Scenes Of Our Lives
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Notas iniciais
– Oi para você também, Prongs! – Sirius disse dando um curto aceno com a mão quando o amigo passou andando rápido pelo cômodo e sem dizer nenhuma palavra.
– Ah... vocês estão ai. Oi.
– O que aconteceu? – Remus perguntou franzindo a sobrancelha e observando a expressão formada por uma mistura de emoções de James.
– Já explico. Preciso falar com o Dumbledore.
– Chegou tarde. – Sirius falou tirando os pés da mesinha e se sentando mais reto no sofá. – Ele saiu daqui há uns quinze minutos.
– Merlin! Porque ele nunca fica aqui na sede?
– Sei lá. Vai ver ele tem coisas mais importantes para fazer do que ficar aqui bebendo firewhisky com a gente. – Disse Remus dando de ombros.
– Mas eu preciso falar com ele!
– Falar o que?
– Er... da ultima missão. – James respondeu passando a mão pela parte de trás do cabelo.
– Ah é! Como foi? – Perguntou Sirius se inclinando e apoiando os braços nos joelhos.
– Tranquila. Só o Voldemort que apareceu no final e tumultuou um pouco as coisas, aquele babaca, mas fora isso, tudo bem.
– O quê? – Exclamaram Sirius e Remus juntos.
– Mas... mas... mas vocês só tinham que ir até O Caldeirão Furado tentar trazer mais gente para a Ordem! – Sirius disse aumentando o tom de voz a cada palavra.
– Eu sei.
– Ele simplesmente apareceu n’O Caldeirão Furado? Resolveu relaxar e beber alguma coisa?
– Ele estava na rua quando saímos de lá. Não sei vocês, mas não acho que tenha sido uma feliz coincidência ele estar lá.
– É, acho que não. – Remus disse concordando com a cabeça. – Dumbledore acha que tem algum espião na Ordem.
– E eu acho que ele está certo. – Sirius falou passando a mão pelo rosto.
A sala ficou em completo silencio por longos e intermináveis segundos. Os três amigos apenas se encaravam preocupados. James parecia inquieto até que por fim falou:
– Cadê o Wormtail?
– Dumbledore mandou ele em uma missão ontem. Acho que ele foi para algum lugar no norte.
– Hum... bom, eu falo com ele depois então.
– Falar o quê? – Sirius perguntou.
– Er... eu vou sair da Ordem.
– Você o quê? – Os dois amigos perguntaram juntos outra vez.
– E a Lily também.
– Como é que é?
– Pelo menos vamos parar de sair em missões.
– Do que é que você está falando? – Sirius perguntou se levantando do sofá.
– Tudo isso é porque vocês já deram de cara com Voldemort três vezes? – Remus exclamou se levantando também.
– É isso? Não acredito! Vocês fugiram bem embaixo do nariz dele as três vezes! – Sirius continuou. – Não... calma...
– Não é isso!
– Então o que é? Nós precisamos de vocês aqui!
– Eu sei. – James suspirou. – Mas agora tem alguém que precisa mais.
– O quê? – Sirius perguntou enrugando a testa. – Prongs, será que dá para explicar direito essa história? Por que é que de repente vocês dois decidiram sair da Ordem?
– A Lily está grávida. – James falou com um sorriso torto, olhando fixamente para Sirius e Remus cujas bocas se abriram instantaneamente sem emitir nenhum som.
A sala mergulhou em completo silêncio mais uma vez e levou um tempo maior ainda do que da primeira vez para que ele fosse quebrado.
– Ah... vocês tem alguma vizinha que chama Lily? – Sirius perguntou levantando uma sobrancelha.
– Não que eu saiba.
– Compraram um cachorro e colocaram o nome de Lily? – Ele continuou.
– Você sabe que você é o único cachorro na minha vida, Pads.
– Ok, então estamos mesmo falando da Lily? – Remus indagou. – Só para ter certeza...
– É... estamos.
– A Lily? – Sirius perguntou. – Aquela que é ruiva?
– Essa mesma.
– Olhos verdes?
– Sim.
– A que mora com você? – Remus perguntou.
– Uhum.
– Aquela que é meio mal-humorada quando você entra na cozinha espalhando lama por todos os lados?
– É.
– A Evans? Aquela que disse que preferia sair com a Lula-Gigante a sair com você no quinto ano?
