Scenes Of Our Lives
81 Até o fim
Notas iniciais
– Ele está comendo o seu cabelo.
Lily se moveu bruscamente, apertando mais a palma da mão contra as costas do bebê deitado sobre o seu busto, a mãozinha fechada segurando uma considerável quantidade de cabelo vermelho da mãe e levando a boca.
James sorriu, caminhou do batente da porta onde estava encostado até a cama e soltou a mecha de cabelo da mão da criança, que sorriu olhando para o pai, os vivos olhos verdes percorrendo o rosto tão parecido com o dele.
A mulher massageou as pálpebras com a mão livre e passou-a pelo rosto, abrindo os olhos lentamente e bocejando. Sentou-se devagar na cama, colocando Harry sentado sobre suas pernas cruzadas e tentando em vão ajeitar o cabelo do filho.
– Peguei no sono. Não dormi bem à noite. O Harry acordou a noite inteira.
– Você nunca dorme bem à noite.
– Não sei por que, a vida é tão tranquila e sem preocupações. – Lily revirou os olhos.
– Eu durmo bem. – James retrucou erguendo as sobrancelhas.
– Mentira. Falando em dormir mal... como foi lá?
– O mesmo de sempre. – James sentou pesadamente na cama, aos pés de Lily, e começou a brincar com Harry. — Acho que as coisas eram mais fáceis quando estávamos em Hogwarts e ele tinha A Casa dos Gritos e todos nós para ficar com ele. Agora se um de nós consegue estar lá na lua cheia já é um milagre.
Lily ficou em silencio por algum tempo, os olhos levemente marejados, antes de perguntar:
– Como ele está? Algum machucado sério? Ele devia ter vindo para cá...
– Tentei convencer ele a vir. – O homem entortou um pouco a boca. – Mas você sabe como ele é...
– Sei... – Ela abaixou os olhos.
– Como foi aqui? — James perguntou erguendo de repente a cabeça para Lily. — Tudo bem? Não aconteceu nada? Ninguém...?
– Voldemort passou aqui para tomar um chá comigo, mas foi embora cedo, não podia esperar por você. Tinha compromisso com os Comensais logo de manhã. – Lily revirou os olhos. – Tudo bem, James, se alguma coisa tivesse dado errado você não encontraria a gente aqui para te falar “a noite foi péssima, ainda bem que você não estava aqui.”.
– Muito reconfortante. – Ele resmungou.
– E você?
– Eu o que?
– Está tudo bem? Machucou-se? Ele te...?
– Eu estou bem, Lils. Uns arranhões nas costas, mas já dei um jeito neles, coloquei ditamno e tomei...
– Deixa eu ver! — Lily exclamou, colocando Harry na cama e puxando apressada a camiseta de James.
– Lily eu sei que a gente não passou a noite juntos, mas o Harry está aqui caso você não tenha percebido. – James riu.
– Isso não são só uns arranhões! – Ela falou alto, ignorando o comentário do marido e arregalando os olhos para os feios cortes nas costas dele. – Ele atacou você?
– Não fala isso para ele. – James se virou, segurando as mãos da mulher, o olhar quase suplicante. – Ele não se lembra. E não sabia o que estava fa...
– Eu sei, James. – Falou beijando a testa dele. – Mas feridas de lobisomem não curam tão fácil e...
– Já tive piores. E desse jeito você faz parecer que o Remus, o Remus que não faz nada mais pesado além de carregar livros, é mais forte do que eu. Isso é humilhação demais. O próximo passo é perder uma partida de quadribol para o Pettigrew.
Lily riu baixinho e balançou a cabeça.
– O que o Harry iria pensar de mim?
O menino olhava risonho para os pais conversando, uma mão na boca e outra no pé, mexendo nos dedos. Ele abriu um grande sorriso quando James e Lily se viraram para ele e de repente o garoto soltou um grito de alegria e bateu com as mãozinhas gordas no colchão.
– Dá para acreditar que ele já vai fazer um aninho? – Lily falou para o marido, beliscando levemente a bochecha do filho. – Parece que foi ontem que eu quase fiquei sem pulmões de tanto gritar tentando fazer ele sair de dentro de mim.
– É, me lembro como se fosse hoje. As marcas das suas unhas ainda estão em minhas mãos. – James respondeu rindo.
Lily sorriu e revirou os olhos, pegou Harry por debaixo dos braços e ergueu a altura do seu rosto.
– Ei, meu amor. Você sabia que já vai fazer um aninho? Você está ficando grande!
