudar! Não seja ingrata como foi com seu pai. — Então sinto como se tivesse acabado de levar um soco. — Tenho que sair agora, viu, mas fica bem meu querido, e venha nós ver mais vezes, se Chris estivesse aqui ele estaria te alugando até agora. — Os dois riem com intimidade. — Até mais meu querido, e manda um beijo para seus país!
—Pode deixar dona Clarinha, irei vir te visitar com mais frequência que imagina. — Então eles sorri um para o outro novamente. — Pode deixar que o beijo será dado.
Então eles se abraçam, e ela o beija no rosto.
Então minha mãe se retira da sala com a bandeja, sem me olhar ou falar qualquer coisa.
—O que você pensa que está fazendo? Você é louco? Ou só se faz de surdo?
Assim que minha mãe sai eu já o ataco com um monte de perguntas, a raiva na minha voz e grande, mas controlo o tom, sei muito bem que minha mãe está no cômodo ao lado.
—Opa, o que aconteceu com o pedido de desculpas? — Ri debochado.
—Não se faça de idiota! Eu falei com você hoje de manhã, achei que deixei bem claro!
—Lauren, eu sou seu amigo, me preocupo com você e sua família, sera que não consegue ver isso? — Fala me encarando. Ao perceber que não mudo de expressão, ele baixa a cabeça, é ai que ele analisa meu corpo. — O que aconteceu com você? Por que esta assim toda machucada? — Ele pergunta se aproximando de mim, e eu me afasto assim que ele chega mais perto ao ver minha atitude depois do seu ato, ele para.
—Não é da sua conta! Eu já te falei isso! Eu não que você me seguindo, ou a minha família!
—Lauren eu sou seu amigo e…
—Não! Você não é meu amigo! E eu não quero você por perto!
Então em um movimento rápido ele se aproxima de mim.
—Não me quer como seu amigo? Certeza? Se eu fosse você ficaria esperta, pode não me querer como amigo, mas eu sou muito próximo de sua mãe, e garanto que ela me quer por perto! Imagina se eu comentasse com ela, sobre a filhinha dela, que anda pelos campus da faculdade feito uma louca, ou que fica conversando sozinha no estacionamento, e na fonte! — Engulo em seco ao ouvir essas palavras, sabia muito bem o efeito que elas iriam trazer se minha mãe ouvisse aquilo. — Eu diria que a princesinha dela não anda tendo mais efeitos com os remédios, ou pior que não anda os tomando!
—Viu! Você é um perseguidor nojento!
Então ele ri achando graça.
—É melhor começar a tomar cuidado com o que fala Lauren! Tenho certeza que você não quer voltar para aquele buraco! É melhor me querer como amigo Lauren. — Em um movimento rápido ele beija minha bochecha. — Ou melhor algo a mais! — Me afasto bruscamente, e ele ri.- Tenho que ir agora Laur, foi bom passar esse tempo com você, nós vemos amanhã!
Sem esperar que eu diga algo ele sai da sala.
Me sinto suja, estou enojada com o que acabou de acontecer, me sinto enjoada. Fico um tempo parada ali, mas logo decido ir para meu quarto, é melhor, preciso de um banho, cuidar desses machucados, e de uma boa noite de sono.
Ao sair da sala do de cara com Taylor.
—Ah! Oi… — Falo sem graça, sera que ela está à muito tempo ali?
—Oi… — Fala meio sem jeito.
—Estou indo tomar banho, qualquer coisa só me chamar… — Ela apenas assente, então eu passo por ela, e vou em direção da escada, quando escuto ela me chamar.
—Lauren. — Fala baixo, então engulo em seco, e me viro lentamente. Para ela me chamar, com toda certeza é porque ela ouviu a conversar.
—Sim Taylor. — Falo a encarando. Ela parece ficar intimidada, e abaixa a cabeça.
—Eu só queria dizer que Luis é um babaca, e eu nunca fui com a cara dele!
Fico surpresa com sua fala, não esperar ouvir isso.
—Sim, ele é um babaca!
—Acho que deveria se afastar dele, ou fazer um boletim de ocorrência, ele te ameaçou e vive te perseguindo! Isso não é certo!
Então com um sorriso acolhedor me aproximo dela, passo uma de minhas mãos sobre seu rosto.
