Scenes Of Our Lives
61 Juntos
Notas iniciais
A primeira vista o pequeno apartamento poderia ser considerado vazio, mas um segundo olhar mostraria uma mulher de cabelo ruivo escuro e brilhantes olhos verdes empoleirada em uma cadeira próxima a janela que ia do quase do teto ao chão. Ela observava a rua sem atenção, o olhar vago e levemente desfocado, enquanto segurava uma xicara de chá já frio nas mãos.
Duas leves batidas na porta a fizeram dar um pulo na cadeira, derramando o resto do chá no chão. Lily se virou abruptamente para a porta, e apesar de já estar esperando visitas, empunhou mesmo assim a varinha antes de perguntar em voz alta:
– Quem é?
– Eu!
– Você sabe que não é assim que funciona. – A ruiva falou se esforçando para não revirar os olhos. Já tinham passado por esse ponto tantas vezes.
– Eu, James Potter – A voz dele veio um tanto impaciente do outro lado da madeira, assim como a da namorada. — um animago que se transforma no mesmo animal do seu patrono, um cervo, parte dos Marotos e um dos criadores do Mapa do Maroto.
Ela percorreu o pequeno espaço até a porta, a abriu, puxou James para dentro e a fechou rapidamente, lançando um olhar rápido para o corredor.
– Achei que vinha mais tarde, você me assustou. Porque veio agora?
– Estava sozinho em casa. Não quis ficar lá sem fazer nada. – Ele falou balançando os ombros.
– Sozinho? E o Sirius?
– Dumbledore chamou ele mais cedo. – James respondeu e se largou no sofá, observando Lily andar de um lado para o outro, nervosa.
– Por quê? Está tudo bem? Eles...?
– Está tudo bem, Lily. – Ele revirou os olhos e a puxou pelo braço quando ela passou na frente dele. – Dumbledore sempre chama algumas pessoas antes quando temos missões grandes assim.
Ela concordou com a cabeça e se ajeitou sob os braços de James, fechando os olhos e respirando fundo enquanto ele mexia distraído no cabelo dela.
– E os outros dois? Achei que iam passar por aqui também.
– É lua cheia, Lils, Moony não...
– É lua cheia? – A mulher levantou repentinamente a cabeça do ombro do namorado. – Merlin! Eu esqueci completamente! Eu sempre mando uma coruja para o Remus na lua cheia... – Acrescentou em voz mais baixa, falando mais com ela mesma do que com James.
– Tudo bem, acho que ele vai entender dessa vez. – James acalmou-a e riu baixinho. – Todo mundo está com muita coisa na cabeça hoje.
– E o Peter? – Lily perguntou depois de se arrumar outra vez sobre o corpo de James.
– Vai direto para a Ordem mais tarde.
– Eu acho isso loucura. – Lily balançou a cabeça.
– Wormtail ir direto para a sede? – James perguntou confuso.
– Não! – Ela exclamou e deu um leve tapa no peito dele. – Toda essa missão! Dumbledore está colocando quase toda a Ordem nisso, ele próprio está indo e sinceramente, eu não acho que faremos muito progresso com tudo isso.
– É tudo ou nada, Lils.
– Você concorda com essa missão? – Lily questionou, o tom de voz sugerindo certa indignação quando ela se afastou um pouco e olhou nos olhos de James.
– Acho que se tivermos um pouco de sorte ela pode...
– Por fim nisso tudo, eu sei... – Ele interrompeu. – Mas sinceramente, acho que Dumbledore devia se basear em mais do que “um pouco de sorte”.
– Ele está se baseando na Ordem inteira, Lily.
– James, nós estamos praticamente indo acampar no quintal do Voldemort!
– Não é bem assim...
– Como não? Dumbledore acha que sabe onde Voldemort e os Comensais estão e nós estamos indo atrás!
– É como eu disse: tudo ou nada.
– Não acho essa uma estratégia inteligente. – Lily balançou a cabeça outra vez, cruzando os braços.
– Lily... – James começou, passando a mão na parte de trás do cabelo e olhando para baixo. – Eu...
– Ah, Merlin! Desculpe!
– Que? – Ele levantou a cabeça, confuso.
– Você só está falando tudo isso para se manter calmo, não é? Você também está nervoso.
Ele apenas ficou olhando para ela, sem responder verbalmente, mas encarando-a de um jeito que não deixou duvidas.
– Desculpe.
– Você está certa. Isso não vai acabar bem.
Lily se deitou sobre as pernas dele e ambos ficaram em silencio enquanto lá fora o céu escurecia mais e mais. A lua cheia, que tanto preocupava, já brilhava sobre o manto azul escuro salpicado de estrelas quando a mulher se levantou vagarosamente do colo de James, como se estivesse acordando.
Os dois se levantaram mais devagar ainda do sofá e ficaram em pé, por um momento, olhando um para o outro, ainda sem dizer nenhuma palavra, a respiração ficando mais profunda a cada segundo, e os corações alternando entre batimentos rápidos por alguns segundos para depois diminuir o ritmo consideravelmente.