– Você não precisava lembrar disso, Moony, mas é essa mesma.
– Então... a Lily, Lily Evans Potter... – Sirius falou com uma cara de quem fazia um enorme esforço para juntar as ideias. – então... a Lily está grávida?
– Sim. – James sorriu ainda mais e ao mesmo tempo tentou não rir da cara dos amigos, que se sentaram sincronizadamente no sofá a frente dele.
– E o filho... é seu?
– Bom, eu espero que sim. – James riu.
– Ok, isso é informação demais para uma noite só.
– Er... Prongs, sem querer ser estraga prazeres nem nada, mas... vocês sabem que estamos em guerra, né? E que... bom, não é o melhor momento para se ter um filho. – Remus falou.
– É, a gente sabe. – James respondeu, o sorriso sumindo de seu rosto. – Mas... bom não foi nada planejado e... e é por isso que estamos saindo da Ordem e... é, sabemos que não é o melhor momento e... a Lily está apavorada... e acho que eu também...
– Merlin, Remus, você é mesmo um estraga prazeres! – Sirius exclamou e abriu um grande sorriso. – Ele estava feliz!
– Eu sei, desculpe, eu só...
– Não, você está certo, Moony. – James interrompeu. – A gente não tem a mínima ideia do que estamos fazendo! Quer dizer... eu... eu realmente estou... feliz... muito feliz! Mas tem uma guerra acontecendo! A gente está lutando nessa guerra! Um bebê não pode nascer no meio disso tudo! E... e se Voldemort... – James se levantou e começou a andar de um lado para o outro, tentando sem sucesso conter as lagrimas de medo e desespero que se formaram nos olhos dele. – Se Voldemort chegar perto desse bebê e... se ele, de qualquer jeito, machucar meu filho, eu não sei o que eu vou fazer! Eu...
– Ei, ei, ei! Calma ai, Prongs. – Sirius se levantou e o puxou de volta para a poltrona onde o amigo estava antes sentado. – Vocês não são tão idiotas assim. Vocês conseguem cuidar de um bebê.
– E acha mesmo que enquanto cada um de nós estiver vivo a gente vai deixar Voldemort machucar esse bebê? – Remus perguntou sorrindo.
– É. E você está esquecendo da Evans! A Evans mal deixa eu chegar perto da cozinha dela com medo de eu quebrar alguma coisa, acha que ela vai deixar alguém chegar perto do bebê dela? E por falar nisso, você tem que fazer alguma coisa sobre isso, porque estou vendo o dia que vou chegar lá e ela vai me fazer comer no quintal em um guardanapo.
– E você! Você também nunca ia deixar ninguém chegar perto do seu filho. Ou da Lily. – Remus completou.
– Ou de mim. Por que você me ama. – Sirius falou rindo.
James e Remus apenas olharam para ele com um quê de riso nos rostos.
– Enfim... – Lupin continuou. – E eu tenho certeza de que esse bebê pode contar com a Ordem inteira para proteger ele.
– É. Prongs, não tem como esse bebê estar mais protegido.
– Talvez se não tivesse uma guerra...
– É, pode ser, mas uma hora essa guerra vai acabar. – Sirius deu de ombros. – Mas agora que você já surtou, vamos resolver assuntos importantes.
– O que?
– Bom, é claro que eu vou ser o padrinho, né?
– Hum, estava pensando que seria melhor você ser o cachorro.
– Ficou louco? Sirius comeria o sofá, a parede, a mesa, enfim, a casa toda se ele fosse seu cachorro! – Remus interrompeu.
– Tem razão. – James disse pensativo. – Tudo bem, Pads, você pode ser o padrinho.
– Ganhei de você, Moony! – Sirius disse abrindo um grande sorriso e apontando para Remus.
– Ok, tenho que voltar logo para casa. Lily está sozinha. – James falou se levantando e caminhando em direção a porta.
– Ei, Prongs. – Sirius se levantou. James se voltou para ele. – Parabéns!
Sirius abraçou o amigo e Remus logo seguiu o exemplo.
– Obrigado. – James falou sorrindo, olhando para baixo e passando a mão pelo cabelo.
– É, é, é... agora vamos logo para a sua casa contar para a ruiva que já achamos um padrinho perfeito para o bebê. – Sirius falou e saiu pela porta. – Mal posso esperar para ver a cara de felicidade dela! Vai pular de alegria!
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