—Tay, com o meu histórico ninguém acreditaria em mim, o máximo que iria acontecer é eu ter que voltar a ter minhas consultas, mas mesmo assim muito obrigada pela dica, mas não precisa se preocupar, deixa que com Luis eu me resolvo. — Falo calmamente, mesmo com essa situação, uma certa alegria tomou meu coração, a muito tempo não sentia alguém de minha família preocupado comigo, e saber que Taylor, mesmo que lá no fundo se importa, foi uma sensação maravilhosa.
—Entendo, mas mesmo assim não acho certo o que ele faz e sair impune, só cuidado para não fazer nenhuma besteira!
Dou risada, quem diria minha irmã caçula cuidando de mim.
—Pode deixar Tay, irei tomar cuidado. — Ela concorda com a cabeça mais uma vez, e então me afasto dela, sabia que não tinha mais nada a ser dito.
Estava no primeiro degrau da escada, quando ela me chama novamente. Agora ela está do meu lado, no corredor da escada, a única coisa que nos separa é o corrimão.
—Laur… — Então eu olho para baixo, um degrau fazia muita diferença de altura entre nós.
—O que?
Ela pareceu ficar sem jeito, e então se meche desconfortável.
—É que, eu… eu ouvi a conversa de vocês… quer dizer… não tudo… não estava espionando longe disso, eu só ouvi o final…
—Esta tudo bem Tay, pode falar. — Não, não esta tudo bem, e eu sinto medo do que ela pode falar, do que ela tenha ouvido, ou interpretado, mas mesmo assim eu ajo como se estivesse tudo bem, não quero que ela se sinta mal perto de mim.
—Eu só… Você não anda tomando os remédios, anda?
E mais uma vez fico surpresa pela pergunta que me faz.
Mas fico sem resposta, e com medo de falar a verdade, ou a meia verdade, envergonhada eu apenas abaixo minha cabeça. Não tem o que falar, acho que ela sabe muito bem a resposta. Ao fazer esse gesto ela suspira.
—Está tudo bem Laur, só não deixa a mamãe saber, se ela souber disso, as coisas não serão boas, e não deixe aquele idiota te ameaçar, ou achar que tem algum domínio sobre você!
—Hey Tay, esta tudo sobre controle, não precisa se preocupar!
E então ela baixa a cabeça.
—Lauren — Fala baixinho. — Você viu o papai?
—Sim — Falo no mesmo tom de voz.
E então ela olha para mim esperançosa.
—E como ele esta? Ele está bem? Você viu ele indo?
—Taylor. — A interrompo. — Tay para ser franca, acho que Michael esta perdido, quando eu o vi, ele não sabia o que fazer, ou onde ir. — Falei ainda baixinho, encarava o chão, não conseguiria olhar para ela agora, sei muito bem que ela esta me analisando.
Ficou em silêncio por um tempo.
—Hum… quando foi a última vez que você viu ou falou com ele?
—No ce…mitério…
Gaguejei. Droga!
—Laur… — Ela me chama mais uma vez naquele dia. — Eu sei que… que… bom… eu sei que o papai não agiu da melhor forma com você, o que ele fez não foi certo, mas Lauren, ele estava com medo, ele não sabia como lidar com você, sei que isso não justifica, mas ele era um bom pai, ele tomou as atitudes erradas, mas isso não o torna uma má pessoa, eu… eu… o amo, Lauren, sei que você têm muita magoa dele, mas por favor, ajuda ele, ajuda ele, ele… ele… — Então as lágrimas escorrem por seu rosto. — Ele foi uma boa pessoa, ele é uma boa pessoa… ele… ele… — Então ela começa a soluçar, e então eu a abraço.
—Está tudo bem… está tudo bem Tay. — Começo a falar baixinho.
—Por favor…
—Esta bem, eu irei ajudar, eu vou ajudar…
—Promete?
—Prometo!
Ficamos mais algum tempo assim. Não sei ao certo quanto tempo foi, mas foi o suficiente para Taylor parar de chorar, e agradecer, não conversamos mais nada, ela apenas agradece e sai.
Então eu sigo em direção ao meu quarto. Entrando nele eu fecho e tranco a porta, encosto minha costa contra ela, e lentamente deixo meu corpo relaxar, e sem pressa vou deslizando até o chão e me sentar, encolho minhas pernas, até meus joelhos entrarem em contato com meus seios. Fico um tempo assim.
—Lauren?
Escuto alguém me chamar, no susto levanto rapidamente, aquele som veio de muito perto para ser alguém me chamando fora do quarto. Então caminho até a janela, e abro a cortina lentamente.