– Bom... – James começou. – Vamos?
Lily apenas concordou com a cabeça, piscou demoradamente e caminhou até a porta, despois de pegar a varinha na mesinha de centro e guardar dentro das vestes. Ela já tinha aberto a porta quando James, ainda parado no mesmo lugar a chamou:
– Lily.
– Hum? – Ela respondeu sem se virar para ele, olhando para o corredor do prédio vazio a sua frente.
– Casa comigo?
Lily ficou parada, um sorriso cobriu seu rosto enquanto ela ainda estava de costas para James, então, lentamente, assim como tudo que os dois tinham feito naqueles últimos minutos, ela fechou novamente a porta e se virou para ele.
– Você só está perguntando isso por que acha que vamos morrer essa noite, não é?
– Não só por isso. – Ele sorriu. – E eu sei que você não vai morrer essa noite. Você não vai deixar eles te pegarem.
– Nem você. – Ela rebateu depressa.
James apenas deu de ombros, fazendo Lily andar rápido até ele.
– Não vai! James você não vai morrer! Não! Eu... eu... – As lagrimas começaram a transbordar enquanto ela falava, aumentando gradativamente a voz. – Não fala isso!
– Lily, calma...
– Não! Eu não quero ir nessa missão! Ainda mais com você falando coisas assim! Eu não acho que isso vai dar certo! É arriscado demais e não acho que estamos nem perto de estarmos preparados e...
– Ei! Lily! – James segurou-a pelos pulsos, a deixando bem perto dele. Os olhos verdes vivos brilhando de lagrimas ao encontrar os castanhos-esverdeados dele. – Fica calma.
– Eu não quero ir, James. Não quero que você vá. – Ela o abraçou forte, escondendo o rosto no peito dele. – Não quero que ninguém vá.
– Eu sei. – James falou em voz baixa enquanto passava a mão pela cabeça dela. – Lily?
– Hum?
– Você não respondeu minha pergunta.
– Precisa mesmo que eu responda, James? – Ela afastou o rosto do corpo dele para poder olha-lo enquanto o sorriso voltava para seu rosto.
– Bom, se você não responder eu posso entender errado, preparar toda uma festa e você não aparecer. Vai ficar meio vergonhoso. – Ele riu.
– É claro que eu me caso com você, James!
James sorriu amplamente, pegou Lily no colo e a beijou demoradamente, levaram vários segundos até que ele a colocasse outra vez no chão e os dois se separassem.
– Ah... eu... eu comprei um anel, mas eu não trouxe, eu...
– Você comprou um anel? – Ela interrompeu-o, estreitando os olhos.
– Sim.
– Um anel de noivado?
– Sim.
– Como...?
– Ah... eu li em algum lugar que os trouxas fazem isso e... – Ele falou, passando a mão pelo cabelo.
– Onde? – Ela riu.
– Algum lugar...
– James?
– Sim?
– Foi você que roubou meus livros?
– Não! – Ele exclamou. – Porque eu...?
– James... – Ela chamou em tom de aviso.
– Foi.
Ela riu e beijou outra vez.
– Então quer dizer que o grande James Potter está lendo romances trouxas? – Lily perguntou levantando uma sobrancelha.
– Vamos nos atrasar, Lily! – Ele falou a puxando pela mão em direção à porta.
– Temos tempo para isso.
Ela ficou parada no meio da sala, o olhando e segurando o riso.
– Eles até que são bons e... – O homem começou.
– São péssimos, James!
– O que? São seus livros! Eu não achei eles ruins!
– Eu peguei eles da Petunia no ultimo verão! – Lily confessou rindo alto. – Eles são horríveis, James! Não acredito que você gostou!
– Eu não gostei! – Ele protestou, embora risse.
– Então porque não devolveu?
– Eu... eu queria ler outra vez para ver se entendi direito!
Lily soltou uma sonora gargalhada e balançou negativamente a cabeça.
– Pelo menos você vai ter o que conversar com a Petunia.
– Cala a boca, Lily! – Ele riu e se voltou para a porta, o rosto ligeiramente vermelho.
– Ah, eu acho que vou reconsiderar seu pedido se é assim que você fala comigo.
– Evans, Evans, Evans... – Ele falou virando outra vez e caminhando na direção de Lily. – Você vai se casar comigo agora, precisa me obedecer.
A mulher gargalhou outra vez no mesmo momento em que James a agarrou repentinamente pela cintura com uma das mãos e a beijou mais uma vez, a outra mão enterrada nos longos cabelos dela, enquanto as mãos dela passeavam entre a nuca e o alto das costas dele.
– Temos que ir. – Lily disse, ligeiramente sem folego e ainda de olhos fechados, quando finalmente se separaram.
– É, temos.
– Então vamos.
James e Lily continuaram na mesma posição.
– Vamos nos atrasar, Senhora Potter.
– É, vamos. – Lily sorriu ao ouvi-lo chamando-a assim.
– Eu não ligo.
– Nem eu.
Eles continuaram imóveis, parados meio entrelaçados no meio da sala, respirando fundo, sorrindo, os olhos fechados.
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