– É. Já pode até entrar para a seleção nacional de quadribol. Com certeza jogaria melhor do que estão jogando agora.
– Porque você sempre leva tudo para quadribol?
– O Harry gosta, não gosta, Harry? – Falou pegando o filho dos braços da mulher e jogando-o para o alto.
O menino riu alto, e assim continuou quando voltou para o colo do pai, ficando em pé sobre as pernas dele e mexendo em seus cabelos bagunçados.
– Porque ele gosta tanto de cabelo? – Lily questionou, observando a cena, com um grande sorriso nos lábios.
– Como não gostar do meu cabelo? Harry, quando você ficar mais velho, – James começou, colocando o garoto sentado a sua frente e de Lily. – vou te ensinar tudo sobre o nosso cabelo. Como conquistar várias garotas com ele.
– E você vai esquecer tudo que ele te disser, Harry. – Lily retrucou. – Não pode levar o papai a serio por nem um segundo, entendeu?
– Não dê ouvido a ela, Harry. Ela é chata.
– E seu pai um idiota.
– De novo, Harry, não dê ouvido a ela.
– Sabe, acho melhor não me dar ouvido mesmo. Só uma pessoa muito sem consciência pode se casar com James Potter e ainda escolher Sirius Black para ser padrinho do seu filho.
– Viu, ela é louca. – James completou para o filho, balançando a cabeça afirmativamente.
Harry olhava do pai para a mãe, rindo, mesmo sem entender absolutamente nada do que eles falavam.
– Devíamos ter chamado o Remus para ser seu padrinho.
– Eu não sei que imagem essa louca tem do Moony, mas com certeza está errada. Harry, conta para ela como o tio Moony realmente é.
– Ele com certeza é o melhor dos quatro. Harry, diga para o papai que eu estou certa.
– Não se deve mentir, Harry.
– Merlin! Como você é lindo! – Lily falou, olhando com um sorriso cada vez maior para o filho.
– Obrigado, Lils.
Ela deu um tapa no ombro de James, sem desviar o olhar da pequena criança a sua frente.
– Você é o bebê mais lindo que eu já vi, meu amor!
– Porque você é a minha cara.
– E já vai fazer um aninho.
– Ela ainda não se conformou com isso. – James balançou negativamente a cabeça.
– Não mesmo. O que vamos fazer no seu aniversario? Ah! Como eu queria fazer uma festa gigante para você! Meu menininho lindo!
– Quem sabe até lá Voldemort já tenha morrido, não é, Harry?
– Não fale de Voldemort para ele.
Lily parou, desviando o olhar, subitamente cheio de medo, para o marido e balançando devagar e negativamente a cabeça.
– Não precisamos falar dele para o Harry.
– Desculpe. – James respondeu em voz baixa. Ele parecia incapaz de encara-la por muito tempo.
– Não quero que ele tenha medo.
– Ele não entende. Não sabe quem é Voldemort.
– Não quero que ele tenha medo. – Lily repetiu, a voz quebrando e os olhos enchendo de lagrimas.
James ficou a observando por alguns segundos, assim como Harry, enquanto algumas lágrimas começaram a correr pelo rosto da mulher. Ele a abraçou, puxando-a para si e beijou a testa dela.
– Harry – Começou quando soltou a mulher, pegou o filho e apoiou-o na sua coxa. – você não precisa ter medo. Eu vou proteger a mamãe e você com tudo que eu puder. A mamãe também vai proteger você, também. Você não precisa ter medo de nada.
Harry olhava para cima, para o pai, o dedo na boca e os olhar atento às faces subitamente sem risos dos pais. Mas ele continuava sorrindo.
– Ele tem razão, Harry. – A mãe concordou. – Nós não vamos deixar nada acontecer com você. Não vou deixar ele te machucar, meu bebê.
– Ele é só um cara chato, feio e sem nariz. Não tenha medo dele. Ele nunca vai te vencer.
– E... e... e a gente vai estar sempre com você. Mesmo que... que...
– Mesmo que você quebre aquele vaso horrível que sua tia Petunia mandou no Natal a gente vai continuar gostando de você e ficando do seu lado sempre, filho. — O homem completou, sorrindo novamente, mesmo que bem menos. – Nós vamos estar sempre com você. Até o fim.
James beijou a cabeça de Harry, levantando-o de seu colo e passando-o para Lily, que cobriu o menino de beijos, fazendo o rir, e imitando James:
– Até o fim, Harry.
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