—Não estou na janela!
O som vem de trás de mim, fazendo com que eu me vire bruscamente. E então vejo o Sr. Cabello.
—Alejandro? O que está fazendo aqui?
—Precisava falar com você!
—Como você soube a onde eu moro?
—Olha menina, não é porque estou morto que não tenho meus contatos. — Falou risonho, achando graça de sua piada infame.
—Certo! — apenas concordei. — E o que você precisa exatamente?
—Primeiramente quero te agradecer por ter salvo Camila, graças a Deus que você percebeu os sinais que eu te dava, pura sorte, como você faz uma coisa dessas? Como pode tomar seus remédios logo hoje? Depois deu ter te dito que Camila corre perigo, você me afastou completamente, não me deixou ajudar, se eu não tivesse te alertado hoje, se seus remédios tivessem total efeito, Camila poderia estar morta agora, melhor VOCÊS poderiam estar mortas agora e…
O que? Como assim? Está louco, só pode, que papo é esse. Calma espera ai, estou levando um sermão de um espirito? Isso é sério?
—Ei Ei Ei! Calminha ai Alejandro, que historia é essa? O que aconteceu hoje foi um acidente! Do que você esta falando?
—Acidente! Sério Lauren? Depois de tudo que te falei, você realmente acha que foi um acidente? — Me olha indignado.
Calma, não foi um acidente? A pessoa do carro não perdeu o controle do carro? Bom… se pararmos para pensar aquele carro surgiu do nada, bem na hora que ela estava atravessando, e o carro nem parou para ver se nós estávamos bem, é realmente era muito estranho tudo isso.
—E quem fez isso Alejandro?
—Eu não sei…
O QUE?
—O que! Como assim não sabe? Você sabe quem te matou certo? Deve ser a mesma pessoa! Quem foi?
—Eu não lembro…
—Como assim você não se lembra!? Isso é…
—Lauren! Eu não lembro ta legal, a cada dia ou hora que se passa minhas lembranças são apagadas aos poucos, eu não sei o que fazer, estou desesperado, e a única coisa que te peço e para ajudar minha filha!
Ele grita desesperado, eu apenas fico quieta, deixo passar um tempo para ver se ele se acalma.
Mas que merda! Que espirito inútil! Além de me atormentar, não se lembra do que é necessário para eu poder ajuda-lo, que brincadeira de mau gosto, que…
—Lauren…
—O que?
—Preciso que você vá até Camila, ela precisa de você!
—O que? Como assim? Eu acabei de vir da casa dela, deixei ela em boas mãos, a do namoradinho dela. — Falei com nojo o nome namoradinho.
—Ele é um bom rapaz, trabalha para mim faz um longo tempo, mas ele teve que sair para resolver assuntos da empresa, e teve que deixar Camila sozinha, eu não a quero só, então por favor, ligue para ela…
—Alejandro, eu não sou nenhum tipo de babá, e outra se ela corre risco de vida mesmo, eu também estarei em perigo! E eu já experimentei essa dose hoje, não sei se estou afim de repetir!
—Por favor Lauren, me ajude a cuidar da minha filha, ao menos uma vez! — Vejo o desespero em sua voz, não sei se alma penada chora, mas se chorasse, era o que ele estaria fazendo agora.
—Está bem, eu vou falar com ela!
—Obrigado! É, uhuuul! — Ele comemora fazendo alguns gestos com as mãos.
—Calminha ai amigão, tem que ver se ela está afim de me ver, mais uma vez!
—Claro que vai, você é uma mulher linda, um colírio para os olhos!
—Haha Engraçadinho! Fica quietinho agora, que eu vou ligar para ela.
Eu falo, e ele passa a mão sobre a boca fingindo ser um zíper. Reviro os olhos.
—Espera! Eu não tenho o número dela! — Falo ao lembra que nunca pedi o seu contato.
—Não seja por isso, esse número ainda lembro de cor! — Alejandro diz alegre.
E então eu pego meu celular, e disco os números que ele fala. Chama algumas vez até ela atender.
—Alo?
—Camila?
—Sim, quem é?
—Sou eu, Lauren, Jauregui Lauren! — Falo atrapalhada. E ele começa a rir. Reviro os olhos mais uma vez.
—Oh! Sim, claro Lauren, mas, eu não me lembro de te passado meu número!? — Soou como uma pergunta mas também uma afirmação.
—Tenho meus contatos de outro mundo, sabe como é… — Falo fazendo graça.
Ela ri.
Sr. Cabello me olha com desaprovação.
Olho para ele com cara de: O que você queria?
Ele apenas nega com a cabeça.
—Camila, eu te liguei na verdade para saber se você quer sair comigo, tipo hoje ainda? — Meu coração dispara, troco o celular de mão, não tinha notado que estava soando tanto, até parecia que eu estava a chamando para um encontro romântico, que pensamento ridículo, onde estou com a cabeça? Achando que estou ajudando uma garota com a ajuda de seu pai morto, que ideia ridícula, eu sou ridícula!
Alejandro faz sinal de positivo com as duas mãos.
É agora.
Narrador On
No campus da faculdade, a morena dos olhos castanhos, corria para todos os lados, ela buscava o casal que a muito tempo tinha perdido de vista. Ela procurou em todos os lugares imagináveis, desde os corredores dos prédios, a banheiros e salas privadas, mas não obtinha nenhum sinal deles. Nem por celular, onde já devia ter lotado a caixa de voz da menina baixinha. A cada minuto que passava mais desesperada ela ficava. Já não sabia mais o que fazer ou onde procurar. Passou um tempo andando de um lado para o outro, até que uma luz iluminou seus pesamentos. Os dormitórios! O único lugar que ela não foi, e não tinha pensado em ir até agora. Novamente ela começa a correr pelos corredores da faculdade, com o telefone ainda na orelha, apesar de ter uma ideia de onde a garota poderia estar, não iria desistir de ligar. Após uma corrida longa e cansativa, a morena chega no prédio, então ela para um pouco para recuperar o folego, apoiando suas mãos sobre os joelhos, depois de respirar três vezes profundamente, ela se levanta endireitando sua postura, passando sua mão pela testa, em uma tentativa de se limpar do suor. E então ela segue em direção a entrada, e sobe até o quarto andar. Mais uma vez respira profundamente, e cria coragem e da duas batidas na porta. Foi o suficiente para que uma jovem mulher abrisse a porta, não completamente, só o bastante para ver seu rosto.
Então ela encara confusa a garota em sua frente.
—O que faz aqui Danielle?
—Eu… eu vim ver você, como você esta? Esta tudo bem?
—Sim, é claro que esta! Por quê não estaria Danielle? — Fala rudemente.
—Como assim Allyson? Abre a porta, me deixa ver você!
—Fala baixo! Você esta me vendo! Qual é o seu problema!? — Mantinha seu tom rude na voz.
—O que?
Faz uma cara de confusa, ela não entendia o motivo da mais nova estar a tratando daquela forma, e então sem dizer mais nada, ela tenta empurrar a porta, com cuidado para não machucar a garota. Allyson é pega de surpresa, sem estar preparada para aquela atitude acaba cedendo facilmente.
Então a cena que Dani presencia deixa ela em choque, sem reação alguma.
A sua frente ela vê Troy deitado de bruços na cama de Ally, dormindo, está completamente nu, o que o ajuda a esconder parte de seu corpo nu é um lençol branco, no qual esconde suas nádegas. E então ela olha para Allyson e analisa seu corpo, e então ela percebe que a garota só usa uma camisa enorme, que provavelmente é do garoto deitado na cama. Ela não consegue dizer nada. Ally fica um tempo sem reação, mas depois de ver a cara que Danielle faz para ela, é o suficiente para que ela tome uma atitude.
Então bruscamente ela empurra a mulher para fora de seu quarto, parece estar muito irritada.
—Fica fora da minha vida! Está entendendo? Você não tem o direito de se meter nela!
E então ela bate a porta na cara da garota. Ally não se importa com o barulho que faz, algo que poderia acordar o garoto deitado em sua cama, mas que por sinal está em um sono tão profundo que o barulho alto não foi o suficiente para acordar ele, lentamente ela deslisa seu corpo pela porta, até senta no chão, e então seus olhos se enchem de lagrimas.
Do outro lado da porta, Dani se mantem parada, seu rosto não demonstrava nenhum tipo de reação, ela só a encarava.
Até que uma mão pousa em seu ombro.
—Está tudo bem, uma hora ela vai entender, querida!
—Mas quando? Quando ela vai entender?
Dito isso ela só fica mais alguns segundos parada até, seguir em direção a saída.
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